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Análise do prefácio de O Senhor dos Anéis – Parte 02


Gondolin

 

by Eduardo Stark

 

Você pode ver a primeira parte da análise do prefácio do Senhor dos Anéis AQUI. É uma análise completa parágrafo por paragrafo do prefácio da segunda edição de O Senhor dos Anéis.

 

5 –  Origem do Senhor dos Anéis

  

 

O processo havia começado enquanto eu estava escrevendo O Hobbit, no qual já havia algumas referências ao material mais antigo: Elrond, Gondolin, os Altos-Elfos e os orcs, além de passagens que surgiram espontaneamente e tratavam de coisas mais elevadas ou profundas ou obscuras do que poderiam parecer à primeira vista: Durin, Moria, Gandalf, o Necromante e o Anel. A descoberta da importância dessas passagens e de sua relação com as histórias antigas revelou a Terceira Era e seu apogeu na Guerra do Anel.

 

 

O Hobbit é uma história separada daquelas que se passavam no mundo secundário criado por Tolkien no início do século XX. Não havia uma conexão direta entre os acontecimentos dos livros dos ‘Contos Perdidos’ e a aventura do Hobbit. Porém, haviam elementos que eram citados ao longo da história, demonstrando que aquela aventura se passava no mesmo mundo, porém em uma época e local diferentes.

Tolkien relata bem a sua intenção ao criar o Hobbit em uma carta para Christopher Bretherton, datada de 16 de julho de 1964: “Voltei para Oxford em jan. de 1926, e quando O Hobbit apareceu (1937) essas “histórias dos Dias Antigos” estavam em uma forma coerente. O Hobbit não foi escrito com a intenção de ter qualquer coisa a ver com elas. Eu tinha o hábito, enquanto meus filhos ainda eram novos, de inventar e contar oralmente, às vezes de escrever, “histórias infantis” para o divertimento particular deles — de acordo com as noções que eu tinha na época, e muitos ainda têm, de como essas histórias deveriam ser em estilo e atitude. Nenhuma dessas foi publicada. O Hobbit foi escrito com a intenção de ser uma delas. Não possuía uma relação necessária com a “mitologia”, mas naturalmente foi atraído em direção a essa construção dominante em minha mente, fazendo com que a história se tornasse maior e mais heróica conforme prosseguia. Ainda assim ele realmente podia ficar separado, exceto pelas referências (desnecessárias, embora dêem uma impressão de profundidade histórica) à Queda de Gondolin, Puffin 57 (edição de capa dura 63); os ramos da raça Élfica, P. 161 (edição de capa dura 173 ou 178) e a contenda do Rei Thingol, pai de Lúthien, com os Anões, P. 162”. (Carta 257).

Assim, O Hobbit havia sido escrito inicialmente como mais uma das histórias infantis para os filhos do professor, tais como Roverandom, Sr. Bliss e de certo modo as Cartas de Papai Noel etc.Isso explica porque a aventura de Bilbo tem uma forma infantil. A história do Hobbit pode ser algo separado das outras histórias do Legendarium (histórias relacionadas ao mundo secundário de Tolkien). Contudo, o professor Tolkien colocou referências a essas histórias que já havia desenvolvido anteriormente, e essas foram justamente a ligação do Hobbit com o Simarillion e com O Senhor dos Anéis.

Nesse aspecto é importante observar a carta de Tolkien endereçasa a G.E. Selby, datada de 14 de dezembro de 1937, citada em The Return of the Shadow (HoMe VI). Nela Tolkien apresenta sua visão comparativa do Silmarillion com O Hobbit: “Eu mesmo não aprovei muito O Hobbit, prefiro minha própria mitologia (que é apenas tocada) com sua nomenclatura consistente — com exceção de Elrond, Gondolin, e Esgaroth — e história organizada, a essa gentalha de anões com nomes tirados do Edda do Völuspá, hobbits modernos e gollums (inventado em uma hora ociosa) e runas Anglo-Saxãs”. Isso explica, porque posteriormente ao Senhor dos Anéis o professor decidiu que a história do Hobbit poderia ser totalmente reescrita, apresentando uma forma mais coerente com o seu legendarium e em estilo mais adulto.

Segue algumas anotações a respeito de pontos que fazem referência ao legendarium de Tolkien no livro O Hobbit:

5.1 Elrond

 

 

O dono da casa era um amigo-dos-elfos — uma dessas pessoas cujos antepassados entravam nas estranhas histórias antes do início da História, nas guerras dos orcs malignos, dos elfos e dos primeiros homens do norte. Na época de nossa história ainda havia algumas dessas pessoas que tinham por ancestrais tanto elfos como heróis do norte, e Elrond, o dono da casa, era o seu chefe”. (O HOBBIT, Capítulo III, um breve descanso).

