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Novo Livro de Tolkien: ‘Beren and Lúthien’, para 2017

Hurin galleys

Por: Sérgio Ramos

Publicado em: 19/10/2016.

Nunca chamei Edith de Lúthien – mas ela foi a fonte da história que no devido tempo tornou-se a parte principal do Silmarillion. Foi primeiramente concebida em uma pequena clareira em um bosque repleta de cicutas em Roos em Yorkshire (onde por um breve período estive no comando de um posto avançado da Guarnição Humber em 1917, e pôde morar comigo por um tempo). Naqueles dias seu cabelo era preto, sua pele clara, seus olhos mais brilhantes do que você os viu, e ela sabia cantar – e dançar.”J. R. R. Tolkien, Carta para Christopher Tolkien, 11 de julho de 1972

Foi assim que nasceu aquela que, para Tolkien, seria a principal história de sua mitologia, quando sua esposa Edith dançou para ele em meio às árvores em plena Primeira Guerra Mundial. Pois justamente marcando o centenário deste fato, a editora britânica HarperCollins anunciou o lançamento para 2017 de uma edição de “Beren and Lúthien”, contendo um compilado das diferentes versões da história que seu criador escreveu ao longo de sua vida.

O livro será lançado exatamente 10 anos depois de “Os Filhos de Húrin” (2007) que, assim como este novo lançamento, foi editado por Christopher Tolkien, herdeiro literário e figura praticamente tão importante quanto o próprio pai da Terra-média. As duas histórias (“Os Filhos de Húrin” e “Beren e Lúthien”), juntamente com o conto de “A Queda de Gondolin” formam os três principais pilares sobre os quais se sustenta O Silmarillion. Sobre isso, Ronald Tolkien afirma na Carta n. 131:

A principal das histórias do Silmarillion, e que recebe o tratamento mais pleno, é a História de Beren e Lúthien, a Donzela-Élfica. Aqui encontramos, entre outras coisas, o primeiro exemplo do motivo (que se tornará dominante nos Hobbits) de que as grandes políticas da história mundial, ‘as rodas do mundo’, são frequentemente giradas não pelos Senhores e Governantes, ou mesmo os deuses, mas pelos aparentemente desconhecidos e fracos – devido à vida secreta que há na criação, e à parte incompreensível de toda a sabedoria, exceto a do Um, que reside nas intrusões dos Filhos de Deus no Drama. É Beren, o mortal proscrito, que é bem-sucedido (com o auxílio de Lúthien, uma simples donzela, mesmo que uma elfa pertencente à realeza) onde todos os exércitos e guerreiros falharam: ele penetra na fortaleza do Inimigo e arranca uma das Silmarilli da Coroa de Ferro. Dessa maneira, ele obtém a mão de Lúthien e o primeiro casamento de mortal e imortal é realizado.”J. R. R. Tolkien – Carta para Milton Waldman, 1951

O novo livro, editado por Christopher Tolkien (que completa seus 92 anos de idade em novembro), terá ilustrações de Alan Lee e está previsto para ser lançado em maio de 2017 (a livraria Amazon registrou a data de 04 de maio, bem como um total de 304 páginas e preço de £20.00).

Capa de "Beren and Lúthien", arte de Alan Lee (clique para ampliar).

Capa de “Beren and Lúthien”, arte de Alan Lee (clique para ampliar).

Segundo o comunicado da HarperCollins, encaminhado por seu funcionário David Brawn, Christopher Tolkien…

Tentou extrair a história de Beren e Lúthien do trabalho abrangente em que foi incorporado; mas esta história foi ela mesma se alterando conforme se desenvolviam novas associações com a história maior. Para mostrar um pouco do processo pelo qual esta lenda da Terra-média evoluiu ao longo dos anos, ele contou a história através das próprias palavras de seu pai, entregando, em primeiro lugar, a sua forma original, e, em seguida, passagens em prosa e verso a partir de textos posteriores que ilustram a narrativa conforme foi sendo alterada. Apresentados em conjunto pela primeira vez, eles revelam aspectos da história, tanto no evento quanto na imediação narrativa, que foram posteriormente perdidos.

Os leitores ao redor do mundo, ao verificar que será lançada uma “forma original”, como dita acima, começaram a se perguntar se isso queria dizer que o livro seria construído da mesma forma que seu antecessor “Os Filhos de Húrin”, ou seja, uma única narrativa sequencial. Segundo os tolkienistas Christina Scull e Wayne G. Hammond, no entanto, não seria esse o caso. Eles entendem que “forma original” presumidamente é “a versão mais antiga que sobreviveu, escrita a tinta sobre a versão a lápis que Tolkien escreveu primeiro, em The Book of Lost Tales [O Livro dos Contos Perdidos], como sendo o The Tale of Tinúviel [O Conto de Tinúviel]. Este evoluiu conforme o legendário cresceu, como relatado em vários volumes do The History of Middle-earth e descrito em pormenores no nosso J. R. R. Tolkien Companion and Guide”.

O novo livro é mais uma importante peça para todos os leitores sérios de J. R. R. Tolkien: reflete um acontecimento real de sua vida com Edith que originou a principal lenda de sua mitologia; mostra as diversas versões do processo evolutivo da história; é uma edição de Christopher Tolkien que, apesar da idade avançada, ainda trabalha firmemente nos escritos de seu pai.

Para nós, que sempre queremos nos aprofundar cada vez mais no Legendário de Tolkien, resta agora a esperança de vermos, quem sabe num futuro próximo, também uma edição exclusiva para o conto que falta; aliás, o primeiro que foi escrito dentro de sua mitologia: A Queda de Gondolin.

É cedo para palpites, mas algo me diz que Ronald Kyrmse irá traduzir este “Beren and Lúthien” e esse lançamento virá para o Brasil…

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Um comentário

  1. Abner Junior /

    Aguardando ansiosamente essa tradução!

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