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A Origem do Papai Noel: de Clarke Moore a J.R.R.Tolkien

by Eduardo Stark

O Natal é uma época especial para todas as pessoas. Não apenas os cristãos realizam festas no fim do ano, mas todo o mundo comemora essa data com atenção especial.

Mas comemorar o Natal é um costume que tem origens remotas na mitologia e na cultura religiosa do ocidente, tendo seu desenvolvimento como conhecemos atualmente a partir do século XIX.

Entre os anos de 1920 a 1943, o escritor J.R.R.Tolkien escrevia cartas para seus filhos com diversas histórias do Papai Noel. Neles são apresentados alguns elementos que posteriormente poderiam ser utilizados em sua mitologia.

O presente texto tem como objetivo apresentar, em linhas gerais, como foi o desenvolvimento do Papai Noel moderno até a época de Tolkien, tentando apontar possíveis fontes para suas ideias e histórias descritas nas Cartas do Papai Noel.

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1. As Origens do Papai Noel

 

È difícil precisar qual seria a origem do Papai Noel, pois ela se perde no tempo. Sabe-se que está intimamente relacionada com o folclore europeu, especialmente as lendas germânicas.

Alguns dizem que possa ter sua origem na divindade Odin dos povos nórdicos.No folclore escandinavo o Papai Noel pode ter sua origem no chamado “Tomte” ou “Nisse”, um homem velho que entregava presentes para as crianças da Dinamarca.

Na tradição da Igreja Católica, o Papai Noel seria na verdade o Santo Nicolau de Mira, que foi um bispo grego do século IV depois de cristo. Era costume desse santo dar presentes e ser uma pessoa bastante pacífica  e amigável com crianças. Durante a Idade Média ele foi nomeado como santo da Igreja.

O dia de prestar homenagem ao Santo Nicolau era 6 de dezembro, onde as crianças recebiam presentes. Contudo, para se adequar as festividades de 24 e 25 de dezembro que supostamente seria o dia do nascimento de Jesus Cristo, o Santo Nicolau passou a ser prestigiado também nessa nova data. Foi então que Santo Nicolau passou a ser conhecido como Santa Claus ou Papai Noel.

2. A Véspera de Natal de Clement Clarke Moore

 

Em 1823, tentando reunir vários costumes vindos da Europa, Clement Clarke Moore criou uma poesia para comemoração das festas do fim do ano, o poema se chama Uma visita de São Nicolau (A Visit from St. Nicholas), também conhecido como A véspera de Natal (The Night Before Christmas).

A VÉSPERA DE NATAL

Era véspera de Natal, e nada na casa se movia,
Nenhuma criatura, nem mesmo um camundongo;
As meias com cuidado foram penduradas na lareira,
Na esperança de que Papai Noel logo chegasse;
As crianças aconchegadas, quentinhas em suas fronhas,
Enquanto rosquinhas de natal dançavam em seus sonhos;
Mamãe com seu lenço, e eu com meu gorro,
Há pouco acomodados para uma longa soneca de inverno;
Quando no jardim começou uma barulhada,
Eu pulei da cama para ver o que estava acontecendo.
Para fora da janela como um raio eu voei,
Abri as persianas, e subi pela cortina.
A lua no colo da recém-caída neve,
Dava um lustro de meio-dia em tudo em que tocava,
Quando, para meus olhos curiosos, o que apareceu:
Um trenó miniatura, e oitos renas pequenininhas,

Com um motorista velhinho, tão alerta e muito ágil,
E eu soube, na mesma hora, que era o Noel.
Mais rápido que uma águia vinha pelo caminho,
E assobiava, e gritava, e as chamava pelo nome;
“Agora, Dasher! Agora, Dancer! Agora, Prancer e Vixen!
Venha, Comet! Venha, Cupid! Venham, Donder e Blitzen!
Por cima da sacada! Para o topo do telhado!
Agora fora, depressa! Fora todos, bem depressa!”

