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Christopher Tolkien e a criação de O Hobbit

Hoje, 21 de novembro de 2014, Christopher Tolkien completa seus 90 anos de idade. Esse artigo é uma homenagem a sua grande contribuição relativa aos trabalhos de seu pai J.R.R. Tolkien.

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O Hobbit primeira edição

O Hobbit primeira edição

Em 1937 em sua primeira resenha sobre O Hobbit, o escritor C.S. Lewis considerou que este é o “tipo de livro infantil que pode ser lido e relido por adultos”. Isso quer dizer que o livro, embora tenha uma forma voltada para crianças, pode ser igualmente lido e apreciado por adultos, algo nem sempre comum nesse tipo de literatura.

De fato, O Hobbit foi escrito por Tolkien para seus filhos John, Michael e Christopher. Como era costume entre os Tolkiens, o professor gostava de escrever historinhas para entreter seus filhos e o Hobbit foi uma dessas aventuras. Nessa mesma pretensão foram também escritos livros como o Roverandom, Mestre Gil de Ham, Sr. Bliss e outros.

É difícil precisar em que momento  Tolkien começou a escrever o livro. Mas o que se sabe é que foi um processo de escrita continuo. Enquanto contava para seus filhos a história escrevia alguns capítulos.

Em uma entrevista para a BBC, Tolkien lembra-se que escreveu as primeiras palavras de uma forma espontânea e sem saber o significado da palavra Hobbit. Ele simplesmente escreveu em um pedaço de papel em branco: “Numa toca no chão vivia um Hobbit”.

Entre as primeiras palavras e a publicação foram vários anos.

Tolkien reunia-se com seus filhos (e as vezes até na presença de Edith) e contava as histórias. A cada capitulo era uma tarde inteira de aventuras e diversão para os meninos e para o pai.

Nas leituras que fazia para seus três filhos, seu principal critico foi o Christopher Tolkien, que com cerca de quatro ou cinco anos já apontava as incoerências na história. Como relatou a John e Priscilla Tolkien no livro The Tolkien Family Album (p.58):

“Na última vez, você disse que a porta da frente do Bilbo era azul, e disse que Thorin tinha um pendão dourado em seu capuz, mas você acaba de dizer que a porta da frente do Bilbo era verde e que o pendão do capuz de Thorin era cinza”.

E em resposta a isso Tolkien disse: “Dane-se o menino!” e saiu da sala para tomar nota sobre isso.

Tolkien não pretendia publicar o livro. Era mais um dos seus livros caseiros, feitos apenas para sua diversão pessoal e de sua família. Em uma entrevista ao Telegraph, em 1969, Tolkien afirmou que jamais imaginava esse sucesso:

“Eu nunca esperei um sucesso financeiro. De fato, eu nunca nem mesmo pensei em uma publicação comercial quando eu escrevi O Hobbit nos anos trinta”.

Mais tarde Tolkien escreveu o Hobbit e mostrou uma cópia para C.S. Lewis e para algumas pessoas mais próximas. E logo o livro foi publicado em 21 de Setembro de 1937.

O sucesso foi considerável. Os poucos exemplares impressos foram vendidos rapidamente e novas reimpressões foram feitas. O livro também foi publicado nos E.U.A com grande aceitação.

Os primeiros leitores começaram a perceber incorreções ao longo do livro e enviavam cartas para o Tolkien informando. Nisso, em Fevereiro de 1938 Tolkien escreveu:

“Recebi uma carta de um jovem leitor de Boston (Lincs) que inclui uma lista de errata [em O Hobbit]. Coloquei então meu filho mais novo, de cama doente do coração, para encontrar mais a dois pence por erro. Ele encontrou”. (Carta 22).

Nessa época Christopher, já com quatorze anos, estava doente e sua saúde muito fragilizada. Ao que parece havia um problema em seu coração, o que fez com que Tolkien tivesse que lhe dar uma atenção especial. Essa doença repentina fragilizou um pouco a infância de Christopher, mas com o passar do tempo foi se recuperando naturalmente.

Como forma de distração Tolkien pediu  para que o menino encontrasse erros no Hobbit e como recompensa daria dois pence (cerca de R$0,10 atualmente – sem levar em consideração o valor da moeda na época pós-crise de 1929). Os erros encontrados foram posteriormente utilizados em uma nova reimpressão de O Hobbit.

Tolkien tinha um carinho especial por seu filho Christopher. Não por ter ficado doente naquela época, mas especialmente por ser o filho homem mais novo (o caçula). Tolkien mais tarde iria dizer que o “Chris” era o mais parecido com ele mesmo dentre seus filhos.

Na foto abaixo pode-se verificar o quanto o filho e pai eram próximos nessa época. A foto foi tirada em 1928, na época que o Hobbit começava a ser criado:

Tolkien e Christopher 1928

Tolkien e Christopher 1928

Essa aproximação do Tolkien e Christopher fez com que ambos trabalhassem juntos em vários textos, em especial O Senhor dos Anéis. Christopher foi o revisor do livro e desenhou os mapas.

Após a morte de Tolkien em 1973, Christopher foi escolhido como o herdeiro literário de seu pai e passou a editar e comentar vários manuscritos e textos a respeito de seu universo mitológico e estudos da literatura inglesa.

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  • Alisson Seraggioto

    Excelente artigo. Isso mostra a importância de Christopher para as obras de seu pai.