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Quantos casamentos entre elfos e homens aconteceram na Terra-média? Por Michael Martinez

Michael Martinez é um dos mais conhecidos Tolkienistas (escritor de Tolkien). Michael é autor de Visualizing Middle-earth, Parma Endorion: Essays on Middle-earth, 3rd Edition, and Understanding Middle-earth: Essays on J.R.R. Tolkien’s Middle-earth.Suas colunas são conhecidas por todo o mundo, pois já foram traduzidas para o português, espanhol, grego, italiano, húngaro, finlandês, hebraico, e outros idiomas.

 

Tradução: Sérgio Ramos.

Pergunta: Quantos casamentos entre elfos e homens aconteceram na Terra-média?

Resposta: J. R. R. Tolkien escreveu no “Apêndice A: I Os Reis Númenorianos (i) Númenor” de O Senhor dos Anéis que “Houve três uniões entre os Eldar e os Edain: Lúthien e Beren, Idril e Tuor, Arwen e Aragorn. Através do último reunificaram-se ramos dos meio-elfos, separados havia muito tempo, e sua linhagem foi restaurada.” E, no entanto, muitos leitores não podem deixar de notar o intercâmbio entre Legolas e o Príncipe Imrahil quando eles se encontram pela primeira vez:

“Finalmente chegaram à presença do Príncipe Imrahil; Legolas, olhando para ele, fez uma grande reverência, pois viu que realmente ele tinha nas veias o sangue dos elfos.

– Salve, senhor! – disse ele. Já faz muito tempo que o povo de Nimrodel deixou as florestas de Lórien, e mesmo assim ainda se pode ver que nem todos partiram do porto de Amroth, navegando para o oeste.

– Assim conta a tradição de minha terra – disse o Príncipe -; mas há anos sem conta não se vê aqui alguém do belo povo. E fico maravilhado em deparar com um deles aqui agora, em meio à tristeza e a guerra. O que procura?”

Esta relação intrigou muitos leitores por anos, até que Christopher Tolkien publicou os Contos Inacabados de Númenor e da Terra-média, no qual ele compartilhou a seguinte nota:

“Na tradição de sua casa, Angelimar era o vigésimo na descendência direta de Galador, primeiro senhor de Dol Amroth (c. 2004-2129 Terceira Era). De acordo com as mesmas tradições, Galador era filho de Imrazôr, o Númenoriano, que morava em Belfalas, e da senhora élfica Mithrellas. Ela era uma das companheiras de Nimrodel, entre muitos dos elfos que fugiram para a costa por volta do ano de 1980 da Terceira Era, quando o mal se ergueu em Moria; e Nimrodel e suas donzelas desgarraram-se nas colinas cobertas de florestas, e se perderam. Nesse conto, porém, diz-se que Imrazôr acolheu Mithrellas, e a desposou. Mas, quando lhe dera um filho, Galador, e uma filha, Gilmith, Mithrellas fugiu de noite, e ele nunca mais a viu. No entanto, embora Mithrellas pertencesse à raça menor dos silvestres (e não aos altos-elfos ou aos cinzentos), sempre se afirmou que a casa e a família dos Senhores de Dol Amroth eram tão nobres no sangue quanto eram belos de rosto e mente.”

Arte de Jenny Dolfen

Arte de Jenny Dolfen

Sem divagar sobre o que constitui material “canônico” nas mitologias de J. R. R. Tolkien, esta nota parece ser a única explanação canônica acerca do intercâmbio oculto entre Legolas e Imrahil. Mas para aqueles que buscam evidências de casamentos élfico-humanos, há mais para ser encontrado. Por exemplo, em O Silmarillion, é dito que Dior, filho de Beren e Lúthien, casou-se com Nimloth, uma parente de Celeborn. Dior era chamado Meio-elfo e Herdeiro de Thingol. Seu status especial (nem totalmente elfo nem homem) suscitou muitos comentários. Em uma nota ligada a um breve ensaio sobre Númenor publicado em Contos Inacabados, Tolkien escreveu:

“Neste relato, apenas Elros recebeu uma longevidade peculiar, e aqui se diz que ele e seu irmão Elrond não eram diferentemente dotados do potencial físico da vida, mas que, visto que Elros escolheu ficar entre a espécie humana, ele reteve a principal característica dos Homens, em oposição aos Quendi: a ´busca alhures´, como os Eldar a chamavam, a ´exaustão´ ou o desejo de partir do mundo.”

