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Renomado colecionador Pedro Aranha começou tudo com carta para Tolkien!

Pedro Aranha em sua participação no programa Roda Vida em 2017

 

Na América do sul, as obras do Tolkien não tiveram tanta projeção como aconteceu nos Estados Unidos e no Reino Unido, durante a época que Tolkien estava vivo (até 1973). Poucos brasileiros conheciam as obras de O Hobbit e O Senhor dos Anéis. Apenas aqueles que tinham algum contato com outros países tinham acesso aos livros em Inglês. Foi o caso de Pedro Aranha Corrêa do Lago, editor, escritor, historiador e considerado um dos maiores colecionadores privados de manuscritos no mundo. É também conhecido por ser o fundador da Revista de História da Biblioteca Nacional.

Pedro Aranha é filho do Embaixador Antônio Correa do Lago e neto do estadista Oswaldo Aranha.  Passou a maior parte de sua infância fora do Brasil, acompanhando seu pai em seus diversos postos no exterior. Foi assim que aprendeu mais de cinco idiomas. Nesse período teve contato com as obras de J.R.R. Tolkien aos 11 anos.

Em 1970, aos 11 anos de idade iniciou a sua coleção privada de cartas. Onde ele pedia informações e autógrafos a escritores e pessoas conhecidas. O primeiro que Pedro Aranha enviou uma carta foi justamente o escritor J.R.R. Tolkien. Em seu livro, em que relata como começou sua coleção “True to the Letter. 800 Years of Remarkable Correspondence, Documents And Autographs.” (editora Thames and Hudson, 2004). Pedro Aranha diz que Tolkien foi um dos primeiros famosos que ele decidiu escrever, pois havia lido os livros em inglês e se fascinado com O Hobbit.

Tolkien acabou não respondendo a carta pessoalmente, sua secretária respondeu dizendo que não poderia enviar autógrafos e atender ao pedido de Pedro na época, pois ele havia decidido não atender mais a pedidos de fãs do mesmo tipo. A carta havia escrito “O Sr. Tolkien não pode atendê-lo, pois está inundado de pedidos semelhantes”.

O período que o Pedro Aranha enviou a carta para Tolkien foi muito conturbado na vida do escritor. Sua esposa Edith Tolkien já estava com saúde frágil (veio a falecer no ano seguinte) e o escritor estava atento em escrever mais sobre o seu Legendarium. Estava dedicado a terminar suas grandes histórias de O Silmarillion. Dessa forma, Tolkien decidiu que iria se corresponder apenas com amigos próximos e familiares. Seus fãs e leitores só seriam atendidos em pedidos excepcionalmente. É por isso que, entre os colecionadores de documentos de Tolkien, as cartas datadas de 1970 até 1973 (ano do falecimento do autor) estão entre aquelas que valem mais em leilões.

Mas a recusa de Tolkien não inibiu o ânimo de colecionador de Pedro Aranha. Desde aquela época ele ampliou sua coleção em várias áreas: arte, literatura, história, ciência, música e entretenimento. Se tornou o maior colecionador de manuscritos e documentos do mundo, tendo objetos relacionados a Newton, Einstein, Mozart, Van Gogh, Picasso, Joyce, Proust, Henrique VIII, Gandhi, Chaplin e Disney. São dezenas de cartas, documentos, fotos assinadas e manuscritos.

Até o momento, Pedro Correa Aranha parece ser um dos fãs de Tolkien brasileiro mais antigos conhecidos e ainda vivo. E em sua coleção pode ser encontrado itens relacionados ao escritor do Hobbit e O Senhor dos Anéis.

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