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Resenha de O Hobbit, a desolação de Smaug – Michael Martinez

michaelmartinez

Michael Martinez é um dos mais conhecidos Tolkienistas (escritor de Tolkien). Michael é autor de Visualizing Middle-earth, Parma Endorion: Essays on Middle-earth, 3rd Edition, and Understanding Middle-earth: Essays on J.R.R. Tolkien’s Middle-earth.Suas colunas são conhecidas por todo o mundo, pois já foram traduzidas para oportuguês, espanhol, grego, italiano, húngaro, finlandês, hebraico, e outros idiomas.

Foi um filme terrível. Desculpe pessoal. Mas nesse filme faltou um roteiro coerente. É uma porcaria. Falo por ter apunhalado todo o enredo, sem razão aparente. A história é difícil de seguir e eu não consegui entender a fonte do material muito bem, mesmo tendo lido um número considerável de notícias até o lançamento do filme. Eu amei O Hobbit, Uma Jornada Inesperada e eu pagaria um bom dinheiro para vê-lo no cinema de novo. Eu duvido que vá assistir “A Desolação de Smaug” no cinema de novo, a menos que uma força que mude minha vida e me obrigue a fazê-lo. Este é apenas um filme horrível que merece ser esquecido tão rapidamente quanto possível.

E essa é toda a negatividade que eu vou compartilhar com vocês. O restante deste artigo irá cobrir o que eu realmente apreciei sobre o filme.

O elenco estava excelente — Diga o que quiser sobre o homem, mas Peter Jackson tem um incrível bom gosto para escolha de atores. Acho que ele e sua equipe fizeram um trabalho fantástico ao escolher atores realmente bons para os personagens. É só uma pena que eles foram… mas estou divagando.

As paisagens e os cenários estavam em alto nível — Não era preciso dizer “Venha para a Nova Zelândia” antes de ver os filmes para sentir uma forte compulsão em pegar um avião e viajar para o outro lado do mundo. Tudo o que você tem que fazer é olhar a Nova Zelândia pelas lentes dessa poderosa cinematografia para se apaixonar novamente pela Terra-média de Peter Jackson.

O CGI foi excepcional, especialmente Smaug – As aranhas estavam excelentes. A Floresta das Trevas estava também excelente (um pouco curta para o meu gosto). Droga, até mesmo Sauron ficou ótimo. Na verdade, senti que Peter estava tentando responder a muitas das críticas sobre Sauron dos filmes O Senhor dos Anéis (o olho flamejante), mostrando que ele realmente é um metamorfo (e espero que não esteja dando spoiler do filme para aqueles de vocês que ainda não assistiram). Este Sauron corresponde a explicações de Tolkien de como ele seria – embora a história ainda é radicalmente diferente do que está nos livros.

Os Orcs e Wargs foram, na minha opinião, o mais excelente. Eu não poderia dizer onde a maquilagem terminou e o aprimoramento do computador começou. Não que eu me considero um adepto suficiente para detectar tais transições a ponto de fazer uma análise sobre isso, mas para um espectador, razoavelmente não sofisticado, de CGI, eu estava convencido o suficiente da realidade dessas criaturas para não ser incomodado por suas representações. Acho que as pessoas que odiaram os Wargs de “As Duas Torres” vão finalmente serem capazes de colocar o seu desgosto de lado e dizer que finalmente acertaram nas criações da Weta.

Fiquei contente em ver o trenó de Radagast, mesmo que apenas por um breve tempo. É uma pena que as pessoas não gostaram daquela pequena florescência no primeiro filme. Ver isso me deu um pouco de conforto nesse passeio selvagem de incoerência… mas eu discordo.