Como folhas revoltas antes do furacão,
Sem encontrar obstáculos, voaram para o céu,
Tão alto, acima do telhado voaram,
O trenó cheio de brinquedos, e Papai Noel nele também.
E então num piscar de olhos, ouvi no telhado
O toque-toque e o arrastar dos casquinhos.
Como um desenho em minha cabeça, assim que virei
Descendo a chaminé Papai Noel vinha resoluto
Todo vestido de peles, da cabeça até os pés,
E com a roupa toda manchada de cinzas e carvão;
Um saco de brinquedos em suas costas,
Parecia um mascate ao abrir o saco.
Seus olhos – como brilhavam! Suas alegres covinhas!
Suas bochechas como rosas, seu nariz como uma cereja!
Sua boquinha sapeca curvada para cima como num arco,
A barba em seu queixo tão branca como a neve;
O cabo do cachimbo bem preso em seus dentes,
A fumaça envolvendo sua cabeça como uma guirlanda;
Tinha um rosto redondo e uma barriga grande,
Que sacudia, quando ele sorria, como uma tigela de geléia.
Era gordinho e fofo, um perfeito elfo velhinho e alegre,
E eu ri quando o vi, sem poder evitar;
Uma piscada de olhos e um meneio de cabeça,
Na hora me fizeram entender que eu nada tinha a temer;
Não disse uma só palavra, mas voltou direto ao seu trabalho,
E recheou todas as meias; então virou no pé,
E colocando o dedo ao lado do nariz,
Acenando com a cabeça, a chaminé escalou;
Pulou em seu trenó, ao seu time assobiou,
E para longe voaram, como pétalas de dente-de-leão.
Mas ainda o ouvi exclamar, enquanto ele desaparecia
“Feliz Natal a todos, e para todos uma Boa Noite!”

A poesia de Clarke Moore é considerada um verdadeiro marco sobre o Papai Noel, pois ele estabeleceu um conjunto de elementos que caracterizam o personagem. Tais como o trenó e as renas, a entrega de presentes para crianças a noite, a forma humana de um velhinho com bochecas vermelhas Etc. A imagem construída por Clarke Moore em seu poema passou a ser a inspiração para as ilustrações que se seguiram por todo o século XIX. A versão original em inglês do poema de Moore pode ser lida AQUI.

É interessante destacar que Clarke Moore colocou o Papai Noel como sendo “gordinho e fofo, um perfeito elfo velhinho e alegre”. Antes de Tolkien, a ideia de elfo era diferente. Eles eram seres místicos do folclore popular, especialmente dos povos que originaram a mitologia nórdica e germânica. E foram com base nessas histórias antigas que Tolkien construiu seu universo mitológico próprio e alterou as características dos elfos.

3. O Papai Noel e a evolução de sua imagem

 

Na Inglaterra o Papai Noel (Father Christmas) tem sua origem no século XVI durante o reinado do rei Henrique VIII, quando era retratado como um homem gordo vestido de verde ou vermelho feito de pelo.

Observando a tradição e o folclore popular inglês, essa figura foi retratada pelo ilustrador John Leech no trabalho “Ghost of Christmas Present” (O fantasma do presente de Natal) no livro clássico de Charles Dickens, Um Conto de Natal (A Christmas Carol), publicado em 1843. Como se pode observar na ilustração abaixo, ele era um homem barbudo vestido de verde e cheio de alegria que entregava presentes pelas ruas de Londres durante a madrugada de natal. Com o passar do tempo o espírito do natal presente passou a ser considerado também como a mesma figura do Santa Claus ou Santo Nicolau.

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Nos Estados Unidos a imagem do Papai Noel foi utilizada como propaganda política durante a Guerra Civil. Assim, em 1863, no jornal Harper’s Weekly, o ilustrador  Thomas Nast fez uma ilustração do bom velhinho vestido com roupas que representavam os símbolos da bandeira dos E.U.A. Mais tarde Thomas Nast seria um dos maiores expoentes na representação do Papai Noel em suas ilustrações.

Tomando como base o poema Clarke Moore, várias ilustrações foram feitas do Papai Noel na segunda metade do século XIX. Ele era retratado com roupas verdes, amarelas e vermelhas. Não havia um consenso sobre a aparência do papai Noel.