Elrond é um personagem importante na história do Senhor dos Anéis, não apenas por ser o hospede dos heróis em Valfenda, mas por seu histórico de lutas contra Sauron nos séculos anteriores. Esse personagem inicialmente havia sido criado como apenas mais um dos vários que apareciam nas histórias. Elrond era meio-elfo, filho de Earendil e Elwing, que foi capturado por Maglor. A primeira aparição desse personagem é de um pequeno trecho de 1926, em “The Sketch of the Mythology” que posteriormente foi publicado como parte do livro “The Shaping of Middle-earth”. Em 1930 Tolkien decidiu que Elrond não seria apenas um meio elfo, mas que teria descendência dos homens, dos elfos e povo de Valinor, mostrando sua descendência em relação a grandes nomes das primeiras eras de Arda.

Tendo dificuldade para criar novos nomes, Tolkien incluiu o nome Elrond para um de seus personagens no Hobbit, e posteriormente em O Senhor dos Anéis o desenvolveu melhor. Importante destacar a Carta 257, em que o próprio Tolkien comenta a respeito dessa inclusão de Elrond na história do Hobbit: “A passagem no Cap. III relacionando-o aos Meio-elfos da mitologia foi um feliz acidente, devido à dificuldade de constantemente inventar bons nomes para novos personagens. Dei-lhe o nome Elrond casualmente, mas como este vem da mitologia (Elros e Elrond, os dois filhos de Earendel), tornei-o meio-elfo. Apenas em O Senhor ele foi identificado com o filho de Earendel, e assim o bisneto de Lúthien e Beren, um grande poder e um Portador de Anel”. (Carta 257).

elrond

5.2 Gondolin

 

Estas não foram feitas por trolls. São espadas antigas, espadas muito antigas dos Altos Elfos do Oeste, meus parentes. Foram feitas em Gondolin para as guerras contra os Orcs. Devem ter vindo do tesouro de algum dragão ou da pilhagem de algum orc, pois os dragões e os orcs destruíram aquela cidade há muito tempo. Esta, Thorin, as runas chamam de Orcrist, Fendeorc, na antiga língua de Gondolin; foi uma espada famosa. Esta, Gandalf, era Glamdring, Martelo do Inimigo, que o rei de Gondolin usava outrora. Tomem conta delas!” (O HOBBIT, Capítulo III, um breve descanso)

Gondolin é a cidade antiga em que os elfos permaneciam em refúgio secreto frente ao poder crescente do senhor do escuro Morgoth na primeira era. Essa cidade encontrava-se escondida e tinha como rei elfo Turgon. No Hobbit a referência a essa cidade se dá quando Elrond verifica a origem das espadas encontradas por Gandalf, Thorin e Bilbo. Não há detalhes em O Hobbit sobre Gondolin, pois é feita apenas a referência. A história da “Queda de Gondolin” (The Fall of Gondolin) havia sido escrita em 1917 e foi o primeiro conto completo criado por Tolkien com relação a sua mitologia.

5.3 Altos Elfos

“Embora sua mágica fosse forte, mesmo naqueles dias eram cautelosos. Eram diferentes dos Altos Elfos do oeste, além de mais perigosos e menos sábios. Pois a maioria deles (juntamente com seus parentes espalhados nas colinas e montanhas) descendia das antigas tribos que nunca foram para o Reino Encantado no oeste. Para lá foram os Elfos da Luz, e os Elfos das Profundezas e os Elfos do Mar, onde viveram por séculos, e tornaram-se mais belos, sábios e eruditos, inventando sua mágica e seu habilidoso ofício na confecção de coisas belas e maravilhosas, antes que alguns retornassem ao Grande Mundo. No Grande Mundo, os Elfos da Floresta permaneciam no crepúsculo de nosso Sol e nossa Lua, mas amavam mais as estrelas; vagavam nas grandes florestas que cresciam viçosas em terras agora perdidas.”(O HOBBIT, Capítulo VIII, Moscas e Aranhas).

No sétimo capítulo de O Hobbit, é apresentado um breve resumo da história dos elfos na mitologia de Tolkien.Basicamente na mitologia tolkieniana, os elfos se dividiram em dois tipos os elfos do oeste (Eldar) e os elfos do leste.

Os elfos do oeste, chamados de Altos elfos, são aqueles que nasceram na Terra média, mas que decidiram partir, seguindo o chamado dos Valar, para a terra sagrada do outro lado do mar (Reino encantado), onde viveram durante séculos com os seres angélicais. Os altos elfos são divididos em três grupos: os Vanyar (que equivaleriam aos Elfos da luz em O Hobbit), os Noldor (Elfos das profundezas) e o Teleri (Elfos do Mar). Enquanto viviam em Valinor, os elfos tiveram a oportunidade de aprimorar seus conhecimentos e aprender novas artes, por isso se tornaram mais sábios e eruditos.

