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Contos do Bardo por Sandro França – Parte 07

Temos o prazer de anunciar a publicação de mais um texto de nosso amigo o escritor Pernambucano Sandro França (Anárion), contando suas belas histórias ambientadas na terra média.

Você pode ver as partes anteriores clicando nos links:

Parte 01 -A Floresta das trevas

Parte 02 – Caminho pelo Rio

Parte 03 – Rio Abaixo

Parte 04 -Cativo

Parte 05 – Ainda há esperança

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Parte 7 – BARUK KHAZAD! KHAZAD AI-MÊNU!

O dia é o domínio do sol, do calor, da claridade. A noite, é o domínio da lua, da escuridão, do frio e das sombras. A Noite é negra, mas naquela noite, ela estava especialmente mais sombria. Ela estava selvagem. As estrelas apareceram, mas timidamente. E sem a lua, a escuridão ficou ainda mais densa sobre as paragens do mundo. Nesse contexto, quatro homens corriam ao tropeços, da melhor forma que podiam, fugindo de algo para algum lugar. As feras do ermo, que observavam serenas a passagem dos quatro, jamais poderiam imaginar a improvável composição daquele grupo. Quatro homens… dois ocidentais, e dois Orientais; unidos sob o mesmo desejo de escaparem de Rhûn; correndo para a liberdade através da densa noite.

Anárion, Elmmeth, Rasgul e um outro Oriental moviam-se o mais rapidamente possível. Guiados por este estranho Easterling, os outros três corriam. Isso tudo parecia muito improvável, e foi exatamente essa a sensação que tiveram quando o Oriental adentrou a casa onde os três estavam presos à esperara da morte que viria com o amanhecer, promessa pela suposta conjuração para tentar fugir, ao qual os três haviam sido acusados. O estranho homem cujo nome desconheciam os libertou. Primeiro Rasgul, depois Elmmeth, e por fim, acordaram Anárion e também o libertaram. Esgueiraram-se com rara habilidade entre uma construção e outra, até atingir as cercanias do acampamento dos escravos. A noite conjurava com eles, emprestando seu denso manto negro, a tudo escondendo. A sorte também teve seu papel, uma vez que não toparam com nenhum guarda ou batedor nos horas que se seguiram à fuga. Não podiam conversar, pois era arriscado demais. Envoltos em mantos negros emprestados, apenas corriam, o mais rapidamente que as pernas deixavam, assim como a escura noite. Mas em nenhum momento pararam por algumas horas. Era como se lançar num túnel de sombras em busca de uma luz no final que teimava em chegar, e não chegaria facilmente como logo eles iriam perceber.

– Depressa! – Sussurrou o misterioso Easterling, enquanto avançavam. A região era de muitas elevações rochosas, o que dificultava sobremaneira o avanço, além de o retardar; mas por outro lado, os esconderiam bem, no caso de alguma patrulha de Orientais estar por aqueles lados. Mas o Oriental de nome desconhecido os conduzia com maestria, como quem conhece muito bem o terreno, e mesmo com a dificuldade da formação geológica, eles avançavam cada vez mais para longe do acampamento. Após três horas de fuga, pararam rapidamente para tomar água numa fonte, e encher os alforjes. Desceram uma encosta não muito ingrime e então avistaram parcamente a imensidão das Terras Ermas. Savanas a perder de vista, recheada com todas as feras que ela podia abrigar, com seus alagadiços, poços, troncos velhos caídos e secos, e o chão nunca visto. Este seria o caminho deles. Se durante o dia se aventurar nesse lugar era por demais perigoso, à noite, era um convite à morte. Mas quem ousaria pensar que os fugitivos escolheriam aquele caminho? Talvez nisso estivesse a sabedoria do misterioso Oriental, guiando aquele grupo ímpar por terreno tão selvagem e perigoso.

