Saiba mais sobre O Hobbit, Senhor dos Anéis…

G.R.R. Martin afirma: “Tolkien é meu mestre”

People George RR Martin

O autor G.R.R.Martin ficou conhecido no mundo graças a série de livros Crônicas de Gelo e fogo e sua adaptação seriada para o canal fechado HBO. Muitos tentam comparar ou diferenciar esse tipo de livro da principal obra de fantasia moderna: O Senhor dos Anéis. Dizem até que tudo isso é uma imposição da editora para que o autor pudesse ter mais projeções e mais leitores (seria o caso de abreviar o nome para ficar com os dois R igual ao Tolkien). Mas muitos não sabem é que G.R.R.Martin é um fã declarado de Tolkien e não faz questão de esconder isso.

Em uma entrevista sobre o livro Dança com Dragões ao site shelf-life, G.R.R.Martin reconhece a influência de Tolkien em sua vida desde a infância, quando leu pela primeira vez o livro O Hobbit:

“Eu sabia, de um modo geral, que eu queria escrever uma fantasia épica já que eu amava [J.R.R.] Tolkien desde criança”.

Quando jovem ele teve a chance de ler O Senhor dos Anéis e se tornar, de fato, um fã de J.R.R.Tolkien (com direito a broches, pôsteres e releitura dos livros), além de participar de eventos ligados a esse universo:

 “Eu era um estudante universitário quando Tolkien conseguiu seu primeiro grande sucesso comercial. Naquela época, universitários começavam a ler O Senhor dos Anéis e eles logo usavam broches com as palavras “Frodo lives”. Nós também tínhamos pôster no dormitório. O que me impressionava, porém, eram os posters que não eram sobre as capas dos livros ou sobre a imagem de qualquer um dos personagens.Eles eram sobre os mapas da Terra Média, que foi o primeiro ícone de O Senhor dos Anéis, e que mostra a importancia do cenário. O Cenário torna-se um personagem na fantasia.”

É dito que um diferencial dos livros de G.R.R.Martin é a morte dos personagens e o que isso proporciona na história, veja a opinião do Martin:

“Eu consegui muito crédito ao matar meus personagens, mas Tolkien realmente fez isso primeiro e de algumas formas isso foi uma inspiração para mim. E então Tolkien fez isso novamente no final do segundo livro onde ele aparentemente mata Frodo, mas isso acaba por ser falso”.

Outro ponto considerado inovador nas obras de G.R.R.Martin é a separação dos personagens ao longo da história e depois uma reunião desses personagens:

“Tolkien foi meu grande modelo em muito disso. Embora eu difira de Tolkien em importantes formas, eu não sou segundo para ninguém com o meu respeito por ele. Se você olhar em O Senhor dos anéis, começa com um foco apertado e todos os personagens estão juntos. Então, ao final do primeiro livro da sociedade [do anel] se divide e eles têm aventuras diferentes. Eu fiz a mesma coisa.Todo mundo está em Winterfell no início, exceto a Dany, então eles se separaram em grupos e, finalmente, aqueles que se separaram também. A intenção era aventura para fora, em seguida, curvar e voltar juntos. Encontrar o ponto em que começa a virada tem sido um dos assuntos com que eu tenho lutado”.

Um dos primeiros livros publicados por G.R.R. Martin chamado The Armageddon Rag (1983) que conta a história de uma banda de Rock chamada de NAZGÛL (acho que não é necessário apresentação). Martin parou de escrever livros por um tempo até que em 1991 começou a escrever seu primeiro livro da série de fantasia que o faria mais famoso.

Assim em 1996 foi publicado o primeiro livro da série Crônicas de Gelo e Fogo. Uma série de livros ambientados em um mundo secundário de fantasia. Nessa série de livros há várias referências às obras de J.R.R.Tolkien, em especial o uso de nomes criados ou usados por J.R.R. Tolkien nos livros da terra média, dentre outras.

boromir stark

Em 2001, Martin escreveu a introdução de um livro de tributo a J.R.R.Tolkien (Meditations on Middle-earth: New Writing on the Worlds of J.R.R. Tolkien). E nesse texto podemos ver o quanto o escritor é fã de Tolkien, pois o chamou de mestre:

“Tolkien nos deu personagens maravilhosos, prosa evocativa, algumas aventuras animadas e batalhas excitantes… mas acima de tudo é do mundo que lembramos mais. Eu tenho sido conhecido por dizer que na fantasia contemporânea o cenário se tornou um personagem com seu próprio modo de ser. Foi Tolkien que o fez assim.