Até que em 1868 uma empresa de doces dos E.U.A, chamada Sugar Plums, criou o papai Noel com as vestes vermelhas e com a aparência mais similar ao que conhecemos, porém seu chapéu era verde.

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Em 1881, Thomas Nast iniciou uma série de ilustrações na época de Natal. Em 1º de janeiro daquele ano publicou sua ilustração “Merry Old Santa Claus”, no tradicional jornal Harper’s Weekly. A partir dessa ilustração Nast popularizou a sua imagem do Papai Noel e ela passou a ser a inspiração básica para os futuros ilustradores. Ele estabeleceu a forma das roupas, adotou a cor vermelha como oficial e aos poucos foi trazendo elementos para a história do Papai Noel.

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Em 1902, Tendo como base as ilustrações de Thomas Nast, o australiano Australian Frank A. Nankivell apresenta uma imagem do Papai Noel como conhecemos atualmente na revista Puck:

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4. A vida e as aventuras do Papai Noel de L. Frank Baum

 

Em 1902, L. Frank Baum, mesmo autor do Mágico de Oz, escreveu um importante livro que consolidou as principais características do Papai Noel. O livro se chama The Life and Adventures Of Santa Claus (A vida e as aventuras do Papai Noel). Baum reúne as principais histórias de Natal que envolvem o Papai Noel e forma a base do que nós conhecemos atualmente.

O ilustrador da primeira edição do livro ainda não havia adotado o aspecto físico de Thomas Nast, pois o Papai Noel se vestia de verde e não vermelho. Contudo, com o passar dos anos outros ilustradores adotaram a figura desenhada por Thomas Nast. O livro pode ser acessado gratuitamente no link AQUI.

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Em 1902 Tolkien era apenas uma criança de dez anos e se teve acesso ao livro de Frank Baum nessa época provavelmente foi por meio da escola ou por sua mãe, que veio a falecer em 1904. Mas o mais provável é que Tolkien tenha lido o livro quando iniciou seus estudos de mitologia e fantasia.

Nesse livro o Papai Noel é um ser humano que consegue ir morar no reino das fadas quando bebê. Criado por criaturas mágicas ele desenvolve diversas capacidades. Ele ganha a imortalidade dos espíritos superiores, para completar seu bom trabalho de presentear as crianças.

Em 1985 o livro The Life & Adventures of Santa Claus é apresentado como uma adaptação para televisão em um programa especial de natal pela empresa Rankin Bass, mesma empresa que realizou as primeiras animações do Hobbit (1977) e o Senhor dos Anéis, Retorno do Rei (1980).

5. O Papai Noel do século XX

 

Em 1920, a revista The Saturday Evening Post apresentou sua capa de dezembro com uma ilustração do Papai Noel inovadora. Desenhado por Norman Rockwell, essa figura apresenta um Papai Noel mais realista do que as imagens anteriores.

Norman Rockwell já havia feito uma ilustração para a capa da revista Boy’s Life, em 1913, mas ainda não tinha a característica de realismo que projetou na edição da Saturday Evening Post.

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Foi nessa edição que a Coca Cola iniciou seu Marketing da época do Natal utilizando a figura do papai Noel. Já estava sendo comum utilizar o Papai Noel pelas empresas, mas a empresa de refrigerantes tinham uma propaganda de massa, o que por esse meio tornou a imagem do Papai Noel consolidada como conhecemos hoje.

Mas as propagandas com maior peso aconteceram no natal de 1931, na Haddon Sundblom a Coca Cola publica uma nova ilustração do Papai Noel com um aspecto jovial e alegre. A ilustração continua apresentando o mesmo estilo realista de Rockwll, mas com um tom mais alegre. A figura do Papai Noel passou a mostrar alegria e energia enquanto tomava uma garrafa de coca cola. Essa foi a imagem que adotada pela empresa para as publicidades de natal nos anos seguintes.

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Em 10 de dezembro de 1932 a Walt Disney criou sua primeira adaptação em desenho animado do Papai Noel. Nessa animação o Papai Noel lê a lista das crianças que irão receber os presentes de Natal e os elfos fabricam os presentes.

