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Celebrada 1ª Missa que pede a canonização de J.R.R. Tolkien

Primeira missa pela canonização de Tolkien

Para entender melhor veja esse texto sobre o início dos pedidos de canonização em 2013 e sobre como funciona o processo no Vaticano AQUI.

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Em 2 de Setembro de 2017 foi realizada a primeira missa para a canonização de J.R.R. Tolkien. Nessa mesma data em 1973 foi o falecimento do autor do Hobbit e o Senhor dos Anéis, mas ao invés de ser uma missa em razão disso, o padre e os fiéis se voltaram para a ideia de rezar pela canonização do escritor. A missa foi realizada no Oratório de Oxford, onde Tolkien frequentava as missas e contou com a presença da neta de Tolkien.

Que o escritor J.R.R. Tolkien era um católico devoto e tradicional não é novidade para a maioria dos seus leitores e admiradores. Mas o que ainda não é tão divulgado é a iniciativa de buscar que esse autor seja canonizado, que se torne um Santo da Igreja Católica Apostólica Romana.

Um dos grandes objetivos dos Católicos é ter uma vida que seja correta e que isso conduza ao céu. Evitando o pecado e agindo de acordo com os preceitos divinos, reforçados e elencados pela Igreja, é possível atingir a santidade.

Tolkien era um católico que praticava sua religião com bastante cuidado. Sua mãe havia se convertido ao catolicismo ainda quando ele era uma criança, e após o falecimento dela em razão de diabetes, Tolkien foi criado pelo Padre Francis Morgan.

Em 2013, conforme noticiado (AQUI) um grupo de religiosos católicos (clérigos e leigos) se reuniu em um grupo do facebook para buscar pleitear a canonização de Tolkien. Desde então o grupo vem se desenvolvendo e conta com apoio de vários padres e até mesmo bispos Ingleses e de outros países europeus.

A missa para a canonização de Tolkien foi feita conforme o rito tradicional (anterior ao Concílio Vaticano II). Dessa forma, a missa foi feita em latim, conforme o próprio Tolkien havia defendido a manutenção da língua latina. (veja mais sobre Tolkien e a missa AQUI).

O relato sobre a missa foi dado por Matt Showering, que esteve presente na missa e tirou as fotos. 

Segue o relato de Matt Showering traduzido na integra:

UMA CERTA REUNIÃO INESPERADA

Matt Showering

No sábado, 2 de setembro [2017], realizou-se uma Missa Tradicional no Oratório de Oxford para marcar o aniversário da morte do escritor e filólogo católico de renome mundial JRR Tolkien (+ 1973). A Missa foi oferecida, no entanto, não pelo repouso da alma de Tolkien – mas sim orando pela abertura da sua Causa de Beatificação.

Muitos católicos podem se surpreender ao saber que alguém consideraria o autor de “O Senhor dos Anéis” como um candidato sério para a santidade, ou mesmo que ele era católico – o que é uma acusação muito triste dos níveis de conhecimento e compreensão prevalentes entre os fiéis de hoje. Pois, dentro de sua obra mais famosa, há profundas e profundas meditações sobre a tentação, a vocação, a redenção e a graça; ecos inconfundíveis dos discursos de despedida de nosso Senhor, paixão, ressurreição e ascensão; e a linguagem mais distintamente mariana que seria possível usar para descrever personagens de ficção.

A própria Missa foi convenientemente celebrada na antiga igreja paroquial de Tolkien (dedicada a São Aloysius) com sua neta entre a congregação. O Provedor do Oratório, Pe. Daniel Seward, falou na sua breve homilia da devoção de Tolkien ao Santíssimo Sacramento, descrevendo-o como “o grande romance de sua vida – embora eu não tenha certeza do que a Sra. Tolkien faria!”. Anos antes, o biógrafo de Tolkien, Humphrey Carpenter, descreveu vividamente a cena no Dia de Todos os Santos, quando o autor, “não uma pessoa que acorda cedo por natureza”, acordaria cedo sem deixar de comparecer à missa antes de começar seu árduo dia de deveres acadêmicos e familiares. Um olhar sobre o grande volume de seu trabalho publicado, que ainda hoje continua a preencher as estantes de livros, serve apenas para tornar essa devoção ainda mais heroica. Para não dizer do fato de eu pessoalmente ter encontrado uma qualidade espiritual tão esmagadora em suas primeiras obras de mitologia que minha inclinação ao terminar um capítulo é abençoar-me!

