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Contos do Bardo por Sandro França – Parte 11

Temos o prazer de anunciar a publicação de mais um texto de nosso amigo o escritor Pernambucano Sandro França (Anárion), contando suas belas histórias ambientadas na terra média. Você pode ver as partes anteriores clicando nos links:

Parte 01 -A Floresta das trevas

Parte 02 – Caminho pelo Rio

Parte 03 – Rio Abaixo

Parte 04 -Cativo

Parte 05 – Ainda há esperança

Parte 06 – Sonhos

Parte 07 -Baruk khazad! Khazad Ai-Mênu!

 Parte 08 – Para as colinas de Ferro

Parte 09 – Filhos de Mahal

Parte 10 – Montanhas nebulosas frias

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PARTE 11  – A ÚLTIMA CASA AMIGA

 

Eles correram. Como as corsas que sentem os passos rápidos e o hálito sanguinário dos felinos quando são caçadas, eles correram. Desesperados, lutavam por suas vidas. Apegavam-se à necessidade de sobreviver de tal forma, que nada, além dos inimigos em seu encalço, povoava suas mentes. Passadas em falso, rápidas quedas, tropeços, pedras chutadas em passos mal dados, trombadas em rochedos para que se pudesse fazer uma curva rápida,… nada os incomodava, obstruía, ou distraía. Suas mentes, seus corpos, cada centímetro de suas existências, estavam completa e irremediavelmente concentrados em escapar do voraz ataque de seus opressores. Goblins. Rasga-Gargantas como alguns se referiam. Figuras grotescas, semelhantes a demônios em estado físico, com grandes olhos amarelados ou esverdeados, com suas íris semelhantes a de gatos selvagens, enxergavam no escuro como poucos. Tinham braços longos e as costas curvadas, e apesar de terem a constituição física relativamente magra, eram vigorosos e firmes na força. Saíam de seus covis em perseguição a Anárion e seu grupo, como baratas que afloram rápidas quando movemos uma pedra dos esgotos. Não dava para calcular seu número. Talvez quarenta ou cinquenta, ou mais, estivessem agora lançando-se ensandecidos sobre os quatro. O Bardo estava certo: a noite realmente estava sendo selvagem.

– Rápido, precisamos conseguir alguma vantagem ou será nosso fim. Não temos como enfrentar essa horda! – Ilidan era o mais experiente entre os elfos e estava o tempo todo ao lado de Anárion. Confiava nas habilidades de combate do jovem príncipe de Belfalas, mas sabia que, em relação à disposição e empenho dos elfos, pouco havia a comparar, de tal forma que optou por ajudá-lo, em vez de seguirem com tudo o que tinham, e logo, estarem muito à frente do Bardo, entregando-o à sorte.

Thardon e Lestor entenderam a ação, e vez por outra, paravam nos flancos do caminho que trilhavam, e disparavam o máximo de flechas possíveis contra os inimigos. Muitos tombaram, pois os elfos eram mortais no uso dos arcos. Então retomavam a corrida, alcançando após algum tempo, Ilidan e Anárion novamente. No início essa atitude restou efetiva, já que os goblins paravam diante dos tiros, com medo de serem alvejados, procurando proteger-se atrás de alguma rocha ou lançando-se ao chão, o que sempre atrasava suas investidas. Mas com o aumento do efetivo destes, e a diminuição dos tiros, já que as flechas estavam acabando, os goblins já não paravam mais, pois mesmo que quatro ou cinco tombassem diante dos disparos dos elfos, oito ou dez outros continuavam correndo. A proximidade entre os perseguidores e os elfos, quando estes paravam para disparar, estava cada vez menor, o que comprometeu afinal o plano, de forma que agora, os quatro apenas corriam, lutando por suas vidas.

A fuga já durava cerca de uma hora, o que contaria como um dos maiores feitos daqueles quatro. Foi então que atingiram uma ladeira ingrime e longa. Haviam dois paredões rochosos de ambos os lados. A descida estava completamente coberta por neve. Os elfos avançaram por este caminho, rápidos como o forte vento do norte, e mesmo correndo, mal deixavam marcas sobre aquele imenso e belo pano branco. Anárion fez o inusitado. Ao atingir a borda da ladeira, correu um pouco mais e saltou agilmente ladeira abaixo. Ao atingir a neve, seu corpo deslizou e com grande velocidade ele chegou ao final da ladeira, até mesmo na frente dos elfos. Estes se olharam rapidamente, e um deles, sorriu de leve.

