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A pedra rúnica do Kili e seu significado em Neo-Khuzdul

 

Embora o filme O Hobbit, a Desolação de Smaug tenha tido suas falhas, ele ainda dá sequência ao belo trabalho da Weta Workshop, empresa que produz os itens dos personagens dos filmes e vende os colecionáveis oficiais.

Um objeto interessante desenvolvido é a pedra do Kili.

Durante o filme o Kili foi preso pelos elfos nos calabouços do rei elfo Thranduil. Em uma cena a elfa Tauriel conversa com o anão sobre uma pedra que ele tem nas mãos. Kili revela que é uma pedra comum, porém com um significado especial. Ela foi entregue por sua mãe para lembrá-lo de seu juramento de retornar para casa após a aventura na montanha solitária.

Durante algum tempo após o lançamento do filme muitas pessoas se perguntaram  o que estava escrito nessa pedra com o alfabeto dos anões. Veja a imagem da pedra como exibido no filme:

kili

Observando a imagem podemos formar claramente a seguinte palavra com o alfabeto dos anões:

 Kili pedra

Ao que parece foi utilizado as Cirth Moria e não as Cirth Erebor. O que é perfeitamente lógico, já que a pedra foi escrita pela mãe do Kili em uma época que estavam exilados da Montanha Solitária.

Diante da dúvida sobre o significado dessas runas, e atendendo a pedidos o criador do Neo-Khuzdul, David Salo respondeu em seu blog linguístico o seguinte:

Recebi pedidos para dar o significado das runas do talismã do Kili. As palavras inscritas na pedra são INNIKH DÊ.

A primeira palavra estão no imperativo singular do verbo nanakha “retorno, volta”, que tem uma raiz triliteral √n-n-kh  que, obviamente, foi formado a partir da raiz bilateral √n-kh  “vir”, que por sua vez é claramente relacionada com Adûnaico nakh-. O padrão é iCCiC, como é geralmente o caso com outros imperativos.

‘Dê” combina uma preposição d (u) “para, em direção a” (cuja real inspiração é a preposição Gótica  ‘du’) com o sufixo pronominal da primeira pessoa do singular “-ê”.

O significado da frase sobre a pedra é, portanto: “volte para mim.” (Return to me). Sua aplicação precisa no caso de Kili é algo que eu não estou a par, e espero que os fãs apaixonados pelos filmes possam adivinhar com mais facilidade do que eu.

http://midgardsmal.com/kila-steinn/

Deve-se atentar que as palavras INNIKH DÊ são criações do linguista David Salo, não tendo relação com as palavras criadas por Tolkien. Essa palavra está dentre aquelas que formam o chamado Neo-Khuzdul.

O que é Neo-khuzdul?

 

Talvez seja necessário apresentar uma breve explicação sobre a língua dos anões.

Na mitologia do Tolkien os anões falam sua própria língua. Porém eles não costumam falar essa língua diante de pessoas estrangeiras, pois é muito preservada entre os anões. Assim, o Khuzdul é conhecido como uma língua secreta dos anões.

Além dos anões se comunicarem entre si, a língua era utilizada em ornamentos e peças de honra, como por exemplo o túmulo de Balin. Ou em momentos de grande aflição e guerra, como por exemplo o grito de guerra: Baruk Khazâd! Khazâd ai-mênu!

Se no mundo secundário essa língua já é considerada rara, em nossa sétima era (atualmente) temos poucas palavras, em torno de apenas cem palavras. O que não seria possível formar uma língua completa e falada.

Tendo em vista os filmes do Senhor dos Anéis, o linguista David Salo foi contratato pela produção dos filmes para criar frases nas línguas élficas e outras.

Diante da ausência de palavras suficientes até mesmo para formar uma frase. David Salo buscou inspiração nas línguas das quais possivelmente foram a inspiração para o Tolkien criar o Khuzdul.

É apontado que Tolkien teria se inspirado nas línguas Semíticas (árabe, Hebraico, tígrinia, amárico) para criar as palavras em Khuzdul.

Assim, utilizando seu conhecimento nessas línguas semíticas e as poucas palavras criadas por Tolkien, David Salo criou várias palavras e vocabulários e formou o Neo-Khuzdul. Em outras palavras: a língua dos anões dos filmes de Peter Jackson.

Esse tipo de criação por fãs com a pretensão de ser parte do universo de Tolkien desperta muitos debates.

Muitos especialistas nas línguas de Tolkien defendem que apenas o professor Tolkien seria o criador de sua própria obra (estão incluídos nesse pensamento os atuais editores dos periódicos oficiais das línguas do Tolkien e o Christopher Tolkien). Já há aqueles que  defendem que alguém tem que ‘terminar’ a obra de Tolkien, dando uma maior consistência para as línguas (é o caso do pensamento de David Salo, Helge Fauskanger e outros).

Outros links:

Projeto escreva com as runas dos anões

Vídeo sobre Conlangs

 

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  • Starchild Aninha

    A expressão Return to me, ou seja a tradução significa o amor da vida dele, que em vidas passadas pode ter sido sua mãe (que lhe deu a runa) e hoje seria Tauriel que nessa vida não ficou com ele. Quem sabe na próxima?

    • http://tolkienbrasil.com/ Tolkien Brasil

      Como você deve ter percebido assistindo ao terceiro filme, essa ideia de reincarnação não é a que foi colocada no filme. Era um romance mesmo…

      • Starchild Aninha

        Sim, é óbvio, um romance mas para quem acredita em outras vidas, se atual, seria sim, romaces de outras vidas… Blessed be…

  • Leh Leandro

    Matéria muito boa! Parabéns ao site por proporcionar sempre excelente conteúdo!
    Achei interessante saber que para criar as línguas Tolkien buscou inspiração nas línguas semíticas, pois estudei um pouco e hebraico e já havia percebido algumas semelhanças…