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Contos do Bardo por Sandro França – Parte 08

Temos o prazer de anunciar a publicação de mais um texto de nosso amigo o escritor Pernambucano Sandro França (Anárion), contando suas belas histórias ambientadas na terra média.

Você pode ver as partes anteriores clicando nos links:

Parte 01 -A Floresta das trevas

Parte 02 – Caminho pelo Rio

Parte 03 – Rio Abaixo

Parte 04 -Cativo

Parte 05 – Ainda há esperança

Parte 06 – Sonhos

Parte 07 -Baruk khazad! Khazad Ai-Mênu!

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PARTE 8 – PARA AS COLINAS DE FERRO

– Rápido, vamos para o norte! – Gildron deu a ordem aos seus comandados, e junto a estes, seguiam o Bardo, o Rohirrim e o Oriental. De todas as formas possíveis em que eram montados, essa estranha combinação era sempre a menos provável possível de se encontrar naqueles dias. Pelo nordeste das Terras Castanhas eles avançaram, fugindo do alcance dos dedos negros de Rhûn e seus perigosos Easterlings. Três dias após o tenso conflito na colina, as notícias sobre a queda dos batedores liderados por Nemesis, somada à fuga dos prisioneiros, já deveria ser assunto comum entre os líderes daquele lugar, e uma poderosa resposta poderia estar sendo tramada ou mesmo já a caminho. Demoraram na colina apenas o suficiente para reorganizar as coisas, e enterrar Fararzim, prestando-lhe a devida homenagem. Na língua comum, seu nome queria dizer Aquele que Caminha na Noite, e esse foi o nome dado àquela colina deste então entre anões ou homens. Seu corpo foi envolvido num manto negro, e enterrado. Sobre o túmulo juntaram pedras, e ao redor delas, espalharam as armas dos guerreiros por ele abatidos. Pouco mais acima da altura de sua cabeça, sua lança foi enfiada com a ponta para cima, em sinal de desafio aos que por ali porventura passassem. Ali jazia um poderoso guerreiro, ali jazia o Que Caminha na Noite!

 – Teremos tempo para celebrar esta vitória, mas apenas quando estivermos em segurança. Enquanto estiver sob a sombra desse lugar, não terei descanso! – Gildron, antes sempre muito brincalhão, liderava a tropa de anões com muito vigor, embora sem grosseria. Incansáveis eles marchavam para o norte, em direção ao mesmo encontro dos rios onde foram atacados dias antes. Lá, segundo o mestre anão informara, uma dezena de anões esperavam, protegendo a passagem. A esperança era que os resgatados fossem enviados pelo rio com uma pequena escolta, e o maior contingente das tropas seguissem por terra, confundindo assim o rastro para possíveis captores. Dificilmente batedores ou caçadores de escravos se lançariam num combate aberto contra cerca de trinta e cinco soldados naugrins. Seria demasiado tolo, embora os anões fossem adorar se eles assim o fizessem. Guerreiros poderosos eram. Rápidos em se alegrar, eram igualmente rápidos em odiar. Não esqueceriam o mal causado pelos orientais, descrito nas palavras de Gildron quando chegou em casa ferido, após uma exaustiva jornada pelos ermos, vencida apenas pela força peculiar a esse povo, tão cedo.

 Dos anões envolvidos no ataque na colina, nenhum pereceu em combate. Cinco deles haviam sido feridos com alguma gravidade, mas nada que os inativasse. Após os três dias, e pelos medicamentos usados, estavam restabelecidos o suficiente para ao menos escoltar Gildron, Anárion e os outros. Seguindo a partir do rio, estariam nas Colinas de Ferro em três dias. Mas nem todos iriam fazer aquele percurso. Elmmeth não iria com os outros para o norte, mas sim, retornar para Rohan. O Bardo, Gildron e ele conversaram sobre isso algumas vezes, sempre que paravam para acampar a noite, e o que decidiram era que se arriscar nas Terras Castanhas seria imprudente. Assim, Elmeth seguiria pelo rio, fazendo o caminho inverso que Gildron e o Bardo haviam feito dias atrás, até a Cidade do Lago. Lá, ele deveria procurar um amigo de Gildron, um dos homens do lugar, e este conseguiria para o Rohirrim um cavalo, e escolta através da Floresta das Trevas. Uma vez na margem oeste do Anduim, Elmmeth cavalgaria para o sul, até chegar a Rohan, refazendo assim o caminho que Erol, o Jovem, fizera outrora vindo com os seus do norte para Calenardhon em auxílio de Gondor.