Diante deles o terreno se abria. Haviam atingido as partes mais altas das montanhas, e as rochas diminuíram para dar lugar a vastidões de neve. Avistaram algumas árvores, mas também puderam perceber olhos brilhantes na distante escuridão. Provavelmente eram linces. As nuvens deram uma trégua, e por algum tempo, puderam contemplar à luz da lua o caminho diante de si. Um grande lago estava congelado. Abria-se como um grande espelho antigo, de um azul escuro poderoso e velho. Arriscaram atravessá-lo em sua extensão, em vez de contorná-lo. Isso lhes daria uma folga maior em relação aos seus perseguidores que agora já encontravam-se relativamente distantes. Lograram êxito.

– Ouvi dizer que os goblins detestam a neve. Sua brancura e pureza os incomoda, como um estado de nobreza que eles jamais serão dignos de contemplar. Não devem parar de nos perseguir mas o contorno dessa região lhes tomará muito tempo, e torçamos para que outros não nos esteja esperando atocaiados à frente. – Anárion olhou para trás rapidamente, e viu que já não podia sequer ver seus inimigos. A caçada parecia ter dado uma trégua.

– Precisamos aproveitar a luz da lua e escolher nossa trilha. Não falta muito agora para alcançarmos as descidas do outro lado, e após, o vale de Imladris, mas se escolhermos errado o nosso caminho, vamos demorar demais, o que poderá ser a nossa ruína se os goblins nos alcançarem. – Ilidan estava severo, olhando também para trás e depois para a frente, ponderando as escolhas e o tempo que isso tomaria. Nenhum dos elfos aparentava sinais de cansaço, embora parecerem a Anárion estarem um pouco mais corados do que antes.

Correram por mais uma hora, até que começaram a enxergar adiante, como sombras antigas e enormes, novos contrafortes rochosos da montanha a lhes estreitar o caminho. Alguns minutos após terem esta visão, as nuvens voltaram a cobrir os céus, a lua escondeu-se deles e a sombra da montanha os tomou novamente. Pelo que Anárion pode enxergar, o caminho descia à frente numa trilha estreita, entre os paredões rochosos. Parecia a única passagem, a não ser que fizessem grandes contornos para o norte ou para o sul, e mesmo assim, com passagem improvável. Cerca de quinhentos metros antes da trilha, havia uma grande rocha, destacada das demais em meio à neve, próxima de uma pequena e última árvore. Assemelhava-se a pedras de túmulos em seu formato, como uma prancha de topo arredondado, mas ao aproximarem-se, viram que era estreita demais para tal. Puderam ver também que algumas runas estava gravadas na rocha, na sua parte mais alta.

– Encontramos então. Aquela é sem dúvida a trilha da Passagem Leste que nos leva ao vale de Imladris, mas uma sombra e um temor crescem em meu coração em relação a descermos cegamente por ali. Apesar do poder dos elfos, tenho a impressão que nos aproximamos de alguma maldade ou malícia. – Ilidan tentou enxergar o máximo possível na escuridão, como quem procura o mal que se anuncia.

– Você é um dos mais experientes de nosso povo, e se seu coração  lhe diz isso, devemos confiar. Anárion, Thardon e eu o seguiremos. O que devemos fazer? – Lestor observava o amigo com apreensão, impulsionado pela urgência do fim daquela jornada e ao mesmo tempo barrado pelo receio do porvir.

– Anárion e eu subiremos o lado esquerdo da passagem, enquanto você e Thardon subirão o direito. Acredito que se uma armadilha estiver posta, nossos inimigos esperam que passemos diretos pela trilha. Que eu não esteja enganado quanto a isso. E que esteja enganado quanto à inimigos à frente. Mas se não pudermos mesmo nos abster disso, que sejam então os goblins. Há outras coisas mais antigas e profundas do que eles nestes lugares do mundo contra as quais nós, com nossas armas e habilidades, não somos nada além de espirais de fumaça. Os paredões margeiam a trilha por cerca de duzentos metros, até que caem em altura e quase se nivelam a ela. Nesse ponto devemos voltar a nos encontrar. Daí para a entrada leste do vale teremos pouco a percorrer, e já estaremos sob a proteção do poder do senhor da Última Casa Amiga a Leste do Mar. Agora vamos. Por Elbereth, sejam atentos, precisos e rápidos. – Ilidan tocou o ombro de Anárion, e ambos partiram, como também os outros dois elfos.

