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Contos do Bardo por Sandro França – Parte 14

Temos o prazer de anunciar a publicação de mais um texto de nosso amigo o escritor Pernambucano Sandro França (Anárion), contando suas belas histórias ambientadas na terra média. Você pode ler as partes anteriores na seção dos contos do Bardo AQUI.

 

14 – HYARMENDACIL

 

Quando Anárion e Ilidan seguiram viagem na manhã do dia seguinte, Elmmeth já havia saído. Seu escudeiro apenas avisou que ele partira em uma missão urgente. Assim, os dois viajantes seguiram seu caminho através de Rohan, logo se distanciando novamente das passagens do Isen, rumando mais para o sudoeste. Logo estariam nos braços mais ocidentais das Ered Nimrais, as Montanhas Brancas, que já assomavam muito além no horizonte, como eternos gigantes acinzentados contra o azul do céu naquela manhã fria de ventos fortes.

Como era agradável cavalgar em Rohan. Entendiam agora um pouco mais do prazer que os homens daquela terra sentiam ao montar seus corcéis e cavalgarem sobre a grama alta. Quando o final daquele dia de jornada chegou, Ilidan e Anárion estavam próximos do rio Adorn. Olhando para o oeste, o Bardo viu o sol que já descia longe, tendo diante dos olhos campos a perder de vista. No horizonte, não dava para se saber onde começava o céu, e terminava a terra. Montaram acampamento numa parte mais baixa do terreno, e haviam terminado uma leve refeição quando sentiram o solo tremer. No início era leve, e apenas a palma das mãos sobre o solo sentia as vibrações. Ilidan se curvou sobre o chão, colocando o ouvido no solo.

– São cavalos, com cavaleiros eu presumo. Não sei quantos, mas acredito que mais de uma centena deles. – Ilidan subiu numa parte mais alta do terreno enquanto falava, e ficou olhando para o norte. Era uma bela noite de luar, e as estrelas também davam o seu toque aos céus. Com seus olhos de elfo, logo ele enxergou o grupo que se aproximava. Eram cavaleiros de Rohan, com armaduras, lanças e escudos. Traziam consigo, presas à cintura, espadas ou machados. Haviam alguns poucos com arcos, não portando escudos ou lanças, mas igualmente aos demais, carregam espadas ou machados consigo.

– O que significa isso? – Anárion olhou para Ilidan, tentando capitar algo que respondesse sua pergunta. Não se sentia em perigo naquelas terras, mas a aproximação de um grupamento era algo incomum. Mesmo uma patrulha não teria tantos homens. Eles estavam mais próximos, e antes de chegarem onde os dois estavam, o elfo sorriu, pois reconheceu que vinha à frente do grupo Elmmeth, e em seus olhos havia a felicidade daqueles que buscam e encontram.

– Acho que os ventos sopram a seu favor jovem Bardo! – Fitou Anárion, enquanto este também subia àquela parte alta do terreno, observando o grupo aproximando-se na noite.

– Elmmeth? Não esperava mais vê-lo por muito tempo. O que significa isso? – Anárion estava de pé, diante dos cavaleiros agora parados a cerca de cinquenta metros dele. Elmmeth avançou.

– Saudações Anárion, filho de Galdor. Estou feliz por tê-lo encontrado não muito longe. Vim para honrar um velho desejo: de cruzar armas ao seu lado um dia. Cavalguei com a alvorada e com o vento até onde estava meu senhor, o Marechal Éomund. Contei a ele sobre sua necessidade. Ele já conhecia tudo que havia nos acontecido em Rhûn, e se apiedou. Quis lhe pedir apenas minha liberação para seguir você, mas ele fez mais. Aqui estão duzentos cavaleiros de sua própria guarnição, que escolheram vir sob o pedido de seu senhor, como homens livres, e marcharem conosco para Gondor, e a batalha. Viemos para lutar ao seu lado, meu amigo. – Elmmeth havia descido do cavalo enquanto falava, repousando uma das mãos no ombro de Anárion.

O jovem Bardo ficou boquiaberto, pois era totalmente impensável a ele esse tipo de ajuda àquela altura. – Estou sem palavras meu nobre amigo. Sua pronta ajuda nesse momento sombrio me acalenta um pouco mais o coração e trás esperança. Agradeço a ti, e aos bravos cavaleiros aqui presentes. Que um dia eu possa honrá-los da maneira que merecem pela escolha em lutar a batalha de outros, assim como honrar o seu senhor, o Marechal Éomud. Contigo Elmmeth, minha dívida é impagável!

