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O Próximo filme sobre Tolkien por John D. Rateliff

 

John_D._Rateliff

O especialista em Tolkien, John D. Rateliff, apresenta suas opiniões sobre as próximas adaptações para o cinema de obras escritas por Tolkien.

John D. Rateliff é um escritor e editor que ficou conhecido quando publicou o livro The history of the hobbit em 2007. Ele recebeu o seu Ph.D da Marquette University com uma dissertação sobre Lord Dunsany. Além disso atuou em obras como Tolkien Portraiture e The Lord of the Rings Roleplaying Game – Core Book. È entusiasta das obras de Tolkien há mais de cinquenta anos e teve acesso direto a documentos escritos por Tolkien para a produção do mencionado livro sobre o Hobbit.

O artigo abaixo é uma tradução de seu texto publicado originalmente em 11 de janeiro de 2013, em sua página pessoal: http://sacnoths.blogspot.com.br/ e foi expressamente autorizado para publicação no site Tolkien Brasil.

Agradecemos ao Dr. John D. Rateliff por disponibilizar o texto para tradução e publicação.

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O Próximo filme Tolkien (The Next Tolkien film)

 

Ao ser entrevistado em Smithsonian algumas semanas atrás, uma das perguntas que  me  fizeram foi qual a próxima obra de Tolkien que eu gostaria mais de ver sendo filmada, tendo em vista que O SENHOR DOS ANÉIS já foi feito e O HOBBBIT está  em produção. A resposta típica, muitas vezes expressada em fóruns on-line, é o SILMARILLION – ou melhor, uma série de filmes, cada um adaptando um dos “grandes contos” (como Tolkien chamou: Beren e Lúthien, Eärendil e Gondolin e a história de Turin) . É uma abordagem que tem alguma base em observações próprias de Tolkien, onde ele fala no final de sua vida que talvez poderia publicar O SILMARILLON como uma série de obras mais curtas e não tudo de uma vez em uma única obra.

Minha escolha, que eu acho que os surpreendeu, foi Farmer Giles de Ham, que eu acho que uma das obras mais subestimadas de Tolkien:  Acho que seria um filme monumental  em um curta animado.

Refletindo mais eu cheguei a conclusão que na verdade,eu  profundamente não estou tão interessado em ver as adaptações de O SILMARILLON, e que o projeto está repleta de dificuldades, muito mais do que imaginam a maioria dos fãs que apóiam essa ideia.

Considere: Há muito tempo se observou que os filmes de Peter Jackson baseados em Tolkien  tornam-se muito bons quando ficam mais fiéis a obra de Tolkien, incluindo no diálogo. Isso ocorre porque Tolkien é um grande escritor, e é difícil adicionar algo em uma  história de um grande escritor e ter suas adições no mesmo nível que a grandeza do escritor.

Ao adicionar uma subtrama na obra de Austen “Orgulho e Preconceito”, você corre o risco de toda a palavra que está sendo posta ser colocada em comparação com o melhor de Austen e, muito provavelmente, ser insuficiênte. E então temos relativamente poucos diálogos nestes contos de O SILMARILLON, o que significa que quase todo o diálogo dos filmes terá que ser criado. Os roteiristas terão de providenciar isso e  devem buscar ao menos um pouco do nível do que Tolkien já tinha escrito.

E se tem alguma coisa que eu aprendi nesses cinquenta anos de fan-fiction e décadas de falsas e genéricas trilogias baseadas em Tolkien, é que Tolkien pode ser imitado, mas essas imitações caem facilmente, com uma frequência espetacularmente rápida. O que torna Tolkien “TOLKIEN” é a impossibilidade de imitação.

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E tudo isso são argumentos para talvez o desafio mais sério: O SENHOR DOS ANÉIS e O HOBBIT irão relativamente “cair por terra” na medida em que os contos do legendarium prosseguirem. Os ‘Grandes Contos” de O SILMARILLON são grandiosos e remotos, cheio de superlativos. Os filmes de Jackson mostram seu pior lado quando têm de retratar, de forma visual, momentos transcendentes (como a bela e terrível Galadriel: “Todos devem me amar  e se desesperar”). Foram coisas assim que levaram Tolkien a acreditar que uma fantasia séria não poderia ser  adaptada para o teatro.