Assim os quatro se lançaram para a reta final daquela jornada noturna pela montanha. Se seriam vencidos ou sairiam triunfantes, logo saberiam. Suaves como sombras eles se moveram e logo atingiram a base dos paredões. O mais rapidamente possível e de forma silenciosa, Ilidan e Anárion começaram a escalar a rocha. A sombra da montanha, que tanto os atrapalhara antes, agora os beneficiava. Se estivessem certos em sua forma de agir pegariam os inimigos de surpresa.

Quando atingiram a parte mais alta, avançaram lentamente por cerca de vinte metros, até que puderam discernir vultos e vozes, que mesmo baixas, eram grotescas e medonhas. Eram goblins. Ilidan conseguiu divagar cerca de seis ou sete deles, armados com arcos e flechas. Estavam aguardando os caçados, afim de exterminá-los quando passassem pela trilha, presos entre o martelo e a bigorna. O elfo tocou o braço de Anárion e fez um sinal com o dedo a frente dos lábios para silêncio absoluto. Estava aguardando o momento para atacar, quando gritos e urros foram ouvidos mais ao norte, no que parecia ser a outra extremidade do paredão. A escuridão não permitia ver o que acontecia, mas o fato é que Lestor e Thardon haviam escalado mais rapidamente o rochedo daquele lado, e da mesma forma, encontrados os goblins, embora em número menor. Assim, lançaram-se contra eles num feroz e preciso ataque, e logo haviam derrotado os cinco inimigos presentes.

Essa agitação traiu a concentração dos goblins do lado sul, e Anárion e Ilidan não perderam a oportunidade, pois igualmente rápidos, vorazes e precisos, eles se lançaram contra os inimigos. Um, dois, três inimigos tombaram pela espada de Ilidan, e ele prosseguia. Anárion abateu um deles, depois um outro, mas um terceiro correu e se lançou contra ele, e ambos caíram numa espécia de vala um pouco à esquerda. Ao atingirem o chão rochoso, o Bardo caiu sobre o braço, e a espada fugiu de sua mão, afastando-se um pouco. Ao olhar o inimigo, viu que o mesmo havia se recomposto mais rapidamente, e preparava-se para pular sobre ele com uma faca curva em punho, semelhante a uma cimitarra, quando um rugido rápido foi ouvido e no mesmo instante um grande e forte lince pulou sobre o goblin. O felino estraçalhando sua garganta, abatendo-o. A fera olhou em seguida para Anárion, que não se moveu. Ficaram ligados pelo olhar por alguns segundos, até que o animal emitiu um rugido baixo e grave, e se foi, correndo para as sombras mais abaixo.

– Nunca vi um lince tão ao oeste. Você teve sorte amigo, ou algum poder maior está em operação neste instante. Tomemos isto como um bom presságio! – Ilidan sorriu, estendendo a mão para Anárion, ajudando-o a levantar-se. Lestor estava presente também, e lhe entregou sua espada, que havia recuperado. Thardon mais acima, falou ao grupo: – Venham, esta é a nossa chance de terminarmos de uma vez essa jornada escura. As fronteiras orientais de Imladris estão próximas. Devemos seguir. Chega de aventuras por hoje! – O elfo sorriu. Logo os quatro lançaram-se na derradeira carreira.

Avançaram por aquele caminho por mais algum tempo, sempre descendo, até que avistaram uma formação rochosa muito alta bloqueando o caminho. Aos menos era isso que parecia da forma como puderam enxergar. Resolveram se aproximar. Quando chegaram na base da rocha, viram que havia um estreito caminho por dentro das pedras à esquerda, e se aventuraram por ali. Após alguns metros, aquela estreita trilha abriu-se em uma larga passagem que descia vertiginosamente em direção a outra formação rochosa. Quando atingiram a parte mais baixa, contornaram a enorme pedra pela esquerda, e quando terminaram, tiveram com as primeiras horas da manhã uma visão estonteante. Sentiram-se como se estivessem sendo transportados para dentro de uma era distante nos dias antigos, quando o mundo era jovem, mas o mal já caminhava sob muitas formas nas Terras-de-Cá. O ar parecia estar carregado de música, e eles caminhavam como quem sonha. Os quatro haviam finalmente alcançado o vale de Imladris e contemplavam encantados sua paradisíaca beleza.