No final daquela manhã chegaram ao encontro dos rios. Anárion passou um tempo procurando suas armas, mas tudo que encontrou foram algumas flechas desperdiçadas. Os anões eram incansáveis, e logo os preparativos para as três jornadas estavam prontos. Os soldados seguiriam por terra; Gildron, Anárion, Rasgul e os cinco anões que haviam sido feridos em combate, seguiriam pelo rio. Elmmeth e mais dois anões iriam pelo rio para Esgaroth. Entre todas as escolhas, a de Rasgul foi a mais estranha. Elmmeth pensou que ele o seguiria, até Rohan, e até já pensava em alguma atividade para o envolver consigo. Mas Rasgul, utilizando sinais, explicou que não conseguiria viver entre os homens do ocidente, pois o peso cultural contra os Orientais é enorme, e ele teria dificuldades para viver nesse contexto. Ademais, era um bom comerciante, acostumado com estocagem e outros cuidados com mercadorias, e nisso o Bardo sugeriu se ele não poderia ficar com Gildron, já que este trabalhava com o pai no comércio. Após longa conversa, Gildron permitiu que ele fosse, e se comprometeu a cuidar bem dele e o proteger, a despeito de sua origem. Rasgul fez uma longa reverência ao mestre anão quando foi informado de sua decisão. Dessa forma, muitas despedidas aconteceram. Rasgul despediu-se com muita emoção de Elmmeth, referindo-se a ele em sinais o tempo todo como O Salvador de Sua Vida, ou A Quem Devo A Minha Vida. Elmmeth jurou diante de um carvalho que viajaria um dia para as Colinas de Ferro para o visitar. Ali eles juntaram algumas pedras em sinal de respeito. Também despediu-se Elmmeth de Anárion, e era como contemplar poderosos senhores de Rohan e Gondor, austeros e soberanos, cúmplices um com o outro, jurando fidelidade e apoio nos momentos de maior necessidade.

 – Elmmeth, filho de Eliefren, Capitão de Rohan, quis o destino que nossos caminhos se cruzassem sob tão desesperador contexto. Fico feliz que o desfecho tenha sido bom para nós. Que o sol brilhe sobre o seu caminho meu amigo, e que possamos nos encontrar novamente um dia! – Falou Anárion, enquanto apertava a mão de Elmmeth, tendo a outra mão repousada sobre o seu ombro.

 – Anárion, filho de Galdor, príncipe de Belfalas, sinto-me honrado por ter lutado ao seu lado. Seus grandes feitos serão conhecidos em Rohan, tão certo como o sol nasce. Que o sol também brilhe sobre o seu caminho, e possamos cruzar armas novamente um dia em defesa da justiça, e de tudo que amamos nessa bela terra. Por Rohan, eu o saúdo! Até um dia meu amigo! – Elmmeth respondeu com vigor, trazendo em seu semblante toda a firmeza dos valorosos guerreiros Eorlingas. O sangue dos bravos que outrora vieram do norte corria em suas veias. Ele era um cavaleiro de Rohan.

Dessa forma, na metade da tarde partiram. Muitos quilômetros os separavam de seus destinos, por isso não poderiam se demorar mais. Os anões marcharam por terra, enquanto a jangada levava Elmmeth e seus companheiros para A Cidade do Lago. Gildron, o jovem Bardo e os outros cinco anões, seguiram num pequeno barco pelo outro braço do rio, em direção às Colinas de Ferro. Estavam felizes, embora sempre atentos. Anárion, pela primeira vez em dias, respirou o puro ar da liberdade, e sorriu ao contemplar aves voando mais à frente sob o céu cada vez mais vermelho pelo sol que partiria em breve, mergulhando no distante oeste. Deixou uma das mãos caírem no rio, e sentiu a água a lhe acariciar os dedos. Desejou ter sua harpa para uma canção, mas ela se fora. Respirou profundamente então apenas, e relaxou o corpo, mergulhando quase que imediatamente num revigorante sono, desta vez, sem sonhos.

