Saiba mais sobre O Hobbit, Senhor dos Anéis…

Sobre Christopher, a decisão do filho de Tolkien em Não permitir mais filmes

Esse texto foi originalmente publicado pelo parceiro do Tolkien Brasil o site theonering.net em 07 de janeiro de 2013.

Você pode saber mais sobre as disputas judiciais sobre as obras de J.R.R.Tolkien no artigo AQUI.

Saiba mais sobre quem é Christopher Tolkien AQUI.

Sobre o recente processo judicial da família Tolkien contra a Warner AQUI.

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Sobre Christopher – Um ensaio sobre a decisão do filho de Tolkien em Não permitir mais nenhuma licença para filmes sobre seus trabalhos

 

Quando as discussões sobre os filmes do hobbit cresceram, muitas vezes alguém perguntava: “E quanto aos outros livros? e quanto as histórias de O Silmarillon, ou Contos Inacabados? Elas serão adaptadas para a tela grande do cinema?

A resposta para esses questionamentos é simplesmente uma. O executor literário das obras de J.R.R. Tolkien, o seu filho, Christopher Tolkien se recusa a considerar qualquer pedido de licença com a finalidade de produção de filmes.

Muitos fãs estão bastante frustrados em razão dessa decisão da Tolkien Estate (administradores dos direitos das obras). Eles sabem que há um material interessante nessas fontes, como  a bem conhecida “A Busca por Erebor”. Esse pequeno escrito pode iluminar de forma essencial, as principais motivações e decisões dos personagens principais dos filmes. (Para os curiosos, A Busca por Erebor pode ser encontrada no livro “Contos Inacabados” e sua versão completa na edição revisada do “Annotated Hobbit” de Douglas Anderson).

Nenhum deste material está disponível  para uso pela produção de Peter Jackson. Na verdade, eles devem ter muito cuidado e  evitar qualquer referência a estas obras, pois podem ser acusados ​​de usar o material que está além de seu acesso. Pode-se até considerar no roteiro do Hobbit o comentário de Gandalf sobre os nomes dos dois magos azuis como sendo uma indicação a este “conhecimento proibido” – no filme, Gandalf diz que os seus nomes foram esquecidos, enquando Tolkien já havia escrito as respostas  e as colocou Contos Inacabados (Alatar e Pallando).

Cinéfilos querem ver os melhores filmes possíveis do Hobbit, e acham que esse material intocáveis teria sido valioso para a produção. Além disso, desejam que um dia seja possível experimentar parte desse história do Silmarillon nos cinemas. Nessa visão, tudo isso poderia acontecer se Christopher Tolkien apenas deixasse e vendesse os direitos.

Evidentemente que os desejos não são os cavalos no mundo da propriedade intelectual e direitos autorais. Christopher é o executor literário, e sua decisão permanece como está. Não temos o direito legal de reclamar.

Mas, como fãs, nós não paramos por aí! Queremos saber se Christopher está tomando a decisão correta, queremos saber se podemos ou devemos apoiar essa decisão como a melhor a ser tomada, e queremos ainda expressar nossa opinião sobre se Christopher tem o direito ético de assim proceder (mesmo que ele, novamente, tenha todo o direito legal).

Vamos primeiro perguntar: Christopher Tolkien está apto a decidir o destino do trabalho de seu pai? Será que seu pai fez a escolha certa ao nomear ele como o executor literário?

Absolutamente, a resposta é sim. Com a possível exceção de Rayner Unwin, que permitiu a publicação de O Hobbit, e apoiou a obra de Tolkien e manteve uma amizade com ele desde a idade de 10 anos até a sua morte, jamais houve maior fã da obra de JRR  Tolkien do que o seu filho Christopher. O nome do filho de Tolkien já é conhecido por nós, principalmente porque ele tem proporcionado a publicação de muitas páginas de escritos de seu pai, mais do que qualquer outra pessoa  poderia fazer.  Primeiramente, nós não teríamos A busca por Erebor  ou O Silmarillion como algo que queremos que seja filmado, se não fosse pelos esforços de Christopher em conseguir que essas obras póstumas fossem publicadas.Ele também trouxe-nos os Contos Inacabados, permitiu a publicação de cartas de seu pai, deu-nos a coleção de 12 volumes do History of Middle-Earth, os Filhos de Húrin, e muito mais. É impossível ignorar a importância das contribuições de Christopher ao mundo de Tolkien. Então J.R.R. Tolkien claramente escolheu o executor literário correto, ele não poderia ter escolhido uma pessoa melhor para ser o administrador de sua obra.