Só que o dia estava para nascer, e não seria prudente avançarem pela savanas, ainda mais vestidos de negro como estavam. Seriam destacados contra a paisagem mesmo por um observador muito distante. Assim, o misterioso Oriental os conduziu para o sul, até encontrarem no sopé da colina a entrada de uma rústica caverna. Havia uma grande pedra na frente da entrada, de forma que apenas quem conhecia o lugar, ou vinha descendo a colina, poderia divisar a passagem. Quem olhasse a formação rochosa vindo das savanas, ou vindo do norte, como eles haviam feito, não conseguiriam vê-la. Adentraram devagar o lugar com o soldado oriental à frente, seguido de Rasgul, Anárion e Elmmeth. Lá dentro, com a pouca iluminação que aquele início de manhã emprestava, viram os restos do que havia sido uma fogueira, utilizada por alguém muito tempo atrás, e duas serpentes, uma engolindo a outra. Era uma Cobra Rainha, e se alimentava de alguma víbora das savanas. A serpente que estava sendo engolida ainda se debatia as vezes, como que por reflexos nervosos. Ambas foram prontamente abatidas com um poderoso golpe de lança dado pelo Easterling, o que fez aquela estranha junção partir-se ao meio.

– Não devemos avançar durante o dia, do contrário seríamos facilmente identificados contra a paisagem. Abandonaremos estas vestes negras, e usaremos outras. Devemos descansar durante o dia, e correr durante a noite. Não acendam fogueiras. – Sua voz era severa e firme, como quem comanda uma tropa. Distribuiu de uma bolsa que levava consigo três mantos marrons, desbotados e velhos. Estas seriam as vestes a se usar agora. Ele mesmo retirou a vestimenta negra, e revelou que por baixo já vestia o marrom claro. Havia trazido consigo uma bolsa com uns grosseiros pães utilizados pelas tropas quando viajavam muito longe, quando fora libertar os cativos. Foi dado a Rasgul a incumbência de transportar a bolsa. Quando assentaram-se na caverna para repousar, ele distribuiu os pães com os outros, dando dois pedaços a cada um. Anárion provou a comida e não gostou. O pão era muito seco, quase desprovido de gosto, mas sabia que era nutritivo. A necessidade faz o homem, e a fome era grande, assim como a urgência de se estar com forças suficientes para as jornadas de corrida noturna. Devorou o pão rapidamente.

Os quatro estavam sentados, recostados como podiam nos cantos da caverna. O misterioso Oriental havia saído para olhar ao redor, e quando voltou, juntou-se aos demais enquanto comia seus pedaços de pão. Anárion o estudou por alguns minutos, até que a curiosidade falou mais alto. Elmmeth, por seu olhar, também estava no mesmo dilema.

– Senhor, qual o seu nome? Ou como podemos chamá-lo? – Perguntou o Bardo. Rasgul sorriu, e os Orientais fizeram uma rápida troca de olhares. Rasgul assentiu com a cabeça, então o outro respondeu.

– Meu nome é Fararzim, sou centurião lanceiro de Rhûn. – Enquanto falava, repousou uma das mão sobre o coração, e quando terminou, projetou a mão para a frente, como quem cumprimenta alguém. Anárion e Elmmeth menearam a cabeça e se apresentaram também. O Bardo acrescentou.

– Somos gratos pelo seu empenho em nos libertar e conduzir a salvo para longe do cativeiro em Rhûn, mas… por que? Que motivos o levam a fazer isso visto que vejo tanto orgulho em seu olhos quando se refere a si como centurião lanceiro Easterling. – Anárion o fitou, aguardando resposta.

– Há três motivos que justificam a minha conduta: amizade, entendimento e compreensão. A longa amizade que eu tenho com Rasgul, um sofredor, que sempre se empenhou no seu trabalho para dar o melhor possível a sua esposa e filha, e foi apenas vítima da ganância de seu senhor, de sua má sorte com o tempo e as plantações que não lhe renderam o lucro que ele esperava, e a má escolha de tomar dinheiro em empréstimo. Foi pensando em salvar sua filha que ele fugiu, e mesmo sendo contrário a nossas leis, fiquei comovido ao saber do assassinato delas. Isso não está na lei. Nem esse tipo de castigo que foi aplicado a ele. Ele deveria sim virar escravo, mas na casa do senhor, ou em seus negócios, não dessa forma, em campos de trabalhos forçados, como se fazem com os inimigos prisioneiros. Isso não está na lei. Isso foi pessoal e como seu amigo, me compadeci de sua situação, embora pudesse fazer pouco. – Respirou profundamente, observando o amigo. Rasgul chorava, quieto, e Fararzim lhe apertou o braço, continuando.

