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Contos do Bardo por Sandro França – Parte 12

Temos o prazer de anunciar a publicação de mais um texto de nosso amigo o escritor Pernambucano Sandro França (Anárion), contando suas belas histórias ambientadas na terra média. Você pode ler as partes anteriores na seção dos contos do Bardo AQUI.

 

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PARTE 12 – PEREDHIL

 

Quando a noite chegou naquele primeiro dia em Valfenda, Anárion encontrava-se na cama do quarto a ele disponibilizado. Deitado como estava, podia contemplar através da varanda do quarto as Montanhas Sombrias ao fundo, com seus altos picos de cumes brancos pela neve perene. A paisagem era cinzenta e fria, vagamente iluminada pela luz da lua e das estrelas. Tudo parecia carregado de significado, de história. Um mero entalhe na madeira de um arranjo já soava como algo poético e eterno. Em algum lugar o barulho de muitas águas jorrando embalou seus pensamentos que logo se transformaram em palavras ditas a si mesmo.

– Que lugar maravilhoso…! Não fosse a urgência em minha mente que aqui me trouxe, ficaria num lugar como este por muito tempo. Aqui poderia organizar minhas anotações e memórias de viagem, e já transpô-las para o papel. Aprenderia muito sobre as tradições, sobre as artes e ofícios dos eldar, talvez ouvir relatos históricos e conselhos do próprio Mestre Elrond.

Todas estas possibilidades eram por demais encantadores ao jovem Bardo. Amante das tradições como era, e também um apaixonado aprendiz, ter a possibilidade de adquirir tal conhecimento enquanto se desfrutava da estada em tão afável lugar, lhe era extremamente sedutor.

As águas que embalaram seus pensamentos, também fizeram o mesmo com o seu sono, e não muito depois de deitar-se, ele adormeceu. Teve uma noite tranquila, de sonhos calmos. Não acordou cedo, como de costume, porém não se levantou muito tarde. Poucos minutos após despertar, educadas batidas na porta denunciaram a presença de um dos elfos da casa. Ele havia trazido o desjejum para o Bardo, assim como também uma muda de roupa nova, ao estilo dos elfos. Após banhar-se, e fazer aquela leve, porém nutritiva refeição, Anárion passou um tempo observando à luz do dia a paisagem diante de sua varanda, até que o tempo avançou e ele resolveu sair ao salão principal da casa. Enquanto caminhava por este, contemplava com profunda admiração os tantos estandartes, quadros, gravuras e estátuas. Foi assim que Lindir o encontrou, e trocou com ele algumas palavras.

– Bom dia Anárion, filho de Galdor! Dormiu bem? – Lindir o saudou com uma reverência.

– Não poderia ter tido uma noite mais agradável senhor Lindir! – Prestou uma vênia em resposta.

– Fico feliz que a estada na casa do meu senhor Elrond esteja lhe sendo agradável. Trago a você uma mensagem: meu senhor Elrond pediu que lhe informasse que irá se reunir convosco hoje à tarde. Ele precisou sair com o nascer do sol para tratar de seus próprios assuntos, mas logo retornará. – Lindir sorriu.

– Agradeço pela mensagem. Até que o momento chegue, poderia caminhar um pouco ao sol? Belíssima é a casa do Mestre Elrond, e gostaria de conhecer seus arredores – Anárion retribuiu o sorriso.

– Sinta-se a vontade, caro Anárion. Precisará de alguma coisa para tal?

– Não, não precisarei. Papel e lápis é tudo que preciso, e já os tenho.

– Então que desfrute bem de sua manhã. Devo me ausentar agora para tratar de outros assuntos. Até mais, caro Anárion! – Lindir meneou a cabeça, e se afastou calmamente.

– Obrigado! – O jovem Bardo curvou a cabeça, e logo dirigiu-se para a entrada principal da casa.

