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“O Fogo Secreto é o mesmo que a Chama de Anor?” Por Michael Martinez

Michael Martinez é um dos mais conhecidos Tolkienistas (escritor de Tolkien). Michael é autor de Visualizing Middle-earth, Parma Endorion: Essays on Middle-earth, 3rd Edition, and Understanding Middle-earth: Essays on J.R.R. Tolkien’s Middle-earth.Suas colunas são conhecidas por todo o mundo, pois já foram traduzidas para o português, espanhol, grego, italiano, húngaro, finlandês, hebraico, e outros idiomas.

Michael Martinez é um dos mais conhecidos Tolkienistas (escritor de Tolkien). Michael é autor de Visualizing Middle-earth, Parma Endorion: Essays on Middle-earth, 3rd Edition, and Understanding Middle-earth: Essays on J.R.R. Tolkien’s Middle-earth. Suas colunas são conhecidas por todo o mundo, pois já foram traduzidas para o português, espanhol, grego, italiano, húngaro, finlandês, hebraico, e outros idiomas.

 

Tradução: Sérgio Ramos

 

Pergunta: O Fogo Secreto é a mesma coisa que a Chama de Anor?

Resposta: Quando Gandalf confronta o Balrog em “A Ponte de Khazad-dûm” em A Sociedade do Anel, ele fala para o Balrog: “Sou um servidor do Fogo Secreto, que controla a Chama de Anor.”

Morgoth's_Balrog (1)

 

Até a publicação de O Silmarillion, a natureza do Fogo Secreto era um completo mistério. Algumas pessoas podem ter sugerido que era uma metáfora para o Espírito Santo; contudo, até a publicação de “A Música dos Ainur”, a natureza e função do Fogo Secreto não eram totalmente claras. Naquela obra, Tolkien escreveu:

“E então as vozes dos Ainur, semelhantes a harpas e alaúdes, a flautas e trombetas, a violas e órgãos, e a inúmeros coros cantando com palavras, começaram a dar forma ao tema de Ilúvatar, criando uma sinfonia magnífica; e surgiu um som de melodias em eterna mutação, entretecidas em harmonia, as quais, superando a audição, alcançaram as profundezas e as alturas; e as moradas de Ilúvatar encheram-se até transbordar; e a música e o eco da música saíram para o Vazio, e este não estava mais vazio. Nunca, desde então, os Ainur fizeram uma música como aquela, embora tenha sido dito que outra ainda mais majestosa será criada diante de Ilúvatar pelos coros dos Ainur e dos Filhos de Ilúvatar, após o final dos tempos. Então, os temas de Ilúvatar serão desenvolvidos com perfeição e irão adquirir Existência no momento em que ganharem voz, pois todos compreenderão plenamente o intento de Ilúvatar para cada um, e cada um terá a compreensão do outro; e Ilúvatar, sentindo-se satisfeito, concederá a seus pensamentos o fogo secreto.”

            Pode ser significante que “fogo secreto” não esteja em maiúsculo aqui – ou poderia simplesmente ser um lapso da parte de J. R. R. ou de Christopher Tolkien. A única referência clara ao Fogo Secreto em O Silmarillion é providenciada pelo “Valaquenta”, onde Tolkien escreve:

“No início, Eru, o Único, que no idioma élfico é chamado de Ilúvatar, gerou de seu pensamento os Ainur; e eles criaram uma Música magnífica diante dele. Nessa música, o Mundo teve início; pois Ilúvatar tornou visível a canção dos Ainur, e eles a contemplaram como uma luz nas trevas. E muitos dentre eles se enamoraram de sua

A Música dos Ainur: arte de Jian Guo.

A Música dos Ainur: arte de Jian Guo.

beleza, e também ele sua história, cujo início e evolução testemunharam como numa visão. Então, Ilúvatar deu Vida a essa visão e a instalou no meio do Vazio; e o Fogo Secreto foi enviado para que ardesse no coração do Mundo; e ele se chamou Eä.”

Baseando-se na concordância entre esta passagem e outra (do “Ainunlidale: A Música dos Ainur”) nós sabemos que o Fogo Secreto é a Chama Imperecível:

            “Houve então inquietação entre os Ainur; mas Ilúvatar os conclamou, e disse: – Conheço o desejo em suas mentes de que aquilo que viram venha na verdade a ser, não apenas no pensamento, mas como vocês são e, no entanto, diferente. Logo, eu digo: Eä! Que essas coisas existam! E mandarei para o meio do Vazio a Chama Imperecível; e ela estará no coração do Mundo, e o Mundo Existirá; e aqueles de vocês que quiserem, poderão descer e entrar nele. – E, de repente, os Ainur viram ao longe uma luz, como se fosse uma nuvem com um coração vivo de chamas; e souberam que não era apenas uma visão, mas que Ilúvatar havia criado algo novo: Eä, o Mundo que É.”

Muitos comentaristas parecem aceitar a identificação da Chama Imperecível com o Espírito Santo, ou pelo menos com um aspecto de Deus que é tanto compatível com as sensibilidades católicas de Tolkien quanto significativo dentro de sua cosmogonia.

            Por isso, quando Gandalf disse que ele era um servo do Fogo Secreto, ele estava clamando ser um servo leal e fiel de Ilúvatar – um dos fiéis Ainur que não se rebelaram e seguiram Melkor à escuridão. A Chama de Anor, contudo, não pode ser o Fogo Secreto porque Gandalf afirma controlá-la – ou seja, ela responde a ele. Nenhum Ainu seria capaz de comandar a Chama Imperecível, então o Fogo Secreto deve ser algo diferente da Chama de Anor. Mas Gandalf também diz ao Balrog: “O fogo negro não vai lhe ajudar em nada, chama de Udûn.” Ele justapõe a Chama de Anor com o “fogo negro” que o Balrog empunha. A Chama de Anor pode, portanto, ser a pura luz e fogo da forma que é provida pelo Sol (também chamado de Anor em Sindarin). Ou seja, Gandalf pode ter falado ao Balrog que ele era capaz de combater o fogo com fogo, sendo que o seu fogo era puro como o do Sol.

            Algumas pessoas sugerem também que Gandalf pode ter se referido obliquamente a Narya, o Anel de Fogo, que naquela época estava sob sua guarda. Contudo, os Portadores dos Três juraram não revelar seus paradeiros, então parece improvável que Gandalf iria querer sugerir ao Balrog que ele portava um Anel de Poder. Gandalf já era bem conhecido por portar fogo, e ele tinha exibido uma parte de seu poder mais cedo na história, como quando ele acendeu o feixe de lenha para começar um fogo na montanha durante a tempestade de neve.

Artigo publicado originalmente 28 de Agosto de 2012 AQUI. A tradução e publicação foram autorizadas pelo autor do artigo Michael Martinez. Tradução de Sérgio Ramos.

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  • Eduardo Nascimento

    Análise muito bem feita, uma síntese bem elaborada. Muito boa as correlações.

  • Allan Marcel

    QUE LINDOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO E MARAVILHOSO CARA D:, Tolkien sendo Tolkien, e mostrando a majestade celestial, perfeito..

  • Jeferson Recalde

    Ou então o Gandalf jogou blefe, e não tirou numero suficiente no dado.