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O gênero feminino no Legendarium de J. R. R. Tolkien – Parte 01

Donzelas do Silmarillion (arte de Cristiana Leone).

Donzelas do Silmarillion (arte de Cristiana Leone).

Por: Cesar Augusto Machado*.

Publicado em: 11/02/2016.

Nota do editor – Tolkien Brasil: não deixe de assistir também ao vídeo sobre o tema deste artigo. Aproveite e se inscreva no canal do Tolkien Talk!

Este pequeno artigo tem o intuito de desmistificar a suposta falta de personagens femininas no Legendarium (saiba mais AQUI) do Professor Tolkien, bem como mostrar que além de numerosas, essas mulheres também são de vital importância para a mitologia.

Em geral os boatos de que Tolkien não tem mulheres em suas obras e que, até mesmo seria misógino, são fruto de pessoas desinformadas ou oportunistas. Para estas últimas não importa o que venha a ser escrito, pois seu único intuito é criar polêmica onde ela não existe. Mas é para os desinformados que volto a minha atenção e espero ajudar a todos que buscam uma fonte realmente embasada sobre o assunto.

De qualquer forma, este texto não é só uma resposta a este tipo de ataque calunioso (sobre a misoginia), mas sim uma homenagem às mulheres leitoras da obra do Professor Tolkien. Nas obras e na vida real, as mulheres têm o mesmo peso do que os homens, e é um prazer escrever sobre elas.

As personagens foram separadas por “espécie” e não por obras, desta forma entendemos a força feminina dentro do universo de Tolkien e não apenas com o foco no Senhor dos Anéis, onde teoricamente há menos mulheres do que em obras como o Silmarillion por exemplo.

Aqui NÃO estão todas as personagens femininas do Legendarium, mas apenas as que exerceram papéis expressivos na narrativa. Mesmo estas não serão detalhadas como eu desejava de início, pois o artigo seria gigantesco. Fiz algumas citações chave e complementei com comentários panorâmicos sobre cada uma delas.

Quer mais alguma informação? Deixe seu comentário e vamos conversando!

Ainur (as deusas ou anjos)

 

As Ainur são uma espécie de anjos, sendo separados em questão de poder em duas categorias, os Valar (mais poderosos) e os Maiar (vassalos dos Valar). Apesar de serem “anjos”, Tolkien faz distinção de gênero entre os Ainur:

Quando os Valar desejam trajar-se, porém, costumam assumir, alguns, formas masculinas, outros, formas femininas; pois essa diferença de temperamento eles possuíam desde o início…” (Silmarillion – Ainulindalë, página 11.)

no momento previsto, foi criada Arda, o Reino da Terra. Eles então vestiram os trajes da Terra, desceram até ela e a habitaram.” (Silmarillion – Valaquenta, página 15.)

Quanto aos Ainur, Tolkien se preocupou em fazer um número igual de anjos de cada gênero, mas não explicou o porquê disto:

Os Senhores dos Valar são sete; e as Valier, as Rainhas dos Valar, são também em número de sete… Os nomes dos Senhores na ordem correta são Manwë, Ulmo, Aulë, Oromë, Mandos, Lórien e Tulkas; e os das Rainhas são Varda, Yavanna, Nienna, Estë, Vairë, Vána e Nessa.” (Silmarillion – Valaquenta – Dos Valar, página 16.)

Sobre as VALIER

Varda – a mais poderosa valier

Com Manwë mora Varda, Senhora das Estrelas… Quando Manwë sobe ao seu trono e olha em volta, se Varda estiver a seu lado, ele vê mais longe do que todos os outros olhos, através da névoa, através da escuridão e por sobre as léguas dos mares. E, se Manwë estiver com ela, Varda ouve com mais clareza do que todos os outros seres o som de vozes que gritam de leste a oeste… os elfos sentem maior reverência e amor por Varda. O nome que lhe dão é Elbereth, e eles o invocam das sombras da Terra-média, elevando-o em hino quando nascem as estrelas” (Silmarillion – Valaquenta – Dos Valar, página 16 e 17.)

Aqui vemos uma passagem interessante onde Manwë só pode fazer determinada ação na presença de sua companheira e vice e versa, numa clara mensagem de cooperação e amor mútuo. Porém mesmo Manwë sendo o mais poderoso dos Valar, ele não é o mais venerado pelos elfos, mas sim Varda.