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Antes da década de 30 do século XX a imagem do Papai Noel já estava consolidada, mas passou a ter um grau de popularidade maior com a Disney e a Coca Cola utilizando o personagem em suas publicidades. Várias empresas passaram a usar o Papai Noel como símbolo do Natal e para conseguir mais vendas nessa época do ano.  Foi a partir dessa época que se tornou um costume pessoas se vestirem de papai Noel em lojas na véspera do Natal.

6. Cartas do Papai Noel de J.R.R.Tolkien

 

O professor Tolkien como um católico praticante e pai de família sempre buscava comemorar esses momentos com seus filhos pequenos e esposa.

Especialmente entre os anos de 1920 e 1943, embora tivesse o sustento de sua família como professor universitário, Tolkien ainda não era rico (o sucesso dos livros só veio quando já estava mais velho) e por isso buscava sempre compensar o natal com presentes simples, mas sempre acompanhados de muito amor paterno e cartas vindas diretamente do pólo norte, enviadas por Papai Noel.

A partir de 1920 Tolkien começou a escrever Cartas para seus filhos como se fossem enviadas pelo próprio Papai Noel. Nelas ele conta as mais empolgantes aventuras do bom velhinho vestido de vermelho e seus amigos. O conjunto dessas cartas foi posteriormente publicado em forma de livro, conhecido “Cartas do Papai Noel” (publicado no Brasil ano passado pela Wmf Martins Fontes).

Em Outubro de 1920 o segundo filho de Tolkien havia nascido em Oxford e o professor estava com sua sensibilidade ampliada em relação aos seus filhos.

Seu primeiro filho de três anos, John Tolkien, pouco antes do Natal havia questionado como era o Papai Noel e sua casa. Como resposta, o professor Tolkien escreveu e ilustrou uma carta dizendo ser enviada pelo próprio Papai Noel ao pequeno John.

Nessa primeira carta vem junto a ilustração do Papai Noel e sua casa que segue abaixo:

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Nas cartas são contadas as aventuras do Papai Noel e seus ajudantes o secretário elfo Ilbereth e o Urso Polar. Há relatos das guerras travadas pelos gnomos vermelhos e os trasgos (Goblins) e várias atividades do Papai Noel.

O ano de nascimento do Papai Noel é intrigante. Segundo o exposto na carta de 1923, o Papai Noel teria 1927 anos, tendo nascido em 4 a.c, mesma data que algumas pessoas consideram como o verdadeiro ano de nascimento de Cristo. Nesse mesmo ano também nasceu o filósofo romano Sêneca.

As cartas não se desviam dos acontecimentos do mundo a cada ano. O Papai Noel sentia as dificuldades dos anos tristes da Segunda Guerra Mundial.

Na carta de 24 de dezembro de 1939, O Papai Noel escreve em sua carta a Priscilla Tolkien: “Estou muito ocupado, e este ano as coisas estão muito difíceis por causa dessa guerra horrível.Muitos dos meus mensageiros jamais voltaram”.

Na carta do ano seguinte, Papai Noel diz estar enfrentando dificuldades por causa da grande guerra e diz “Este ano estamos com muitas dificuldades. Essa guerra horrível está reduzindo todos os nossos estoques, e há muitos países em que as crianças estão morando longe das suas casas”.

Conforme seus filhos foram ficando adultos as cartas eram direcionadas apenas aos menores. Em geral o Papai Noel deixava de enviar suas cartas quando cada filho do Tolkien completava a idade de quatorze anos, mas eles ainda eram mencionados em envios de saudações e abraços.

É interessante notar que um grande amigo do Tolkien, o C.S. Lewis também usava a figura do Papai Noel em sua imaginação. No seu livro The Lion, the Witch and the Wardrobe publicado em 1950, o Papai Noel faz uma rápida aparição no mundo de Nárnia. Mas diferentemente de Lewis, Tolkien não chegou a publicar em vida algo sobre o Papai Noel, isso veio acontecer somente após a sua morte com a edição de um livro por seus herdeiros.