Após a Missa (e almoço na toca da bebida de Tolkien, o “Lamb & Flag”), um grupo de nós foi ao Cemitério de Wolvercote para rezar o Rosário pela beatificação de Tolkien, o repouso das almas dos membros de sua família (incluindo seu filho mais velho, o Pe. John Tolkien enterrado nas proximidades), para o fim do aborto e a conversão da Inglaterra – juntamente com a Oração de Beatificação, composta pelo grupo online que faz campanha para que a sua Causa seja aberta. Também enterrado nas proximidades está o escritor Stratford Caldecott, para quem as obras de Tolkien foram instrumentais na sua conversão ao catolicismo.

Se você quiser seguir e apoiar a Causa on-line pré-nascente, procure por “Cause of Canonization  of JRR Tolkien” no Facebook. Aqui segue a Oração de Beatificação.

“Oh! Santa trindade, damos graças a ti por ter agraciado a Igreja com John Ronald Reuel Tolkien e por permitir a poesia de sua criação, o mistério da Paixão de seu Filho, e a sinfonia do Espírito Santo, em brilhar através dele e sua  imaginação sub-criativa. Confiando totalmente na vossa infinita misericórdia e na materna intercessão de Maria, Ele nos deu uma imagem viva de Jesus a Sabedoria de Deus encarnada, e mostrou-nos que santidade é a medida necessária da comum Vida cristã e é a forma de alcançar comunhão eterna com o Senhor.Concedei-nos, por sua intercessão, e de acordo com sua vontade, as graças que imploro …, na esperança de que ele em breve estará contado entre Seus santos. Amén”.

“O Blessed Trinity, we thank You for having graced the Church with John Ronald Reuel Tolkien and for allowing the poetry of Your Creation, the mystery of the Passion of Your Son, and the symphony of the Holy Spirit, to shine through him and his sub-creative imagination. Trusting fully in Your infinite mercy and in the maternal intercession of Mary, he has given us a living image of Jesus the Wisdom of God Incarnate, and has shown us that holiness is the necessary measure of ordinary Christian life and is the way of achieving eternal communion with You. Grant us, by his intercession, and according to Your will, the graces we implore…,hoping that he will soon be numbered among Your saints. Amen.”

Ao escrever suas obras Tolkien não pretendia que elas fossem um produto teológico, até porque ele sendo um católico devoto entendia que caberia apenas a Igreja interpretar e tratar sobre o tema de forma autêntica. Mas em diversas ocasiões o autor menciona a importância que sua religião teve para o seu processo de criação, especialmente em seu ensaio “Sobre Contos de Fadas” e em cartas.

Tolkien era um ativista católico, tendo participado de vários grupos onde morava e apoiado instituições. Além disso, ele atuou como tradutor da Bíblia de Jerusalém para o Inglês, no Livro de Jonas (veja mais AQUI).

Embora não expressamente evidenciado em suas obras. Tolkien escreveu várias poesias em élfico e orações católicas. Como exemplo ele traduziu para a língua élfica Quenya o “Pai Nosso” e a “Ave Maria”, como pode ser visto nos vídeos abaixo:


Segue abaixo a “Ave Maria” traduzida para o élfico Quenya pelo próprio Tolkien e cantada:

Para assistir outros vídeos sobre a vida e obra de Tolkien acesse nosso canal no youtube AQUI.

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Um comentário

  1. Pérsio /

    Tolkien era um católico fervoroso E um bom escritor. Não sei se é o suficiente para pedir a sua canonização. Prefiro pensar no Professor como um exemplo a ser seguido e respeitado.

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