lindir

Ao sair, tomou o lado esquerdo do terraço, e viu um pequeno regato que margeava a casa. Além dele, uma elevação no terreno ia até os pés de uma enorme formação rochosa. Anárion resolveu ir até lá. Assim, desceu a rampa diante da casa, e pegou o curto caminho de pedras postas para aquela direção. Uma pequena ponte passava sobre o regato, mas ele preferiu subir um pouco sua margem e atravessá-lo por dentro das águas. Geladas, eram agradáveis aos pés. Quando alcançou a margem oposta, subiu a colina. No topo, diante daquele paredão rochoso, duas árvores curtas estavam plantadas, e entre elas, havia um banco de pedra. Duas ou três pessoas poderiam sentar-se comodamente, dada a sua largura. Anárion sentou-se, e contemplou encantado o magnífico quadro que diante de seus olhos se formara. Alguns passos à frente do banco, a pequena colina terminava num barranco, e abaixo, cerca de três metros, corriam as águas recém caídas de uma enorme cachoeira. Enorme não por sua queda d’água ser alta, mas por ser larga. Era o braço principal do rio que cortava o vale de Imladris. Formava-se nas montanhas e desaguava no vale naquele ponto. As águas eram ligeiras, e seu rugido era forte. Na outra margem, viam-se outras árvores, e algumas construções élficas com suas muitas torres. O rio passava diante do ponto onde o Bardo estava sentado, e cerca de vinte metros à frente, voltava a despencar em outra cachoeira, esta, muito mais alta. Uma sequência de muitas outras quedas d´águas o ia alimentando e carregando, até que ele fugisse do vale e seguisse seu curso pela Mata dos Trolls.

Anárion ficou ali por hora e meia, até que sinos denunciaram a hora do almoço. Após a refeição, feita em um magnífico salão com vista para o vale, ele retornou ao mesmo local de outrora. Por algum tempo esteve escrevendo, parando vez ou outra para reviver algum pensamento, mas logo retornando à escrita. Então parou, e ficou por instantes contemplando a paisagem diante de seus olhos. Virou então a página, e começou a esboçar um desenho do que via. Seu coração alegrou-se ainda mais com essa empreitada, e ele devotou seu melhor conhecimento para o fazer, sendo cuidadoso nos detalhes, formatos e impressões. Não era um pintor profissional, mas pintou com rara paixão e dedicação, e isso, aliado à sua serenidade de espírito e o prazer nas artes, produziu a ele um resultado muito agradável.

– Até que ficou belo! – Sorriu o jovem Bardo, contemplando o trabalho de suas mãos. Um longo período de silêncio procedeu este momento, e durante todo esse tempo ele permaneceu com os olhos fixos nas águas que, alegres e ligeiras, seguiam o seu próprio curso de forma ininterrupta.

– Gostaria de ter uma harpa agora…! – Aqueles pensamentos soaram altos, produzidos em bom tom através dos lábios. O inesperado feio logo em seguida, em forma de resposta.

– Isso pode ser facilmente providenciado. – Anárion olhou para o lado, e viu que próximo a ele, também subindo a pequena colina, vinha um elfo. Seus cabelos eram negros como a profunda noite, soltos sobre os ombros e as costas. Em sua testa, trazia uma belíssima e altiva tiara. Era alto, e de constituição física imponente. Uma longa túnica cinza claro o vestia até os joelhos por sobre calças de um verde escuro. Usava um obi cinza, mas de uma tonalidade mais escura, circundando-o na altura do ventre. Seu rosto era austero, mesmo esboçando um cordial sorriso, mas o mistério que o envolvia é que saltava aos olhos. Não parecia um rosto velho, mas ao mesmo tempo, parecia eterno, como personagens saídos de histórias antigas e apresentados à olho nu. Carregava em seu semblante o passar de muitos anos, e o peso da sabedoria, mas isso não o envelhecia, embora fosse notório não aparentar tanta juventude como os outros elfos com os quais o Bardo havia estado. Em certo ponto, ele lembrava o rei Thranduil, mas mesmo desprovido de uma coroa, apresentava uma majestade ainda maior. Seus modos eram sutis e precisos, seu caminhar era sereno e decidido, sua presença emanava sabedoria e paz. Anárion não havia sido apresentado, mas já não restavam mais dúvidas em seu coração. Ficou de pé, e depois curvou-se bastante em profunda reverência.

– Mestre Elrond! É motivo de alegria para mim conhecê-lo. Estou honrado.

– Bem-vindo a Valfenda, Anárion, filho de Galdor. Longos perigos você passou até chegar a meus domínios, embora tenha visto coisas realmente belas. Meu coração se alegra em finalmente poder estar convosco. – Elrond meneou a cabeça em resposta à vênia do cavaleiro. Olhou então ao redor, e respirou o puro ar daquele lugar, com a expressão dos que estão satisfeitos e felizes com o lar que possuem.

– Escolheu um belíssimo lugar para suas meditações e artes mestre Anárion. Lamento demovê-lo de tal, mas assuntos urgentes requerem nossa atenção. Venha, sente-se comigo. – Elrond ocupou um dos lados do banco de pedra, tendo o jovem Bardo sentado-se no outro. Seu semblante agora era firme como rochas antigas, mas seus olhos emanavam sabedoria.

