Saiba mais sobre O Hobbit, Senhor dos Anéis…

O valor de “O Gnomo” de J.R.R. Tolkien

Existem quatro traduções do Hobbit em língua portuguesa. A primeira tradução foi publicada em 1962, com o título de “O Gnomo”, pela editora Civilização em Portugal. Em seguida o Brasil teve sua primeira tradução do livro em 1976, pela editora artenova, agora com o título de “O Hobbit”. Após vários anos, em 1985 a editora Europa-américa publica uma nova edição do Hobbit em Portugal. No Brasil a tradução mais recente foi a da editora Martins Fontes publicada em 1995.

Traduções do hobbit para o português

Traduções do hobbit para o português

Apesar do título muito estranho e até cômico hoje em dia, o livro “O Gnomo” é considerado o livro em língua portuguesa mais valorizado entre colecionadores de livros do Tolkien. Vejamos alguns pontos que demonstram isso.

1 – Quinta tradução mundial de O Hobbit

Após a segunda guerra mundial, as negociações para as primeiras traduções dos livros de Tolkien puderam ser retomadas.

Em 1947 foi publicada a primeira tradução do Hobbit, em Sueco, com o título “Hompen eller En resa Dit och Tillbaks igen”. Dez anos depois, foi publicado na Alemanha com o título “Kleiner Hobbit und der große Zauberer”. Em 1960 na Polônia com o título “Hobbit, czyli tam i z powrotem” e no mesmo ano na Holanda com o título “De Hobbit of daarheen en weer terug”.

Após essas quatro traduções, em 1962 foi publicado O Gnomo, em Portugal. O fato de ser uma das primeiras traduções no mundo do Hobbit faz com que O Gnomo seja valorizado, nesse aspecto histórico das publicações.

2 – A tradução do título “O Hobbit” para “O Gnomo”

A primeira tradução do Hobbit feita na Suécia alterou o título do livro para “Hompen”. Para a tristeza de Tolkien, que considerava que o nome “hobbit” não deveria ser traduzido por ser um nome próprio criado por ele.

Ele deixou então expresso em suas cartas que ficou “furioso” com essa alteração do título na primeira tradução e deixou claro que não iria tolerar que se alterasse novamente o nome em futuras traduções.

Seguindo o que o Tolkien disse, as outras traduções que seguiram mantiveram o nome “Hobbit” inalterado. Contudo, em 1962 foi publicado “O Gnomo” em Portugal.

Na época, a representante internacional da editora inglesa não conseguiu entrar em contato a tempo para informar aos tradutores de Portugal que o nome “Hobbit” não deveria ser traduzido. E essa falta de comunicação fez com que os tradutores alterassem o nome de Hobbit para Gnomo, acreditando serem as mesmas criaturas.

Os outros nomes do livro após ‘O Gnomo’ mantiveram o nome “Hobbit” inalterado ou adaptaram o para suas línguas, mas mantiveram a forma parecida. Dessa forma, O Gnomo é o único livro traduzido do Hobbit com o título sem nenhuma relação com a palavra original “Hobbit”.

Abaixo a lista de traduções que alteraram o título do livro, nos anos que o Tolkien ainda estava vivo:

1947 – Hompen eller En resa Dit och Tillbaks igen (Sueco)
1962 – O Gnomo (Portugal)
1964 – El Hobito (Argentina – Espanhol)
1965 – Hobitto no Bōken (Japonês)
1969 – Hobbitten, eller ud og hjem igen (Dinarmarquês)
1972 – Hobbiten, eller fram og tilbake igjen (Norueguês)
1973 – Lohikäärmevuori, eli Erään hoppelin matka sinne ja takaisin (Finlandês)

Em 1970 foi decidido pelo editor do “Oxford Dictionary” que em uma atualização do dicionário seria incluída a palavra “Hobbit” com um significado próprio fornecido pelo próprio Tolkien. Assim, até hoje permanece a palavra “Hobbit” no dicionário de Inglês de Oxford.