Quando acordou, Gildron fumava ao seu lado, com um pé sobre a amurada do pequeno barco, contemplando a paisagem. Era noite, mas o percurso naquele ponto do rio era calmo, então se aventuraram a navegar um pouco mais. Um céu estrelado foi a primeira coisa que o Bardo viu quando abriu os olhos, embora já tivesse sentido o cheiro do fumo de Gildron. Lembrou-se então dos elfos, que quando despertaram viram as estrelas de Varda, e por elas se apaixonaram, como lera em algum lugar tempos atrás. Sorriu, e novamente teve vontade de cantar uma das antigas canções dos Eldalië, mas não o fez. Virou o rosto de lado e contemplou o amigo. Sorriu e falou ao mesmo.

– Gildron, meu nobre mestre anão. Ainda não tive tempo para o agradecer por tudo que fez por nós. Muito obrigado. Não sei que forças o levaram até nós em momento tão exato. Creio que teríamos perecido pelo aço Easterling se não fosse sua pronta ajuda. Obrigado meu caro amigo! – Anárion sorriu, sentando-se mais próximo do anão.

– Suas palavras me deixam lisonjeado, mas que fiz eu demais além de lutar por um amigo, companheiro de viagem? Quando fomos atacados, eu cai em meio aos matagais e bati a cabeça, ficando desacordado. Quando acordei, vi apenas rastros da luta, e a carga perdida. A jangada deve ter descido o rio, então tive de fazer o percurso até as colinas a pé. Corri como minhas pernas deixaram, e exausto cheguei diante de nossos portões de ferro. Quando relatei o ocorrido a meu pai, ele compareceu diante de nosso senhor Dáin, filho de Náin, e ele foi solidário com nossa causa, mas não levaria uma guerra até Rhûn. Não sem ter sido provocado, e não nestes dias em que a sombra cresce no mundo. Dessa forma, ele nos enviou quarenta soldados anões para que fossem sob minhas ordens em busca dos caçadores. Sabemos em nossa terra que as minas de escravos de Rhûn ficam fora da suas cidades, e que talvez ainda conseguíssemos encontrá-los pelo caminho, na busca de outros cativos. Pelo que Elmmeth me contou, com base no que você contou a ele, após aquele ataque rumaram direto para Rhûn, e isso o levou além do alcance de minhas mãos. Mas a providência de Fararzim em lhes ajudar, o trouxe de volta. Fico feliz que nossa empreitada tenha logrado êxito! – Sua voz era séria e gutural, mas seu coração era bom. Aquele incidente havia trazido mudanças a Gildron, mas ele continuava leal, embora visivelmente menos descontraído.

– De qualquer forma, fico muito mais feliz em vê-lo vivo e bem, do que mesmo em estar livre. Agora farei o que me propus a fazer, e conhecerei as lendárias Colinas de Ferro, lar dos honrados anões que jamais irei esquecer. Se um dia voltar a meus palácios, gostaria de convidá-los a me visitar, e se possível, fazer um trabalho como apenas os mestres anões conseguem fazer. Uma casa, que servirá de biblioteca, onde eu possa retratar em pinturas, mosaicos e pergaminhos as aventuras que tive e ainda terei, nessa minha viagem pela Terra-Média. – Quando o Bardo terminou de falar, Gildron, assim como os outros cinco anões prestaram-lhe uma profunda reverência. Honrado era aquele povo, e jamais desprezariam a gratidão demonstrada de quem quer que seja pelos seus feitos. Mais do que por qualquer outra coisa, cresceu Anárion no conceito daqueles anões.

– Teremos prazer em fazer os trabalhos meu amigo. Agora devemos acampar e descansar, pois duas jornadas quase completas ainda nos esperam até que estejamos em casa. – O pequeno barco foi preso junto à margem, e devidamente ancorado. Protegidos por encostas rochosas, arriscaram-se a fazer uma fogueira naquela noite, e conversaram sobre muitas coisas até que as horas passaram e o sono derrotou cada um deles. A três dos cinco anões soldados, coube se revezarem na vigília, mas a noite estava calma, e nada, absolutamente nada, tirou-lhes a paz. Pelo contrário. A cada metro que percorriam, ficavam mais felizes em poderem estar voltando para seus lares vivos. Só quem passa pela sombra da morte sabe o valor que momentos assim possuem.