– Quando fui informado de sua urgência em que viesse até aqui, não consegui imaginar que motivos seriam estes. Pensei muito sobre isso durante a viagem, mas apenas enquanto pude, pois acontecimentos nefastos acabaram por requerer minha exclusiva atenção física e mental. – Anárion estava sério e concentrado, mas também profundamente admirado com o senhor da Última Casa Amiga.

– Tenha certeza que gostaria que sua vinda aqui fosse por outros motivos, mestre Anárion, mas infelizmente, não o são. Sua peregrinação é conhecida pelos sábios. Em meus pensamentos, e através de informações chegadas a mim, soube de suas aventuras. Poucos dos valorosos guerreiros nascidos de seu povo travaram aventuras tão extraordinárias, enfrentando perigos tão escabrosos. Tudo isso serviu para mostrar o seu valor e para forjá-lo, pois o verdadeiro desafio do seu tempo está chegando diante de seus olhos. – Elrond o fitava seriamente. – Sua prodigiosa viagem está chegando ao fim, e seus caminhos agora devem levá-lo de volta para casa.

– Voltar para casa… – Aquele pensamento assombrou o jovem Bardo, uma vez que estava longe de seus intentos. Muitos destinos povoavam sua mente, mas nenhum deles era retornar para Gondor. – Não desejo fazer isso em meu coração – continuou – embora desconheça ainda seus motivos para tal conselho. Para mim é doloroso falar sobre certos assuntos, mas estar longe de minha terra é o que me tem sustentado esse tempo. – Anárion estava sereno.

– E para que tenhas um lugar para chamar de lar, deves retornar bravo Anárion, pois o inimigo bate à sua porta, e a guerra chegou a seus portões. – Elrond ficou de pé, e caminhou até a beira do barranco, de frente à queda d’água.

– Guerra? Que inimigos se levantaram contra o senhor de Belfalas, ou contra Gondor? – Anárion também ficou de pé, e seu semblante era grave. Tudo o que amava naquele lugar agora lhe passava na mente, e a menção do perigo, antes improvável sobre estas coisas, era algo aterrador.

– Corsários caro Anárion. Corsários de Umbar invadiram as praias de Belfalas, e levam a guerra até seus portões. As tropas de Dol Amroth estão ocupadas em auxílio de Minas Tirith, mantendo as defesas de Osgiliath, e dos Portos Pelargir contra possíveis ataques de orcs e sulistas. Se Belfalas cair, nada ficará entre eles e Minas Tirith. Se a capital for atacada pelo sul e pelo leste, Gondor não manterá suas posições por muito tempo. – Elrond voltou-se, ainda de pé, olhando o jovem Bardo.

– Esta é uma notícia terrível, porém ainda não vejo qual o meu papel nisso tudo. Meu irmão e meu pai estão em Belfalas, e são valorosos e poderosos comandantes. Com toda a certeza eles não cairão diante dos Corsários tão facilmente. Que notícias tens deles?

– Não tenho boas notícias. – Elrond falou suavemente, como para aplacar o impacto de tais informações. – Seu pai Galdor caiu na batalha contra os Corsários de Umbar na baia de Belfalas, e seu irmão foi ferido em terra, na tomada das praias. Ele ainda comanda as tropas, mas sua saúde está debilitada. Sinto muito por ser o portador de tais notícias. – Elrond meneou a cabeça em respeito, observando Anárion.

– Então meu pai se foi… – Uma profunda dor acometeu seu coração, pois ele amava o pai profundamente, apesar das diferenças que sempre permearam o relacionamento entre os dois. – Adriorn sempre foi destemido. Admira-me que tenha sido derrotado nas praias. – Anárion estava pensativo.

– Seu irmão é um brilhante guerreiro Anárion, mas ele jamais foi um líder. Seria o mais mortal dos combatentes nas linhas, mas não nasceu para comandar tropas e guiar homens em batalha. É por isso que seu retorno se faz urgente, pois é você quem possuiu tal poder e habilidades. – Elrond caminhou até o Bardo, repousando a mão em seu ombro e falando de forma grave.

– Deve retornar a Belfalas mestre Anárion, e liderar seu povo na luta contra os Corsários. Um mal ainda maior aproxima-se a cada dia de Gondor, como dos demais povos livres da Terra-Média. Elfos, anões, homens, todos estamos fadados a este embate. Se Gondor cair, dificilmente teremos alguma esperança de vitória, e já a esperança que temos é frágil e pequena. Esqueça sua vida errante, e retorne para tornar-se aquilo que nasceu para ser, que nasceu para fazer. Lidere seu povo e prevaleça contra os inimigos em seus portões. O tempo urge! – Elrond voltou a caminhar até o barranco, fitando as águas.

