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Contos da Cristina Aguiar – Parte 06

Dando sequência a história de Owen e Briana, a escritora Cristina Aguiar nos apresenta mais essa parte empolgante de uma aventura ambientada na Terra-média. Se você não leu o inicio dessa aventura veja:

Primeira Parte

Segunda Parte

Terceira Parte

Quarta Parte

Quinta Parte

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PARTE 6 – A Caverna do Trol

Uma flecha de fogo cortou o ar, obrigando Urin a parar. O velho anão farejou o ar e sentiu um cheiro repugnante. Cheiro de orcs. Erguendo o seu machado, entrando em posição defensiva, ele alertou os outros. Grórin, que caminhava mais à frente, voltou-se já preparado para o combate. Mas ele estava com uma vantagem. Quando o grupo de orcs saltou no caminho, cercando seus companheiros, ele rastejou para detrás de um arbusto sem ser notado. Por um momento, sua fúria, que era direcionada para o traidor Zârad, encontrou pouso em outra direção. Seus companheiros estavam em apuros e apenas ele poderia ajudá-los naquele momento.

O velho Urin era um bom rastreador, mas seus braços já estavam cansados para o peso do machado. O jovem Farod lutava por ele e pelo velho anão. Era jovem e arrojado, disposto a demonstrar sua força pela coragem. Dor também não poupava golpes. Ele era um anão carrancudo e robusto, acostumado a enfrentar orcs em batalhas. Mas nenhum deles se comparava a Grórin, com sua fúria enérgica e direcionada. O anão aguardou a oportunidade e fez o seu machado voar, estraçalhando o crânio de um orc, enquanto corria e pegava de volta o machado, arrancando-o com facilidade. A luta foi feroz. Os orcs estavam sedentos por sangue, mas os anões tinham sede pela vida. A sua viagem até ali tinha um objetivo, e na sua obstinação, não eram aquelas criaturas nojentas que iriam lhes impedir de continuar. Urin, agachado perto de uma árvore, assistiu toda a luta e viu como os dois orcs restantes fugiram para dentro da floresta, fazendo ruídos com sua linguagem mórbida.

— Vamos embora daqui! – Grórin falou ofegante. – O bando de orcs pode ser maior do que este que nos atacou. Não quero aguardar que aqueles dois tragam reforços.

Após se certificar de que estavam todos bem, eles apanharam as adagas dos orcs mortos e as acrescentaram em seu arsenal, andando depressa e cruzando o rio, a fim de atrapalhar o seu rastro.

— Os rastros levam por esse caminho – disse Urin.

Farod subiu em um morro, a fim de ver o que havia lá na frente. O que ele viu o fez torcer o nariz.

— Tem um maldito pântano lá na frente.

Dor e Urin olharam para Grórin em expectativa.

— Se eles seguiram naquela direção, é por ela que nós vamos.

Não havia dúvidas nas palavras do líder, apenas determinação. Só restava aos outros obedecerem sem questionar.

Foi uma travessia longa e cansativa até sair do pântano e alcançar as colinas abertas. A princípio, Zârad os impulsionou em uma caminhada apressada, pois queria colocar a maior distância possível entre eles e seus perseguidores. Owen apertou a mão de Briana ao ouvir o que pareciam ser uivos de lobos. Quando o dia findou, os meninos não suportaram o cansaço e começaram a ficar para trás. Zârad percebeu e parou, voltando-se para eles, pronto para dar-lhes uma bronca. Os rostos cansados e sujos, entretanto, fizeram-no pensar melhor. Ele olhou em volta, analisando o ambiente nos últimos raios de sol.

— Devem existir cavernas em meio a essas colinas. Vamos procurar uma e descansar por essa noite. Mas precisamos continuar mais um pouco. Logo essas colinas estarão infestadas de lobo e sabe-se lá mais o quê! Não vamos querer enfrentar nada no espaço aberto!

As palavras dele tiveram poder suficiente para fazer as crianças encontrarem as forças perdidas. Caminharam para o leste, em direção à escuridão que se aproximava com rapidez. Caminhavam rápido, movidos pelos uivos dos lobos cada vez mais perto. Quando o trio achava que não conseguiria dar mais nem um passo na caminhada, Owen caiu e sumiu em uma vala levando Briana consigo. Eles corriam na frente, um pouco a esquerda do anão. Zârad correu até eles e, ao encontrá-los, começou a rir alto. Owen, ainda atordoado, olhou para cima com a cara feia.