– Ora, você fez muito por mim em nossos apuros em Rhûn meu amigo. Estamos felizes em poder ajudar. Vou tratar com os soldados agora, e quando o sol nascer, partiremos sob seu comando. Será uma honra! – Prestou uma reverência, prontamente respondida por Anárion, e retirou-se, indo organizar o acampamento dos cavaleiros. Quando o sol começou a se insinuar com sua luz longe no leste, aquele seleto grupo já havia atravessado o rio, e rumava ligeiro em direção às passagens nas montanhas.

Com a rapidez dos ventos que vem do mar, eles foram vencendo o percurso. Após mais um dia de cavalgada, chegaram aos contrafortes meridionais das Montanhas Brancas, e puderam avistar os belos e amplos vales que se estendiam até as Pinnath Gelin. Local extremamente pitoresco, agradável de se estar, mas o caminho deles era outro. Após passarem o rio Lefnui, rumaram para o sudoeste, em direção ao antigo porto dos elfos. Cavalgaram por mais dois dias, entre vales antigos, vilas pacatas, e algumas colinas suaves. A impressão é que o tempo todo eles desciam, vendo atrás de si as Ered Nimrais cada vez mais afastadas, altas e imponentes. Ao final do terceiro dia de jornada desde as montanhas finalmente chegaram a Edhellond. Decidiram passar a noite lá, e rumar para o sul com o nascer do sol. Passaram pelo pórtico principal e acamparam nos antigos jardins de entrada. Apenas Illidan desceu até as ruínas e esteve reunido por muito tempo com alguns elfos que ainda viviam ali. A julgar por suas armas e vestes, eram sentinelas guardando os portos contra possíveis invasores, afinal, há muito tempo os elfos não usavam aqueles portos, mas eles não estavam destruídos. Os cavaleiros de Rohan se acomodaram em seus próprios acampamentos. Anárion sentou-se perto de uma fogueira que ele mesmo havia preparado, e por muito tempo esteve só e perdido em pensamentos, enquanto fumava. Após algumas horas, primeiro Illidan, e depois Elmmeth, vieram lhe fazer companhia.

– Sua jornada chegou ao fim Illidan, e a minha ainda seguirá por muitas milhas até meu destino. Estou feliz e honrado pelo prazer de sua companhia até aqui, e por tudo que pude aprender. – Anárion estava muito sereno e austero, à imagem de antigos reis de pedra envelhecidos.

– Suas palavras são gentis meu caro amigo, e por cada uma delas sou imensamente grato, e de cada uma delas não me esquecerei jamais. A noite está agradável, e as estrelas vieram nos brindar. Deixemos as coisas de amanhã para amanhã, pois com a alvorada, muitos ventos podem mudar. – Illidan meneou a cabeça, depois deitou-se e ficou contemplando os céus, observando a lua e as estrelas. Elmmeth nada falou, apenas enrolou-se mais sob sua manta afim de evitar o frio, e manteve os olhos fixos nas chamas, como que rememorando passagens antigas de seu próprio povo. Anárion era a pura expressão dos dias antigos. Quem o visse de longe, tremeluzindo atrás das tímidas chamas, o teria por um vulto do passado, terrível e belo, trazendo em sua face os traços de uma antiga e honrada linhagem. Durante o restante da noite, nenhum dos três voltou a dizer palavra alguma.

Morwen

Nas primeiras horas do dia seguinte, o jovem Bardo já havia desperto. Seguiu para um recanto mais afastado dos jardins, bem ao sudoeste. Ficou durante muito tempo sozinho, tendo os olhos fechados e a cabeça caída sobre o peito, como quem entoa alguma prece. Quando ergueu os olhos, viu uma velha escadaria que dava acesso a uma torre de guarda ao que parecia. Subiu lentamente os degraus, e quando descobriu que a torre estava fazia, foi até ela. A janela menor era voltada para a entrada, mas na parte de trás, uma maior, dava para os portos. Há muito tempo os elfos não usavam aqueles portos, mas a beleza deles era inconteste. Mesmo o tom de eterno que eles agora tinham, pelas pinturas há muito não renovadas, a vegetação que adentrou o lugar em alguns pontos, o musgo e o líquen sobre as construções de pedra, não era capaz de menoscabar o belo trabalho que ali fora feito muito tempo atrás, quando o mundo era mais jovem. Anárion ficou observando a beleza do lugar, até que seus olhos, seu coração, e todos os seus sentidos foram seduzidos. O Grande Mar estendia-se para além do horizonte e com o espetáculo de sua beleza ninguém podia rivalizar. O sol, agora um pouco mais alto, lançava seus raios luminosos sobre as águas, dourando-as à semelhança de um gigantesco campo de grama em ouro, pelos quais se cavalgava para terras além, terras de paz e sossego, terras imortais. Em seu peito sentiu muito forte o desejo pelo mar. Como braços fraternos que acolhem aquele que há muito estava ausente. A brisa ergueu-se das águas, e o abraçou. Seu toque suave no rosto, era como sentir o vigor voltando ao corpo cansado das eras.