O dia seguinte passou de forma lenta, no compasso do pequeno barco deslizando pelas águas. As paisagens pareciam as mesmas, e longos paredões rochosos se elevaram nas margens do rio diversas vezes, fechando ainda mais a visão do que haveria em redor. Não temiam mais ataques de possíveis inimigos, mas o Bardo lamentava por não poder contemplar o que talvez houvesse além daquelas rochas. Não pararam naquele dia, repousando apenas à noite, para outro acampamento e descanso. Fizeram as refeições do dia no barco mesmo. Quando o terceiro dia se abriu, e recomeçaram a jornada, nada parecia mudar, e Anárion já achava que teria outro dia entediante sem nada para se ver, até que uma curva mais longa do rio fez o curso mudar mais para o norte, e então ele viu. Distante, lá longe no horizonte, um gigante azul repousava sob o solo. Cinco ondulações se viam, como ombros fortes liderados por uma cabeça destacada ao centro. Eram as Colinas de Ferro.

A medida que avançavam agora mais para o norte, as elevações rochosas foram diminuindo, e o frio veio lhes beijar. Abertos aos ventos, sentiram a mudança climática, afinal, estavam mais ao norte. Anárion percebeu que a vegetação diminuía, e raramente se viam árvores. O terreno era pedregoso, e havia muita vegetação rasteira, especialmente grama e capim baixo. Conforme o sol ficou mais forte, e a distância foi sendo encurtada, o Bardo percebeu um certo tom avermelhado nas Colinas, longe, no horizonte, e entendeu que deveria ser fruto de sua composição. Rica em ferro, as Colinas tinham esse aspecto. Isso foi confirmado por Gildron durante uma conversa enquanto almoçavam. Após o almoço navegaram por mais duas horas, até que o rio inclinava-se novamente para o noroeste, pois corrida da primeira das cinco colinas, e ali, eles deveriam vencer o restante da distância a pé, ou ficariam longe demais do portão principal. – Nosso caminho é por terra agora senhores, mas não estamos distantes. Desfrutem de nosso puro ar, e contemplem a imensidão do vale diante de nossas Colinas de Ferro. Quando Anárion pisou em terra, diante das palavras de Gildron, sentiu alegria nos pés e teve vontade de correr. Como era agradável aquele lugar, onde tudo parecia ser mais lento, sem pressa e perfeito. No topo das Colinas havia um pouco de neve. Isso chamou a atenção do Bardo, pois sua altura nem era tão grandiosa. Só então prestou mais atenção na vegetação, e viu algumas flores jovens. A primavera estava chegando, mas ainda trazia consigo traços do inverno. Era a época mais agradável do ano, para Anárion, e ele estava em um lugar perfeito. Esse efeito o fez lembrar de casa, das Montanhas Brancas, e das temporadas de inverno que passava com a família em castelos próximo das mesmas. Pela primeira vez em dias, sentiu uma profunda e duradoura paz.

A genialidade dos anões nas obras com rochas e ferro já podia ser vista no ancoradouro. Duas estátuas de anões portando machados repousados no solo, com as mãos sobre os topos, guardavam a passagem para a estrada. Um largo, embora curto, lance de degraus muitíssimo bem entalhados na rocha levava até esses gigantes de pedra. Um mosaico no solo era a estrada, feita de inúmeras placas de pedra, com losangos esculpidos em negro, contra a pedra cinza. A comitiva seguiu por esta estrada até os portões das Colinas de Ferro. Anárion ficou muito admirado quando viu a entrada da colina. Cinco torres, postadas uma exatamente ao lado da outra, sem deixar espaços, formavam a entrada. A torre central possuía em sua base um largo e alto portão de ferro, pesado como aparentava, mas que se moveu de forma muito suave, fruto da arte dos anões, quando a comitiva aproximou-se. Do lado esquerdo da entrada, um pequeno riacho corria do topo da colina, ao que parecia, pois saía pela boca da escultura da cabeça de um anão, como quem brada em tom desafiador. A água despencava sobre um moinho, que talvez fosse a explicação para a tão suave abertura dos pesados portões. Na base das torres haviam entalhes de bigornas e martelos. Pequenas janelas muito estreitas podiam ser vistas no topo das torres, à exceção da torre central, onde haviam dois machados de batalha em alto relevo, um sobre o outro. A simetria das artes dos anões era espantosa. Como eram perfeitos nas definições, formas, geometria, relevos e demais aqueles mestres.