Alcançaram um muro alto, com um grande portal no centro. O portão de Imlad Gelin, como chamavam os elfos. Nos dois cantos do muro, onde estes se encontravam com as paredes rochosas, haviam torres. Uma de cada lado. Num certo ponto de cada uma, janelas curtas denunciavam a presença de sentinelas espreitando as passagens. Sob o portal, dois elfos portando lanças e vestidos em armaduras simples aguardavam a chegada dos quatro. – Bem-vindos a Valfenda. Fomos informados de que chegariam. Devem dirigir-se à Praça de Encontros onde Lindir os encontrará. – Virando-se e apontando, o sentinela mostrou que ramificação da estrada deveriam tomar para alcançarem o lugar informado, e por lá os quatro seguiram. Caminhavam lentamente pois tudo era belíssimo de se ver. Mesmo para os três elfos a visão de tudo era por demais especial. Já haviam estado em Valfenda outras tantas vezes, mas sempre sentiam o coração ser arrebatado pela magia que pairava sobre aquele lugar a cada vez que lá chegavam, como quem ascende de dias cinzentos e sem flores, para praias cálidas nas margens de bosques eternos.

Desceram um pouco mais e tomaram o rumo indicado. A estrada dividia-se após o portal em muitos caminhos que serpenteavam em várias direções através dos bosques. Era feita de vários blocos de pedra cortados em diversas formas e cuidadosamente assentados. Variavam em tom, entre amarelado, avermelhado, marrom ou cinzentos. As próprias sombras que as árvores lançavam sobre eles e a posição do sol em relação ao dia, influíam de alguma forma nos tons que aparentavam. Haviam muitas folhas, secas e belas, espalhadas em diversos pontos, o que dava uma conotação antiga a tudo, mas nada parecia velho, apenas eterno. O caminho que tomaram era cercado por pequenas colinas de gramados verdes. Contemplá-las era um convite a deitar-se ali e se deixar envolver por tudo. Conforme adentraram o vale, encontraram outros elfos. Todos sorriam ao encontro com os quatro, mas nenhum deles lhes dirigiu a palavra ou deixou de continuar com seus próprios afazeres. O som de água caindo era constante. Mesmo de onde estavam, podiam divisar por entre as árvores dos bosques rochas enormes, e geralmente por entre estas, alegres e tagarelas cachoeiras correndo viçosas em direção ao braço sul do rio Bruinen, que nascia nas montanhas e cortava o vale.

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– Um lugar de descanso e paz, sem dúvida…! – Ilidan pensou alto, chamando a atenção dos outros três para suas palavras. Anárion estava profundamente admirado por tudo e sentiu que nada do que havia visto até então em suas viagens poderia se comparar ao encanto que aquele lugar e suas peculiaridades provocavam nele. Era como se tivesse vontade de ficar lá para sempre, ou por longos anos. Explorar cada canto, deitar e entoar canções em cada colina, ouvir as melodias de cada queda d’água, pousar confortavelmente em uma cama macia, e observar pela varanda as crianças de Varda, aquela que os elfos chamam Elbereth, brincarem iluminadas no azul-escuro céu da noite, enquanto o sono vinha. O benfazejo ar dos lugares onde os Eldalië viviam os havia tomado. Em algum lugar distante ouviram o trabalho de ferreiros, e mais à direita alguns elfos pareciam trabalhar na fabricação de roupas, arcos e flechas. Atravessaram uma pequena ponte, e ouviram o relinchar de cavalos. Com certeza havia um estábulo ali próximo. Mais adiante encontraram em um terraço no topo de uma baixa colina duas elfas ensinando crianças a tocar harpa. O jovem Bardo ficou maravilhado ao contemplar a elegância com que elas dedilhavam o instrumento. Quando voltou a olhar o caminho pelo qual seguiam, viu que a estrada se abria num largo, e que ao centro havia uma espécie de caramanchão composto por quatro colunas adornadas ao estilo dos elfos, com a cobertura em cúpula. Tanto na coluna como na cúpula saltava aos olhos o fabuloso entalhe de galhos e folhas em pedra, como se realmente a vegetação estivesse incrustada no lugar. Ficava elevado a cerca de um metro do caminho e o acesso só era possível por um dos quatro lances de escadas que o cercava. No meio de seu terraço, sobre um pilar curto de pedra, com muitas runas entalhadas, havia uma larga bandeja de metal, na qual uma poderosa chama estava acessa. Dia e noite ela assim ficava, e jamais se apagou, até que o senhor daquela casa adentrou em um barco, e rumou para as Terras Imortais… mas isto é uma outra história. À frente de um dos lances de escada estava um elfo alto, de cabelos negros e vestimentas nobres. As mãos, antes postas uma sobre a outra diante do abdômen, agora se abriam num gesto de boas-vindas, acompanhada por um sorriso agradável. Em sua testa, usava um diadema prateado.

