Saiba mais sobre O Hobbit, Senhor dos Anéis…

O Bibliotecário que encontrou o amor e carreira através de Tolkien

Wayne Hammond

Wayne Hammond

Por Vidya Venkatesh

Para confusão geral, eu insisto em regularmente grudar de volta os saltos descolados das minhas botas de chuva amarelas. Alguns podem perguntar: qual é o mérito de um par de botas de chuva que não são à prova d´água, não importa o quão brilhante seja sua tonalidade? E eu prontamente respondo: sem essas botas assumidamente não funcionais, eu seria capaz de passar toda noite de Halloween gritando “eu sou Tom Bombadil” nos ouvidos de meus pares perplexos? Não, não seria. Nenhum Tom Bombadil autêntico seria visto sem botas amarelas. Para aqueles de vocês que perderam minha explicação na noite de Halloween – não pode haver mais do que uma dúzia de vocês – Tom Bombadil é um personagem em A Sociedade do Anel e uma das mais interessantes e constrangedoras figuras dentre a tropa de amadas criações de Tolkien. Antes deste outono, eu teria me sentido confortável afirmando que eu poderia recitar mais versos com a assinatura de Bombadil do que qualquer um neste campus. Como de costume, Williams forneceu alguém para me esmagar completamente.

Wayne G. Hammond, o Bibliotecário Assistente da Chapin Rare Books e recente coeditor de The Adventures of Tom Bombadil and Other Verses From the Red Book (As Aventuras de Tom Bombadil e Outros Versos Do Livro Vermelho), é um dos principais acadêmicos de Tolkien no mundo. Como muitos de nós, ele primeiro descobriu Tolkien em sua juventude. “Eu era fã de O Hobbit e O Senhor dos Anéis antes de ser um acadêmico; eu estava no colegial quando os li pela primeira vez”, ele me contou. “Como um fã sério de Tolkien, eu busquei tudo o mais que ele escreveu (que havia sido publicado até aquela época e eu pude encontrar), o que incluía seus escritos acadêmicos: ele era um intelectual estimado de Velho e Médio Inglês e literatura.” Estudar Tolkien não é meramente um projeto paralelo para Hammond ao lado de seus deveres na biblioteca; em vez disso, seu interesse em Tolkien precedeu e, em muitos casos, causou seu interesse em bibliotecas. “Colecionando suas obras, eu desenvolvi um interesse em livros e bibliotecas, o que levou a uma carreira como bibliotecário e bibliógrafo – assim, de uma forma indireta, é devido a Tolkien que estou na Williams”, disse ele.

Se seu amor por Tolkien moldou diretamente sua trajetória profissional, foi também uma forte influência em sua vida pessoal. “Eu escrevi uma bibliografia detalhada das obras de Tolkien, a qual foi publicada em 1993,” disse Hammond, em referência a sua bibliografia J. R. R. Tolkien: A Descriptive Bibliography. “Isso me pôs em contato com outros colecionadores de Tolkien, incluindo Christina Scull, com quem casei, e também com os editores de Tolkien, sua família e sua ilustradora favorita (Pauline Baynes). Tanto Christina quanto eu tínhamos registros de sucesso como estudiosos de Tolkien antes de Christopher Tolkien nos pedir para escrever um livro sobre a arte pictórica de seu pai (J. R. R. Tolkien: Artist and Illustrator, 1995), e nossos projetos posteriores de Tolkien procederam daquele sucesso.” Hammond e sua esposa, Christina Scull, desde então colaboraram em várias publicações.

Possível capa de The Art of The Lord of the Rings, editado por Wayne Hammond e Christina Scull.

Possível capa de The Art of The Lord of the Rings, editado por Wayne Hammond e Christina Scull.

Em referência ao próximo projeto deles, The Art of the Lord of the Rings, Hammond explicou que, “em um aspecto, ele tem sido mais fácil do que quando produzimos nosso livro anterior, The Art of The Hobbit, onde tivemos que trabalhar o design bem como escrever o texto e colocar as pinturas. Como nosso novo livro utilizará o mesmo design, muitos de seus detalhes físicos já estavam definidos quando começamos.” Contudo, o projeto vem com uma gama única de desafios; a ausência de um conjunto oficial de ilustrações em favor de uma enorme coleção de desenhos, mapas e inscrições determina uma apresentação consideravelmente cuidadosa. “Como foram feitas enquanto O Senhor dos Anéis era escrito, principalmente para trabalhar detalhes na história (ao contrário da arte de O Hobbit, a qual pode, quase que totalmente, existir por si só), nós precisamos relacioná-las não apenas ao Senhor dos Anéis publicado, junto com um texto (bem mais longo que O Hobbit), mas também a múltiplos rascunhos como publicados em The History of Middle-earth ou mais diretamente os manuscritos e datilografados mantidos na Universidade Marquette,” disse Hammond. Ele me garantiu que a Biblioteca Sawyer conseguiria uma cópia.

Em resposta à pergunta mais importante – quem ele seria se ele vivesse na Terra-média? – Hammond respondeu: “eu sempre me identifiquei mais fortemente com Merry Brandebuque, não porque ele é um hobbit, mas porque ele é um dos mais organizados e inteligentes personagens de Tolkien. É claro, nós leitores supostamente nos identificamos mais com hobbits, que são nossos representantes na Terra-média, mais do que com magos ou guerreiros. E é claro que estou falando do Merry como ele é no livro, não o delinquente juvenil que ele é nos filmes!” De fato, o Merry do livro se sentiria muito mais em casa na Biblioteca Chapin Rare Books do que seu estridente homólogo dos filmes.

Não importa quantas vezes eu leia os livros de Tolkien, eles ainda fornecem uma experiência inigualável para mim de todo-abrangente, profunda e deliciosa fantasia. Eu perguntei a Hammond se, depois de folhear as páginas de Tolkien com fins profissionais, ele ainda sente a mesma conexão íntima com as obras. “Eu costumava ler O Hobbit e O Senhor dos Anéis todo verão,” ele disse. “Eu não fiz isso mais por um longo tempo, não desde que nós começamos a editar e escrever sobre Tolkien, o que significa que eu tenho que ir aos livros mais para referência do que por prazer. Mas, mesmo assim, eu encontro algo novo todas as vezes.” Parte do apelo de Tolkien reside nas perspectivas distantes de história e conhecimento que ele permite que seus leitores vislumbrem; mas para Hammond, pelo menos, o apelo não é perdido quando aquelas perspectivas se tornam familiares.

Artigo publicado originalmente em 12 de Novembro de 2014, em inglês pelo site da williamsrecord, que gentilmente autorizou a tradução para o Português. Tradução de Sérgio Ramos.

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