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Nova carta de Tolkien revela que W. H. Auden não gostou dos romances de O Senhor dos Anéis!

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Ao longo de sua vida o professor Tolkien costuma se corresponder com seus leitores, amigos, familiares e editores sobre vários assuntos. Em uma época que não existia internet a caneta, papel e o correio eram os melhores meios de uma comunicação barata a longa distância.

Muitas dessas cartas traziam novas informações sobre o mundo criado pelo professor Tolkien e expressavam as opiniões do professor sobre sua própria obra e o que pretendia ainda realizar.

Com a morte do professor Tolkien em 1973, as únicas formas de se descobrir mais sobre seu Universo criado foram seus milhares de manuscritos e documentos deixados em seu escritório.

Como executor literário de seu pai, Christopher Tolkien decidiu tornar público esses escritos e começou um trabalho hercúleo de transcrever e comentar esses textos. Assim, em 1981 uma coletânea de cartas escritas por Tolkien ao longo de sua vida foi publicada em forma de um livro chamado de “Letters of J.R.R.Tolkien”, com edição do Christopher Tolkien e o biógrafo Humphrey Carpenter. (Esse livro também foi publicado no Brasil com o título “As Cartas de J.R.R.Tolkien” pela editora Arte e Letra).

Mas nem todas as cartas escritas por Tolkien foram ali publicadas, até porque na época muitas eram desconhecidas da própria editora e da família Tolkien. Ao longo dos últimos vinte anos várias dessas cartas estão sendo ainda coletadas (somando mais de 100 cartas). O conteúdo delas varia entre assuntos pessoais até aquelas que trazem novas informações sobre o mundo mitológico do Tolkien.

Aqui mesmo no Tolkien Brasil já publicamos uma notícia sobre uma nova carta (VEJA AQUI: http://tolkienbrasil.com/noticias/eventos/nova-carta-escrita-por-j-r-r-tolkien-encontrada/ ou aqui: http://tolkienbrasil.com/uncategorized/carta-rara-de-tolkien-esta-sendo-leiloada-ebay/).

Algumas cartas tem sua existência conhecida pelos mais estudiosos de Tolkien, porém, muitas delas o conteúdo está reservado apenas algumas pessoas da família Tolkien ou escritores que tiveram acesso restrito a elas.

O grande público só descobre o conteúdo dessas cartas quando elas são leiloadas ou é noticiado pela imprensa como um achado. Esse era o caso da Carta de 12 de Maio de 1955 endereçada ao Rayner Unwin, que somente agora tem um pouco do seu conteúdo mostrado ao público.

Em 1955 Tolkien estava tendo dificuldades em terminar “O Retorno do Rei”, a terceira parte de O Senhor dos Anéis. Nessa época Tolkien tinha contato com o escritor W.H. Auden e frequentemente ele apresentava suas opiniões sobre o Senhor dos Anéis. De fato, Auden foi um grande defensor das obras de Tolkien (em uma época que os críticos literários rejeitavam livros de fantasia). Ele era um renomado poeta anglo-americano naquela época e escreveu resenhas de O Senhor dos Anéis para o New York Times.

carta auden tolkien

Nesse contexto, em 12 de Maio de 1955 Tolkien escreveu para seu editor o Rayner Unwin a respeito do Retorno do Rei e as opiniões que Auden tinha.

Auden criticava os romances que Tolkien havia colocado no terceiro livro, em especial o romance de Éowyn e Faramir e o de Arwen e Aragorn. “Auden em geral aprovou o Volume III, visto no preparo” escreveu Tolkien revelando que o poeta havia suportado o que Tolkien chamou de “o negócio de Éowyn-Faramir”, em que Éowyn se apaixona inicialmente por Aragorn, mas acaba se relacionando com Faramir. ”Então o coração de Éowyn mudou, ou então finalmente ela entendeu. E de repente seu inverno passou, e o sol brilhou sobre ela” narra a história.

Mas “ele acha desnecessário e superficial Aragorn-Arwen”, lamenta Tolkien em sua carta para Rayner Unwin.”Espero que o fragmento da ‘Saga’ possa curá-lo. Ainda acho picante: uma alegoria da esperança descoberta. Espero que você ache”.

Pelo que é percebido Auden acabou convencido a respeito disso, pois em sua resenha sobre O Senhor dos Anéis, O Retorno do Rei em 1956 escreveu que “as exigências impostas à capacidade do escritor em um épico, como em O Senhor dos Anéis são enormes e aumentam à medida que a história prossegue – as batalhas ficam mais espetaculares, as situações mais críticas, as aventuras mais emocionantes – mas só posso dizer que o Sr. Tolkien provou ser igual a eles”.

A carta ainda mostra as preocupações de Tolkien quanto ao conteúdo e o quanto poderá ser publicado no livro: “Espero eu que no final muito se mantenha. Se alguma coisa tem que ser rejeitada então, por favor, não deixe que seja as Runas e as Tabelas, que eu dolorosamente organizei (para caber no espaço e evitar o triste destino das letras Feanorianas que agora parecem muito desconexas!). As duas últimas árvores genealógicas Bolger e Boffin eu ficaria feliz em abandonar”.

E ainda continua ressaltando seu lamento por coisas que não foram selecionadas para a versão final do livro O Senhor dos Anéis: “O que você acha, nessa seção não contém nada que seria triste perder? Ainda estou muito triste que os ‘facsimilles’ do Livro de Mazarbul não estão incluídos. E, claro, as listas de nomes, as quais me dariam a chance de oferecer algum vocabulário élfico…”.

Muitos anos depois, com a edição comemorativa de 50 anos de O Senhor dos Anéis, é que o livro finalmente conseguiu ter incluído as árvores genealógicas de Bolger e Boffin e as páginas em facsimillies do livro de Mazarbul. A lista de nomes mencionada foi publicada em 2007 por Christopher Tolkien no periódico Parma Eldalamberon nº17 .

A Carta também faz menção ao fato de que o professor Tolkien desenvolveu os mapas para o Senhor dos Anéis “Custou-me muitos dias de trabalho, traçando-o em papel quadriculado, e procurando no texto”. Está evidenciado também que seu filho Christopher Tolkien contribuiu na elaboração do mapa da Terra média e o professor pediu ao editor que fosse pago ao seu filho Christopher “uma taxa adequada” por sua contribuição (“… ele como projetista colocou meus planos em forma em uma sentada sem ir para a cama até 6 a.m …”).

A carta foi entregue para a esposa do atual dono por Rayner Unwin em 26 de Fevereiro de 1956 e seu existência era conhecida  apenas pela menção no livro J.R.R.Tolkien Companion and Guide: Chronology de Christina Scull e Wayne Hammond.

E agora finalmente foi colocada a leilão público pelo site Bonhams.com.

Esta carta , que nunca foi publicado antes, lança uma luz fascinante sobre os métodos de trabalho de Tolkien,a devoção ao detalhe que ele derramou sobre os mundos imaginários de seus livros “, disse Matthew Haley , diretor da Bonhams departamento de livros no Reino Unido.

A carta de Tolkien está à venda na Bonhams por um valor em torno de £6,000 a £8,000 e também inclui uma primeira edição de O Hobbit estimada em £ 10.000-15.000 e uma segunda edição de O Senhor dos Anéis, em três volumes, cada um assinado pelo autor na página de título.

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