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Presidente da Ucrânia compara “Nova Rússia” com “Mordor” de O Senhor dos Anéis

presidente da ucrânia

Presidente da Ucrânia Petro Proshenko

O presidente Ucraniano Petro Poroshenko, fez um discurso por ocasião de um desfile militar que marca o 24º aniversário de independência da Ucrânia. Milhares de soldados participaram da cerimônia, no coração da capital, Kiev.

Em seu discurso, o presidente Poroshenko comparou a “Nova Rússia” (o território que as tropas pró-russia querem criar no leste da Ucrânia) com “Mordor” (o território do mal imaginário no livro “O Senhor dos Anéis” de J. R. R. Tolkien.

Também no Twitter, o presidente Ucraniano repetiu a comparação:

Mordor ucrânia presidente

“A Ucrânia sempre existiu, existe e existirá. Já a Nova Rússia – é um mito de Tolkien chamado de Mordor” – escreveu Poroshenko em seu Twitter particular.

A dura comparação de Poroshenko logo repercutiu de forma negativa em Donetsk. Em resposta à acusação, o vice-presidente do conselho popular da autoproclamada república para política exterior e relações internacionais, Vladislav Brig, ridicularizou as palavras do presidente ucraniano.

“Pelo visto, o senhor Poroshenko não leu Tolkien direito. Pois é de Mordor que saem exércitos para tomar as terras vizinhas e não o contrário. Portanto, comparar a Ucrânia, uma região histórica que tem pelo menos 150 anos com o termo “Mordor”, é, no mínimo, uma burrice” – declarou Brig em entrevista à estação de rádio “Fala Moscou”.

Tolkien e referências as suas obras são rotineiramente utilizados em discursos de políticos (exceto no Brasil, até hoje não vi nenhum discurso do Senado ou da Câmara Federal). O presidente dos E.U.A. Barack Obama, por exemplo, já declarou ter lido os livros de Tolkien e fez citações em seus discursos (veja AQUI).

A última vez que um presidente utilizou alguma referência de Tolkien em relação a outro país, e teve uma consequência, foi o presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan, que na época da Guerra Fria comparou a União Soviética ao poderio maligno de Mordor.

As consequências foram duras para os fãs de Tolkien que viviam sob o regime comunista. Todas as publicações foram proibidas. Os fãs que queria ler algo de Tolkien tinham que copiar a mão os livros de forma escondida pois se fossem pegos iriam presos. Em 1991, sob o comando de comunistas que não aceitavam o fim do regime, o exército tentou um golpe com tanques de guerra, o que foi combatido pelos civis. Em meio a barricadas e montes de defesa, um grupo portava uma bandeira escrito “Frodo está conosco”.

Os livros só voltaram a ser permitidos com a abertura de mercado a partir de 1985, mas ainda assim de forma sem autorização. Como consequência disso, a primeira publicação de um livro de Tolkien, com autorização de sua família, só aconteceu na Rússia em 2007 com os Filhos de Húrin.

Em vida, o professor J. R. R. Tolkien se declarava contra qualquer forma de autoritarismo, e era contra as ideias do comunismo de forma veemente.

Mordor

Fonte: BBC de Londres Ukraine’s Poroshenko: ‘New Russia’ is like ‘Mordor’

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