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Artigo: Os escritos inéditos de J.R.R.Tolkien

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Os escritos inéditos de J.R.R.Tolkien

Eduardo Stark

Nesse ano (2013) milhares de estudiosos e fãs do professor Tolkien aguardaram a publicação do livro A Queda de Artur (The Fall of Arthur). O livro é um poema não terminado escrito por Tolkien que conta parte da  história do rei Artur, sugerindo em algumas partes uma conexão dessa história com o mundo mitológico de fantasia em que se passa o Senhor dos Anéis.

Esse poema só era conhecido anteriormente por trechos publicados ou por citação de sua existência em livros de pessoas que tiveram acesso ao documento nos arquivos das Universidades depositárias.

Bem, sabe-se que Tolkien escreveu diversos textos, mas que a maior parte (quase todos) eram feitos para seu divertimento pessoal ou de seus conhecidos. Por isso grande parte do que ele escreveu permaneceu oculto após a sua morte.

Em entrevista a Lars Gustafsson em 1961 (veja essa entrevista completa AQUI, o professor Tolkien mostrou o seu escritório e o jornalista ficou maravilhado com a quantidade de manuscritos que ali se encontrava.

Lars Gustafsson narra esse momento com emoção:

“E, em um canto do seu quarto, ele me mostra uma enorme pilha de manuscritos em pastas, o que eu não tinha notado antes. O que foi publicado até agora compreende cerca de três mil páginas. Nesta sala, ele mantém em torno de cinqüenta mil! Por um momento, eu sinto todo o meu poder de compreensão cair: como isso pode ser possível? É verdade que o Professor Tolkien está perdido em um mundo de seus próprios contos de fadas desde 1917, mudo e cego por uma imaginação semelhante a uma força da natureza? Ou entendi errado? Eu não entendi errado”.

O professor Tolkien logo responde a essa indagação, deixando claro que havia muita coisa nova nesses escritos relacionado ao seu mundo:

 “O que eu tenho publicado, você vê, é apenas uma parte de um conto muito maior. É muito longo, abrangendo cerca de mil anos. E há tantas histórias. Minha ideia é publicar a maior parte dele antes de morrer, se alguém estiver interessado nisso. Como um todo, torna-se uma espécie de história. Eu também tentei levar a história em frente no tempo, mas eu não poderia.”

Sabe-se que o professor Tolkien estava nessa época se dedicando ao Silmarillion, mas que encontrava enorme dificuldades, tanto pelo avanço de sua idade, quanto por questões da própria complexidade do mundo criado.

Infelizmente o professor Tolkien não conseguiu publicar todos esses escritos, pois ele veio a falecer em 1973, deixando uma série de contos inacabados.

Posteriormente, o seu filho Christopher Tolkien, se dedicou em reunir esses textos e publicá-los com comentários e análises profundas. Primeiramente trabalhando como editor do Silmarillion (reunindo as partes escritas que tivessem mais coerência e que fossem recentes) que foi publicado em 1977, e depois no livros Contos Inacabados em 1981.

Ocorre que ao investigar os documentos para a composição do Silmarillion, o próprio Christopher Tolkien, que tinha acompanhado os últimos momentos de vida de seu pai e também a escrita do Silmarillion, ficou maravilhado com os outros textos que ali se encontravam e decidiu que eles também mereceriam um tratamento e comentários. Foi assim que surgiu a conhecida série THE HISTORY OF MIDDLE EARTH (ainda não publicada no Brasil veja AQUI um artigo a respeito).

Nessa série de 12 volumes publicados na década de 80 e 90 do século passado, o Christopher Tolkien apresenta e comenta uma série de manuscritos do legendarium de Tolkien. A grande maioria são textos não terminados, mas que muitos refletem o pensamento final de Tolkien a respeito de algo do seu universo ou são os rascunhos escritos durante a feitura do Senhor dos Anéis e do Silmarillion.

Mesmo com a publicação dos 12 volumes, ainda muitos documentos não foram publicados, em especial textos sobre as línguas criadas por Tolkien. Foi então que Christopher Tolkien decidiu fornecer alguns desses documentos a um grupo de estudiosos das línguas de Tolkien, conhecidos como The Elvish Linguistic Fellowship (E.L.F).