– Bem-vindos a Valfenda, Anárion filho de Galdor; e Ilidan, Thardon e Lestor, Elfos da Floresta Verde, nossos amigos. Eu sou Lindir, e fui incumbido pelo meu senhor Elrond de os receber. Os conduzirei até a casa do meu senhor para que descansem e recuperem suas forças, pois os traços da dura jornada que tiveram e do cansaço das milhas estão gravados em seus semblantes. Por favor, acompanhem-me.

Ilidan sorriu, e cumprimentou Lindir efusivamente. Eram amigos de outros tempos. Thardan e Lestor seguiram mais atrás, conversando em sua própria língua, enquanto Anárion apenas contemplava tudo e continuava a se admirar, totalmente absorto dos motivos que teriam levado Elrond a procurá-lo e requerer sua presença em Valfenda de forma tão urgente. Caminhar em Imladris era como navegar em sonhos e apenas desejar continuar assim. Tomaram uma estrada ainda mais pavimentada. Traços finos de desenhos élficos ladeavam todo o caminho. Passaram por uma ponte entre o topo de duas colinas baixas. Dos dois lados da mesma, abóbodas com flores e plantas enfeitavam tudo. Haviam lamparinas no centro sob a cobertura, postas a uma igual distância uma das outras, até a saída na parte mais alta. Quando deixaram a ponte, uma grandiosa e nobre casa destacava-se diante deles sobre elevações rochosas e ladeada à direita por um ligeiro córrego de águas cristalinas. Havia uma espaçosa rampa, mais larga em sua base do que em seu topo, que dava acesso a um amplo terraço que parecia circundar a casa. A porta principal, enorme e em formato circunflexo na parte alta. Era adornada por vários temas, e conforme se aproximaram, abriu-se diante do grupo, não se sabe por que força. Ao adentrarem a casa, depararam-se com um enorme salão. Do lado direito e esquerdo, mais ao fundo, viam-se rampas que davam acesso a pavilhões superiores. Olhando-se para cima e ao redor, podia-se ver mais dois andares, denunciados pelas varandas onde muitos elfos observaram o centro do salão.

Mas a imagem que capitou o olhar e a atenção completa do jovem Bardo estava mais ao fundo do salão e no centro. Havia uma fonte em formato de meio círculo. Em sua parte mais central, um meio círculo menor elevava-se acima do nível das águas, e sobre ele estavam muitas plantas e flores. Essas espécies florais encontravam-se aos pés de uma enorme estátua que em seu topo chegava quase a alcançar o piso do primeiro andar em altura. Seu rosto era claro, sereno e sábio. Em sua testa havia uma fina corrente presa aos cabelos. Estes caiam lisos e brancos em duas porções, uma de cada lado de seu rosto, até quase seu ventre. Sua túnica era azul-escuro com abas prateadas da altura dos ombros até os pés. De sua cabeça caia um manto cinza claro, que parecia lhe ocultar os braços. Ele derramava-se sobre suas costas e ombros até os pés. De cada lado da estátua haviam três lamparinas, onde um fogo azulado queimava. Por trás da estátua e bem rente a esta, uma enorme parede erguia-se até o teto, trazendo entalhes élficos semelhantes a galhos retorcidos e folhas, de um lado e de outro, e no final e ao centro, uma grande estrela de prata. Era uma escultura de Elbereth. Semelhante a esta, apenas em menor tamanho, haviam tantas outras em outros lugares de Imladris. Era Varda, a quem os elfos mais amavam, pois foram suas estrelas quem primeiro capitou o olhar do Belo Povo quando eles despertaram há muito tempo atrás.

Quando os quatro pararam no centro do salão principal, canções começaram a ser ouvidas vindas do alto. Os elfos os estavam saudando. Lindir sorriu, voltando a abrir os braços e lhes falou. – Bem-vindos à casa de Elrond nobres amigos, a Última Casa Amiga a Leste do Mar! – Prestou uma profunda reverência.

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