Criadora das estrelas foi a responsável por colocar luz no mundo de trevas. Quando os elfos vieram à vida, a primeira coisa que viram foram as estrelas criadas por Varda e é dai que se origina o grande amor que eles têm por ela.

A estrela de Eärendil, cuja luz Galadriel captura na água de seu espelho e presenteia Frodo, foi colocada nos céus por Varda. Por isto, Samwise Gange invocou “Elbereth” durante o confronto com Laracna. Além das estrelas, os cursos do Sol e da Lua também foram estabelecidos por ela. Frodo a invocou durante diversas vezes em o Senhor dos Anéis, mais especialmente ao ser atingido pela lâmina morgul do senhor dos Nazgûl.

Além dos dois nomes já citados, Varda é invocada por mais outros seis nomes.

Yavanna – a amorosa e obstinada

A esposa de Aulë é Yavanna, a Provedora de Frutos… Na forma de mulher, ela é alta e se traja de verde; mas às vezes assume outras formas… Kementári, Rainha da Terra, é seu sobrenome na língua eldarin…” (Silmarillion – Valaquenta – Dos Valar, página 18.)

É a criadora da fauna e flora no planeta. Todos os seres vivos exceto homens, elfos, anões e orcs são fruto de seu trabalho. Os Ents são criaturas imaginadas por ela para proteger suas criações, assim como as grandes águias são um trabalho em conjunto com Manwë para proteger todo o reino de Arda (a Terra).

De seu esforço surgiram as duas árvores de Aman (Telperion e Laurelin), cuja luz foi capturada e 

Yavanna Kementari (arte de zhaana).

Yavanna Kementari (arte de zhaana).

inserida nas Silmarils. As árvores foram um trabalho tão intenso e único que depois de destruídas nunca mais puderam ser “refeitas”, nem mesmo por ela. A árvore branca de Gondor é uma descendente (aproximadamente a 6ª geração) da árvore Telperion de Valinor. Também foi da luz de Telperion, que Varda utilizou-se para criar as estrelas e a lua.

Yavanna foi a primeira a se pronunciar contra Melkor (Morgoth) e pedir dos outros Valar uma atitude para rechaça-lo. Ao longo do Silmarillion se mostra a Valië mais obstinada em proteger a Terra e seus seres viventes. Possui uma personalidade forte e doce ao mesmo tempo.

Vairë – a senhora dos espíritos

Vairë, a Tecelã, é sua esposa (de Námo), e tece em suas telas, repletas de histórias, todas as coisas que um dia existiram no Tempo…” (Silmarillion – Valaquenta – Dos Valar, página 19.)

Não há outras passagens sobre Vairë além desta, porém o Silmarillion é um trabalho póstumo, então eventualmente Tolkien poderia tê-la desenvolvido melhor se tivesse tempo.

Estë – a curadora

Estë, a Suave, curadora de ferimentos e da fadiga…. Cinzentos são seus trajes, e o repouso é seu dom.” (Silmarillion – Valaquenta – Dos Valar, página 19.)

Nos jardins de Irmo, seu marido, Estë usa todo o seu poder de cura para aqueles que precisam. Os jardins são os “Jardins de Lórien” que inspiraram Galadriel (tanto na beleza quanto no descanso) em seu “reino” na Terra-média: Lothlórien.

A mais famosa maia, Melian, foi vassala de Estë e com ela muito aprendeu.

Estë ajudou Varda a dividir o dia e a noite proporcionando descanso para elfos e homens.

Nienna – a solitária e senhora da compaixão

Mais poderosa do que Estë é Nienna, irmã dos fëanturi, que vive sozinha. Ela conhece a dor da perda e pranteia todos os ferimentos que Arda sofreu… Não chora, porém, por si mesma; e quem escutar o que ela diz, aprende a compaixão e a persistência na esperança (Silmarillion – Valaquenta – Dos Valar, página 19.)

Um dos vassalos de Nienna é Gandalf, que a partir de seus ensinamentos se tornou sábio, paciente e misericordioso e foi o principal agente na vitória sobre Sauron, justamente por ter estas características. Quando as palavras profundas de Gandalf são ditas em O Senhor dos Anéis, elas podem ser consideradas como ecos de Nienna. Ao final do Retorno do Rei, no capitulo “O Expurgo do Condado”, é possível perceber que Frodo se torna sábio e misericordioso como Gandalf e nisto vemos Nienna refletida.

Graças ao trabalho em conjunto de Yavanna e Nienna, as duas árvores de Valinor brotaram um fruto cada antes de sua morte e a partir deles Varda trabalhou o Sol e a Lua.

