Saiba mais sobre O Hobbit, Senhor dos Anéis…

Peter Jackson, Phillipa Boyens e Joe Letteri falam sobre “O HOBBIT”

Fruto da parceria com o site theonering.net, temos o prazer de apresentar para os Brasileiros essa importante reportagem com os produtores do filme do hobbit. Onde são respondidas questões muito interessantes. A tradução foi realizada por Eduardo Stark, com a colaboração da Susane Soares.

Na semana passada os produtores do filme O Hobbit estiveram no Waldorf Astoriaem Nova Iorque falando a respeito desse esperado filme. Para o seu entretenimento, aqui está uma seleção de perguntas e respostas derivadas da conversa com Peter Jackson, Phillipa Boyens e Supervisor Senior dos Efeitos especiais Joe Letteri.

Sobre a escala para o elenco do Martin Freeman

Peter Jackson: Martin era a única pessoa que nós sempre queriamos para esse papel. E isso foi antes mesmo de realmente conhecer o Martin – o conheciamos do “The Office” e do “Guia do Mochileiro” e sabiamos que ele tinha qualidades que seriam perfeitas para o papel de Bilbo. Esse forma essencial de agir, tipicamente inglesa, uma qualidade um pouco  reprimida. Ele é um ator dramático, ele não é um comediante, mas ele é um ator dramático que tem uma habilidade muito rara para a comédia.

… Com os atrasos que aconteceram, nós não poderíamos oferecer o papel a ninguém contratualmente. E na época  que conseguimos oferecer o papel  para Martin, ele havia se comprometido com a série de TV “Sherlock”. E ele filmou a primeira temporada, mas a filmagem da  segunda temporada de “Sherlock” iria acontecer bem no meio da nossa sessão de gravações, então ele disse: “Olha, eu não posso fazer isso.” Então nós estávamos em apuros. Eu fiquei realmente em pânico, todos ficaram. …Nós literalmente não conseguimos pensar em mais ninguém que seria tão bom quanto Martin.

Eu estava ficando noites sem dormir. Nós estavamos a cerca de seis semanas do início das filmagens e ainda não tinhamos escolhido ninguém. Eu estava me atormentando por assistir “Sherlock” em um iPad às 4 horas da manhã. O segundo episódio da primeira temporada tinha acabado de sair no iTunes e eu baixei ele – porque eu amo o show –  e eu estava sentado lá olhando para Martin e pensando “ Não existe ninguém melhor, isso é loucura”. Quando me levantei pela manhã, liguei para o agente de Martin, em Londres, e eu perguntei se poderíamos encontrar uma maneira de acomodar o cronograma de Martin para que ele estivesse preparado para  vir a Nova Zelândia para fazer Bilbo? E, felizmente, a resposta foi sim, ele adoraria.

Sobre as razões de ser três filmes:

Philippa: Se não tivéssemos feito o “Senhor dos Anéis” primeiro, se não tivesse sido assim definido, provavelmente o hobbit teria sido uma história muito diferente. Mas tivemos. O Gandalf transformando-se nesses filmes foi o Gandalf retratado em “O Senhor dos Anéis”, mas se queriamos contar essa parte da história de Gandalf, tivemos de trazer par ao público Saruman e a brilhante Cate Blanchett voltando como Galadriel.

Assim que soubemos que contaríamos uma parte dessa história, o que acontece quando Gandalf desaparece – porque sabemos o que acontece, pois o professor Tolkien continuou escrevendo O Hobbit – e decidimos contar aquela parte da história, você começa a traçar nessa grande mitologia o que é definido contra.

Também, quando começamos a entrar nela… É tão fácil esquecer a profundidade que tem em contar histórias e quão assustador este livro infantil se torna no final. Não termina com Smaug, quando deveria terminar, quando qualquer livro infantil termina, e crianças adoram. Eu sei que amei quando li porque não era comum, te leva mais longe.

Existem fortes elementos trágicos nele, girando em torno do personagem Thorin. Eles são extraordinários e quando você vai para os apêndices, percebe o quão extraordinário e o foi colocado sobre ele.