– Você fala do meu orgulho por meu povo Bardo? Sim, eu o tenho. No dia que ouvi sua conversa com o senhor dos cavalos, fiquei pensativo e tive um entendimento diferente. Pela primeira vez em minha vida consegui divisar um ocidental pensando o nosso povo de maneira diferente. A maldade atribuída a nós não é natural, mas condicionada. Não nascemos mau por natureza, ao menos não diferente de qualquer homem, mas nossa cultura, nossa sociedade, nos obriga a certos comportamentos que se traduzem em maldades para outros. Temos pais, irmãos, filhos, amamos nossa família. Vivemos numa terra dura e isso nos torna duros. Não desejamos a guerra, nem partir para ela. Queremos viver em paz a pouca existência que podemos ter, mas o temor pelo Senhor do Escuro é maior no coração de nossos líderes, e por isso temos de seguir. Marchar para lutar em guerras que não são nossas. Morrer em conflitos e apodrecer no chão ou ser devorado pelas feras, sem ver nunca mais aqueles que amamos, aquilo pelo qual se valeria a pena lutar. Quando ouvi vocês conversando, tive entendimento e compreensão. Mas só resolvi ajudá-los porque me compadeci de Rasgul. O senhor dos cavalos ganhou o meu respeito pela forma como cuidava dele na prisão, e você jovem senhor, pode influenciar outros em seu povo a nos ver dessa mesma forma. Se tivéssemos para onde migrar, para onde ir e recomeçar, sem perseguição e morte… – ficou de pé e estava emocionado. Ele amava os seus, mas sabia do peso negro da mão das sombras sobre o seu povo. Orientais ou ocidentais, nos homens havia o desejo inato de adorar. Eles adoravam sua terra, sua família e as obras de suas mãos, ou adorariam o senhor do escuro, dobrando-se à sua vontade má e servindo-lhe nos seus mais escabrosos propósitos.

– Eu corro perigo de morte pelo que estou fazendo, mas de alguma forma, sinto o coração em chamas e o espírito em paz. Eu estou bem! – Rasgul se levantou e cumprimentou com um abraço o amigo. Mesmo Anárion e Elmmeth estavam emocionados. Entendiam além do que imaginavam as dores daquele povo, e sabiam que nunca mais pensariam ou veriam os Orientais da mesma forma, embora ainda soubesse do perigo que eles representavam.

Dormiram um pouco durante o restante do dia, fatigados como estavam pelo esforço físico e mental. Com o cair da noite, Fararzim os acordou e contou sobre a necessidade de partirem novamente. A jornada da noite anterior havia sido dura, mas o maior desafio se abria agora: enfrentar a savana a noite. Longas léguas se estendiam diante deles para conseguirem alcançar o Grande Rio. Mesmo apenas para deixar o território dos Easterlings eles ainda deveriam percorrer uma considerável distancia, principalmente para aqueles que estão a pé. – Venham é chegada a hora. – E com isso, mergulharam na noite novamente, correndo pela savana em busca da liberdade.

A jornada foi tensa e dura, como se prometia. Correram durante a noite inteira, com poucos intervalos. Por duas vezes estiveram a ponto de cair em alagadiços, mas Fararzim conhecia bem o lugar. Durante a corrida uma cobra atacou Rasgul, mas seu golpe se perdeu por ele estar correndo. Elmmeth, que vinha logo atrás, matou a cobra com um poderoso pisão. Avistaram raposas caçando, aves noturnas cujos cantos desconheciam, e o rugido distante de leopardos, mas não foram atacados, porém a mais perigosa das feras daqueles dias ainda iria se anunciar, pois dentro do território dos Orientais, esses animais selvagens se dobravam à vontade dos homens; e foi justamente um grupo deles, capitaneados pelo mesmo líder que havia liderado o ataque à comitiva de Gildron e Anárion dias antes, que os encontrou quando o dia começou a raiar. Haviam cerca de quinze soldados, todos vestidos em roupas negras, e por trilhas conhecidas apenas pelos batedores, avistaram ao longe em meio a savana os quatro valentes. A estratégia de se ocultar durante o dia daria certo, mas quando a luz começou a vir, não estavam num local seguro, então decidiram avançar um  pouco mais, e isto os traiu. Rápidos como o vento, os batedores se dirigiram em perseguição aos quatro que, mesmo tendo os avistado se aproximando, sabiam que não poderiam ir muito mais além em seu intentos. Dessa forma, esforçaram-se apenas para chegar num local onde o terreno fosse mais propício a eles para uma tentativa de defesa contra aquele ataque, o que seria no final de todas as coisas uma tarefa deveras difícil dada a superioridade numérica e bélica dos adversários.