Vamos falar sobre Smaug. Wow. Eu nunca tinha visto em um filme um dragão tão incrível. Ele estabelece um novo padrão e não é apenas os artistas de CGI que merecem créditos por isso. Eu dou credito ao diretor e ao ator (Benedict Cumberbatch) por mostrar o dragão estilo Tolkien mais convincente que eu já vi – em toda minha vida – visto em um filme ou televisão. Não se pode elogiar o investimento em Smaug o bastante. Eu só gostaria que sua história fosse feita… mas eu discordo.

A Cidade do Lago parecia muito boa também. Não era o que eu imaginava, mas foi muito, muito melhor do que eu temia que pudesse ser. Eu gostei desta Cidade do Lago. É uma pena que não sobreviveria. É um pouco mais sombria e perigosa do que a Cidade do Lago que Tolkien descreve em O Hobbit, mas eu acho que está tudo bem.

E há uma cena “flashback” que se passa em Bree (credível o suficiente, na minha opinião), onde (eu acho) Peter Jackson é a primeira pessoa que você vê na cidade. Olhando para os prédios, vejo que atualizaram o seu projeto a partir de um massacre pseudo-Tudorian do conceito original de Tolkien para um conceito mais vila de pedra, e ainda, ela ainda se parece muito com a Bree de “A Sociedade do Anel”. A atualização foi bem feita. E, provavelmente, só que eu nunca se importou que eles não retratam Bree como uma vila de pedra no primeiro filme. Agora estou oficialmente amolecido nesse ponto. Obrigado, Peter e Companhia.

Vamos falar de Smaug um pouco mais. Eu digo, droga, é um ótimo filme de dragão. Você quer apenas ir para sua casa e usá-lo como um relógio de dragão ou algo assim. Infelizmente, acho que a sequência foi um pouco longo demais e seu terror foi prejudicado pela forma como a história foi passada. Oh, bem, o que está feito está feito e nada conserta melhor isso como o perdão – ou algo parecido. Eu vou aprender a perdoar o comprimento da sequência de Smaug no tempo, eu tenho certeza.

Tenho que apontar uma coisa (e isso pode ser verdade também na imagem “Conversa com Smaug” de JRR Tolkien): há muito mais ouro na Erebor de Peter Jackson do que já foi extraído e refinado na história real. Todo o ouro no mundo de hoje constitui uma pequena fração do tesouro de Smaug. Acho que foram a fundo nisso (mesmo que eu sei que não foi todo o ouro). Ainda assim, era um tesouro impressionante. Não posso culpar o dragão por querer tudo isso.

A direção estava boa — Há pontos que gostei e pontos que eu não gosto sobre a direção. É realmente necessário colocar a culpa? Eu não sei. No entanto, eu acho que os aspectos positivos incluíram a história controversa com Tauriel. Independentemente do que você pensa da própria história (e não pretendo me debruçar sobre isso aqui), acho que Peter fez exatamente o que precisava ser feito para orientar seus atores através do que me parece ser um personagem muito complicada de se configurar. Tauriel pode ou não pode parecer-lhe cumprir a sua ideia de uma elfa silvestre de Tolkien (serva… guerreira), mas ela é um bom filme de elfa guerreira serva enervante. Ela poderia facilmente ter seu próprio filme, o seu próprio programa de televisão.

Claro, Evangeline Lilly merece muito crédito por mostrar uma personagem que não é encontrada nos livros e que devem estar de acordo com imagens de Peter sobre a Terra-média, enquanto ainda evoca algo que se assemelha a uma elfa de Tolkien (apesar das orelhas pontudas patetas [Elfos de J.R.R.Tolkien NÃO tem orelhas pontudas]). Eu posso ver porque ela ganhou o papel. Ela é uma atriz poderosa e ela tem essa beleza quase intemporal que se espera de uma Elfa da Terra-média (embora eu gostaria de ver o que eles poderiam fazer com Eöl,Maeglin, e os filhos de Fëanor ).