– Esta é minha terra. E assim será por incontáveis anos. Aqui existirá nossa casa, por séculos e séculos! – Suspirou profundamente aquele puro e mágico ar, rememorou todos os dias que o levaram embora, e os que o trouxeram, e mais resoluto que nunca, desceu as escadarias para encontrar os demais, e assim seguir para Belfalas e à batalha.

Quando retornou à entrada dos portos, todos estavam prontos e aguardando sua chegada para partirem. O desjejum havia sido servido rápido e preciso, e os acampamentos desfeitos. Anárion caminhou entre os cavaleiros, sereno, e via nos olhos deles o desejo por ajudar, o fulgor dos que erguem-se em dias nefastos como bravos guerreiros contra a maldade que impregna o coração de muitos homens. Cumprimentou Elmmeth, e só então percebeu que Ilidan também estava entre eles, com o seu cavalo preparado.

– Partirás de volta hoje nobre amigo? – Perguntou Anárion.

– Minha missão aqui terminou jovem Bardo, e sou livre para trilhar minhas sendas, ainda que me submeta a meus senhores. Meu caminho seguirá com o seu, à Gondor e à batalha. – Respondeu o elfo, gentilmente.

– Por muitos perigos passamos juntos Ilidan, e meu coração se alegra demais com a possibilidade de tê-lo brandindo armas ao nosso lado, mas a conta que está em Belfalas não lhe pertence, e não posso pedir mais nada a alguém com quem já tenho um débito impagável.

– Por muitos perigos realmente passamos, e vamos passar um pouco mais. Sou livre para fazer minhas escolhas meu amigo, e agora escolho estar entre estes valentes e ao seu lado, e nos lançarmos contra o inimigo que espreita sua terra. Na vida somos definidos por nossas escolhas, por nossos atos. Não teria paz se o deixasse agora, ainda que eu esteja cavalgando para encontrar o fim de meus dias. Não temo a morte. – Ilidan desceu do cavalo, e estendeu a mão em aliança para Anárion.

– Ilidan dos Eldalië, jamais esquecerei o teu coração. Juro que em minha casa, se conseguirmos sobreviver ao inverno que se assoma vindo de Umbar, jamais deixarão de ecoar os nomes de cada um de vocês, bravos guerreiros, especialmente os de Illidan, o Destemido, e de Elmmeth, o Fiel. – Apertou a mão de Ilidan com força. Elmmeth sacou sua espada, e com o punho fechado, bateu no peito, erguendo-a em seguida e bradando: – EORLINGAS! – Ao que responderam uníssonos todos os outros Rohirrim.

– É com honra que cavalgarei e lutarei ao seu lado mais uma vez Anárion, Príncipe de Belfalas. – Ilidan sorriu, apertando firme a mão do amigo em resposta, trazendo um suave sorriso no rosto.

– Vamos agora! – Anárion subiu em seu cavalo e iniciou a cavalgada, sendo seguido por Ilidan, Elmmeth e os demais cavaleiros. Um estrondo percorreu os arredores naquela manhã, como murmúrio profundo de uma terra aviltada, que se ergue em fúria contra seus depredadores.

Seguiram para o sudeste, até distanciarem-se novamente do litoral, então a estrada virou para o sul, e assim seguiram por todo aquele dia. Quase não encontraram pessoas, apenas uns poucos fazendeiros que habitavam as colinas, e crianças que corriam o mais rápido possível para verem a cavalgada daqueles valentes desconhecidos. Apenas as flâmulas de Rohan, carregadas por alguns dos cavaleiros, era do conhecimento de quem os viam passar. Fizeram uma rápida refeição por volta do meio-dia, e logo estavam novamente vencendo o caminho, milha após milha, neste quarto dia de viagem desde as Ered Nimrais. Cavalgaram por mais duas horas após o almoço, quando encontraram um caminho que seguia para o oeste saindo da estrada na qual vinham. Era a estrada para o principado de Dol Amroth, nas bordas do Grande Mar. A partir dali, estavam no território de Belfalas, e todo o cuidado deveriam tomar, pois não se sabia por quais partes o inimigo havia invadido as terras, nem em que pé estava a dita invasão. Mas nada demais encontraram na jornada, nem mesmo batedores de Gondor, o que deixou Anárion ainda mais ansioso, imaginando que todo o corpo militar da província havia sido deslocado para a defesa da cidadela. Por seu conselho, cavalgaram até durante boa parte da noite, como forma de tentarem chegar nas primeiras horas da manhã na batalha. Apenas quando faltavam cerca de três horas para a meia-noite, pararam e montaram acampamento, pela última vez antes do embate.