Conseguiram chegar numa pequena colina mais à frente, destacada contra a savana. Era o lugar onde Fararzim havia pensado em descansar. Com as muitas pedras que haviam no lugar poderiam se ocultar melhor da visão aberta dos perseguidores, e evitar seus potentes golpes de machados e lanças à distancia. Fararzim deu sua cimitarra para Anárion, e ficou apenas com a lança. Elmmeth e Rasgul tinham uma adaga cada um. Foi tudo que conseguiram antes de fugirem. – Não podemos fugir. Teremos de nos defender. Maldito Nemesis, sua corja de batedores é voraz. Preparem-se para um duro embate pela liberdade senhores! – Fararzim falou enquanto procurava um local adequado para a defesa. Por estarem na colina, os Orientais não puderam usar os cavalos, então desceram, com machado e lança, e começaram a subir em direção aos caçados. Nemesis, o líder dos batedores, aquele mesmo que havia infligido dor a Anárion durante o seu cativeiro, sorria e segurava o seu dourado machado. Trazia duas cimitarras consigo repousadas na cintura, e nas costas.

– Cerquem-nos, e matem todos. Não estou para prisioneiros…não mais. Porém capturem vivo o ocidental de cabelos negros. Ele é meu! – Nemesis referia-se ao Bardo, desejoso que estava de acabar, ele mesmo, com sua vida.

Anárion ouvira a tudo, e retesou o semblante enquanto pensava. Então foi rapidamente até onde estava Elmmeth e lhe disse: – Troque de arma comigo meu amigo. Use a cimitarra e proteja Rasgul. Eu vou precisar de sua adaga! – Elmmeth entendeu o que Anárion pretendia fazer, e após lhe dar a arma, lhe apertou a mão contra o peito, como os cavaleiros faziam, e lhe falou: – Tenha cuidado meu irmão, e se eu não voltar a vê-lo, que encontre o que partir o caminho para os salões de nossos ancestrais. Por Rohan e por Gondor, lutaremos! – Anárion sorriu, e retribuiu o aperto de mão com vigor, acrescentando: – Pela liberdade!

Os Orientais lançaram-se sobre eles. Hábeis soldados, batedores experientes, não seriam derrotados facilmente. Rasgul estava muito debilitado fisicamente, e pouco fazia contra os inimigos. Elmmeth era muito mais vigoroso e terrível em seus ataques com a cimitarra, e mesmo sendo ferido no braço de raspão por lança duas vezes, conseguiu dar cabo de três inimigos. Mas nada pode fazer para ajudar Fararzim. O valente soldado tombou diante de quatro Orientais, mesmo tendo ferido gravemente um deles. Anárion havia abatido um dos inimigos, e sumido, esgueirando-se entre as rochas, descendo a colina por um outro caminho. Pretendia atacar o líder dos Easterlings, ainda que isso fosse o seu fim. Nemesis estava sentado em seu cavalo, apenas observando a ação de seus comandados, com um sorriso medonho no rosto.

Sobraram Elmmeth e Rasgul, contra ainda uma dezena de Orientais. Eles foram cercados numa vala, e observavam como seus caçadores os olhavam com desdém, como fera que saboreia sua vítima antes do ataque final. O fim estava próximo. Anárion correu e saltou de uma pedra sobre Nemesis, e o derrubou do cavalo, mas o Oriental foi rápido em se desvencilhar do Bardo e conseguiu sacar uma de suas cimitarras. Agora estavam frente à frente. Anárion com uma adaga, e Nemesis com seu machado dourado, e uma cimitarra. Ele praguejava e sorria, e se lançou em ataques contra Anárion. O Bardo se defendia como podia, muito mais usando o terreno do que as armas de que dispunha, mas era evidente a supremacia naquele conflito de Nemesis sobre ele. Melhor fisicamente, e mais armado, mostrou-se um oponente feroz. Um potente golpe com as costas da mão levou Anárion ao chão, ainda com sua adaga nas mãos. Elmmeth e Rasgul cercados… Anárion no chão com um poderoso inimigo em seu encalço… a esperança parecia ter se esvaído.