Agora que nós estabelecemos Christopher como um fã verdadeiro, resta a dúvida: podemos confiar que ele sabia os desejos de seu pai sobre esse assunto? Afinal de contas, muitas crianças não mantem proximidade com seu pai. E quanto a Christopher?

As Cartas de Tolkien nos mostram que pai e filho mantinham uma relação próxima ao longo da sua existência Terrestre. Christopher amava os escritos de seu pai. Quando criança, ele sentou-se com seu pai, que lia seus escritos para ele. No exército, ele lia e revisava os capítulos do Senhor dos anéis enquanto estava sendo criado. Ele fez muitas versões dos mapas da Terra-média que amamos tanto. Podemos ver que ele ama e apoia o trabalho de seu pai. É extremamente improvável que ele não saiba se o seu pai tinha ou não a vontade de fazer os filmes do seu trabalho. Christopher pode não estar honrando esses desejos, mas é difícil acreditar que ele não tem noção da vontade de seu pai neste assunto, como aconteceu durante sua vida.

Sendo assim, então, temos alguma evidência imparcial sobre o que o pai teria desejado que fosse feito com o seu trabalho?

Infelizmente, nós não temos muita coisa à nossa disposição para responder a esta pergunta. No livrou publicado em 1981 “As Cartas de J.R.R. Tolkien “, na carta 202 Tolkien afirma: “Stanley U. e eu chegamos a um acordo em nossa política: Arte ou Dinheiro. Ambos termos realmente muito lucrativos; ou absoluto veto do autor sobre características ou alterações censuráveis”. Isso mostra um ponto de vista equilibrado: Ele ama seu trabalho, mas ele sabe que pode ser uma ferramenta para proporcionar renda, e ele está disposto a usar essa ferramenta. No entanto, a carta de 207 proporciona uma ponta de arrependimento que este negócio deve ser considerado: “Não estou nem um pouco feliz com a tolice e incompetência extremas de Z e sua completa falta de respeito pelo original (parece estar deliberadamente errado sem quaisquer razões técnicas discerníveis em quase todos os pontos). Porém necessito, e em breve realmente necessitarei muito, de dinheiro, e estou ciente de seus direitos e interesses; de maneira que me empenharei em me conter e em evitar qualquer ofensa evitável”.

Ficamos incertos. Tolkien está disposto a ter seu trabalho filmado, mas talvez ele só estava disposto a considerar isso porque ele precisava desesperadamente de dinheiro. Portanto, não podemos decidir isso por nós mesmos. Voltamos a estaca zero – ainda perguntando se Christopher está fazendo a coisa certa. Bem, vamos finalmente ouvir o que ele tem a dizer! O que ele tem a dizer sobre o mundo de Tolkien?
Em entrevista concedida ao  Le Monde  em 09 de julho de 2012,  ele  esclareceu seu ponto de vista. Ele comentou sobre os filmes em si, mas  uma parte em especifico  sobre o legado de comercialização é mais pertinente para a nossa investigação:

“Tolkien se tornou um monstro, devorado por sua própria popularidade e absorvido pela absurdidade de nossa época.A lacuna aumentou entre a beleza e a seriedade do trabalho, e o que ele se tornou. Tudo foi longe demais para mim. Este nível de comercialização reduz ao nada o significado estético e filosófico da obra. Só me resta uma solução: virar o rosto para o outro lado”.

Ele está duramente confundindo as palavras, e alguns, talvez muitos (incluindo eu mesmo) diriam que suas palavras vão muito mais além que isso. Em uma tentativa de pintar um quadro único de tons, ou seja criar uma visão totalmente consistente, ele perde qualquer sutileza e, com isso um pouco da validade do argumento.  Eu nunca teria descoberto o mundo de Tolkien, sem que “monstro” cruzasse meu caminho em uma exibição de férias de 1973 em uma livraria local.Este site (referindo ao theonering.net), feito pela primeira vez para a produção dos filmes, tem lugares dedicados a discutir a obra de Tolkien, e criou uma comunidade para a discussão dos livros que não teriam existido se não fosse por este “monstro cultural”.