Muitos dos fantasistas contemporâneos felizmente admitem seus débitos com o mestre (entre esse número eu definitivamente me incluo), mas até mesmo aqueles que denigrem Tolkien, mais ainda não podem escapar de suas influências. A estrada em frente vai seguindo, ele disse, e nenhum de nós jamais vai saber quais lugares maravilhosos estão adiante, além da próxima colina. Mas não importa quanto distante e longa é a caminhada, nós nunca devemos esquecer que a jornada começa no Bolsão (Bag End), e todos nós ainda estamos caminhando nos passos de Bilbo”.

George R.R. Martin escreveu uma parte do livro The Faces of Fantasy: Photographs de Pati Perret. Há um trecho de em que ele fala sobre a fantasia e cita que preferia ir para a terra média ao invés do Céu quando morrer:

“A melhor fantasia é escrita na linguagem dos sonhos. Ela vive como vivem os sonhos, mais real do que a realidade… por instantes, pelo menos… aqueles longos instantes mágicos antes de acordarmos. A fantasia é prateada e escarlate, índigo e azul-marinho, obsidiana raiada de dourados e lápis-lazúli. A realidade é de madeira prensada e de plástico, feita com lama castanha ou do baço verde-azeitona. A fantasia sabe a pimentos picantes e a mel, a canela e a cravinho, a carne vermelha mal passada e a vinhos doces como o verão. A realidade é feijões e tofu, e, no final, cinzas. A realidade são as ruas comerciais de Burbank, as chaminés de Cleveland, um parque de estacionamento em Newark. Fantasia são as torres de Minas Tirith, as pedras antigas de Gormenghast, os salões de Camelot. A fantasia voa nas asas de Ícaro, a realidade nas Southwest Airlines. Porque se tornam os nossos sonhos tão mais pequenos quando, finalmente, se tornam em realidade? Lemos fantasia para descobrir de novo as cores, creio eu. Para provar os sabores fortes e ouvir a canção que as sereias cantam. Há algo de antigo e de verdade na fantasia que fala a alguma coisa que vive profundamente dentro de nós, que fala à criança que sonhou que um dia caçaria as florestas da noite, e banquetear-se-ia sob os montes ocos e encontraria um amor que duraria para sempre algures a sul de Oz e a norte de Shangri-la. Eles podem ficar com o céu para eles. Quando eu morrer, prefiro ir para a Terra Média”.

O autor de Guerra dos Tronos, faz questão em suas diversas entrevistas de falar sobre Tolkien e apresentar algumas diferenças e pontos em comum de suas obras. G.R.R.Martin inclusive é conhecido por muitos como o “Tolkien Americano”. Veja um trecho da entrevista a MTV em que ele fala sobre o Tolkien:

Evidentemente que comparar as obras (quanto ao conteúdo) seria algo muito complicado, já que os autores estão em situações de vida completamente diferentes e o modo de escrever é bem distinto.

A complexidade do mundo de Tolkien é bem maior, mas ao mesmo tempo a complexidade psicológica dos personagens de Martin é mais ampla. Alguns dizem que G.R.R.Martin teria superado a obra de J.R.R.Tolkien como obra de Fantasia, em especial por abordar elementos mais próximos da realidade. Não podemos ainda ter certeza quanto a isso. Somente daqui a cinquenta anos saberemos se o Martin influênciou tanto a sociedade com os seus livros como o Tolkien o fez (embora mesmo assim não signifique que o Tolkien seja esquecido).

Por enquanto o que permanece é o respeito e a humildade do autor de Guerra dos Tronos em considerar Tolkien um dos maiores escritores do mundo e reconhecer a influência dele em sua vida e sua obra.

Fonte: http://shelf-life.ew.com/2011/07/12/george-martin-talks-a-dance-with-dragons/

Fonte: http://ohnotheydidnt.livejournal.com/72570529.html#ixzz2PBrXCnMw

Facebooktwittergoogle_plusredditby feather