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Contos da Cristina Aguiar – Parte 04

Dando sequência a história de Owen e Briana, a escritora Cristina Aguiar nos apresenta mais essa parte empolgante de uma aventura ambientada na Terra-média. Se você não leu o inicio dessa aventura veja:

Primeira Parte

Segunda Parte

Terceira Parte

Parte 4 – Uma Palavra Élfica

Zârad saltou na frente dos meninos, com as mãos estiradas para frente, os dedos ansiosos para tocar na caixa e abri-la. Owen e Briana tiveram que sair da frente devido à investida do anão. Zârad a tocou e acariciou a sua superfície de madeira como se ali estivesse um objeto sagrado. Ele estava prestes a realizar o sonho de sua vida. Finalmente ele veria o que estava tão seguramente guardado ali dentro. Seria, com certeza, aquilo que o tornaria poderoso, rico e famoso entre todos os anões. Em seu anseio delirante, ele viu a si mesmo sentado em um trono revestido de Mythril, sendo exaltado pelo seu povo e aclamado como o soberano de um novo reino dos anões, que ele mesmo fundaria. O seu nome seria conhecido, não apenas pelos seus iguais, mas também pelos elfos e pelos homens. Orcs, Goblins e Trolls o temeriam.

Foi com a mente totalmente tomada por esses pensamentos de grandeza, que ele respirou fundo e ergueu a tampa da caixa. O que encontraria?

Owen e Briana acompanhavam a excitação do anão, os olhos fixos na caixa e o coração disparando de ansiedade. De repente, eles viram a expressão sonhadora de Zârad dar lugar a de perplexidade. Abaixo da tampa encontrava-se uma pequena caixa. Mas esta não possuía ferrolhos e nem fechaduras visíveis, apenas uma frase, escrita de forma trabalhada por uma técnica muito hábil e geniosa.

Zârad, em desespero, sentindo-se perdido, ludibriado e traído, passava as mãos pela superfície da segunda tampa como se buscasse uma abertura escondida. Enquanto fazia isso, sentia aos poucos o seu mundo desmoronar. Nada fazia mais sentido. Num arroubo de raiva, ele atirou a caixa no chão. O material pedregoso resistente não levou o menor arranhão. Ele já havia cogitado a possibilidade de abri-la com um machado, mas desconhecia o seu conteúdo. Uma atitude impensada poderia por tudo a perder.

Briana aproximou-se e ficou de joelhos ao lado da caixa, contemplando a estranha palavra que parecia saltar e brilhar à luz do fogo da lareira. Era uma palavra feita numa escrita bonita, perfeita, antiga. Mas ela desconhecia totalmente o que significava, pois nunca vira tal arte entre os homens.

— Que língua é essa? – ela falou com os olhos fixos na palavra. – Eu não a compreendo, mas gostaria que fosse de outra forma.

Zârad, que se colocara em um canto, sentado e cobrindo a cabeça com as mãos, manifestou-se diante da pergunta da menina.

— Essas são palavras élficas – ele grunhiu. – A caixa foi selada pela magia dos elfos.

Owen observava com atenção.

— Se esses escritos estão selando a caixa, talvez possamos lê-la em voz alta e assim quebrar o selo.

Zârad riu alto.

— E você sabe ler isso, menino?

— Não, eu nunca vi escrita élfica antes. Mas pensei que talvez você…

A gargalhada do anão aumentou. Tinha um tom sarcástico e amargo.

— Eu sou um ANÃO! – ele gritou a palavra. – Mesmo que eu conhecesse a palavra, seria  difícil  quebrar um selo élfico, cheio de tolices antigas.

Briana levantou-se e pôs as mãos na cintura.

— Então, o que faremos agora?

Zârad também se ergueu e caminhou até a porta com os ombros encurvados.

— Um elfo a criou para ser aberta por um elfo – ele falou num tom baixo. – Apenas um maldito elfo pode abrir essa caixa!

Dito isso, ele saiu batendo a porta. Briana e Owen voltaram a sentar em volta da caixa, observando a palavra.

— Owen, se o símbolo de nosso pai está nessa caixa, qual era a relação dele com os elfos?

Owen coçou a cabeça.

— Acho que teremos que encontrar os elfos para saber.

 

Ora, as viagens de Zârad, em busca de quem poderia abrir a caixa, tiveram suas conseqüências. Não convém pensar que seus antigos companheiros anões o houvessem esquecido. A princípio eles acharam, é verdade, que Zârad ia ficar com os meninos apenas até descobrir o motivo do interesse deles pela caixa. No entanto, o tempo passou e Zârad não retornou para eles, fato que levou os anões a conclusão de que haviam sido traídos, ludibriados. Aquilo fez a sua raiva crescer e se desenvolver em um sentimento de vingança. A caixa era valiosa, embora eles desconhecessem o seu conteúdo. Valiosa o suficiente para fazer Zârad arriscar-se a sair, de tempos em tempos, do seu esconderijo em busca de quem a pudesse abrir.