– Agora entendo a urgência da busca por mim, e vejo claramente que todos os meus passos me trouxeram até aqui. Cada dia, cada aventura, tudo foi parte de um único caminho de preparação, e agora, devo retornar para aquele que talvez seja o último ato de minha história. Partirei então de regresso e espero cavalgar nas asas do vento. Que eu chegue a tempo. – Anárion estava austero e vigoroso. Seu semblante emanava sua linhagem, de forma que já não se via mais o errante Bardo em roupas simples, mas sim, um poderoso príncipe voltando ao lar. – Sobre o conselheiro de meu pai, Lodegard, e sua filha, alguma notícia?

– Lodegard auxilia seu irmão da melhor forma que pode. Sobre sua filha, nada sei. – Elrond virou-se novamente de frente para Anárion. – Seus pensamentos e emoções agora devem se restringir a seu povo. Tomarei todas as medidas possíveis para organizar bem os preparativos de sua viagem. Com a aurora você deve partir, nascer com os primeiros raios do sol como é próprio dos Edains, e erguer-se em majestade e força, como os antigos Reis dos Mares, a sua linhagem mestre Anárion. Devo deixá-lo agora, pois a preparação mental para a jornada que se apresenta cabe somente a ti. Ademais, outros convidados aproximam-se de minha casa pelo que vejo, e logo eles vão requerer minha atenção. – Elrond havia se virado para o oeste, contemplando a estrada que saía do vale, subindo em zigue-zague a encosta do outro lado do rio. Anárion nada viu, mas com seus olhos de elfo, o senhor da Última Casa Amiga contemplava o improvável grupo que começava a descer a trilha secreta.

– Agradeço por tudo mestre Elrond. Com sua permissão, ficarei mais um pouco aqui, pois tenho muito sobre o que pensar, e não participarei do jantar com os demais convidados. O destino me alcançou de forma abrupta, e não me sinto em condições para salões. – Anárion meneou a cabeça em respeito, esperando que a sinceridade de suas palavras não fosse tomada como uma falta de cortesia.

– Imaginei que fosse falar isso mestre Anárion. Pedirei que lhe tragam uma refeição aqui mesmo. Com o nascer do sol voltarei a ter convosco. Até mais. – Assim se afastou, caminhando lentamente. Diferentemente de quando se aproximou, Anárion não o contemplou, pois agora o peso de muitos pensamentos estava sobre si mesmo.

– Meu pai está morto, meu irmão ferido, sobre Calithil, nada se sabe… saí em meus próprios caminhos na esperança de esquecer este mundo, mas agora sou arrastado a ele novamente. Devo correr e abraçá-lo, lutando com tudo o que tenho para mantê-lo, ou fugir, caindo em desgraça e jamais tendo paz em saber que tudo que foi arruinado poderia talvez ser evitado, se eu tivesse partido em auxílio. Não há o que pensar sobre isso. Eu preciso voltar para casa, ainda que para morrer lutando. – Fechou o punho direito, e a determinação estava gravada em seu semblante. Ele sabia tudo o que tinha a fazer, e estava decidido, mas ainda lutava em assimilar as informações, e isso era doloroso. Ele estava só, e contemplava as águas. Sentou-se novamente, e por algum tempo pranteou o seu pai, e pranteou a incerteza quando ao que acontecerá à Calithil. Ele ainda a amava, embora ela estivesse distante, quase inalcançável como a lua, mas ainda mostrando-se encantadora e bela. O amor por seu irmão inflamou o seu peito, e ele sabia que viajaria no dia seguinte o mais rápido possível em seu auxílio. A urgência diante dele arrancou de seu coração toda mágoa. Nada mais que havia se passado importava, mas apenas, voar para sua casa e expulsar de sua terra os ferozes inimigos.

As estrelas já sorriam nos céus quando um elfo se aproximou do local onde o Bardo estava, trazendo uma refeição simples em uma bandeja. Para sua surpresa e de certa forma alegria, era Ilidan, seu companheiro na viagem até Imladris.

– Saudações meu caro amigo. Poderia me juntar a ti neste lugar? – Ilidan sorriu rapidamente, pois já sabia em parte da missão reservada a Anárion.