3 – Época da publicação e baixa tiragem

Em 1962 Portugal estava sob o domínio da ditadura de Salazar e isso faz com que as relações internacionais fossem sempre muito bem vigiadas e fiscalizadas pela censura.

O Gnomo de J.R.R. Tolkien

O Gnomo de J.R.R. Tolkien

Além disso, O Gnomo foi a única obra traduzida para o Português publicada durante a vida de Tolkien. Foi em uma época ainda mais especial, pois foi anterior ao sucesso de O Senhor dos Anéis em 1965, em decorrência da explosão de vendas das edições piratas da editora Ace Books.

A tiragem original do livro é considerada baixa. Sendo lançados apenas 2.965 exemplares na época, que foram sendo reduzidos com o passar do tempo.

4 – Conexão com Tolkien

Em 20 de Março de 1963 Alina Dadlez, que era a representante internacional da editora de Tolkien, escreveu para o professor, enviando cinco exemplares de “O Gnomo” pedindo desculpas pelo título ter sido traduzido.

Além de possuir os exemplares do livro, o professor Tolkien tirou fotos segurando o exemplar do livro, em uma rara seção de fotos tiradas em 1966. Conforme, pode-se ver abaixo pedaços das fotos:

Tolkien e o livro O Gnomo

Tolkien e o livro O Gnomo

Como possuía os exemplares, Tolkien declarou não ter gostado da tradução do livro, especialmente por não ter mantido a fidelidade do texto e especialmente por ter mudado o nome de “O Hobbit” para “O Gnomo”.

5 – Ilustração original

É o primeiro e até o momento o único livro do Hobbit que contém ilustrações feitas por um artista natural do país que faz a tradução para o Português. As versões posteriores reproduzem ilustrações do próprio Tolkien ou de artistas fora do país de origem da tradução.

O artista António Quadros fez a série de ilustrações em um estilo bastante infantil. Veja como ficou o desenho do Smaug e do Bard:

O Gnomo - Smaug e Bard

O Gnomo – Smaug e Bard

Tolkien também declarou uma vez a seu amigo Kilby, que achou as ilustrações de O Gnomo “horríveis”, não apenas por estarem diferentes em relação a descrição do livro, mas por buscarem uma infantilização excessiva nas figuras.

Assim, por todo esse histórico (ainda que negativo em alguns aspectos) e relação com o professor Tolkien, O Gnomo é valorizado entre colecionadores. Mas se você não é colecionador dos livros do Tolkien, é melhor permanecer com sua edição mais comum e evitar gastar muito dinheiro em uma edição de O Gnomo.

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3 comentários

  1. Negão Bola 8 /

    Além das traduções em “português de Portugal” e “português do Brasil” citadas neste artigo, poderíamos considerar mais uma tradução em português, a edição em “português da Galiza”. Segue na imagem anexa:

    • Consideramos o Galego como outra língua, como de fato é, embora tenha raízes semelhantes com o Português.

      • Negão Bola 8 /

        Entendo seu ponto de vista, na verdade, nem aqui na Galiza é consenso o fato de o “galego” ser ou não uma variante de português. Estoi nhuna comunidade ‘reintegracionista’, que acredita que o galego e o português são a mesma língua, aqui lutamos para que o galego siga a grafia portuguesa.

        Se os senhores ampliarem a foto que anexei acima poderão ver a grafia oficial imposta pelo governo espanhol. A norma oficial na que escreve o governo e instituições galegas sofreu muita influencia do espanhol (para enfraquecer o separatismo
        tentam acabar com as línguas naturais, isso não acontece apenas com o galego, mas também com o catalão e o basco), mas aqui existem vários grupos que pedem uma forma escrita mais próxima ao português, ou a utilização simplesmente da ortografia
        portuguesa. Ainda hoje o debate de o galego e o português serem a mesma língua está muito politizado até mesmo aqui.

        Eu só quis trazer uma curiosidade mesmo . . .

        Se tiverem curiosidade sobre o “reintegracionismo”, podem ver um
        pouco mais aqui: http://gl.wikipedia.org/wiki/Reintegracionismo

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