Enquanto os elfos do leste são aqueles que não seguiram viagem além do mar e permaneceram na Terra média. Com isso, se tornaram um povo mais primitivo, que viviam entre as florestas e não desenvolveram suas artes como os Eldar, mas ainda assim eram um povo considerado bom. Os elfos da floresta descendem desse povo que permaneceu na Terra Média.

Toda essa história é desenvolvida no Silmarillion, em que são descritos grandes eventos da história sob um ponto de vista élfico. Essa é uma das grandes diferenças de O Hobbit em relação aos escritos anteriores da mitologia de Tolkien: não há elfocentrismo. Nas histórias das eras antigas os elfos eram o centro das histórias e elas eram contadas sob este ponto de vista. Já em o Hobbit, o ponto de vista está mais voltado para o próprio hobbit e para os anões. Os elfos tem um papel secundário, embora ainda importante, na história.

5.4 Thingol

Uma importante parte que conecta O Hobbit com a mitologia de Tolkien é o trecho que diz respeito a origem da inimizade dos Elfos e Anões. Esta é uma clara referência ao incidente ocorrido na Primeira Era, em que Thingol foi um dos protagonistas: “Nos dias antigos, [os elfos] haviam travado guerras com alguns anões, a quem acusavam de roubarem seus tesouros. É justo dizer que os anões contavam uma história diferente, e diziam que apenas pegaram o que lhes era devido, pois o rei dos Elfos negociara com eles para que trabalhassem seu ouro e prata brutos, e depois recusara-se a pagar-lhes o que devia”.(O HOBBIT, Capítulo VIII, Moscas e Aranhas).

Esta é uma referência a um de seus contos antigos chamado “The Nauglafring”, escrito entre os anos de 1918 e 1919, que posteriormente foi incorporado no Silmarillion com a edição de Christopher Tolkien.

Havia um rei dos elfos chamado Thingol na Primeira Era. Ele havia convidado os anões de Nogrod para seu reino e lá forjaram Nauglamir, uma joia muito linda e o maior trabalho dos anões.

O Rei Thingol valorizava muito seus tesouros, e certa vez pediu aos anões que colocassem uma Silmaril nessa joia, tornando um único tesouro. Essa foi então considerada a joia mais linda de todos os tempos. Mas os anões ficaram encantados com a beleza da joia e a exigiram de Thingol, pois ela seria o pagamento pelos outros trabalhos que haviam feito em seu reino.

O rei Thingol recusou se a entregar Nauglamir, pois estava com uma Silmaril e mandou os anões embora sem nenhum pagamento. Os anões pegaram Nauglamir e mataram o rei dos elfos, mas foram mortos enquanto tentavam fugir. Em resposta, os outros anões formaram um exército e invadiram o reino de Doriath. E foi assim que surgiu a inimizade entre os anões e os elfos relatada em O Hobbit de forma resumida.

5.4 Os Anões e Moria

 

“Ouvi dizer que ainda há tesouros escondidos nas cavernas abandonadas das minas de Moria, desde a guerra entre orcs e anões”. (O HOBBIT, Capítulo III, um breve descanso)

Moria se tornou um novo elemento da mitologia de Tolkien, pois foi uma criação que aparece pela primeira vez em O Hobbit, e posteriormente foi desenvolvida para o Senhor dos Anéis. Por mais de uma vez o nome Moria é utilizado ao longo do livro O Hobbit.O que se pode saber com base apenas no livro O Hobbit, é que os anões eram inimigos dos Orcs e que eles disputaram as minas de Moria com essas criaturas.

É revelado também que Dain matou Azog, pai de Bolg durante a batalha nas minas de Moria: “Os Orcs estão sobre vocês! Bolg do Norte está vindo, ó, Dain, cujo pai você matou em Moria”. (O HOBBIT, Capítulo XVII, explode a tempestade).

A partir dessas informações Tolkien desenvolveu melhor a história dos anões, que posteriormente foi publicada no apêndice do Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei. Além disso, a ideia de Moria foi importante para formar uma das aventuras mais fascinantes do Senhor dos Anéis, no momento em que a sociedade do anel tem que atravessar as minas abandonadas.

5.5 Necromante

 

 

“— Nós nos vingamos há muito tempo dos orcs de Moria — disse Thorin. — Agora devemos pensar no Necromante.

— Não seja maluco! Ele é um inimigo acima dos poderes de todos os anões juntos, se eles pudessem ser reunidos de novo dos quatro cantos do mundo. A única coisa que seu pai queria é que o filho dele lesse o mapa e usasse a chave. O dragão e a Montanha São tarefas mais que grandes para você”. (O HOBBIT, Capítulo I, uma festa inesperada)

O Necromante é uma figura que posteriormente foi desenvolvida, para o que é mais conhecido como Sauron. No Hobbit há demonstração de que esse seria um grande inimigo de todos os seres vivos da Terra Média, e que as forças dos anões não seriam capazes de derrotar esse grande mal.

