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O prefácio da primeira edição de O Senhor dos Anéis!

Primeira edições de O Senhor dos Anéis 1954-1955

by Eduardo Stark

As primeiras edições de O Senhor dos Anéis possuem um grande valor, observando a sua raridade e o quanto é querido por milhares de pessoas pelo mundo. Tendo mais de 60 anos de publicação muitas vezes elas se tornam negligenciadas pelo grande público, especialmente quanto às informações que ali estão no seu primeiro prefácio.

Com a publicação do Senhor dos Anéis em 1954-1955, Tolkien percebeu que havia várias coisas que poderiam ser alteradas. A cada análise percebia erros de tipografia e até erros de ortografia. Assim, na década de 60 foi feita uma grande revisão dos livros, com a finalidade de tornar a obra um pouco mais formada.

A principal alteração, a mais visível, foi a modificação do prefácio por inteiro. No livro Peoples of Middle Earth, Christopher Tolkien anota que seu pai não havia gostado do primeiro prefácio e cita que o professor escreveu em uma de suas cópias da primeira edição o seguinte: “’Este Prefácio eu desejaria muito cancelá-lo de qualquer forma. Confundir (como o faz) questões pessoais reais com a “máquina” do Conto é um erro grave”.

Então, na segunda edição do Senhor dos Anéis em 1966, foi publicado um novo prefácio, mais longo e explicativo de vários pontos que foram objeto de controvérsias desde a publicação da primeira edição. Haviam várias pessoas que faziam alegorias do Senhor dos Anéis com a Grande Guerra Mundial (tanto a primeira como a segunda), algo que de fato deixava o Tolkien constrangido por ser oposto a alegorias.

No prefácio da primeira edição o Tolkien continua com a história de que ele seria apenas um tradutor de um livro antigo dos hobbits, o Livro Vermelho do Marco Ocidental, que foi originalmente escrito por Bilbo Bolseiro e Frodo. Isso evidencia a ideia de que as histórias da Terra Média, na concepção do autor, foram outros tempos de nosso próprio planeta terra.

A primeira edição brasileira de O Senhor dos Anéis data de 1994. Nela o prefácio do livro já é o texto da segunda edição. Assim, é interessante ler o prefácio original de O Senhor dos Anéis para sabermos um pouco mais dessa grandiosa obra.

Primeiras edições do Senhor dos Anéis (britânicas) e do Brasil

Primeiras edições do Senhor dos Anéis (britânicas) e do Brasil

 

Prefácio da primeira edição do Senhor dos Anéis

 

Este conto, que tem crescido para ser pelo menos uma história da Grande Guerra do Anel, é extraído em sua maior parte das memórias dos renomados Hobbits, Bilbo e Frodo, tal como estão preservados no Livro Vermelho do Marco Ocidental. Este monumento principal da tradição Hobbit é assim chamado porque foi compilado, copiado várias vezes, ampliado e transmitido na família dos Lindofilhos do Marco Ocidental, descendentes do Mestre Samwise dos quais este conto tem muito a dizer.

Eu complementei o conto do Livro Vermelho, em algumas partes, com informações derivadas dos registros sobreviventes de Gondor, nomeadamente o Livro dos Reis; mas, em geral, apesar de eu ter omitido muito, tenho aderido neste conto mais palavras e narrativa próximas do meu original do que a seleção anterior do Livro Vermelho, O Hobbit. Que foi elaborado a partir dos primeiros capítulos, composto originalmente pelo próprio Bilbo. Se ‘composto’ for só uma palavra. Bilbo não era assíduo, nem um narrador organizado, e seu conto está envolvido, discursivo, e às vezes confuso, falhas que ainda aparecem no Livro Vermelho, uma vez que as cópias foram cuidadas e alteradas muito pouco.

O conto foi colocado em sua forma atual, em resposta aos muitos pedidos que tenho recebido para obter mais informações sobre a história da Terceira Era, e sobre Hobbits, em particular. Mas desde que os meus filhos e outras pessoas da sua idade, que ouviram pela primeira vez o achado do Anel, se tornaram mais velhos com os anos, este livro fala mais claramente dessas coisas mais escuras que se escondiam apenas nas pontas do conto anterior, mas que conturbaram a terra-média em toda a sua história. Este, na verdade, não é um livro escrito para as crianças; embora muitas crianças, é claro, estejam interessadas, ou parte delas, como ainda estão nas histórias e lendas de outros tempos (especialmente naquelas não escrita especialmente para elas).