Então onde é que paramos? Depois de tudo isso, ainda estamos no inicio – perguntando se Christopher está fazendo a coisa certa. É por isso que o debate sobre este tema continua caloroso, em vez de ser resolvido rapidamente. Muitos de nós queremos mais de Tolkien em filmes. Só não conseguimos isso, porque Christopher não quer permitir, e não temos certeza do que JRR Tolkien teria feito.

Christopher tem o direito legal de tomar essa decisão, é uma boa escolha sendo o único que pode assim proceder, já que ele sabe melhor do que ninguém os desejos de seu pai, mas podemos e devemos apoiar essa decisão?

 

Vamos fazer uma experiência de pensamento e tentar adivinhar por que Christopher poderia ter feito a decisão que ele fez, e ver se podemos simpatizar com ele,e  a partir daí apoiá-lo. Para fazer isso, só podemos observar  as suas palavras e ações, pois não sabemos sua intenção.Suas palavras mostram a sua preocupação o fato de a cultura popular estar “reduzindo  ao nada  o impacto estético e filosófico da criação “, e suas ações mostram que ele dedicou sua vida a expor os escritos de seu pai para o mundo. É claro para nós que Christopher pensa que o trabalho de seu pai transmite algo vital. Ele quer que vejamos o quanto é inspiradora essas palavras. Eu acredito, que  seu ponto de vista, baseado em sua experiência ao longo das décadas, quanto mais a obra é filtrada através da lente imperfeita das adaptações,  e vira alimento para o moinho da cultura popular, mais ele se apega a pureza do material original. Para Christopher, isso é uma vergonha – ele deve ” virar o rosto para o outro lado” quando as pessoas pegam a obra de Tolkien apenas para produzir filmes ou jogos, ou Role-Playing Games, ou outras adaptações, que estão desprezando o verdadeiro valor do trabalho de seu pai. Christopher dedicou grande parte de sua vida combatendo este problema. Para citar a frase de Galadriel “Através das eras do mundo nós lutamos as  grandes derrotas.”. Isso é o que eu acho que Christopher está fazendo – lutando contra o que ele vê como a grande derrota – onde quer que ele possa, não só publicar o máximo de trabalho de seu pai, mas evitando a erosão de adições aos escritos de seu pai, simplesmente não permitindo que novas adaptações sejam feitas. Tudo isso é especulação, mas para mim é razoável.

No fim do dia, eu não sei, mas acredito, que Christopher simplesmente quer que outras pessoas leiam o que o seu pai escreveu.

Ao manter muito do que foi escrito a partir do cinema, se você quiser ler sobre as origens de Gandalf – você tem que ir para sua estante de livros, você não pode avançar rapidamente em um DVD. Se você quiser descobrir o que Morgoth era, e porque todos a Terra-média foi considerada o seu anel, você terá que ir para a biblioteca local e confirir um pouco da história da Terra-média, você não pode pular para esse capítulo  no Netflix. E com esse pouco de esforço, a cargo de querer saber mais, você vai transformar-se de um observador do filme em alguém que tenha diretamente descoberto a verdadeira alegria e profundidade do mundo de Tolkien que apenas sua escrita pode proporcionar. Talvez haverá um dia no futuro, quando Tolkien será ensinado regularmente nas escolas, para que todos saibam o que ele tem proporcionado para nós.Mas “não será esse dia”. Nesse dia, os filmes ajudam a ter razões para procurar os livros e ter mais algumas partes do mundo de Tolkien além do alcance de qualquer adaptação.

Christopher é o único habilitado a nos obrigar a ir aos livros, e, enquanto eu quero mais filmes sobre Tolkien, eu posso sentir empatia com isso. Além disso, porque eu amo os livros muito, eu me vejo apoiando  essa decisão. (Para a maior parte, como eu acho que A Busca por  Erebor poderia ter sido licenciado). Espero que, depois de ler tudo isso, que você possa apoiar a sua decisão também.

Tanto o filme quanto o  livro trouxeram diversão para muitos. Eu acredito que devemos celebrar a existência de ambos. Obrigado, Peter Jackson, pela  criação de filmes e introduz tantos ao mundo de Tolkien. E obrigado, Christopher Tolkien, por ter certeza que todos nós ainda temos motivos de sobra para voltar aos livros, onde aguarda uma alegria mais profunda.