– Caro Ilidan, que bom vê-lo. Conversar um pouco me acalmaria, pois grandes desafios estão diante de mim. – Anárion esboçou um sorriso, colocando a bandeja trazida pelo elfo sobre o banco de pedra. Nesse momento, mais abaixo, diante da rampa que dava acesso à entrada principal da casa de Elrond, ele viu algumas pessoas chegando. Ao que parecia, um grupo de anões, um homem alto com chapéu pontudo, e uma criança, ou homem muito pequenino. – Quem são aqueles?

Ilidan os observou durante um tempo, então respondeu. – Aquele de chapéu pontudo é o mago Gandalf, ou Mithrandir, como seu povo deve chamar. Nunca o vi pessoalmente, mas pela descrição que ouvi certa vez, deve ser ele. Os demais com certeza são anões, e isso é muito esquisito diante de meus olhos, pois ver tantos deles num lugar onde vivem elfos, é algo realmente raro. A casa do senhor Elrond reforçou a mim agora o título de Última Casa Amiga. Já aquele outro, desconheço seu nome, mas é um dos Pequeninos que vivem à oeste de Eriador. Hobbit é como eles se chamam, creio eu.

– Conheço o nome de Mithrandir, e já li muitas coisas sobre ele, embora nada muito preciso. Também vi algo sobre os Pequenos que viviam ao oeste de Fornost, mas jamais os havia visto, mesmo em gravuras. O que este seleto grupo estaria fazendo aqui? Que assuntos o trazem? – Anárion ficou admirado, e por alguns instantes, esqueceu seus próprios assuntos.

– Eu realmente não consigo imaginar meu caro amigo, e nem acho que devo me importar, pois dizem por ai para não nos metermos nos assuntos dos magos. Se há um com eles, então devemos nos manter imparciais. – Ilidan virou-se para Anárion, contemplando-o com atenção. – Agora me fale de você. Vejo os traços da aflição sem seu rosto austero. O que aconteceu, se for possível e não muito doloroso contar?

Assim Anárion conversou por algumas horas com Ilidan, e lhe contou sobre tudo o que soube através de Elrond. Falou da jornada que teria no dia seguinte, e de todos os perigos que o aguardavam além da estrada, e no final dela.

– Entendo seus motivos e anseios, e partilho a sua dor meu amigo. Tenho, porém, algo a lhe contar que talvez o anime. Você não viajará para o Gondor sozinho. Eu irei com você. – Ilidan sorriu de forma tímida, observando o jovem Bardo.

– Como assim? Sua companhia muito me alegraria, mas jamais sentirei em paz em saber que o tirei de seus próprios assuntos apenas para me acompanhar. Por que irias comigo para o sul?

– Meu senhor Elrond me incumbiu de uma missão: devo levar uma importante mensagem até os Portos de Edhellond. Se sua estrada puder ir pelo oeste das Montanhas Brancas, através das Colinas de Pinnath Gelin, passaremos próximo dos portos, e você poderá chegar à sua terra pelo norte, passando por Dol Amroth. O que me diz caro amigo? Poderíamos trilhar esse caminho e partilhar mais essa aventura? – Ilidan repousou a mão no ombro de Anárion, esboçando um sorriso confiante.

 – Você é muito bem-vindo meu amigo, e sinto-me mais feliz em saber que não viajarei sozinho. Meu débito para com o senhor Elrond e convosco são enormes. Espero um dia poder honrá-los. – Anárion meneou a cabeça em cumprimento.

– A honra é toda minha príncipe de Belfalas! Agora venha, temos coisas a arrumar para nossa viagem.

Assim eles se foram, e retornaram para a casa. Algum tempo depois recolheram-se aos aposentos reservados a cada um. Anárion dormiu bem, mesmo com o peso de tudo que havia sido lhe dito. Rivendell era mesmo um lugar de paz e descanso, e mesmo um coração pesado encontrava a tranquilidade necessária para uma noite de sono. Realmente maravilhosa era a casa de Elrond Peredhil!

 

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2 comentários

  1. Alessandra Brito Norberto /

    AAAAAA, quero mais poxa :(. Passei a tarde toda de domingo lendo e me colocando em dias com sua estória. Desculpe pela demora, meu amigo. Mas compromissos estudantis me chamavam antes. Poxa vida… Quero mais :(. E amei mesmo retornar a Terra Média 🙂

  2. Sandro França /

    kkkkkkkkkkkkkkkk, que bom que gostou meu irmão e amigo. Sim, teremos viagens e coisas interessantes. O fim está chegando! 🙂

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