Dedico o livro a todos os admiradores do Bilbo, mas especialmente aos meus filhos e minha filha, e aos meus amigos os Inklings. Para os Inklings, porque eles escutaram com paciência a história, e com um real interesse, que quase me leva a suspeitar que eles têm sangue hobbit em seus veneráveis ancestrais. Aos meus filhos e minha filha, pelo mesmo motivo, e também porque todos eles me ajudaram nos trabalhos de composição. Se ‘composição’ for só uma palavra, e essas páginas não merecessem tudo o que eu tenho para dizer sobre o trabalho do Bilbo.

Pois se o trabalho tem sido longo (mais de quatorze anos), não tem sido nem ordenado nem contínuo. Mas eu não tive o lazer do Bilbo. Na verdade grande parte desse tempo não conteve lazer nenhum para mim, e mais de uma vez durante um ano inteiro a poeira se acumularam em minhas páginas inacabadas. Eu só digo isso para explicar para aqueles que esperaram por este livro por que tiveram que esperar tanto tempo. Eu não tenho nenhuma razão para reclamar. Estou surpreso e encantado ao descobrir a partir de inúmeras cartas que tantas pessoas, tanto na Inglaterra e no outro lado do mar, compartilham meu interesse por essa história quase esquecida. Mas ainda não é universalmente reconhecido como um importante ramo de estudo. De fato, não tem um uso prático óbvio, e aqueles que se voltam a isso dificilmente podem esperar serem auxiliados.

Muita informação, necessária e desnecessária, será encontrada no prólogo. Para completá-lo alguns mapas são fornecidos, incluindo um do Condado que foi aprovado como razoavelmente correto pelos Hobbits que ainda se preocupam com a história antiga. No final do terceiro volume serão encontradas também algumas árvores genealógicas abreviadas, que mostram como os Hobbits mencionados se relacionavam entre si, e qual suas idades no momento em que a história começa. Há um índice de nomes e palavras estranhas com algumas explicações. E para aqueles que gostam de tais tradições em um apêndice um breve relato é dado sobre as línguas, alfabetos, e calendários que foram usados ​​nas Terras Ocidentais na Terceira Era da Terra-média. Aqueles que não precisam de tais informações, que não as desejam, podem negligenciar estas páginas. E os nomes estranhos que se encontram, é claro, podem ser pronunciados como preferirem. Foi dado cuidado a sua transcrição da ortografia adotada.* Mas nem todos estão interessados ​​em tais assuntos, e muitos que não estão ainda podem entender que vale a leitura o relato desses grandes e valorosos feitos. Foi nessa convicção que comecei o trabalho de tradução e seleção das histórias do Livro Vermelho, parte do qual não foram apresentados aos homens das eras posteriores, quase tão sombrias e ameaçadoras como era a Terceira Era, que terminou com os grandes anos de 1418 e 1419 do Condado há muito tempo.

*Alguém pode agradecer por uma nota preliminar sobre a pronúncia intencionada pela grafia usada nessas histórias.

As letras C e G são sempre “duras” (como k, e g em get), mesmo antes de “e”, ‘i”,  “y”; “ch” é usado como em galês ou alemão, não como em Inglês church. Os ditongos “ai” (ae) e “au” (aw), representam sons como se ouve em brine e brown, e não aqueles em brain e brawn.

Vogais longas são todas marcadas com um acento, ou com um acento circunflexo, e, geralmente, são também destacadas. Assim Legolas tem um “o” curto, e destina-se a ser destacado na sílaba inicial.

Estas observações não se aplicam aos nomes dos Hobbits do Condado, que foram todos anglicizados, por razões explicadas posteriormente.

 

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Veja aqui a análise do Prefácio da segunda edição de O Senhor dos Anéis feita parágrafo por parágrafo:

Parte 01

Parte 02

Parte 03

Parte 04

 

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Um comentário

  1. SUPRAMATY /

    Tenho procurado essa versão dos livros.
    A que consegui foi dos três livros em edição única.

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