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Sarehole Mill – O moinho que inspirou Tolkien.

A placa azul de Sarehole Mill.

A placa azul de Sarehole Mill.

Por Sérgio Ramos*.

J. R. R. Tolkien, o autor do Séc. XX, se considerava um homem do campo. Embora sua imaginação tenha viajado para longínquas terras élficas de poderosos reis, heróis, sangrentas batalhas e grandes dragões, seu coração residia no homem campestre, em paisagens bucólicas e na paz do interior. Tal fato se deve, em grande parte, à infância feliz vivida em um pedacinho de terra chamado Sarehole Mill, nos arredores de Birmingham. Segundo o próprio autor:

“Sou de fato um Hobbit (em tudo, exceto no tamanho). Gosto de jardins, de árvores e de terras aráveis não-mecanizadas; fumo um cachimbo e gosto de uma boa comida simples (não-refrigerada)… Gosto de, e ainda ouso vestir nestes dias sem brilho, coletes ornamentais. Gosto muito de cogumelos (tirados de um campo); possuo um senso de humor muito simples (que até mesmo meus críticos apreciativos acham cansativo); durmo tarde e acordo tarde (quando possível). Não viajo muito.” (J. R. R. Tolkien, Carta para Deborah Webster, 25 de outubro de 1958)

Tolkien relatou em uma entrevista, em 1966, o que significava para ele ter morado ao lado do moinho de Sarehole:

“Era uma espécie de paraíso perdido. Havia um velho moinho que realmente moía milho com dois moleiros, um grande lago com cisnes, uma caixa de areia, um maravilhoso vale com flores, algumas antiquadas casas de aldeia e, mais longe, um riacho com um outro moinho.”

Sarehole Mill.

Sarehole Mill.

É possível ver uma certa influência desse lugar no livro “Ferreiro de Bosque Grande” (Smith of Wootton Major, que será lançado no Brasil em 2015 – confira a notícia AQUI). Mas, é no Condado e seus moradores hobbits, em especial na Vila dos Hobbits, onde se pode ver com clareza o quanto Sarehole Mill marcou Tolkien. No Prefácio de O Senhor dos Anéis, Tolkien deixou bem claro:

“Os hobbits são um povo discreto mas muito antigo, mais numeroso outrora do que é hoje em dia. Amam a paz e a tranquilidade e uma boa terra lavrada: uma região campestre bem organizada e bem cultivada era seu refúgio favorito. Hoje, como no passado, não conseguem entender ou gostar de máquinas mais complicadas que um fole de forja, um moinho de água ou um tear manual, embora sejam habilidosos com ferramentas.” (J. R. R. Tolkien – O Senhor dos Anéis, Prefácio)

Em 06 de maio de 1968, Tolkien escreveu para Nicholas Thomas:

“Quanto a conhecer o Moinho de Sarehole, ele dominou minha infância. Morei em um pequeno chalé quase que imediatamente ao lado dele, e o velho moleiro da minha época e seu filho eram personagens de assombro e terror para uma criança pequena.”

Foi justamente em Sarehole Mill que Tolkien iniciou os estudos em latim e começou a ler livros sobre dragões, até que ele foi aprovado no teste para entrar na King Edward´s School em 1.900 e a família precisou se mudar.

Vindo bem pequeno da árida e seca Bloemfontein e chegando à bela região cultivada e produtiva perto de Birmingham, Tolkien revelou ainda na entrevista de 1966:

“Eu fui trazido de volta para minha charneca nativa com uma memória de algo diferente – quente, seca e estéril – o que intensificou o meu amor pelo meu próprio campo. Eu poderia desenhar um mapa de cada centímetro dele. Eu amei-o com uma intensidade de amor que era uma espécie de nostalgia invertida. Era uma espécie de dupla vinda para o lar, o efeito em mim de todos estes prados. 

O Moinho da Vila dos Hobbits (por J. R. R. Tolkien).

O Moinho da Vila dos Hobbits (por J. R. R. Tolkien).

Fui criado numa considerável pobreza, mas eu estava feliz correndo naquele interior. Tirei a ideia dos hobbits do povo da aldeia e das crianças. Eles sim me desprezavam porque minha mãe gostava de me manter bonito. Eu andava com cabelos longos e um traje Little Lord Fauntleroy.

Os hobbits são apenas o que eu gostaria de ter sido, mas nunca fui – um povo inteiramente desmilitarizado que só seria capaz de atingi-lo a curta distância com um arranhão.

Por trás de todo este material hobbit reside uma sensação de insegurança. Eu sempre soube que ela iria embora – e realmente foi.”

Sarehole Mill é, assim, um lugar de extrema importância para entender o homem por trás de O Hobbit e O Senhor dos Anéis. A melhor parte é que o local, que hoje faz parte do Birmingham Museums, voltou a ser aberto para visitação. Imagine você tirar umas férias e visitar um dos locais mais hobbitescos de todos, aquele que deu origem ao lar de Bilbo, Frodo, Sam e outros amáveis hobbits!

Museu em Sarehole Mill.

Museu em Sarehole Mill.

O Sarehole Mill está aberto para visitação de 28 de março até 01 de novembro deste ano. Ele funciona normalmente para visitação em dias úteis do período letivo às quartas e sextas com passeios agendados apenas (para marcar uma visita, o telefone é 0121 348 8263, de segunda a sexta das 09:00 hrs às 17:00 hrs).

O moinho está localizado a 08 Km ao sul do centro de Birmingham em Cole Bank Road, Hall Green, B13 0BD (para ver no Google Maps, busque pelo código postal B13 0BD). Você também pode pegar o ônibus número 5 do centro ou o circular 11A/11C. Se escolher o trem, a estação mais próxima é a Hall Green Station, que fica a 1o minutos de caminhada.

Para quem está de férias ou passando uma temporada no Reino Unido, que tal dar um pulinho em Sarehole Mill e conhecer um pedacinho do Condado? É uma oportunidade única de ir Lá E De Volta Outra Vez!

AQUI há um breve relato de uma viagem a Sarehole Mill. Confira!

Para mais informações sobre o famoso moinho, veja AQUI.

*Sérgio Ramos é membro da Tolkien Society e administrador do Tolkien Brasil. Servidor público, esportista e entusiasta de histórias de heróis.

*Sérgio Ramos é membro da Tolkien Society e administrador do Tolkien Brasil. Servidor público, artista marcial e entusiasta de histórias de heróis.

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