6.1. As histórias do Papai Noel como parte do Legendarium de Tolkien

 

O professor Tolkien começou a escrever sua mitologia por volta do ano de 1917, justamente o ano que seu primeiro filho nasceu. Três anos mais tarde começou a escrever as Cartas de Papai Noel e o fez durante os próximos vinte e três anos. A cada carta pode-se perceber que há alguns elementos que são indícios de que o Papai Noel estaria inserido no mesmo contexto das histórias de sua mitologia, mas talvez em uma época diferente ou no caso outro mundo distante da Terra-média.

Podem ser apontados como elementos relacionados ao seu legendarium o seguinte:

  1. Ilbereth é o secretário elfo do Papai Noel. Seu nome é muito similar a Elbereth, a Valië, esposa de Manwë.
  2. Ilbereth sabia várias línguas e alfabetos: ártico latim, grego, russo, runas e élfico.
  3. Papai Noel tem inimigos chamados Goblins e trava batalhas de tempos em tempos.
  4. Os Goblins usam um alfabeto próprio, o que poderia ser os primeiros passos para formar o alfabeto dos elfos no legendarium.
  5. O Homem da Lua está presente nas histórias do Papai Noel, assim como está em uma canção do Frodo Bolseiro no Senhor dos Anéis.
  6. O Urso Polar utiliza letras parecidas com as runas dos anões.
  7. O Papai Noel em 1923 tinha 1927 anos de idade e era imortal, mas tinha um pai (vovô Yule) e um irmão verde.
  8. Na carta de 1937 o Papai Noel disse que iria mandar os livros do Hobbit para Priscilla e Christopher.

Laurence e Martha Krieg, em artigo no períodico  Mythlore, acreditam que as Cartas do Papai Noel é um precursor do Senhor dos Anéis, citando como exemplo que Gandalf seria uma forma avançada ou inspiração do Papai Noel.

Se levarmos em consideração o fato de que para Tolkien, a Terra-média era o nosso mundo em uma época antidiluviana, então poderia se afirmar que o Papai Noel seria uma criatura que surgiu em épocas anteriores aos acontecimentos da Terceira Era.

Contudo Tolkien diz a idade do Papai Noel, que é de 1927 anos (em 1923). Ou seja, ele completará nesse natal (2013) 2019 anos, o que torna distante a possibilidade de seu nascimento na Terra-média, cujo tempo poderia se situar a mais de seis mil anos atrás.

Além disso, nas cartas, é dito que o Papai Noel tem um pai, um irmão e um avô chamado Yule, demonstrando que ele não seria um dos Maiar, como alguns poderiam supor. No entanto, não é dada mais nenhuma informação sobre sua família, exceto que o Papai Noel conviveu com esses três familiares e que tinham o mesmo nome do Santo Nicolau (Nicholas). Surge o questionamento se o Papai Noel seria um humano filho adotivo de elfos ou se seria um propriamente.

Por outro lado, nas histórias de L. Frank Baum, o Papai Noel é um ser humano que consegue adentrar no reino das fadas e consegue a dádiva dos seres espirituais maiores o dom da imortalidade. Esses seres maiores do reino das fadas, em alguns aspectos, se parecem com os deuses que encontramos no Silmarillion.

Então, se a história narrada por Baum fosse encaixado dentro da mitologia tolkieniana, poderia ser dito que o Papai Noel é um humano que conseguiu ir para Valinor e ser criado pelos elfos, sendo concedido a ele mais tarde a mesma imortalidade que os elfos tinham.

Poderia ser o Papai Noel o primeiro homem a se tornar imortal na mitologia Tolkieniana? Embora haja elementos do universo tolkieniano nas cartas do Papai Noel, não é possível dizer com certeza se seria possível.

 

6.2. O livro Cartas do Papai Noel de J.R.R.Tolkien

 

Com a morte do professor Tolkien em 1973, seus herdeiros começaram a editar o material que havia deixado. Em 1976 foi publicado o livro The Father Christmas Letters de J.R.R.Tolkien, pela Allen & Unwin, com edição de Baillie Tolkien, esposa de Christopher Tolkien.

Em uma edição com novas cartas, publicada em 1999, o livro alterou o título para Letters from Father Christmas. Tendo sido novamente republicado em uma edição especial comemorativa de 25 anos em 2006. Nesse mesmo ano é publicado em Portugal com o nome “Cartas do Pai Noel”, com tradução de Ester Ribeiro e Cristina Correia, editora Europa-américa.