O grupo recebeu mais de 3.000 páginas de cópias dos manuscritos do professor Tolkien. Foi assim que os periódicos, administrados pelo grupo E.L.F, chamados Parma Eldalamberon e Vinyar Tengwar tiveram suas publicações voltadas para esse fim.

Os periódicos Parma Eldalamberon e Vinyar Tengwar são publicados até hoje e podem ser adquiridos com pedidos pela internet (www.elvish.org). Nesses periódicos foram publicados textos, gramáticas, dicionários, e alfabetos das diversas línguas criadas por Tolkien.

Mas embora tenham sido publicados mais 12 volumes da série history of middle earth, e várias edições dos periódicos Parma Eldalamberon e Vinyar Tengwar, ainda sobraram textos do professor Tolkien que não foram publicados em nenhum meio conhecido.

Esses textos não publicados intrigam os estudiosos mais atentos, pois apresentam novos aspectos da vida do professor Tolkien, e alguns até revelam novos dados relativos ao legendarium.

Não se sabe ao certo quantos manuscritos ainda não foram publicados. Muitos deles estão sendo mantidos de forma privada, e apenas poucas pessoas conseguem ter acesso, como afirmou Christina Scull e Wayne Hammond: “Embora a maioria dos escritos privados de Tolkien que sobraram permanecem privada, uma grande parte deles foi aberta para nós, publicados e não publicados, em que encontramos uma verdadeira mina de dados”. (the j.r.r.tolkien companion and guide, reader’s guide, preface, p.x).

Alguns materiais escritos por Tolkien estão aos poucos sendo encontrados, como por exemplo cartas que Tolkien mandou para fãs, escritos encaminhados a editoras ou amigos etc. Há uma dificuldade ainda de se reunir esse material e conseguir publicá-lo de forma completa, pois grande parte são fragmentos ou mesmo manuscritos que exigem um cuidado especial no manejo.

Há listas feitas por fãs com base em informações coletadas em livros ou pessoas que tiveram acesso a documentos ainda não publicados. Logo a seguir compilamos uma lista com base em listas anteriores.

Onde estão os textos não publicados de Tolkien

Grande parte desse material inédito encontra-se nos arquivos das Universidades que preservam os manuscritos do professor Tolkien, a Universidade de Marquette nos E.U.A (que preserva a maior parte dos textos sobre o Hobbit e o Senhor dos Anéis) e a biblioteca de Bodleian, na Universidade de Oxford.

A biblioteca de Bodleian foi frequentada por Tolkien durante sua vida como professor de Oxford e por isso o seu filho Christopher Tolkien decidiu que seria melhor entregar os manuscritos aos cuidados dessa instituição. A grande maioria dos documentos ainda não publicados encontram-se nessa universidade, mas o acesso e possibilidade de estudo é restrito a pessoas que tenham autorização direta da família Tolkien, em especial do seu atual herdeiro literário.

Em 2008, pela primeira vez a biblioteca de Bodleian realizou uma amostra ao público de documentos e manuscritos do professor Tolkien, e constantemente realiza eventos nesse sentido.

A biblioteca da Universidade de Marquette nos E.U.A também tem em seus arquivos diversos desenhos, manuscritos e textos do professor Tolkien. Essa instituição detém a grande maioria dos escritos relacionados ao Hobbit e ao Senhor dos Anéis, além de conter um acervo grande sobre Tolkien.

Em 1956 a Universidade de Marquette demonstrou interesse em adquirir os originais do professor Tolkien e fez contato com ele, que vendeu os manuscritos do Senhor dos Anéis e do Hobbit pela preço singelo de 1,500 pounds na época ( hoje menos de 20 mil reais). Atualmente pode ser visto um inventário dos arquivos que estão na Universidade Marquette AQUI .

Grande parte dos documentos manuscritos relacionados ao Hobbit foram reunidos e publicados posteriormente com o título “The History of the Hobbit” de autoria de John D. Ratelieff.´

LISTA DE MATERIAL INÉDITO ESCRITO POR TOLKIEN

A lista que segue foi gerada de acordo com informações fornecidas pelos site Tolkiengateway.net a partir de citações de diversas obras, depoimentos e notas sobre a existência desses textos não publicados.

A lista de poemas não publicados foi compilada a partir de informações que se encontram no livro “The J.R.R.Tolkien Companion and Guide: Reader’s Guide” de Christina Scull e Wayne Hammond.