Antes do sol surgir no leste, eles já estavam prontos e cavalgando para o sul. Os semblantes estavam sérios, pois todos percebiam que o grande momento se aproximava. O vento parecia trazer rumores de guerra até eles, como um pedido de socorro para aqueles que sofriam diante da opressão do inimigo. Pois os Corsários haviam invadido a praia de Belfalas, e após dominar o litoral, haviam rumado em direção à cidadela. Cerca de doze navios haviam despejado inimigos nas praias, e agora eles tentavam invadir a fortaleza. Não era a especialidade deles, mas cercavam o forte da melhor forma possível. Muitos dos soldados da província haviam caído na tentativa de defesa, e apenas o corpo principal e o restante deles estavam agora entre cerca de oitocentos piratas inimigos, e a queda da província. Mensageiros foram enviados a Minas Tirith, mas até agora, nenhum reforço havia chegado. Das muralhas, soldados disparavam flechas e pedras, na tentativa de impedir o trabalho dos corsários com aríetes, tentando derrubar os portões da cidadela. Mas não havia um capitão liderando-os. Adriorn, poderoso guerreiro de Belfalas, havia tombado na tomada do litoral pelos corsários. Ao seu redor, dezenas de inimigos haviam caído, mas finalmente, exausto e ferido, fora vitimado com um potente golpe de machado. Seu corpo agora jazia esquecido próximo ao mar, tendo as ondas a lhe banhar a cada balanço do vento. Quando Adriorn caiu, caiu também a moral das tropas, e lentamente foram cedendo espaço, e o inimigo finalmente dominou as praias. Recuaram para a cidadela afim de defender-se o melhor possível. Naquela hora mensageiros foram enviados em busca de reforços. Galdor em pessoa, mesmo contra o conselho dos seus, liderou o recuo das tropas. Bravamente lutou, e por sua habilidade, imaginava-se a força que deveria ter tido em seus dias juvenis, mas no exato momento em que os portões se fechavam, guardando temporariamente o povo de Belfalas da investida dos corsários, uma flecha negra, de pluma alta, rompeu poderosamente a armadura do senhor, gravando-se entre seu ombro esquerdo e o peito. Galdor caiu de seu cavalo, e com a queda, ficou desacordado. Os portões foram fechados, e os soldados passaram a defender-se como podiam, mas não havia mais um líder entre eles.

Durante a noite haviam parado o ataque, e apenas mantiveram o cerco, mas com as primeiras horas da manhã, estavam na iminência de avançar novamente. Foi nesse exato momento que o trovão dos cavaleiros chegou. Anárion e os seus companheiros subiram a colina do mar, que ficava à esquerda do castelo para quem o via de frente, e avistaram os campos diante da cidadela sob ataque negro. O jovem Bardo dominou seu cavalo e olhou atônito para aquela paisagem de horror que abria-se diante de seus olhos. Seu coração inflamou em chamas e ele tomou a dianteira, descendo a colina. Logo os cavaleiros se dispuseram em colunas, sob as ordens de Elmmeth, à maneira de luta dos Rohirrim, e sob os brados de seu povo, avançaram como uma onda sobre os corsários pegos de surpresa. Não esperavam um ataque de fora dos portões, e muito menos vindo do lado oeste. Não havia cavalaria entre os piratas, e com exceção de algumas lanças jogadas e flechas disparadas, seus ataques foram inúteis contra o avanço dos cavaleiros, que romperam o cerco, matando dezenas de inimigos já na primeira investida. Ilidan disparava flechas, e só no último momento antes do contato com as tropas dos corsários, ele sacou suas duas espadas curtas, e fez muito estrago entre os inimigos. Anárion brandia sua espada com fulgor, e potentes golpes desferia contra os corsários, ignorando o zunido de flechas negras ainda disparadas pelos poucos arqueiros que eles possuíam. Quando virou o cavalo para uma nova investida, pegou a lança de um soldado da província que havia tombado, e nela estava a flâmula de Belfalas. Investiu com ela sobre os inimigos, arremessando-a depois contra um arqueiro que o tentava acertar. Não sabia ele que havia acertado justamente o corsário que havia ferido seu pai.