Observe a mais conhecida de todas as histórias de O Silmarillion, a de Beren e Lúthien (ou Lúthien e Beren, como pode melhor ser chamado). Primeiro, o cineasta tem que escalar uma atriz para interpretar a mulher mais linda que já existiu. Helena de tróia poderia ter feito esse papel, mas é uma tarefa complicada para um cineasta (pense em Buttercup no filme ‘The Princess Bride’, no Brasil filme conhecido como ‘A Princesa Prometida’). O filme teria que incluir uma quantidade enorme de backstory (algo que tanto Tolkien quanto Jackson são extremamente bons em colocar) para que este conto em particular faça qualquer tipo de sentido no contexto da longa “Guerra das Jóias”. E os roteiristas deveriam ter o direito de pilhagem sobre todos os escritos de Tolkien que tratam da Terra-Média,  já que muitos dos detalhes que poderiam ser usados não estão presentes em O SILMARILLON, mas se encontram no inacabado The Lays of Beleriand (terceiro volume da série de 12 livros the history of middle earth).

Além disso, o cineasta terá que fazer o que sem dúvida serão decisões controversas:  Beren e Lúthien consumaram o seu amor antes de sair em sua aventura? Ao ler, cabe ao leitor decidir quão castos os dois estavam em todos os seus encontros secretos na floresta depois que “empenharam sua fidelidade”, mas o filme também terá que escolher como retratá-los: como amantes ao estilo romântico (cavalaria ) ou no sentido moderno (físico).

E tudo isso é porque eu acho que, mesmo com as restrições legais à parte (a Tolkien Estate não vai licenciar qualquer  tipo de material sobre Tolkien por um longo, longo tempo), filmar as histórias de O SILMARILLON apresenta tantas dificuldades que ainda não poderia  ser visto em um futuro previsível. E isso não é necessariamente uma coisa ruim.

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O que eu acho que vamos ver como filme em seguida não é uma adaptação de uma história de Tolkien, mas um retrato biográfico sobre o próprio Tolkien, como o C.S.Lewis no filme SHADOWLAND.  A recente novela de rádio britânica TOLKIEN IN LOVE (http://www.bbc.co.uk/programmes/b01l8qr2) fez a cobertura ao estilo documentario. É fácil ver como poderia ser reformulada em uma narrativa de ficção “baseada em uma história verdadeira ‘.

Nascido em uma terra exótica estrangeira, órfão, criado por padre, romance proibido, dias alegres em Oxford ofuscados pela guerra, o horror da frente ocidental, sobrevivendo a batalha mais mortífera da história, reencontro com o amor de sua vida, e o “final feliz”: THE BOOK OF LOST TALES  e o início da criação da Terra-média. Eu não me surpreenderia se o filme terminasse quando Tolkien escreveu aquela famosa frase: Num buraco no chão vivia um hobbit…

 

 

Fonte: http://sacnoths.blogspot.com.br/2013/01/the-next-tolkien-film.html

 

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4 comentários

  1. Wladimith Santos /

    acho que eles deveriam focar no “sauron”

  2. Leandro /

    Apesar de ser especialista em Tolkien, Rateliff parece ser extremamente leigo em cinema e na linguagem audiovisual, sem contar que aponta problemas a partir de uma visão purista e extremamente literária. Ele aponta questões que estão longe de ser problemas pra uma cineasta. Aff

    • Leadro, o Rateliff te respondeu no próprio blog dele veja: “As per Leandro’s comment after the main post, he’s certainly right that
      I’m not a film-maker and am approaching the question of making Tolkien
      films from the viewpoint of a purist and a Tolkien scholar: someone who
      knows Tolkien v. well and has paid close attention to those adaptations
      of his work that have already been made. A film-maker of genius can
      overcome the difficulties I foresee, but that doesn’t mean they’re not
      real. The worst will be generating dialogue: there’s precious little of
      it in the Silmarillion stories (far less than in H or LotR), and
      creating Tolkienesque dialogue that rings true to the story being told
      has proven the major sticking point in previous adaptations (with the
      nadir being the Rankin-Bass RETURN OF THE KING). So I stand by my
      concerns here, while I look forward to seeing how future film-makers (of
      genius, I hope) tackle and resolve the problems I foresee”.

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