Finalmente em 2012, o livro foi publicado no Brasil com o título Cartas do Papai Noel de J.R.R.Tolkien pela editora Wmf Martins Fontes, com tradução de Ronald Kyrmse. (veja a video resenha AQUI).

 

Linha do tempo

 

1823 – Publicado A Véspera de Natal (A Visit from St. Nicholas) de Clement Clarke Moore.

1843 – Ilustração de John Leech no livro de Charles Dickens A Christmas Carol.

1863 – Thomas Nast publica imagem do Papai Noel durante a Guerra Civil dos E.U.A no Harper’s Weekly.

1868 Imagem do Papai Noel com roupa vermelha na publicidade da empresa Sugar Plums.

1881 – Thomas Nast publicou sua ilustração “Merry Old Santa Claus”, na edição de 1º de janeiro da Harper’s Weekly.

1892 – Nascimento de J.R.R.Tolkien

1902 – Publicado o livro The Life and Adventures Of Santa Claus pelo autor do Mágico de Oz, L. Frank Baum.

1917 – Nasce John Tolkien.

1920 – Em 22 de Outubro, nasce em Oxford o segundo filho de Tolkien, Michael.

1920 – Em 02 de dezembro, a Saturday Evening Post publica a capa com o Papai Noel ilustrado por Norman Rockwell. Iniciando a publicidade da empresa Coca Cola.

1920 – J.R.R.Tolkien escreve a primeira Carta do Papai Noel ao seu filho John, em 22 de dezembro.

1924 – Nasce Christopher Tolkien.

1929 – Nasce Priscilla Tolkien.

1931 – Na Haddon Sundblom a Coca Cola publica uma nova ilustração do Papai Noel com um aspecto jovial e alegre. Esse foi o estilo adotado pela empresa para as publicidades de natal nos anos seguintes.

1932 – Em 10 de dezembro, a Walt Disney exibe o desenho Santa’s Workshop.

1943 – Última carta de Papai Noel escrita por J.R.R.Tolkien para Priscilla Tolkien.

1950 – Publicado The Lion, the Witch and the Wardrobe de C.S.Lewis, tendo o Papai Noel como um dos personagens do mundo de Nárnia.

1973 –  J.R.R.Tolkien falece aos 81 anos.

1976 – Publicado o livro The Father Christmas Letters de J.R.R.Tolkien, pela Allen & Unwin, com edição de Baillie Tolkien, esposa de Christopher Tolkien.

1985 – O livro The Life & Adventures of Santa Claus é apresentado como uma adaptação para televisão em um programa especial de natal pela empresa Rankin Bass, mesma empresa que realizou as primeiras animações do Hobbit (1977) e o Senhor dos Anéis, Retorno do Rei (1980).

1999 – Republicação do livro The Father Christmas Letter com novas cartas que haviam sido omitidas e com alteração do nome para Letters from Father Christmas.

2006 – Publicada edição comemorativa de 25 anos do livro Letters from Father Christmas. Nesse mesmo ano é publicado em Portugal com o nome “Cartas do Pai Noel”, com tradução de Ester Ribeiro e Cristina Correia, editora Europa-américa.

2012 – Publicado no Brasil o livro Cartas do Papai Noel de J.R.R.Tolkien pela editora Wmf Martins Fontes, com tradução de Ronald Kyrmse.

 

 

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3 comentários

  1. Ótimo artigo, me inspirou muito, precisava escrever um texto e vocês me deram uma luz. Obrigado!

  2. Trisllan /

    Muito bom o texto, só não entendi a ligação entre o fato dele ter parentes provar que ele não é um Maiar. Os Ainur tinha parentes na mente de Eru, vide os irmãos Melkor e Manwe, ou Yavanna e Vaná. E até filhos, como Melian.

    • Heserin /

      Olha, eu concordei com o texto, mas lembrei que quando o Gandalf se apresenta pro Beorn, e o troca peles diz que não o conhece, ele usa como referência o “primo” dele, Radagast, que morava ao sul da Floresta das Trevas.

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