— JPB

JPB é um programador da computação que gosta de Tolkien.  Ele é fã dos trabalhos do professor desde que ganhou de sua mãe um box de livros aos 12 anos. Os livros tinham sido recomendados por um balconista na livraria e a mãe dele aceitou comprar porque achou a heráldica Élfica atrás da capa vermelha “muito legal”.

Fonte: http://www.theonering.net/torwp/2013/01/07/68174-concerning-christopher-an-essay-on-tolkiens-sons-decision-to-not-allow-further-cinematic-licensing-of-his-work/

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  • Victor Mendes

    Sou um exemplo de que assistir aos filmes e não li nenhum livro….porém….esse não é um filme qualquer..eu simplesmente, viajo, nas musicas, nos efeitos…..na profundidade que a história é contada…percebo o quão mágico são esses filmes…..diferente de todos que eu já vi até hj….e queria começar a ler Silmarillion só por gostar muito da franquia….essa seria a verdadeira intenção de Chistopher Tolkien….

  • Paulo

    posso fala a verdade o q eu le e vi em documentario sobre tolkien e o seguinte ele quis sim produzir o similarion so q o produtor da epoca n quis produzir o filme pq n tinha recurso e dinheiro pra produzir por isso foi recusado agora n endento pq ele n deixa isso vira filme ta indo contra a vontade do pai dele e q eu acho

  • Elektra Natchios

    Acho bom para ver se os brasileiros preguiçosos passem a ler mais. Nenhuma tela de cinema supera a nossa imaginação enquanto lemos. E realmente, como eles fariam com as músicas criadoras das raças? É algo divino, que não dá pra realizar com efeitos sonoros humanos.

  • guilherme pires

    Eu concordo com um filme de hurin, estou mto ansioso para ver as historias que li no silmarilion… Mesmo porq ja tinha um desenho do hobbit e um filme do mesmo mto antes de peter e dois desenhos do senhor dos aneis…. Sao midias diferentes, filme e um filme e livro e um livro. Acho q peter faz jus as obras de tolkien pois sao adpitaçoes para o cinema e nao um documentario. COMO FAN DOS LIVROS E DOS FILMES ESPERO UM DIA VER TURIN NAS TELAS DO CINEMA….

  • Ulisses R. Madeira

    Querem a verdade ? Assim que a familia tolkien precisar de dinheiro …. bem voces sabem , e não adianta argumentar ” ah! mas eles tem muito dinheiro” , porque dinheiro nunca é demais . Porém , pessoalmente , desejo uma serie que trate com a devida profundidade da obra Silmarilion , pois nas telonas não consigo antever nada de valor.
    Apesar de “atraido” pelo marketing da newline , não foi pela produção “holywoodiana” de Steve J. que me apaixonei e sim pela arte do grande mestre , o que essencialmente são coisas bem distintas , com força e proposito divergentes, nunca de menos valor.

  • João de Deus

    Sobre essa idéia de não querer ouvir a “musica dos anuir” e apenas imaginar….ora tenha paciência. É só não assistir!. Ninguém é obrigado a ir ao cinema. tenha paciência!

  • João de Deus

    Discordo em gênero, número e grau de toda a justificação para não permitir os filmes. Peter Jackson fez trilogias maravilhosas sobre o universo de Tolkien. Elas não pretendem superar os livros. Apenas mostrar uma interpretação de Peter. Eles os filmes são espetaculares. E o que dizer das trilhas sonoras de Howard Shore? este fez uma interpretação da obra de Tolkien através da música. Peter fez uma coisa, Howard fez outra. Cada um fez uma adaptação da obra,e venceram como diretor e como trilha sonora o Oscar. Me perdoe, mas o filho de Tolkien não pode ‘CENSURAR’. A obra de seu pai é patrimônio cultutal e imemorial da humanidade, devia deixar de ser egoísta.

  • Nil Oliveira

    É uma pena essa decisão, mas… Ele possui os direitos. Dizer que não iriam ler os livros porque existe o filme é um equívoco, até porque nem sabia sobre Tolkien se não houvesse os filmes. Simplesmente seria um desconhecido. Hoje tenho os livros e estou lendo, são muito melhores que a sétima arte. Além disso diferentemente do filme, o livro respeita o tempo de análise e compreensão do leitor. Cada um ler no seu ritmo, no filme há um só ritmo.
    Agora cada um decida por si, se quer só ver o filme ou também ler.
    Também vi algo parecido no filme Dracula de 1992. Na minha opnião seria Dracula de Coppola, mas… O livro fora muito melhor, porém alguns comentaram que o filme é que foi. Um dos argumentos era de que Coppola explicava a origem do monstro. Discordo, pois, o mundo é cheio de mistérios. Ás vezes a beleza está em deixar o leitor imaginar, ser um co-autor.
    Podem concordar ou não. Deixe um comentário coerente, mas sem ofensas.