Não foi difícil ver o que estava lá dentro. Uma das coisas que está ali é a ganância. Assim que você começa a ter noção de “quanta riqueza é muita riqueza?” e “quanto ouro é muito ouro?” algo que é, literalmente, uma doença da mente, uma doença de muita riqueza.

Outra coisa é você começar a trabalhar com grandes autores, e grandes atores vem até você por causa do material. Se você dá a eles um material leve, você só não vai tê-los, e queríamos escrever para estes incríveis atores que temos.

Sobre a falta de personagens femininas em “O Hobbit”:
Philippa: A  falta de energia feminina é facilmente percebida. E é interessante porque o Professor Tolkien realmente escreveu brilhantemente para as mulheres. Ele tinha um verdadeiro respeito pelas mulheres. O ser mais poderoso na Terra-média nessa época, como ele escreveu, era a Galadriel. E assim, temos a história dela como ela se desenvolve, como ele escreveu. Isso implica que “O Hobbit” – é realmente muito poderoso e ele vai ficar bom para as meninas, eu acho.

Sobre a adição de Galadriel e material dos apêndices:
Peter Jackson: Isso nos remete aos apêndices. Podemos adaptar “O Hobbit” e podemos tomar esses apêndices, que aparecem em “O Retorno do Rei”, que tem material que eu acho que ele estava se desenvolvendo como uma versão expandida de “O Hobbit”.

Tolkien escreveu “O Hobbit” em 1937 e, em seguida, o “Senhor dos Anéis” saiu em 1950 – que supostamente deveria ser uma sequencia de “O Hobbit”, mas, obviamente, desenvolveu e expandiu-se em algo muito mais apocalíptico e com um tom diferente.

Então, eu acho que ele tinha a intenção de voltar e rever “O Hobbit” ou escrever um romance companheiro que estava se tornando uma amarração de todos juntos. Ele nunca  publicou o livro ou mesmo o  terminou, mas um vasto material  foi publicado por seu filho como uma referencia a “O Retorno do Rei”.

Então, Tolkien fala sobre o Conselho Branco e o Necromante, e ela (Galadriel) faz parte do Conselho Branco e referem-se ao ataque contra Dol Guldur, e é esse tipo de trama que estamos desenvolvendo. Então, ainda é parte do mito de Tolkien.

Sobre o mundo real e os  filmes de fantasia:
Peter Jackson: Os níveis de detalhes no filme são semelhantes ao “O Senhor dos Anéis”. Com as câmeras em alta definição você pode ver mais, então terá a sensação de mais detalhes, mas felizmente, a equipe que temos na Nova Zelândia, a WETA Workshop , que projeta um monte de maquiagem e efeitos, e nosso departamento de guarda-roupa, o nosso departamento de arte – sempre quiseram colocar um muitos detalhes que nunca são vistos pelas câmeras.

Para mim, a fantasia deve ser o mais real possível. Eu não concordo com a noção de que, porque é fantástico deve ser irrealista. Eu acho que você tem que ter um sentido de crença no mundo que você vai entrar, e os níveis de detalhes são muito importantes.


Sobre por que ele primeiro decidiu não dirigir, mas depois voltou atrás:
Peter Jackson: Eu acho…pensei que não iria gostar. Essa é a verdade, porque eu pensei que eu estaria competindo contra mim em algum grau, e que seria interessante ter um outro diretor. …. Guillermo Del Toro estava envolvido por um tempo, por mais de um ano provavelmente, mas depois que ele saiu por causa dos atrasos, restava ainda mais seis meses antes de termos uma luz verde e, durante esse período eu pensei, bem, eu estou realmente gostando muito mais.

Eu vim a perceber que há um monte de charme e humor em “O Hobbit”, que em o “Senhor dos Anéis” não tinha. E eu pensei que o retorno à Terra Média com uma história completamente diferente e um tom diferente – eu pensei “esse não é o Senhor dos Anéis”, e eu não vou tentar fazer um outro filme que é exatamente assim. Isso me dá uma oportunidade de fazer algo um pouco diferente. E no primeiro dia de filmagem eu estava incrivelmente feliz. Foi uma grande diversão começar as filmagens.

