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Descobertos poemas de J. R. R. Tolkien encontrados em revista escolar de 1936

Revista escolar de 1936.

Revista escolar de 1936.

Por: Sérgio Ramos.

Foi divulgada pelo Oxford Mail a descoberta de dois poemas de autoria de J. R. R. Tolkien publicados na revista escolar de 1936 da Our Lady´s School, Abingdon (cidade localizada dentro do condado de Oxfordshire).

A descoberta foi possível graças ao dedicado trabalho de garimpo literário do tolkienista Wayne G. Hammond, que havia visto uma lista de poesias escritas por Tolkien incluindo duas peças na Crônica de Abingdon, e entrou em contato com o diretor da escola, Stephen Oliver, para que fizesse uma busca nos arquivos.

 

Índice mostrando os dois poemas de autoria de J. R. R. Tolkien.

Índice mostrando os dois poemas de autoria de J. R. R. Tolkien.

 

Segundo o relato de Stephen Oliver, não foi encontrada nos arquivos nenhuma cópia da edição de 1936 e então respondeu a Wayne G. Hammond que tentasse nos arquivos do convento Sisters of Mercy, em Londres. Ainda segundo o diretor da escola:

 

Então, enquanto preparávamos um evento para ex-pupilos da escola, nós descobrimos nossa própria cópia e eu vi os dois poemas que o Sr. Hammond estava procurando.

Minha excitação quando os vi foi esmagadora.

Sou um grande fã de Tolkien e fiquei emocionado por descobrir a conexão com a escola.

Como escritor, me sinto privilegiado por ter feito parte da descoberta destes trabalhos perdidos.

 

Acredita-se que a ligação de Tolkien com a escola em Abingdon tenha ocorrido enquanto o autor morava em Northmoor Road, Oxford, época na qual escreveu O Hobbit e O Senhor dos Anéis.

Os poemas são:

The Shadow Man [O Homem das Sombras, em tradução livre]: uma versão primitiva de “As Aventuras de Tom Bombadil”.

Noel: um poema de Natal.

 

Confira as transcrições dos poemas que estavam perdidos, publicados originalmente AQUI.

NOEL
Grim was the world and grey last night:
The moon and stars were fled,
The hall was dark without song or light,
The fires were fallen dead.
The wind in the trees was like to the sea,
And over the mountains’ teeth
It whistled bitter-cold and free,
As a sword leapt from its sheath.
The lord of snows upreared his head ;
His mantle long and pale
Upon the bitter blast was spread
And hung o’er hill and dale.
The world was blind, the boughs were bent,
All ways and paths were wild :
Then the veil of cloud apart was rent,
And here was born a Child.
The ancient dome of heaven sheer
Was pricked with distant light ;
A star came shining white and clear
Alone above the night.
In the dale of dark in that hour of birth
One voice on a sudden sang :
Then all the bells in Heaven and Earth
Together at midnight rang. 
Mary sang in this world below :
They heard her song arise
O’er mist and over mountain snow
To the walls of Paradise,
And the tongue of many bells was stirred
In Heaven’s towers to ring
When the voice of mortal maid was heard,
That was mother of Heaven’s King.
Glad is the world and fair this night
With stars about its head,
And the hall is filled with laughter and light,
And fires are burning red.
The bells of Paradise now ring
With bells of Christendom,
And Gloria, Gloria we will sing
That God on earth is come.

 

The Shadow Man (clique para ampliar).

The Shadow Man (clique para ampliar).

 THE SHADOW MAN

There was a man who dwelt alone
beneath the moon in shadow.
He sat as long as lasting stone,
and yet he had no shadow.
The owls, they perched upon his head
beneath the moon of summer:
They wiped their beaks and thought him dead,
who sat there dumb all summer.
There came a lady clad in grey
beneath the moon a-shining.
One moment did she stand and stay
her head with flowers entwining.
He woke, as had he sprung of stone,
beneath the moon in shadow,
And clasped her fast, both flesh and bone ;
and they were clad in shadow.
And never more she walked in light,
or over moonlit mountain,
But dwelt within the hill, where night
is lit but with a fountain –
Save once a year when caverns yawn,
and hills are clad in shadow,
They dance together then till dawn
and cast a single shadow.

 

É impressionante como, mesmo após tantos anos, ainda são encontrados materiais perdidos do Professor Tolkien, levando tolkienistas ao redor do mundo a ampliarem seus estudos e nunca pararem de aprender sobre este grande autor.

 

<Atualização>

Apesar da enorme repercussão da notícia acima ao redor do mundo, a tolkienista Dimitra Fimi explicou em seu blog que, na verdade, o achado dos dois poemas se deu ainda em 2013, quando Wayne G. Hammond, por sugestão do diretor da escola de Abingdon, conseguiu a cópia da revista junto ao convento Sisters of Mercy. Hammond até relata isso em seu BLOG.

Por esta razão, o poema The Shadow Man, ao menos para o grande público, já era conhecido (o que acabou passando despercebido na “empolgação” da notícia veiculada em todos os meios): ele foi publicado na edição expandida de “The Adventures of Tom Bombadil” de 2014, editada por Wayne G. Hammond e sua esposa Christina Scull.

O poema Noel, este sim, é inédito e, segundo Fimi, apresenta um “conteúdo explicitamente religioso – algo que Tolkien raramente fazia”. Para conferir a entrevista que a tolkienista deu à BBC Radio Wales, clique AQUI*.

*Obrigado a Ronald Kyrmse pelo link.

<Atualização 2>

Quanto à relação entre Tolkien e o convento Sisters of Mercy, ela começou quando Tolkien foi enviado de volta para casa após a terrível Batalha do Somme (1ª Guerra Mundial), ocasião em que foi hospitalizado e recebeu visita da Madre Mary Michael em Hull, a qual veio a se tornar madrinha de Michael Tolkien, nascido em 22 de outubro de 1920. – Por Troels Forchhammer.

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