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Artigo: Seu Gollum Pessoal, por Noble Smith

imagesNoble Smith, escritor, roteirista e produtor  é mais conhecido no Brasil por ser o autor do livro A Sabedoria do Condado, da editora novo conceito. @shirewisdom

Seu Gollum Pessoal

Na sua vida, existe alguém que te deixa louco? Que suga o ar de um aposento quando entra nele? Um vampiro psíquico que traz uma nuvem negra e carregada para seu mundo?

Este é o seu Gollum Pessoal (GP).

Nem sempre Gollum foi um desgraçado abominável. Houve um tempo em que ele era aquele tipo de pessoa Hobbit alegre e saltitante que tinha ao menos um amigo (quem ele acabou assassinando à margem de um rio, infelizmente) e que amava jogos de adivinhas. Gollum lembra, de modo inclusive carinhoso, ter tido uma avó! Alguém assim não poderia ser completamente mal, certo?

Mas o pobre Gollum foi corrompido pelo Anel e este desejo incontrolável acabou por esvaziar sua alma. Ele é uma casca do Hobbit que ele costumava ser. Ele é como um viciado em anfetaminas desejoso por mais uma dose; e ele vai fazer qualquer coisa para satisfazer esse terrível vácuo.

Gollum faz da vida de Sam e Frodo um inferno. Ele é manipulador, odioso e uma péssima companhia em uma viagem extremamente longa. (Você consegue se imaginar dirigindo através da América com Gollum no banco de trás? Você iria querer jogá-lo num milharal em algum lugar próximo ao meio do Kansas.)

Gollum é tão terrível que ele leva inclusive o meigo e “de bom coração” Sam à violência. E Frodo, que reconhece um espírito semelhante ao seu, envenenado pelo Anel da Perdição, sente-se ao mesmo tempo repelido e atraído por/para Gollum enquanto tenta em vão redimi-lo, chamando-o pelo seu antigo nome Hobbit “Smeagol”.

Seu Gollum Pessoal pode não ser tão horrível quando o Gollum de Tolkien. Seu GP pode ser um maçante colega de sala ou alguém com que você trabalha e que fica constantemente irritando seus nervos, ou mesmo um parente que fazer você se contrair sempre que você o vê. (Muitas pessoas me contaram que o GP delas era sua sogra!) Você provavelmente não terá que fazer uma jornada com tal pessoa até as entranhas das Fendas do Destino, mas algumas vezes pode parecer desta forma. Isso porque pessoas que são obcecadas com seus próprios problemas, como a maioria dos GPs parece ser, querem que todos os demais sintam sua dor.

Então como nós lidamos com alguém que nos faz sentir tão miseráveis? Nós não podemos amarrar uma corda élfica ao redor de seus pescoços, dar-lhes um puxão e chamá-los de “canalha” tal como Sam faz. Isto simplesmente nos rebaixaria ao nível deles (e também é ilegal na maioria dos estados). A simpatia e gentileza de Frodo são admiráveis, mas no fim Gollum acaba arrancando seu dedo com uma mordida. Você quer que o seu GP arranque seu dedo com uma mordida? Mesmo que metaforicamente? Eu, certamente, não.

Um ano antes de os eventos de O Senhor dos Anéis começarem (de acordo com os Contos Inacabados de Tolkien) Aragorn capturou Gollum e o conduziu por novecentas milhas até o lar do Rei Élfico na Floresta das Trevas. A jornada durou 50 dias, fazendo de Aragorn o não oficial vencedor do prêmio “Eu passei mais tempo com o antigo e desagradável Gollum”. Eu apenas posso imaginar como o Guardião estoico conseguiu lidar com seu GP: ele deve ter deixado de prestar atenção às vis lamentações de Gollum – ignorando-o completamente – e avanços a passos largos adiante, com um olhar fixo de determinação em seus duros olhos até chegar em seu destino e entregar Gollum aos Elfos. Então ele deve ter se virado e caminhado para longe sem dar a Gollum um segundo olhar.

Porém, é o conselho de Gandalf para Frodo que é o mais significativo quando lidando com seu GP. Meses antes de Frodo partir em sua missão para destruir o Anel, Gandalf conta ao Hobbit que a única forma de se relacionar com Gollum é tendo piedade dele. É a piedade de Frodo que o impede de matar Gollum quando ele teve a chance, e esta piedade é o que, no film, salva Frodo de seu próprio fracasso em destruir o Anel. Ele aprende sobre compaixão da forma mais difícil.

No fim não só realmente não temos nenhuma forma de controlar nossa relação com nosso GP. Nós podemos controlar, contudo, a forma como nos reagimos a eles: como pena e autocontrole. E se tais táticas não funcionarem, algumas vezes nós temos que simplesmente desistir e seguir por caminho separado.

A Sabedoria do Condado nos diz… “Tenha piedade daquele egocêntrico Gollum que existe em sua vida, pois são criaturas tristes; mas não permita que eles te arrastem para o caminho sombrio deles”.

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A tradução desse artigo foi expressamente autorizada pelo autor Noble Smith. O original, publicado em 24 de julho de 2012, pode ser encontrado aqui:Yout Own Personal Gollum

Traduzido por Franz Eduardo Brehme Arredondo

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  • Irena Barbosa Rocha

    Tenho um GP e convivo com ele diariamente. Mas não desisto e abrando meu coração.

  • Roberta

    “Houve um tempo em que ele era aquele tipo de pessoa Hobbit alegre e saltitante que tinha ao menos um amigo (quem ele acabou assassinando à margem de um rio, infelizmente)” kkkkkkkk