Sobre os acréscimos ou cenas expandidas:
Peter Jackson: Bem, uma cena expandida foi os gigantes de pedra – que é um parágrafo no livro, quando eles estão passando pelas Montanhas Sombrias e Tolkien se refere a uma tempestade criada por esta luta entre gigantes. Ele não se debruçou sobre isso em particular, mas esse tipo de coisas é divertida, uma cena visual do livro que podemos desenvolver e expandir. Então, fizemos uma espécie de expanção … as carverna dos Goblin?

Philippa: Eu amo Azog, Azog, o profano. Porque nós amamos esse nome e ele é um personagem que adoremos, por sua história e pensei que não podiamos coloca-lo como morto,  vamos mantê-lo vivo. Portanto,  nós gostamos desse jeito … trazê-lo de volta. E eu acho que fazer isso é muito intenso. Ele tem uma boa jornada para seguir.

Sobre fazer conexões entre “O Hobbit” e “O Senhor dos Anéis”
Peter Jackson:  Foi isso que fez o filme se tornar agradável para mim, ser capaz de se conectar pequenos pedaços de “Senhor dos Anéis” ao “O Hobbit”. Houve uma cena em “A Sociedade do Anel”, quando eles estão presos na  encruzilhada em Moria, e há um momento de silêncio entre Gandalf e Frodo … e ele está falando sobre os acontecimentos em “O Hobbit”, que a pena de Bilbo governa o destino de todos nós. O que significa que Bilbo teve a chance de matar Gollum, mas ele não o fez. E o fato de que ele não o matou Gollum é o que está dirigindo a história, e foi gerado a história do “Senhor dos Anéis” – para o bem ou para o mal. Por isso, foi muito interessante doze anos depois rodarmos a cena originalmente para voltar e realmente mostrar o momento em que Bilbo segura sua mão.

E, também, a razão pela qual ele não matou Gollum nessa parte, quando ele tem a oportunidade em que está invisível e de pé sobre Gollum…e Gandalf tinha dito a ele que a verdadeira coragem é decidir quando não matar ao invez de matar.

Assim, completar os pequenos laços e os círculos foi algo realmente interessante, já que  se está lidando com uma história diferente, um tom diferente. E se tivéssemos filmado os filmes em uma ordem diferente, não teria sido capaz de fazer isso de forma tão eficaz. Porque realmente, uma vez que esses filmes são feitos e tiveram sua vida teatral, estamos realmente olhando para um cenário de  seis filmes – que é a maneira que vai existir a partir desse ponto. E por isso estou muito consciente e querendo fazê-lo sentir como uma história orgânica com sinergia.

Isso não teria sido tão fácil se tivéssemos filmado “O Hobbit” em primeiro lugar, porque é um tom diferente no livro. Poderíamos ter apenas enfatizado o lado de conto de fadas, o que teria feito do “Senhor dos Anéis” uma adaptação muito mais difícil de uma forma, porque teria sido difícil relacionar os dois, uns com os outros.

Sobre a transformação de Thorin de um personagem atrapalhado para  um guerreiro, e a escala para o elenco de Richard Armitage:
Philippa: Isso é muito simples na verdade. Quando estávamos escrevendo entendemos – revisando  –  o quanto o público precisa se preocupar com este personagem. De certa forma, é quase toda a sua história – grande parte dela.  Quando fomos abordar esse personagem – porque ele é muito mais velho no livro –  torna-se muito difícil investir em um personagem que  quer recuperar sua casa e reconstruir uma cidade quando ele está em seus oitenta anos.

Então, quando começou o processo de escolha do elenco, fomos à procura de pessoas entre 45, 55. Alguém que tinha  certa experiência na vida, que poderia ser esse personagem heróico e que poderia ser um grande lutador. Mais uma vez, algo difícil de se fazer com um personagem que, como o professor Tolkien escreveu, era um velho guerreiro.