Diante do ataque dos cavaleiros, as tropas dos corsários primeiro se assustaram, mas depois decidiram contra-atacar, e o restante dos soldados que estavam mais próximos dos navios começou a vir em direção à cidadela. Contra esta, arremeteram o restante dos inimigos que estavam no cerco, pensando em romper de uma vez os portões, e sair do alcance dos cavaleiros, mortais na batalha em campo aberto. Vendo isso, Elmmeth ordenou e os cavaleiros de Rohan separaram-se em dois grupos de aproximadamente cem cada. Então cada um tomou um lado, e cruzando-se no centro, variam de um lado para o outro, em ataques montados, os inimigos que avançavam do litoral. Anárion observou os que se lançaram contra os portões, e partiu para lá, afim de evitar a queda. Ilidan, sempre ao seu lado, o seguiu. Então aconteceu um dos mais épicos embates de todos os tempos, e por gerações além da vida dos que viram a cena, o fato era contado e cantado, parte agora da memória viva de Gondor e da província. Pois desceram Anárion e Ilidan de seus cavalos, e prostrados diante dos portões, lutaram bravamente na defesa do mesmo. Um a um os inimigos amontoavam-se diante dos dois. Habilidosos e ágeis, precisos e mortais, eles golpeavam com espadas os corsários que ousavam enfrentá-los. Quando arqueiros aproximavam-se para tentar acertá-los, os soldados da cidadela, de cima dos muros, os abatiam, pois agora vibravam diante da bravura do elfo e do homem desconhecido, oculto sob capuz e capa. Quando a primeira leva de inimigos tombou, Anárion ergueu sua espada e bradou.

– LUTEM FILHOS DE GONDOR! LUTEM POR TUDO QUE AMAM! CUMPRAM SEU JURAMENTO AO SENHOR E À TERRA! – E os portões se abriram e os soldados remanescentes saíram para juntar-se ao Bardo e ao elfo, e repeliram onda após onda, os ataques dos corsários. Quando o último inimigo tombou diante dos portões, foi Anárion quem primeiro subiu em seu corcel para ir ao auxílio de Elmmeth e os demais cavaleiros. Ilidan montou seu cavalo, e juntos partiram em auxílio aos demais cavaleiros, que lutavam bravamente contra a poderosa força que os corsários ainda detinham no litoral. Os soldados os seguiram como uma infantaria. Lá a luta foi mais dura, pois o corpo principal das tropas dos corsários ali tinha se estabelecido. Mesmo o avassalador ataque dos cavaleiros era comprometido, pois dos navios, catapultas eram acionadas, e seus projéteis atingiram e vitimaram muitos cavalos e cavaleiros, de forma que cerca de oitenta deles apenas lutavam quando Anárion, Ilidan, e os soldados da província chegaram em auxílio.

O sucesso daquela investida era improvável. Não havia nada que infantaria e cavalaria pudessem fazer compra a pesada artilharia que vinha dos navios. Mas pelo amor à terra, pela vontade de prevalecer contra os opressores, pelo senso maior de justiça que os impelia a não se curvarem diante dos inimigos, eles prevaleceram, e após algumas horas de combate, dois dos navios corsários foram tomados, e incendiados, sendo direcionados e arremetidos contra os outros. Do incêndio, apenas sete navios escaparam, fugindo com a pouca tripulação que lhes restou, em direção a Umbar. A batalha havia sido ganha. O último corsário em terra tombou diante da espada de Anárion. Quando os soldados da província viram a cena, lembraram de Adriorn, que havia tombado, e então caíram as escamas de seus olhos, e lembraram-se do jovem irmão do capitão, há muito desaparecido da cidadela, que agora retornava no momento de maior necessidade. Ergueram suas espadas e bradaram uníssonos “ANÁRION HYARMENDACIL! ANÁRION HYARMENDACIL!” Na antiga língua dos elfos, Hyarmendacil significava Vencedor do Sul. O jovem Bardo jogou para trás seu capuz, e revelou claramente seu rosto, erguendo a espada em saudação a todos os bravos que ao seu lado lutaram e venceram. O príncipe havia retornado. O príncipe havia prevalecido!

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