A ideia da criação do Necromante foi basicamente proporcionar uma desculpa para o sumiço de Gandalf durante a viagem dos anões para a Montanha Solitária. A ideia seria fazer com que eles vivessem suas próprias aventuras sem a ajuda de Gandalf para salvá-los.

O Necromante tem sua criação na mitologia antiga de Tolkien. Há versões desse personagem nos contos perdidos, que ao longo dos anos Tolkien foi alterando suas características e até o nome. Primeiramente era conhecido apenas como Tevildo, o senhor dos Gatos, que aparece nos contos de Tinuviel. (The Book of Lost Tales, parte II). Tevildo era um grande gato negro que servia a Morgoth e que chegou a capturar Beren. Depois, foi substituído em uma nova versão por Thû, senhor dos lobisomens, que era um necromante, servo de Morgoth, que posteriormente foi chamado de Sauron.

“Antes que pudessem contorná-la ao sul, entrariam nas terras do Necromante, e nem você, Bilbo, vai precisar que lhe conte histórias daquele feiticeiro negro. Não os aconselho a se aproximarem de nenhum lugar que seja vigiado por sua torre escura!” (O HOBBIT, Capítulo VII, Estranhos alojamentos)

A ideia da Torre escura habitada por um feiticeiro negro estava montada. Posteriormente, já com o Senhor dos Anéis construído, a Torre recebeu o nome de Dol Guldur, e sua história também foi incorporada ao legendarium de Tolkien.

Uma dos trechso que é chave para a ligação da história do necromante com a história posterior de Sauron é a seguinte: “Foi assim que ficou sabendo onde Gandalf estivera, pois ouviu as palavras do mago a Elrond. Ao que parecia, Gandalf estivera num grande conselho dos magos brancos, mestres de tradição e boa mágica, e que, por fim, haviam expulsado o Necromante de sua escura fortaleza, ao sul da Floresta das Trevas”(O HOBBIT, Capítulo XVIII, a viagem de volta).

Além da referência ao mago Radagast, nesse trecho foi mostrado que outros magos brancos existiam e que eles se juntaram para derrotar o Necromante, que vivia ao sul da Floresta das Trevas. Foi desse ponto que surgiu a ideia de colocar Sauron não mais em Dol Guldur, mas em outra torre, mais ao sul, em Mordor.

Então, basicamente o vilão para a história do Senhor dos Anéis estava determinado. Agora restava determinar uma conexão do vilão e razões para que um Hobbit participasse de aventuras contra esse senhor do escuro. Surge então a noção dos anéis de poder.

340-A Sociedade do Anel

 

5.6 O Anel

O Anel é a conexão mais importante entre O Senhor dos Anéis e o Hobbit. O anel era originalmente apenas um item mágico que o Hobbit encontrou na caverna do Gollum. Na verdade, na primeira edição de O Hobbit, o Gollum havia dado de presente o anel para Bilbo por ter acertado as charadas no escuro.

Mas ao criar a ideia de que o Anel seria uma criação do senhor do escuro, Tolkien teve que reeditar a sua versão de O Hobbit, apresentando uma segunda versão da história e um novo capítulo das Charadas no escuro (que é o que conhecemos atualmente).

A partir da ideia desse anel é que Tolkien ligou a ideia do Necromante e o fato de que ele seria o criador desse item. Assim, esse não seria apenas um anel mágico qualquer, mas fora forjado por Sauron para dominar a Terra média, mas que havia sido perdido e depois encontrado pelo Hobbit.

Em comentário a respeito, na carta 257, de 1967, Tolkien diz que o anel seria a ligação com sua mitologia: “O anel mágico era a única coisa óbvia em O Hobbit que poderia ser relacionada com minha mitologia. Para ser o fardo de uma história grande, teria de ser de suprema importância. Liguei-o então à referência (originalmente) deveras casual ao Necromante, final do Cap. vii e Cap. xix, cuja função dificilmente era mais do que fornecer uma razão para Gandalf ir embora e deixar Bilbo e os Anões para se defenderem sozinhos, o que foi necessário para a história” (Carta 257).

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4 comentários

  1. Almeidonna™ /

    Brilhante análise! Gostei demais.

  2. Agent_Nerd /

    Essa site é muito bom e têm várias atualizações por dia. É uma pena que poucos comentem.

  3. Agent_Nerd /

    Análise muito bem feita e bastante interessante.

    Mesmo que O Hobbit fosse uma história à parte das demais, seria estranho se ela não tivesse pontos de conexão com a mitologia. A interligação com O Senhor dos Anés aconteceria de forma natural.

  4. Ramon Silva /

    Ou seja, a saga de O Hobbit de Peter Jackson, com três filmes esta certa!

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