Mas eram todas essas pessoas meio-élficas “nascidas mortais” ou “nascidas imortais”? Esta é a pergunta que continua aparecendo nessas discussões de elfos e homens. Por quê? Porque as pessoas querem classificar os meio-elfos como ou Elfo ou Homem por natureza. Infelizmente, Tolkien somente tratou desta questão uma vez, em uma versão inicial de “O Silmarillion”, a qual foi publicada em The Lost Road and Other Writings, Volume V do The History of Middle-earth:

“Então Manwë deu o veredicto e disse: ´A Earendel eu remito a proibição, e o perigo que ele tomou para si por amor às Duas Famílias não deve recair sobre ele; nem tampouco sobre Elwing, que entrou em perigo por amor a Earendel. Exceto por isto: eles não voltarão a caminhar entre Elfos ou Homens nas Terras de Fora. Agora, todos aqueles que têm o sangue de Homens mortais, em qualquer parte, grande ou pequena, são mortais, a menos que outro destino lhes seja garantido; mas nesta questão, o poder do destino é a mim confiado. Este é o meu julgamento: a Earendel e a Elwing e a seus filhos terão permissão cada um de escolher livremente sob que família serão julgados.”

Baseado neste texto, parece plausível supor que os filhos dos Elfos e Homens são nascidos naturalmente mortais. Como Dior e seus dois filhos foram mortos pelos Fëanorianos, eles não servem como exemplos úteis. Mas o conto de Imrazôr e Mithrellas parece demonstrar que Tolkien nunca mudou seu pensamento: os filhos da Elfa e do Homem mortal eram eles mesmos mortais, e ela os deixou na Terra-média. Então, podemos dizer que todos os casamentos entre meio-elfos e elfos foram casamentos entre Homens e Elfos.

Uma escolha especial foi empregada a Eärendil e Elwing e seus filhos, e eles escolheram ser Elfos. Elros escolheu ser um Homem e então se tornou o primeiro Rei de Númenor e ancestral de Aragorn (apesar de não ter sido pela mesma linhagem masculina). Elrond escolheu ser Elfo, mas a escolha também foi garantida a seus filhos. Arwen escolheu se tornar mortal e casou-se com Aragorn. Tolkien aponta em uma de suas cartas que Elladan e Elrohir adiaram a escolha por um tempo depois que Elrond deixa a Terra-média. Mas ele observa no Prólogo de O Senhor dos Anéis que eles permaneceram em Valfenda por muitos anos, onde Celeborn eventualmente se juntara a eles até que ele mesmo estivesse pronto para deixar a Terra-média.

Na sequência desta conclusão, aqui estão os casamentos entre Elfos e Homens documentados nas histórias da Terra-média de J. R. R. Tolkien:

* Lúthien (Elda/Sinda) e Beren (Adan/Beoriano)

* Idril (Elda/Noldo-Vanya) e Tuor (Adan/Marachiano-Beoriano)

* Nimloth (Elda/Sinda) e Dior (Perelda/Meio-elfo)

* Eärendil (Meio-elfo) e Elwing (Meio-elfa)

* Celebrían (Elda/Sinda-Noldo-Vanya) e Elrond (Perelda)

* Arwen (Perelda-Elda) e Aragorn (Dúnadan)

* Mithrellas (Elfo Silvestre) e Imrazôr (Dúnadan)

Artigo publicado originalmente 21 de Outubro de 2011 AQUI. A tradução e publicação foram autorizadas pelo autor do artigo Michael Martinez. Tradução de Sérgio Ramos.

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3 comentários

  1. Afonso Furtado /

    Curioso, só há casamentos documentados entre homens e elfas, mas nenhum entre um elfo e uma mortal. Será que os elfos não achavam as mulheres humanas atraentes?

    • Ruan Rodrigo /

      Acho que algumas causas podem ser dadas mas nenhuma conclusiva, restando apenas o acaso para justificar essa ausência, entretanto dentre elas destaco:
      – Os homens que desposaram elfas são de grande poder e grandes feitos, o que não era comum de acontecer com as mulheres desse universo (grandes feitos, não grande poder)
      – Os elfos têm características que, talvez, não sejam tão atraentes para mulheres humanas, tais como: menor estatura que os homens e traços menos robustos, principalmente quando olhamos para as linhagens mais nobres, ou seja, se uma mulher nobre e de grande força tem a disposição um humano nobre e um elfo, o humano provavelmente teria traços mais viris (esse é o mais fraco dos argumentos, eu admito).
      – O seu próprio argumento, talvez os traços humanos façam que as mulheres sejam vistas como menos femininas que as elfas e por consequência pouco belas.

    • Que eu saiba, há um único caso; Aegnor e Andreth.

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