Ainda na entrada, Gildede, pai de Gildron, veio encontrar a comitiva. Os soldados que haviam viajado por terra já haviam chegado, então o velho mestre anão fora avisado sobre a breve chegada do filho, assim como os que com ele viriam. Saudou o filho com um longo abraço, e um beijo na fronte. Apertou a mão e saudou pessoalmente cada um dos cinco anões que haviam sido feridos, e prestou uma ampla reverência quando foi apresentado pelo filho a Anárion e Rasgul. – Sejam bem-vindos às Colinas de Ferro. Terão pousada em minha casa, e com sorte, irão conhecer o senhor das colinas, Dáin, filho de Náin. Agora venham, vamos para casa. Boa cerveja e comida nos aguardam, e após, o descanso! – Assim o jovem Bardo adentrou o reino anão, sempre atento aos detalhes do lugar.

Uma rampa curta levava da entrada até o vão mais baixo, que era o primeiro salão das colinas. Assim que entrou, Anárion já ficou encantado com as gigantes colunas que enfileiravam-se de um e outro lado ao longo do salão. Esculpidas na própria rocha, eram perfeitamente cortadas e adornadas. Suas arestas eram tão perfeitas que davam a impressão de poder cortar. Suas bases e topos eram mais largos, formando quadrados perfeitos, mas o corpo era cilíndrico, e haviam sulcos escavados ao longo das colunas, além de entalhes e detalhes em alto relevo. O piso era muito plano e adornado da mesma forma. Grande placas metodicamente polidas formavam-no. Dentro de cada placa haviam formas geométricas desenhadas. Haviam esculturas de anões e de machados, em pedra e ferro.

Quando chegou à casa de Gildron e seu pai, sorriu com a organização. Todos os móveis eram feitos de madeira, com exceção de uma grande mesa de pedra na primeira sala. Haviam alguns candelabros acessos, mas orifícios habilmente escavados na rocha, direcionavam a luz do dia para espelhos que refletiam esta luz em pedras coloridas. Amarelas, vermelhas, alaranjadas, azuis claro. Essas pedras pareciam dinamizar a luz do dia, iluminando perfeitamente todos os recantos da casa. A refeição foi prontamente servida. Porco salgado, arroz, feijão, outros salgados e bolos. A cerveja era quente e forte, e o Bardo bebeu pouco. Rasgul comeu de forma lenta, e ainda vergonhosa. Gildron ficou de levá-lo aos médicos para tentarem abrir a sua boca. Mesmo sem poder falar, ele iria se sentir bem  melhor assim.

Após a refeição, fumo e boa cerveja, Gildron, seu pai e Rasgul foram até os locais de comércio, para que este último conhecesse os ofícios que iria desempenhar em seu novo trabalho. Anárion estava exausto, e quis descansar. Foram necessárias três camas dos anões, postas lado a lado, para que ele conseguisse se deitar na diagonal entre as três e, finalmente, relaxar e dormir. Durante o sono, teve um sonho. Imagens retorcidas, como pinturas antigas, pareciam ser a paisagem, e ele caminhava apenas. Sentiu o vento nos cabelos e as imagens começaram a ficar claras. De repente avistou um lindo vale, sob os pés de enormes montanhas de picos brancos. Encantou-se com a beleza do lugar, e se viu nele, caminhando por estradas curtas adornadas com pedras, e sobre estas, muitas folhas secas. Um nobre senhor de antigamente sorria e lhe dava boas vindas, mas por detrás do senhor, lá longe, no distante horizonte, nuvens negras se formavam, no que seria o prenúncio de uma forte tempestade por vir.

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  • Meus parabéns meu amigo, a cada leitura percebo como tens crescido em conhecimento, muito feliz por você, feliz por ser seu amigo-irmão, é um orgulho, continue nessa jornada. Sucessos e que seu Dom se aprimore a cada dia!

    • Obrigado grande Max. Vindo de você que é um mestre nos escritos, é sempre muito importante a aprovação e incentivo a um trabalho. Obrigado mesmo!