Nessa – a amazona

Sua esposa (de Tulkas) é Nessa, a irmã de Oromë, e também ela é ágil e veloz. Ama os cervos, e eles acompanham seus passos onde quer que ela vá aos bosques; mas ela corre mais do que eles, célere como uma flecha com o vento nos cabelos. (Silmarillion – Valaquenta – Dos Valar, página 20.)

Além desta, existe apenas mais uma passagem sobre Nessa, mas ela não impacta no conjunto da obra. Assim como Vairë, talvez Tolkien poderia tê-la desenvolvido melhor se tivesse tempo, visto que suas ações parecem complementar a vida pulsante dos animais que Yavanna tanto ama.

Vána – a jovem flor

A esposa de Oromë é Vána, a Sempre-jovem, irmã mais nova de Yavanna. Todas as flores brotam à sua passagem e se abrem se ela as contemplar de relance. E todos os pássaros cantam à sua chegada.” (Silmarillion – Valaquenta – Dos Valar, página 20.)

Vána tem um papel colaborativo na melhoria das obras de sua irmã, pois é ela quem ajuda no crescimento, desenvolvimento e beleza da fauna e flora. Assim como Nessa, seu trabalho complementa o de Yavanna.

Sobre as MAIAR

Uinen – Senhora dos Mares

… Uinen, a Senhora dos Mares … ama todas as criaturas que habitam as correntes salgadas e todas as algas que ali se desenvolvem. Por ela clamam os marinheiros, pois Uinen pode impor a calma às ondas, restringindo a ferocidade de Ossë. Os númenorianos viveram muito tempo sob sua proteção e sentiam por ela reverência igual à que dedicavam aos Valar.” (Silmarillion – Valaquenta – Dos Maiar, página 22.)

Ao longo da obra de Tolkien, Uinen (vassala de Ulmo, assim como Ossë) se mostra a única maia a ser reverenciada como Varda. É uma espécie de “padroeira” dos navegantes e marinheiros. A única que pode conter o humor instável do marido e acalmar o mar ao mesmo tempo. Se não fosse por ela, Melkor, o primeiro Senhor do Escuro teria trazido Ossë para sua vassalagem e teria se tornado ainda mais perigoso.

Uinen (arte de Jonathon Earl Bowser).

Uinen (arte de Jonathon Earl Bowser).

Ela também é uma personagem essencial para a finalização, uma importante passagem, onde sua tristeza gerou uma tormenta no mar, que como um revide ao fratricídio de Alqualondë, naufragou diversos barcos noldorin.

Melian – a sábia

Melian era uma Maia, da raça dos Valar. Vivia nos jardins de Lórien, e entre todos os de seu povo não havia ninguém mais bela do que Melian, nem mais sábia, nem mais hábil em canções de encantamento.” (Silmarillion – Capitulo IV – De Thingol e Melian, página 57.)

Melian escolheu casar (o único casamento entre maia e elfo) com um dos mais poderosos elfos de todos os tempos e do seu casamento veio a mais bela criatura que já pisou em Arda, Lúthien Tinúviel. Para sua filha Melian passou não só beleza e sabedoria, mas também um grande dom para encantamentos.

Com seu poder, Melian era capaz de criar o “Cinturão de Melian” e proteger todo o reino de Thingol, seu marido. Melian tinha o dom da previsão e a ruína de Thingol veio justamente por ele ter ignorado um de seus conselhos.

Galadriel foi sua pupila e com ela muito aprendeu em Doriath. Muitas das ações de Galadriel em O Senhor dos Anéis reverberam a sabedoria de Melian. Um exemplo disto é o cinturão de proteção ao redor de Lothlórien. Outra ação idêntica é que o pão de viagem élfico, o “Lembas”, só podia ser distribuído pela rainha élfica e Melian e Galadriel foram as únicas a fazerem isto.

Era carinhosa com a raça humana, em especial com Beren e Túrin.