Mas alguém tem que guiar estes atores em suas cenas. Eu dou crédito ao diretor por ensinar Evangeline Lilly como mostrar o que eu espero de uma elfa de Peter Jackson (e eu esperava algo melhor que alguns de seus atores Elfos foram capazes de fazer em filmes anteriores). Talvez gastar tempo na tela tanto com Orlando Bloom – que simboliza Elfohood em todo o mundo – Evangeline foi forçada a intensificar o seu jogo. Ela não foi de forma alguma ofuscada por Orli e eu acho que é exatamente o que o diretor estava tentando garantir – que Tauriel parecesse tão poderoso e interessante quanto Legolas.

Na verdade, já que sabemos que Legolas estará em “A Sociedade do Anel” é difícil para o público  sentir muito medo por causa dele. Então eles me fizeram perguntar o que iria acontecer com Tauriel – não por causa do enredo, mas por causa da execução do personagem e como ela se andava em sua parte do conto.

Vamos falar sobre Smaug mais um pouco. Como se dirige um dragão? Eu estou supondo que se dirige o ator e deixa que os artistas descobriam como retratar o dragão.Eu quase podia ver Benedict Cumberbatch deslizando através de uma sala verde, seguindo pistas de precisão e evocando exatamente as emoções certas que o diretor pediu. Quem dirigiu Smaug? Foi Peter Jackson ou Andy Serkis? Eu acho que eu não li os relatórios de espionagem suficientes. Mas apesar das minhas reservas sobre o roteiro, eu acho que Smaug  poderia marcar o filme por pelo menos um Oscar e um montão de outras formas igualmente desejáveis ​​de reconhecimento. Existe ainda uma categoria de prêmio de “Melhor CGI Direção de personagens”? Eu espero que sim. Coloque o meu voto não vinculativo por isso agora.

Análise Final — Duvido que minha opinião possa encontrar algum apoio entre os espectadores. Talvez consiga. Um cara se levantou e saiu no meio do filme. E, tanto quanto eu poderia dizer, todos naquela multidão eram fãs hard-core da Terra-média de Peter Jackson. Talvez ele teve uma chamada de emergência e teve que voltar a trabalhar. Eu não sei. Mas não houve aplausos, não muito riso, e talvez um pouco de silêncio demais atordoante a minha volta. É difícil avaliar o que o público está pensando quando eles saem de um cinema sem dizer uma palavra.

Eu espero que o próximo filme seja melhor. Não estou agonizando sobre o quanto é fiel ao livro. Eles deixaram os livros para trás antes mesmo de terem começado a escrever o roteiro.  Como já havia dito antes, há uma restrição legal sobre parte do material fonte, mas eles estão também tentando manter alguma continuidade com a Terra-média do “Senhor dos Anéis”, e assim foi, mas foi uma concha vazia da riqueza de Tolkien, profundamente historificada no imaginário do “nosso tempo passado”.

Todas as grandes coisas que eu posso dizer sobre esse filme não o torna um bom filme. É de fato um filme muito ruim. Quase uma completa porcaria. E, apesar da ótima atuação de tantas pessoas nisso, a única graça salvadora é o Smaug.

A propósito — o nome de Beorn, estou quase certo, deveria ser pronunciado como bern, não “bee-orn” (leia biiorn). Mas eu não sou um linguista.

Portanto, tome tudo isso pelo que vale a pena. Se você quiser discordar de mim nos comentários abaixo, fique à vontade, mas vou excluir qualquer maldade – todos os insultos, observações pessoais, etc. Você é livre para amar ou odiar o filme da forma que quiser, mas aqui em “Xenite.Org” (e tolkienbrasil.com) todos tem que se comportar bem.

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A tradução do texto foi  feita por Henrique Gurgel e foi autorizada pelo próprio autor Michael Martinez. Tendo como original o texto “Review of “the Hobbit: desolation of Smaug” publicado em 13 de dezembro de 2013  no seguinte site http://middle-earth.xenite.org/2013/12/13/review-of-the-hobbit-the-desolation-of-smaug/
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