  • https://play.google.com/store/apps/details?id=com.geekbrasil Geek Brasil

    O que o Tolkien filho quer fazer, é evitar filmes como Percy Jackson irem para o cinema e estragarem totalmente uma história de livro incrível.

  • Pingback: Peter Jackson não descarta possibilidade de novos filmes ambientados na Terra-Média - SuperHeroBrasil.com()

  • Luiza

    Entendo o ponto de vista de Christopher e, mesmo antes de ler todas as conclusões tiradas pelo autor desse artigo, eu já havia compreendido o real sentido da coisa toda.
    Christopher não quer imortalizar Tolkien como um homem que escreveu histórias que renderam bilhões nos cinemas e entreteram muitas pessoas.
    Ele quer que seu pai seja lembrado por mudar o modo como milhares (se não milhões) de leitores passaram a compreender o mundo, lembrado por nos fazer SONHAR e aguçar nossas imaginações.
    Mas, agora falando como fã (bem.. em estado de iniciação.. ainda não li todos seus livros, então..). Descobri o mundo de Tolkien a pouco tempo, quando me emprestaram os livros (nunca tinha me interessado pelo filme antes) e achei emocionante assistir O Senhor Dos Anéis, foi incrível ver como é a Terra Média, ou como são os hobbits. Imagino para quem é mais velho de que eu e leu os livros anos antes de estrear primeiro filme. Deve ter sido surpreendente entrar numa sala de cinema e ver a engenhosidade de Tolkien nas telonas.
    Mas provavelmente, quando toda a trilogia de filmes acabou de ser lançada esses fãs ficaram querendo ver um pouco mais sobre esse mundo maravilhoso.
    E com o passar dos anos essa esperança de mais algum filme foi morrendo, até que, 9 anos depois, surge O Hobbit.
    E volta a alegria de rever a Terra Média. E daí que o filme não está muito coerente com o livro? É a Terra Média gente !
    Entendem..
    Acho que Christopher deve sim autorizar a produção de novos filmes, mas com um certo tempo de intervalo entre um e outro, para reavivar a nossa memória e lembrar-nos de que Tolkien, que já foi imortalizado por nossas lembranças, vai estar sempre por aqui, para nos lembrar de uma coisa muito importante: a realidade e a imaginação andam de mãos dadas.
    L

  • Cristhian Cecchetti

    Parece que de certo modo eu compreendo a decisão de Christopher, o se projetar na leitura difere ao assistir de uma película .
    Ler algo nos requisita prolongar o intelecto em direção da obra, refletindo-a em nossa percepção; de fato também me agrada a relação da transcendência do leitor se convertendo no próprio autor, digo isso em alusão do fenômeno de criação de alguns elementos por parte do legente, pois nem tudo o que é preciso para que haja a imersão na trama está disponível na obra, a começar pela simples circunstância de sermos nós a darmos sentido ao que está escrito, ficando a cargo de quem lê o ato de acrescentar de si para a história itens de material introspectivo. Visto que já dizia Marcel Proust: Na realidade, todo leitor é, quando lê, o leitor de si mesmo. A obra não passa de uma espécie de instrumento óptico oferecido ao leitor a fim de lhe ser possível discernir o que, sem ela, não teria certamente visto em si mesmo.
    Sendo,para mim, o grande mérito de autores como J.R.R. Tolkien, não estando na criação de um mundo novo, mas sim na sua maestria de nos revelar a Terra-média que trazemos em nós mesmos.
    Já os filmes, não menosprezando-os, sabendo serem outra ótima forma de expressão artística, Porém, o fator que creio artificializar qualquer trabalho adaptado, em particular as obras de Tolkien, se concentra na limitação dos aspectos visuais, dado que se tornam fixos por dependerem de uma produção, tanto cinematográfica quanto computadorizada, ou seja, não precisamos imaginar como seria, uma vez que todas as informações já estão preestabelecidas.
    O irônico é que o meu primeiro contato com esse universo foi através dos filmes de Peter Jackson, e cogito caso nunca tivesse visto, provavelmente teria ficado impermeável a conhecer toda essa riqueza, Pode parecer nostálgico, mas talvez se não tivesse topado com o Senhor dos Anéis(filme) na infância, a curiosidade de uma Arda, de um Carlos Drummond, Vinicius, Machado, Cecília, Clarice, Guimarães Rosa, Graciliano, João Cabral, George Martin, C.S Lewis, Poe, Lovecraft, Quintana, Veríssimo, Gullar e infindáveis outros magos linguísticos de modo algum viesse a florescer.
    O que pretendo sintetizar é, que por mais que a história se limite a uma perspectiva de cinema, ela sem dúvida contém a essência que a torna tão especial, uma essência tão forte ao qual nenhum outro meio de adequação consegue distorcer, pois permite que desinteressadamente conduza o público das telas a beliscar o deslumbrante âmago de seduzir-se a encontro de novos caminhos, trabalho da maiêutica literária, que segue para além do firmamento cognoscível , onde se vaga fora dos propósitos e incita as fronteiras do próprio entendimento.
    É justamente o que está sendo feito aqui, se imagine numa discussão sobre algum tema , e que em certo ponto ela se torna tão intensa que se transcreve em música, depois em imagens e por fim, materializa-se. E se não me engano, presenciamos algo parecido no Ainulindalë, cujo as demais representações, no caso o filme, são cada uma, apenas parte dessa música dos Valar, que por si só não surte tanto efeito, mas se juntarmos todas as canções e entoarmos unidas, dão origem ao verdadeiro mundo que o professorTolkien nos mostrou.