Arien – a poderosa maia do fogo, o Sol de Arda

A donzela que os Valar escolheram entre os Maiar para conduzir a nave do Sol chamava-se Arien; e aquele que guiava a ilha da Lua foi Tilion (…) Arien, a donzela, era mais poderosa do que ele, e foi escolhida por não ter sentido medo do calor de Laurelin e por não ter sido ferida por ele, já que desde o início ela era um espírito de fogo que Melkor não havia conseguido enganar nem atrair para seu serviço. Os olhos de Arien eram brilhantes demais até mesmo para os elfos contemplarem; e, ao deixar Valinor, ela abandonou a forma e os trajes que, como os Valar, usava lá e se tornou como que uma labareda nua, terrível na plenitude de seu esplendor (…) E a primeira aurora do Sol foi como um enorme incêndio sobre as torres das Pelóri: as nuvens da Terra-média foram aquecidas, e ouviu-se o som de muitas cachoeiras. Então, Morgoth de fato se intimidou, enfurnou-se nas maiores profundezas de Angband e recolheu seus servos, emitindo vapores fortíssimos e uma nuvem negra para ocultar seus domínios da luz da Estrela do Dia (…) E de Arien, Morgoth sentia um medo imenso e não ousava se aproximar, já não possuindo mais esse poder.” (Silmarillion – Capitulo XI – Do Sol, da Lua e da ocultação de Valinor, páginas 116, 117, 118 , 119 e 120)

Arien não só era corajosa como recusou as propostas de Morgoth para recrutá-la. Ela é o equivalente ao Sol e sua subida aos céus é o ponto de partida para o começo da vida dos homens em Arda. É muito mais poderosa do que o maia que representa a Lua e o inicio de seus trabalhos instituíram a divisão de dias e noites até então não existentes.

Sua passagem apesar de grande é a única no Silmarillion. Em o Senhor dos Anéis, quando Gandalf enfrenta o balrog na ponte de Moria, ele grita sobre a “Chama de Anor”, o que alguns entendem como sendo o “Sol”, neste caso, Arien. Não que ele invocasse Arien, mas sim que seu poder era conectado ao fogo, luz e justiça.

Em alguns escritos da série “History of Middle-earth” (conhecido como HoME), Arien teria tido um conflito direto com Morgoth que ansiava por toma-la como esposa. Do embate entre eles Arien sofreu uma mácula em seu poder, mas não o teve diminuído, já Morgoth fugiu de medo das consequências de seu ataque covarde a ela. As passagens do HoME geram muitas questões sobre serem canônicas ou não, esta é uma delas.

Elfas

Galadriel – a senhora da luz dos elfos

… o Anel de Diamante estava na Terra de Lórien, onde morava a Senhora Galadriel.

Rainha era ela dos elfos dos bosques…pertencia aos noldor, lembrava-se do Dia antes dos dias em Valinor e era a mais bela e poderosa de todos os elfos que restavam na Terra-média” (Silmarillion – Dos anéis de poder e da Terceira Era, página 380.)

Seus feitos e qualidades são tantos que esta pequena descrição é insuficiente.

Galadriel é uma elfa nobre (princesa Noldor) e que muito aprendeu com Melian. É descrita como uma 

Galadriel (arte de Magali Villeneuve).

Galadriel (arte de Magali Villeneuve).

amazona em sua juventude, praticante de atividades físicas, alta e valente. Ainda jovem recusou as investidas de Fëanor e ajudou a liderar seu povo em uma travessia desesperada pelo Gelo de Helcaraxë.

Há divergências sobre o título de “Rainha”, ao qual ela mesma escolhera não usar, preferindo o termo de “guardiã de Lórien”.

Foi ela quem convocou o Conselho Branco e expurgou Dol Guldur. Foi uma das poucas a resistir à tentação do Um anel e também rechaçou mentalmente o poder de Sauron que a muitos dominou por telepatia (Como Saruman e Denethor por exemplo).

Foi a portadora exclusiva de Nenya, o anel da água. Desde sua forja em Eregion até o fim de seu poder com a destruição de Sauron, Galadriel foi a única pessoa a utilizar este anel.

Sábia e bela passou ambas destas qualidades para sua neta, Arwen.

Lúthien – a mais bela de todos os seres

…Lúthien era a mais bela de todos os Filhos de Ilúvatar… como as estrelas acima das névoas do mundo, tal era sua glória e sua beleza. E em seu rosto havia um brilho esplendoroso.” (Silmarillion – De Beren e Lúthien, página 207.)

Assim como Galadriel, as façanhas de Lúthien são desmerecidas em uma pequena sinopse.

Lúthien (arte de Esmira).

Lúthien (arte de Esmira).

 Ao se casar com Beren, houve a primeira das três únicas uniões entre homens e elfos do Legendarium. Além de ser a mais bela criatura que já pisou em Arda, Lúthien tinha imensos poderes de encantamentos. Enfrentou Sauron e o próprio Morgoth utilizando-se de seus inúmeros dons.