ENSAIOS, NOTAS E ESTUDOS

  1. “The Beginnings of English Poetry” (talk to the Oxford High School for Girls)
  2. “Celts and Teutons”
  3. “Concerning … The Hoard” and “Kinship of the Half-elven”
  4. Critique of “Distressing Tale of Thangobrind the Jeweler”
  5. Cushing Memorial Library and Archives collection
  6. Diplomatarium Islandicum manuscripts
  7. Elvish time (partially published)
  8. Essay concerning Smith of Wootton Major (partially published)
  9. “Francis Thompson” – paper on Francis Thompson, presented to the Exeter College Essay Club. (partially published)
  10. Lecture on Dragons (partially published)
  11. Manuscript notes in Dictionary in Englysshe and Welshe
  12. (Notes in Cairo Studies in English)
  13. Notes in Tolkien’s copy of Songs for the Philologists (held at the Marquette University; annotations in pencil)
  14. (Notes in Specimens Of Early English)
  15. Notes on etymology of ‘Lydney’
  16. Notes on James Joyce
  17. Númenórean religion
  18. Papers relating to “English and Welsh”
  19. Review (written ca. 1934-1935) of “the Devonshire volumes published by the English Place-Name Society in 1931 and 1932”.
  20. “The Ulsterior Motive”

LINGUÍSTICA

Muitos textos de Tolkien sobre linguística foram publicados pelos periódicos Vinyar Tengwar e Parma Eldalamberon, aqui estão alguns que poderão ser eventualmente publicados nesses periódicos:

  1. (athelas/asëa etymology (1970s))
  2. Book of the Foxrook (partially published)
  3. Common Eldarin pronominal elements (grammatical description; partially published)
  4. Discussion of Quenya demonstrative and relative pronouns (partially published; dating from the 1940s)
  5. “Homophonic stems” (partially published; ca. 1968, typescript text)
  6. “Lyenna” inscription (1968)
  7. Mágol
  8. “Late essay”, ca. 1966-70 (partially published)
  9. Noldorin Gramma
  10. Pronominal endings (1950s)
  11. (Taliska)

CARTAS DE TOLKIEN

Existem várias cartas que não foram publicadas no livro As Cartas de Tolkien, editado por Humphrey Carpenter e Christopher Tolkien. Muitas cartas são relativas a questões pessoais ou tratamentos diversos, mas são referências para a biografia do professor Tolkien. Muitas dessas cartas apresentam palavras novas em alguma língua élfica, ou mesmo escritos em Tengwar.  Há uma enorme lista no site Tolkiengateway.net sobre as cartas não publicadas AQUI e essa lista está sempre sendo atualizada, conforme encontram-se novas cartas.

VÁRIOS TEXTOS

Desses documentos diversos, o que chama mais a atenção são os diários do professor Tolkien, escritos em diversas épocas de sua vida, são fontes importantes de sua biografia.

  1. Cigar bill (3 March 1972)
  2. Collection at the University of Leeds (includes letter Arthur Ransome 15 December 1937 and transcriptions intoTengwar of parts of this and Ransome’s letter)
  3. Collection of Simonne d’Ardenne (includes letters, lecture notes, etc.; only a tengwar inscription from the collection published)
  4. The Diaries of J.R.R. Tolkien (partially published)
  5. English to Anglo-Saxon Dictionary
  6. “A few minor items” related to the Father Christmas letters (“verso inscriptions”, “a couple of plainer envelopes … and a couple of brief notes”)
  7. “Index questions” (Glossary-index) (partially published)
  8. Oxford University visitor’s page
  9. The Sword of the Stone manuscript”

TRADUÇÕES E EDIÇÕES

Tolkien atuava como tradutor e estudioso de outras línguas, em especial o Inglês antigo. Algumas dessas traduções ainda não foram publicadas por completo:

  1. the “Clarendon Chaucer”
  2. “Gunnar’s End”. [Translation of brief passage from the Norse Atlakviða into Old English verse.]
  3. The Owl and the Nightingale
  4. Pwyll Prince of Dyved
  5. (Die Walküre)

POEMAS NÃO PUBLICADOS

 É incrível a quantidade de poemas que o professor Tolkien escreveu. São mais de 300 poemas publicados no Senhor dos Anéis, no Hobbit e outras obras. Ainda há muitos poemas que ainda não foram publicados, segue a compilação do que foi informado por Christina Scull e Wayne Hammond:

  1. Beowulf. Unfinished verse translation into Modern English.Unpublished, except for very brief extracts’.
  2.  The Brothers in Arms (or The Brothers-in-Arms).
  3. The Children of Hurin. Another version of The Children of Hurin, with the same title, unpublished, is in rhyming couplets.
  4. Companions of the Rose.
  5. Completorium. Earlier called Evening.
  6. Consolatrix Afflictorum see Stella Vespertina
  7. Copernicus and Ptolemy (or Copernicus v. Ptolemy). Earlier called Dark.
  8. Courage Speaks with the Love of Earth (or Courage Speaks with a Child of Earth) see The Two Riders
  9. The Dale-lands. Earlier called The Dale Lands.
  10. Dark Are the Clouds about the North. .
  11. Darkness on the Road.
  12. A Dream of Coming Home.
  13. Elf Alone. Earlier called The Lonely Harebell.
  14. Ferrum et Sanguis.
  15. From Iffley.An untitled poem by Tolkien {From the Many-Willow’d Margin of the Immemorial Thames) is published in the Stapeldon Magazine for December 1913. This is the first verse of the poem which he wrote in October 1911 (the second verse is lost by the editor of the magazine) called From Iffley.
  16. The Forest-walker.Earlier called The Forest Walker.
  17. A Fragment of an Epic: Before Jerusalem Richard Makes an End of Speech.
  18. G.B.S. Earlier called GBS.
  19. The Grimness of the Sea.
  20. Gunnar’s End. Translation of brief passage from the Norse Atlak-vida into Old English verse.
  21. The Horns of the Host of Doriath. An earlier version was called The Trumpets of Faery.
  22. The Lonely Harebell see Elf Alone
  23. Magna Dei Gloria.
  24. May-day. Earlier called May Day, May Day in a Backward Year.
  25. A Memory of July in England.
  26. ‘Meolchwitum sind marmanstane’ see Enigmata Saxonica Nuper Inventa Duo
  27. The Mermaid’s Flute.
  28. Monoceros, the Unicorn.
  29. Morning see Morning Song
  30. Morning Song. Earlier called Morning-song. An earlier version, also unpublished, was called Morning.
  31. Morning Tea.
  32. The New Lemminkainen.
  33. Noel. In the Annual of Our Lady’s School, Abingdon (near Oxford), 1936
  34. Now and Ever see The Two Riders
  35. Old Grabbler. One of the Tales and Songs of Bimble Bay. Earlier called Poor Old Grabbler.
  36. Outside.
  37. The Owl and the Nightingale.Unfinished translation into Mod­ern English.
  38. The Pool of the Dead Year
  39. Poor Old Grabbler see Old Crabbier
  40. The Bum-pus. An earlier version of Perry-the-Winkle and one of the Tales and Songs of Bimble Bay.
  41. Reginhardus the Fox.
  42. A Rime for My Boy.
  43. The Ruined Enchanter: A Fairy Ballad.
  44. The Shadow Man. In the Annual of Our Lady’s School, Abingdon (near Oxford), 1936, p.9. An earlier version of the Shadow-Bride.
  45. The Sirens.
  46. Tol Eressea An earlier version of The Lonely Isle.
  47. A Song of Bimble Bay. One of the Tales and Songs of Bimble Bay.
  48. Sparrow Song (Bilink). Earlier called Sparrow-song.
  49. Stella Vespertina. Earlier called Consolatrix Afflictorum.
  50. Sunset in a Town.
  51. The Swallow and the Traveller on the Plains. Earlier called Thoughts on Parade.
  52. The Thatch of Poppies.
  53. The Two Riders. Earlier versions (unpublished) were called Courage Speaks with the Love of Earth, Courage Speaks with a Child of Earth, and Now and Ever.
  54. Vestr um Haf. Adapted as Bilbo’s Last Song.
  55. Poem for Rosalind Ramage. The poem was “written for an American girl named Rosalind Ramage who had written Tolkien a fan letter in October 1964“. Tolkien submitted the poem, together with “The Dragon’s Visit” and “Once upon a Time”, for publication in Winter’s Tales for Children 1. Due to lack of space, only the the two latter poems were included in the children’s anthology.
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