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Eu entendo Boromir!

boromir

por Sandro França

Meditando sobre o acaso de Boromir, valoroso capitão de Gondor que sucumbiu diante de Frodo, dominado pela tentação de obter o Um Anel, cheguei a conclusão que o entendo. Mais que isso, entendi que nós, muito provavelmente e com relativa frequência, embora em escala menor em relação ao contexto da obra, agimos do mesmo jeito.

A motivação de Boromir era genuína: ele queria usar o Um Anel como arma para conseguir derrotar as forças de Sauron e salvar o seu povo de uma vez por todas. Seu desejo era benéfico, ele tinha a famosa boa intenção. Mas quando sua vontade foi confrontada diante de outros sábios, e provou-se que não seria possível o seu intento, faltou-lhe a maturidade para entender que a partir dali, aquele assunto não estaria mais dependendo de suas mãos.

Todos os grandes feitos militares de Gondor em sua época passaram necessariamente pelo seu esforço, sua capacidade de liderar, seus estratagemas, suas habilidades. Diante desse estilo de vida, por assim dizer, era extremamente complicado para ele confiar que a sorte daqueles tempos, que decidiria o destino de muitos, estaria nas mãos de um pequeno hobbit, num plano pouco plausível de que o mesmo conseguisse invadir o território inimigo, levando o Um Anel ao fogo ardente onde havia sido forjado, para que lá fosse destruído.

Boromir caminhou ao lado dos outros, lutou por eles, mas o tempo todo em seu coração não conseguia se largar, confiar, entregar-se. Ele queria ter o controle, ele queria fazer conforme pensara, ele queria que aquilo depende-se do alcance do seu braço. Conforme o momento de decidir que caminho tomar chegava, esse anseio em seu coração cresceu, a ponto dele tentar retirar à força o Um Anel de Frodo. Esse é o ápice de sua ruína. Ele arrepende-se depois, e morre honrosamente, defendendo como pode, Merry e Pipin do ataque dos orcs.

Há situações em nossa vida que independem de nossos esforços. Situações onde existem outras variáveis em jogo, e por conta disso, independentemente do quanto possamos ser bons, corretos, genuínos e bem intencionados, as vezes os resultados não são o que esperamos.

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As pessoas que tem dificuldade para aceitar isso, tendem a ter medo de se envolver em tais situações, bem como, quando estão envolvidas, não agem naturalmente, mas sim de forma medida, no esforço sempre presente de tentar fazer com que tudo dê certo segundo seus intentos. Nesse caso, se as coisas não caminham como pensam, uma profunda frustração é gerada nelas pelo esforço empregado e os resultados não alcançados. Elas não confiam, e o tempo todo, fazem o que podem para “controlar” a situação, de forma a se convencer de que se está fazendo tudo para se alcançar os resultados desejados.

As pessoas que mais facilmente entendem que em certas situações da vida outras variáveis estão em jogo, e que o sucesso ou não destes intentos não dependerá exclusivamente de suas próprias forças, tendem a não temer envolver-se em tais situações, e quando envolvidas, agem de forma natural, sem exercer controle, apenas preocupando-se em fazer sua parte, confiando que o resultado positivo ou não daquilo, não depende de si. Dessa forma, quando o resultado não é positivo, não se sentem frustradas, nem sentem que perderam tempo ou esforços. Elas confiam com maior facilidade, e fazem o que podem para contribuir para os resultados, como um membro importante, e não controlar as ações, como única força.

 Eu já fiz  muito isso, então por isso, eu entendo Boromir!

 

 

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4 comentários

  1. JOSE DO EGITO /

    esse Boromir e muito fraquinho… não curti sua participação na novela… deviam ter chamado aquele ator que tá arrasando na novela das 7… o caio CAstro!

  2. Sam Galdor /

    Parabéns pelo texto. Quando pensamos e refletimos com humildade, todos podemos entender Boromir, seus atos, medos e motivações.

  3. Fabia Benatti /

    Concordo com vc!!!! é plausivel sua reflexão e digo tbm que se colcada na msm situação q Boromir, acho q agiria assim tbm, é fácil falar o q é certo ou errado olhando de fora, mas qdo nos vemos em situação de perigo quase nunca pensamos, só agimos!

  4. Aristóteles De Oliveira Marque /

    Muito bom, nunca tinha pensado por esse ponto. E faz muito sentido.

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