Obstinada, enfrentou muitos perigos por amor a Beren, e no fim, escolheu uma vida mortal para compartilhar com ele.

Idril Celebrindal – a princesa de Gondolin

…mais bela do que todas as maravilhas de Gondolin era Idril, filha de Turgon, que foi chamada de Celebrindal, a Pés-de-prata, cujos cabelos eram como o ouro de Laurelin…” (Silmarillion – Dos noldor em Beleriand, página 155)

Idril foi assim como Lúthien e Arwen, uma princesa élfica que se casou com um homem, Tuor. Graças a sua sabedoria, muitos dos habitantes de Gondolin sobreviveram ao ataque de Morgoth que destruiu a cidade. Ela secretamente mandou construir um túnel estratégico para uma eventual fuga da cidade, o que se provou crucial para a sobrevivência de seu filho Eärendil. De seu filho surgiu a salvação dos povos livres da Terra-média.

Arwen – a Estrela Vespertina

foi assim que Frodo viu aquela que poucos mortais viram: Arwen, a filha de Elrond, através da qual, dizia-se, a figura de Lúthien tinha voltado à terra de novo. E ela era chamada de Undomiel, pois era a Estrela Vespertina de seu povo. Tinha permanecido muito tempo na terra dos parentes de sua mãe, em Lórien…” (O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel – Livro II – Capitulo I – Muitos encontros – página 314.)

Arwen tem muitas semelhanças com Lúthien, não só fisicamente, mas também por ter sido a terceira e última elfa a se casar com um homem.

Arwen Undómiel.

Arwen Undómiel.

Ao contrário dos filmes, Arwen não desempenha a fuga com Frodo para Valfenda, isto foi uma licença poética de Peter Jackson para incrementar o roteiro. Nos livros Arwen tem um papel simples e é descrita como uma grande rainha para o povo de Gondor.

Teve um final melancólico e que simboliza o fim dos elfos na Terra-média.

Elwing – a mãe dos meio-elfos

…pois Ulmo erguera Elwing das ondas e lhe dera a aparência de uma grande ave branca. E em seu peito brilhava, como uma estrela, a Silmaril, enquanto ela voava sobre as águas em busca de Eärendil, seu amado. A certa hora da noite, Eärendil, no leme de seu barco, percebeu que ela vinha em sua direção, como uma nuvem branca de velocidade extraordinária à luz da Lua, como uma estrela acima do Mar, fazendo uma trajetória estranha, uma chama pálida nas asas de uma tempestade.” (Silmarillion – Da viagem de Eärendil e da Guerra da Ira, página 315)

Elwing é neta de Lúthien e se casou com o filho de Idril Celebrindal. A trajetória dela e de seu marido é a mais heroica do Legendarium de Tolkien.

Elwing (arte de Steamey).

Elwing (arte de Steamey).

 Graças ao seu sacrifício em proteger uma das Silmarils, Eärendil, seu marido, pode encontrar o caminho para chegar a Aman e conseguir o perdão e ajuda dos Valar.

A ela e a Eärendil foi dada a opção de escolherem se desejavam ser da raça dos homens ou dos elfos. Como ela desejava ser da raça dos elfos, seu marido abdicou de sua própria vontade para satisfazer a esposa.

Ela sabe a língua dos pássaros e com eles aprendeu a voar.

 

(Continua…)

 

*Cesar Augusto Machado é entusiasta de Tolkien há vários anos e colaborador do Tolkien Brasil.

*Cesar Augusto Machado é entusiasta de Tolkien há vários anos e colaborador do Tolkien Brasil.

 

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  • Marcelo De Santis

    Só algumas curiosidades de ordem terminológica.
    Não seria correto dizer “Varda – a mais poderosa valië”
    E, com relação a flexibilização do conceito Ainur/Ainu, não caberia a utilização dos termos Aina ou Airë como sua forma feminina?
    Isso nem sequer chega a ser uma sugestão, são apenas dúvidas mesmo, isto porque entendo muito pouco sobre a questão linguística.

  • Pingback: O gênero feminino no Legendarium de J. R. R. Tolkien – Parte 02 - Tolkien Brasil | Tolkien Brasil()

  • Ronald Kyrmse

    Sobre este tema existe um livro composto a 23 pares de mãos (quase todas femininas), organizado pela Rosana Rios: “Senhoras dos Anéis: Mulheres na Obra de J.R.R. Tolkien”. Foi publicado em 2005 pela Devir.