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Encontrada Carta de J.R.R. Tolkien na Universidade de Edimburgo

O autor do Senhor dos Anéis viveu em um período que a Internet não era acessível a uma grande quantidade de pessoas. Por isso, a forma mais comum de comunicação entre indivíduos ainda era por meio de cartas. Praticamente todos os dias Tolkien escreveu respostas aos seus leitores e tratava de diversos assuntos com amigos e familiares. As cartas de Tolkien são um ótimo recurso para entender melhor as suas histórias e sua vida. Nelas é possível saber a posição política, religião, relações familiares etc. Como as cartas eram enviadas para as pessoas, a tendência é que cada uma delas guardasse em suas casas a carta. Como um objeto de valor por ter uma resposta de um grande escritor.

Com o falecimento de Tolkien em 1973, coube a seu filho Christopher Tolkien ser o responsável por lidar com os manuscritos e a obra do pai. Em trabalho com Humphrey Carpenter editou um livro que contém grande parte das cartas que conseguiram reunir. Mas muitas das cartas não haviam sido encontradas e algumas se encontravam perdidas. No prefácio do livro “As Cartas de J.R.R. Tolkien” é solicitado que as pessoas que encontrassem cartas entrassem em contato com a família Tolkien e talvez haveria uma possível nova edição do livro contendo o novo material.

Desde então centenas de cartas foram sendo descobertas. Muitas delas com informações sobre o mundo imaginário de Tolkien e outras com informações pessoais. Recentemente uma nova carta foi descoberta na Universidade de Edimburgo.

Uma funcionária do “Centre for Research Collections” da Universidade de Edimburgo, enquanto estava olhando os arquivos acabou encontrando uma carta de J.R.R. Tolkien para o professor Campbell, agradecendo pela homenagem feita na Universidade.

 

 

A transcrição da carta com uma tradução direta para o Português:[1]

28 de Julho de 1973

Prezado Professor Campbell,

Voltei agora a Oxford depois de mais algumas viagens, e escrevo, bastante tardiamente, para agradecer por sua participação nos eventos dos dias 11 e 12 de julho, que tanto na festa como no cerimonial foram para mim a ocasião acadêmica mais resplandecente na qual eu participei. As ocasiões festivas, para minha própria surpresa, sobrevivi com um prazer não frustrante devido à generosa substituição do whisky pelo vinho, e estou inveterado no conselho do meu médico: “você deve transferir sua fidelidade inteiramente de Bacus para Ceres”. Na laureação, me senti como um hobbit, como é mostrado em ‘O Senhor dos Anéis’, especialmente por Merry e Pippin: grande orgulho e prazer na recepção de alta honra e título, combinado com (e de uma maneira reforçada por) uma dificuldade em acreditar que isso realmente estava acontecendo comigo, ou era realmente merecido, exceto pela generosidade dos meus superiores. As palavras do discurso deixaram-me emocionado. Especialmente as palavras “tornando-o um de nós”. Garanto-vos que Edimburgo me conquistou rapidamente, e apesar dos meus 81 anos terem me deixado relutante em viajar muito, uma viagem para o norte, se a oportunidade e a saúde permitir, não será relutante.

Atenciosamente,

J.R.R. Tolkien.

 

Em 10 de julho Tolkien e sua filha Priscilla haviam viajado para Edimburgo e permaneceram na casa de um amigo chamado Angus McIntosh, que era professor de Inglês, e com sua esposa Barbara.Em 12 de julho de 1973, a Universidade de Edimburgo concedeu ao Tolkien um título honorário de Doutor em Letras. A carta foi escrita em 28 de Julho de 1973, poucos dias antes do falecimento do Tolkien em 2 de setembro do mesmo ano.

Nesse período o professor Tolkien estava sob cuidados médicos. Ele estava com algumas gastrites e precisava estar atento a seus hábitos alimentares, especialmente evitar bebidas alcoólicas muito pesadas. Um ponto que chama a atenção na carta é a comparação do sentimento do Tolkien em relação a receber o título da Universidade, com os personagens Merry e Pippin em O Senhor dos Anéis.

A carta não é totalmente inédita, pois o escritor Jason Fisher já havia tomado conhecimento dela em 2011 e feito uma citação em seu livro “Tolkien and the Study of His Sources: Critical Essays”.

 

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[1] July 28th 1973, Dear Professor Campbell, I have now returned to Oxford after some further travelling, and write, rather belatedly to thank you for your part in the events of July 11th and 12th, which both in feasting and in ceremonial were to me the most resplendent academic occasion in which I have taken part. The festive occasions to my own surprise I survived with unmarred pleasure, owing to the generous substitution of whisky for wine, and I am confirmed in my doctor’s advice: ‘you must transfer your allegiance wholly from Bacchus to Ceres’. At the laureation I felt like a hobbit would: as is exhibited in  ‘The Lord of the Rings’, especially by Merry and Pippin: great pride and delight in the reception of high honour and title, combined with (and in a way enhanced by) a difficulty ^in believing that^ it was really happening to me, or was really deserved except by the generosity of my superiors. The words of the Address left me overwhelmed. Especially the words ‘making him one of us’. I assure you that Edinburgh has gripped me fast; and though my 81 years had begun to make me reluctant to travel far, a journey back north, if opportunity and health allows, will not be reluctant. Yours sincerely, J R R Tolkien.

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