Os anões deixaram a cidade naquela mesma noite da fuga, mas não deixaram a região. Entocaram-se no alto das colinas, onde existiam algumas cavernas, o que era muito conveniente para eles. Evitaram aproximar-se da floresta, pois além do mal estar que as árvores causavam aos anões, havia também as histórias macabras contadas em cada estalagem da região sobre as estranhas criaturas que existiam no meio dela.

Mas, acontecia algo de muito estranho! Todas as pistas que eles conseguiram sobre o paradeiro de Zârad, pareciam sugerir que era justamente no interior da floresta que o anão traidor estava se escondendo. Grórin era o atual líder do grupo. O anão mais velho e experiente, depois de Zârad. Por ele, que não aceitava a traição do antigo companheiro, eles já teriam invadido aquela floresta, derrubando árvore por árvore, até encontrarem o anão e os meninos.

Em volta da fogueira eles ouviam as últimas notícias trazidas pelo anão mais jovem, Faród. Ele havia ficado encarregado de andar pelos arredores, buscando pistas e informações.

— Não foi ninguém que me contou – disse Faród. – Eu mesmo o vi! Vi com meus próprios olhos. E digo mais: a caixa ainda está com ele e permanece fechada! Eu o segui com a habilidade de um batedor. Ele não me viu e nem pareceu perceber a minha presença – havia uma nota de orgulho na voz do anão. – Me espantei ao vê-lo entrar na floresta escura. É lá que ele anda se escondendo de nós!

Grórin alisou a longa barba com o olhar pensativo, perdido entre as chamas da fogueira. Ele conhecia Zârad há muito tempo. Eles passaram por muitas aventuras juntos. Foram testemunhas da invasão das minas dos anões pelos orcs. Zârad fora um covarde. Ele não podia ter feito o que fez.

— Zârad é esperto. Ele achou um bom esconderijo. Mas isso só prova uma coisa: o quanto aquela caixa que ele tem nas mãos é valiosa. O que mais faria um anão se sujeitar a ficar no abrigo traiçoeiro de uma floresta, ainda por cima de má fama, escondendo-se e morando no seu interior?

Ele levantou-se e caminhou para longe da fogueira. Dór, um anão cujo rosto trazia uma grande cicatriz de batalha, afiava a lâmina de seu machado em uma pedra. Ele ergueu a cabeça com orgulho, fitando o seu líder.

— O que vamos fazer agora? – ele perguntou. – Pretende mesmo entrar naquela floresta cheia de lendas tenebrosas?

Grórin riu alto.

— Ah, sim, nós vamos! E digo mais: nós marcaremos a nossa passagem pela floresta e faremos parte das lendas que serão contadas.

O anão líder tirou a espada da bainha e a cravou na terra.

— Aquela caixa será nossa, com toda a riqueza que guarda! E nenhuma árvore vai nos impedir de consegui-la! Afiem seus machados, anões!

E foi assim que o grupo de anões iniciou a busca por Zârad, ultrapassando os limites da floresta. Dois sentimentos os impeliam a prosseguir: ambição e vingança.

 

Zârad irrompeu porta adentro. Sua expressão era de terror, o que levou as crianças a se encolherem, achando que o anão havia perdido a sanidade. Ele trancou a porta e correu a espiar pela janela. Eles então entenderam que o que ele temia estava lá fora. As velhas histórias voltaram para assombrá-los.

— O que foi que aconteceu, Zârad? – perguntou Owen. – O que você viu?

Só então o anão lembrou-se da presença das crianças. Pousando o olhar na caixa, ele tomou uma drástica decisão.

— Arrumem coisas para uma longa viagem. Não podemos mais ficar aqui. Fomos descobertos.

Briana agarrou-se ao braço do irmão.

— Sejam rápidos e façam o que eu disse. Temos que sair dessa floresta.

— E para onde vamos dessa vez? – perguntou Owen. – Não há outro lugar por aqui que nos ofereça abrigo melhor do que a floresta. A não ser que queira ir se esconder no pântano.

Zârad ponderou naquela sugestão.

— Não seria má idéia. Qualquer coisa é melhor que enfrentar a fúria de Grórin. Mas eu tenho outra idéia em mente, embora para mim não seja nada agradável.

Os irmãos se entreolharam.

— E que idéia é essa? – perguntou Briana.

— Vamos fazer uma longa viagem, menina. Nós vamos para a cidade dos elfos. Para sua fortaleza nas montanhas do leste. Lá, eu devo encontrar quem abra essa maldita caixa.

Erguendo os olhos da caixa para as crianças, ele gritou impaciente:

— Vamos logo! O que estão esperando! Eles vão chegar logo e vocês não vão querer experimentar a força dos machados dos anões, principalmente quando são usados para a vingança.

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2 comentários

  1. Bruno Virginio /

    Não brinquem com a fúria dos anões…

  2. Está mt bom. Espero o proximo pra continuar a divulgar na pagina que sou adm

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