Então, fizemos essa decisão de que estávamos procurando alguém mais jovem, foi então a partir desse ponto, em termos Richard Armitage foi o mais jovem ator do teste e foi selecionado para esse papel. Não tinha nada a ver com o fato de que ele é lindo (risos), tinha a ver com o fato de que ele fez uma audição fenomenal e a noção de que você tinha esse personagem conflituoso, mas também bastante grosso, Nórdico, Inglês – como um anão. Estranhamente, ele tem sessenta e quatro  pés de altura, mas ele ainda é um anão. Ele tinha aquela coisa toda de ser mineiro, de ter uma voracidade e coragem, mas que, provavelmente, joga muito bem rugby,  como se entende da descrição do Professor Tolkien  sobre os Anões.

 

Sobre o 3D e a abordagem de efeitos visuais e direção
Peter Jackson:  Eu não mudei o meu estilo de dirigir filmes, eu não queria mudar. E essa foi a beleza. Eu não queria convertê-lo, nós queríamos filmar em 3D. Eu acho que é muito mais realista. Felizmente, tivemos um grande apoio das empresas que trabalharam conosco (sobre as câmeras e sondas) e eles fizeram o equipamento mais leve e pequeno quanto puderam. Os equipamentos foram feitos originalmente em aço, mas eles fizeram pra nós em fibra de carbono, para que pudéssemos colocá-los em câmaras estáveis e câmeras de uso de mão. Porque eu realmente queria ser o mesmo cineasta indo de volta para a Terra Média. Eu não queria, porque era 3D, filmar em um estilo diferente.

Eu não acredito no conceito de que o 3D deve ser filmado de forma diferente. Cada diretor tem seu estilo próprio, com certeza, mas eu não acho que isso tenha relação com o 3D. Para mim era importante não se preocupear com o 3D e eu não me preocupei. Eu nem sequer penso nisso metade do tempo. Eu estava dirigindo como eu faria normalmente e as câmeras fariam o que fazem normalmente. Para mim foi uma experiência confortável.
Joe:  Há um caso em que isso importa, eu acho.  Ao vermos o “Senhor dos Anéis”, podiamos forçar truques de perspectiva  –  trazer Gandalf mais perto da câmera e colocar Frodo mais longe, e assim um parecer maior e o outro menor. Quando você coloca os óculos você percebe o quão longe eles estão, esse truque não funciona mais.

Assim nós voltamos com essa ideia – especialmente porque queríamos manter as câmeras em movimento – para realmente sincronizar duas câmeras juntas em duas fases distintas. Então Gandalf estava em um local, os anões em outro e Peter pode ver os dois juntos em seu monitor e dirigir os dois. Mas os dois tinham que manter suas cabeças onde a outra pessoa virtual estava andando pelo Bolsão.

Você vai ver no filme, se você ainda não viu, que há um minuto de duração na filmagem deles passando um pelo outro e entregando as coisas – isso tudo foi feito pelos atores em grande parte, apenas tendo de manter em suas cabeças onde o outro estava neste espaço, muito legal.

Sobre a conversão de “O Senhor dos Anéis” para o 3D

Peter Jackson: Não é realmente uma questão para mim, porque é uma questão de estúdio, porque eles teriam que pagar por isso e é caro. Então, eu ficaria feliz em fazê-lo se eles decidirem assim, mas isso é realmente uma coisa de mercado. Eu acho que a idéia de dimensionamento de filmes antigos é algo que os estúdios ainda estão inseguros. Eu sei que o Jim fez em “Titanic” e foi muito bem sucedido, e então George Lucas fez isso com “Star Wars” e não foi tão bem sucedido financeiramente.

Então, eu acho que os estúdios não estão completamente certos no momento com relação ao mercado está indo. Eu acho que quando o tempo passar e o 3D se estabelecer mais nas casas das pessoas e o custo de conversão abaixar, eu acho que as coisas tendem a seguir a diante, mas no momento isso não está sendo discutido.

Fonte: http://www.theonering.net/torwp/2012/12/14/67237-in-their-own-words-peter-philippa-joe/

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