  • brunocamino

    Discorda dos filmes, mas possui todas as Box e versões estendidas. Concepção de verdade surreal.

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  • Sérgio Cinelivros

    esse debate gera em torno de um ponto: a falta de leitura em nossa sociedade mundial. A mídia audiovisual nos inundou de uma forma que as fontes escritas estão distanciadas. Olha só, se a maioria das pessoas tivesse o hábito regular de leituras, teriam um arcabouço, uma referência textual que não os confundiria nem distorceria ao ter os filmes. E os filmes, propostos logicamente para fins lucrativos, não como arte em si, devem honrar as fontes que debruçam. Fico com os livros.

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  • Victor Vargas Dias

    Seria um desastre termos uma imagem e um som da música dos ainur introduzido em nossas cabeças,O magico do silmarillion é imaginar como é eru,como tudo se toma forma,como é o vazio,e quao lindo é valinor.
    gondolin na cabeça de peter tem uma forma,na minha tem outra e assim é com todos os que amam a obra,isso é o atrativo do silmarillion.Essa é a magia.
    Adoro a trilogia(porém discordo de algumas adaptações),mas no meu ver christopher está certo em n liberar algumas obras.

    • Jessy Rios

      Concordo com você.

    • Fellipe

      Concordo com vc no que tange a parte Silmarillion como um todo, principalmente da musica dos ainur, a imagem de Eru Iluvatar ou até mesmo de Aman, Valinor e das Árvores. Concordo também (principalmente no Hobbit – filme) que algumas passagens, além de deixar a baixo das expectativas foram muito desvirtuadas. Digo no Hobbit pq ficou claro muitas citações referenciando ao Conto do Anel, e que no livro não acontece. Fato único e exclusivo para fazer link com o filme, que foi um sucesso!

      Por outro lado, como fã da obra de Tolkien, seria uma grande emoção ver uma produção de qualidade de Beren e Luthien, ou a tragédia de Túrin Turambar, contos que sempre me despertaram uma grande curiosidade de vê-los no cinema. Isso é coisa minha mesmo! Seria muito legal um diretor que tivesse seriedade para fazer produções para encher os nossos olhos com tudo aquilo que passa em nossas mentes quando lemos esse contos!

      Só minha opinião.

      Abraço!

    • João de Deus

      Cara, não tem desastre algum. Se não quer “ouvir o som dos anuir” é só não comprar os ingressos!…tenha paciência!