— Por que você está rindo? Devia era nos ajudar!

Zârad, ainda rindo, apontou para um ponto às costas do menino.

— Ah, sim, eu poderia parar de rir, mas me sinto feliz e não consigo parar! Você também estaria se observasse melhor o local onde caiu.

Briana observou e viu o motivo das risadas no anão.

— Olhe esse lugar, Owen! – ela exclamou, ficando de pé. – Nós achamos isto!

De repente, ela começou a rir também. Owen olhou e viu a boca escura de uma caverna meio encoberta pela vegetação que parecia brotar por entre as pedras.

— Achamos uma caverna! – ele quase não acreditou nas próprias palavras.

Zârad parou de rir e escorregou com cuidado.

— Para dentro, vamos! A caverna parece boa e segura. Pelo menos para essa noite.

Zârad falava como um profundo conhecedor de cavernas. Ele era um anão! Cavernas o atraíam e fascinava ao mesmo tempo. Ele teria parado para explorá-la, ainda que estivesse fugindo de anões furiosos e orcs. Só que ele não estava sozinho. A propósito, era bom lembrar que tanto anões furiosos quanto orcs, gostavam de cavernas. Instigados pelo anão, as crianças entraram sem se preocupar com o que encontrariam lá dentro.

— Ajudem-me a esconder melhor essa entrada – grunhiu Zârad.

Eles puxaram o máximo de folhas da vegetação em volta para esconder a entrada, que por sinal já era protegida pela própria vala. Quando achou que o trabalho estava bem feito, Zârad finalmente se sentou, sendo imitado pelas crianças. A escuridão avançou rapidamente, mas eles podiam sentir a corrente de ar que partia de dentro da caverna.

— É uma caverna profunda – comentou o anão. – Deve haver várias entradas.

Owen aprumou-se com os olhos arregalados.

— Isso é bom ou é ruim?

Zârad deu de ombros.

— Significa que há mais de uma entrada, mas que também há mais de uma saída. Chances iguais.

Briana cruzou os braços, estremecendo de frio, medo e cansaço.

— Trols gostam de cavernas – ela murmurou baixinho.

Zârad distribuiu água e pão. Racionando a comida que ainda lhes restava.

— Durmam! Eu vigio. Será bom passar o tempo sob o teto de uma caverna novamente.

A verdade é que nenhum deles conseguiu dormir logo, devido à exaustão, e também por causa da escuridão e do que poderia haver por detrás dela.

Briana havia conseguido dormir, mas no meio da noite algo a fez despertar. Ela olhou em volta. Zârad não estava ali e Owen dormia profundamente ao seu lado. Ela atentou para o brilho no fundo da caverna. Fora ele que a fizera acordar. Seria Zârad? Ele talvez tenha resolvido explorar a caverna e, assim, tenha encontrado um bom lugar para acender uma fogueira de forma que não chamasse a atenção de seus inimigos.

Acreditando nisso, ela levantou-se e caminhou na direção da luz.

— Zârad? – ela chamou alto o suficiente para que apenas ele ouvisse.

Ela não ouviu nenhuma resposta, apenas o som de passos pesados. E a luz, até então, parada, começou a se afastar rumo às profundezas da caverna. Ela ficou indecisa se prosseguia ou não.

— Zârad, é você? – sua voz soou trêmula.

— Venha… – a voz chegou até ela como um sussurro rouco, parecida com a voz do anão.

Ela, então, começou a seguir a luz do fogo que se afastava. Talvez Zârad houvesse encontrado um novo abrigo, um tesouro escondido, ou a saída para um lugar seguro. Com esse pensamento reconfortante, ela foi em frente.Lá fora, Zârad, ignorando o que se passava dentro da caverna, observava a caixa em seu colo sob a luz do luar, imaginando o que ela tinha para revelar. Foi naquele momento de paz noturna, que ele ouviu o grito.

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  • Bruno Virginio

    o que aconteceu… Briana foi captura… o mais intrigante é não saber quando sera postado a continuação da história… mais foi imensurável ler este conto. obrigado Cristina Aguiar… aguardo ansioso pelo próximo conto.