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Foi nesse momento que um brado foi ouvido vindo da parte alta e sul da colina. – BARUK KHAZAD! – Prontamente respondido por outro poderoso brado vindo também de cima, mas do  lado norte. – KHAZAD AI-MÊNU! – Então uníssonos os anões surgiram, liderados por Gildron, e trovejaram contra os dez Orientais num potente e assustador grito. – ROAAAAAAAAR!

Elmmeth e Rasgul, como feras acuadas em seu último instinto de defesa, saíram em direção aos dez  também para lutar. O combate foi rápido, embora muito duro. Os Orientais eram habilidosos com as lanças, mas nada superava os anões no uso de seus machados de guerra, protegidos em suas armaduras de metal. Como uma avalanche desceram contra os dez. Nemesis avistou tudo isso enquanto Anárion estava no chão e pensou em fugir para o seu cavalo e sair dali; mas Anárion voltou a ficar de pé e saltou sobre ele. Nemesis conseguiu se defender do ataque, mas o Bardo o feriu gravemente em uma das mãos, fazendo-o perder o seu machado, que caiu junto de uma das rochas. O Easterling ficou insano, e sacando sua segunda cimitarra, partiu para cima de Anárion com tudo o que tinha. O Bardo se defendia como podia, mas Nemesis não lutava justo, pois o que uma adaga poderia fazer contra duas cimitarras? Nesse instante o Bardo lembrou de seu irmão Adriorn, e das vezes em que fora derrotado por ele nas justas. Assim como Nemesis, ele era corpulento e voraz em seus ataques, mas o Bardo era mais inteligente, e resolveu fazer uso disso contra o seu inimigo. Arrastou então a luta, recuando, para mais próximo das colinas, e os poderosos golpes de Nemesis já perdiam o vigor, pois o espaço para o giro dos braços era menor. Assim ele praticamente só atacava o Bardo de cima para baixo. Foi em um desses instantes que Anárion, percebendo o braço erguido de Nemesis para mais uma estocada, rolou em direção a uma pedra mais saliente, usando-a para se defender do golpe e gravou sua adaga no joelho esquerdo do Oriental, fazendo-o urrar de dor, e despencar sobre o outro joelho sem reação. Anárion afastou-se rolando o mais rápido que pode, mesmo assim sentiu o ferro de uma das cimitarras de Nemesis contra as costas, embora superficialmente. Se tivesse sido menos ágil, teria sido morto.

Rodeou então uma pedra, e encontrou o machado dourado que Nemesis havia deixado cair. Portando-o, preparou-se para o ataque final a seu inimigo, que tentou se erguer, mesmo com a adaga no joelho, e continuar a lutar, mas suas forças haviam sido gastas nos potentes ataques, e nada pode fazer quando seu machado dourado voou pelos ares e se gravou em seu próprio crânio. Assim caiu Nemesis, o voraz líder dos batedores Easterlings.

Anárion subiu sobre uma pedra e avistou os outros. Elmmeth estava ferido, mas de pé, com Rasgul sentado junto dele com a mão em um dos braços. Suas vestes estavam banhadas em sangue mas ele parecia bem. Haviam cerca de vinte anões com expressões duras e machados em punho. Nenhum dos batedores Orientais fora poupado. Num ponto mais alto, suado e com o rosto sujo, sem o seu elmo e com os cabelos fortemente presos em uma trança, estava Gildron, o velho amigo anão. Anárion sorriu ao vê-lo, após tudo aquilo ter acabado, e sentiu paz em seu coração pelo amigo que sobrevivera à tão terrível ataque dias atrás no rio, apenas para o vir salvar em sua tentativa de fuga descoberta. Gildron prestou uma reverência, e Anárion também o fez. Então o anão bradou do alto lugar onde estava, sendo prontamente acompanhado pelos demais e não menos guturais anões: BARUK KHAZAAAAAD!

Os companheiros finalmente haviam se libertado das garras negras daqueles cruéis Orientais de Rhûn.

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  • Felipe Quirino

    Tolkien teria muito orgulho de você Sandro França

  • Max

    Meu amigo, estou com o tempo corrido, mas nos momentos livres estou aqui para ler seus trabalhos e escritos, parabéns e continue assim nessa caminhada.

  • http://www.facebook.com/katsumoto.hideyoshi Sandro França

    ERRATA: No penúltimo parágrafo, onde está escrito “gravou”, o correto seria “cravou”. Minhas desculpas! :)