      • Victor Vargas Dias

        querido João de Deus,vou te contar como as coisas funcionam,quando se lê um livro se faz a propria concepçao dos personagens e do mundo trabalhado em si.
        no momento que se faz um filme e o filme faz sucesso,a imagem do filme se torna a imagem da obra,isso acontece mesmo com senhor dos aneis,como com diversos outros.
        Fazer registros visuais com repercussão mundial é sim minimizar a obra do autor,de forma que não adianta eu nao comprar o ingresso,o filme vai repercutir pelo mundo todo,todo o silmarillion seria passado como um filme para agradar as massas de pessoas.
        daqui a 80 anos todos lembrariam do silmarillion como filme,entao nao,realmente nao é só nao comprar o ingresso

        • Pedro Fernandes

          S

    • Rebeca

      Também concordo com você, mas acho ele podia liberar; por exemplo: nem tudo que está no livro eu consegui imaginar, como alguns dos elfos, por terem uma beleza extraordinária. Então gostaria de, pelo menos, ter uma oportunidade de vê-los. Mas não discordo de você.

    • Rafael Oliver

      Gondolin …
      é de arrepiar, nossa !!!

  • http://www.facebook.com/victor.souzarezende Victor Souza Rezende

    Gente, eu entendi muito bem a posição dele, ele não quer que uma obra poética do Tolkien acabe por virar um filminho que as pessoas assistem apenas por diversão sem ver sua real profundidade e seu verdeiro significado, o apoio totalmente quanto a Silmarilion, mas bem que poderia rolar Os Filhos de Hurin 😉

    • Lrg

      Cara concordo plenamente com você,conheço muita gnt que assistiu o filme só por diversão,mas cara,filmes sempre foram especiais pra mim, então posso dizer que se não fosse pelos filmes ,hoje eu não seria fã das obras de Tolkien.

    • João de Deus

      Filminho? o que o Peter Jackson fez foram “filminhos” para você?
      Cara, se existem pessoas que assistem o filme “apenas por diversão”, qual o problema? cada um assite o que quiser e com a finalidade que bem entender. A Obra de Tolkien não foi feita para “supercabecinhas” pseudo-intelectuais. Foi feita para todos!

      • Maxoel Costa

        Então, basta qualquer um pegar os livros de Tolkien e ler.

      • kar

        Rapaiz, os filmes da Trilogia O Senhor dos Aneis foram verdadeiros filmaços, extraordinários. Agora não posso dizer o mesmo de O Hobbit, não são ruins mas a essencia dos livros se perdeu, Peter vacilou feio. Se ele tivesse feito um trabalho de qualidade igual ou superior a adaptação de LOTR com O Hobbit ai sim eu acho que seria massa fazer outras adapções, mas se decaiu a qualidade creio que esteja na hora de acabar para não piorar mais ainda a imagem.

  • http://www.facebook.com/paulohenrique.macedo.1 Paulo Henrique Macedo

    Quem vai assumir, possivelmente é o filho renegado dele, um advogado sanguessuga que pressionou a Tolkien Enterprise a vender o direito de filmagens para a New Line. O pai dele, evidentemente foi contra, já que não era vontade do próprio Tolkien de filmar suas obras. Eu não concordo com as filmagens, acho um profundo desrespeito ao Professor, ainda mais quando o diretor corrompe as obras com uma estética depravada. O Silmarillion é o mais inviável de todos para uma adaptação já que essa obra é mais um trabalho acadêmico (lembrem-se que Tolkien era um filólogo) do que um best-seller.

  • Antônio Martins

    isso é só uma questão de tempo, logo logo veremos Melkor introduzir dissonância na música dos Ainur ;D

  • http://www.facebook.com/waleska.cavalcanti.3 Waleska Cavalcanti

    Putz… é complicado… Mas gostaria de ver mais versões do Tolkien para o cinema…

  • Natallie Chagas

    Caramba, nem sei o que pensar depois de ler isso. É ÓBVIO que eu adoraria ver O Silmarillion nas mãos certas virar uma série (filme não), mas ninguém garante que essas mãos certas realmente acertariam… E é claro que, no caso de Tolkien, o livro deve vir primeiro, mas… Aff, nem sei. Talvez essa decisão seja boa, pq poupa muito sacrilégio em relação as obras, mas ainda assim…

    • Jhonatan

      Poderia ser um filme sim, tem conteudo pra isso, Saga o Silmarillion e titulo do filme abaixo, renderia varias histórias épicas, e de qualidade gigantesca.

  • http://www.facebook.com/rafaelguilherme.silva.54 Rafael Guilherme Silva

    “acho que ele tá caducando já” quem vai assumir os direitos depois dele, alguém sabe?