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Tolkien e a mitologia para a Inglaterra

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By Eduardo Stark

Uma mitologia não é apenas um conjunto de histórias que envolvem deuses e heróis. Ela é na verdade um instrumento de poder em uma sociedade organizada. Através das histórias nações foram construídas com uma base de sentimentos de nacionalidade. A partir dessas ideias de amor ao seu lugar e de fidelidade ao que se acredita que vários escritores desenvolveram obras e estudos sobre mitologias. Nesse contexto, de modo indiretamente, Tolkien acabou sendo influenciado pela ideia de uma mitologia para a Inglaterra.

O presente texto visa apresentar uma breve noção dessa relação da ideia de nacionalidade e mitologia e evidenciar o momento em que Tolkien decide criar sua própria mitologia.

O nacionalismo do século XIX e a importância da mitologia

Segundo e o historiador Eric Hobsbawn, a política do nacionalismo foi o intensa durante boa parte do século XIX.  Como uma decorrência das ideias da Revolução Francesa, que destacou a vinculação do cidadão em relação ao Estado. Em 1848, conhecido como a “Primavera dos Povos”, viu-se a afirmação da nacionalidade em diversas partes da Europa, em forma de movimentos revolucionários. (ver HOBSBAWN, Eric. p.138).

Esses movimentos não apenas apresentaram uma ideologia própria, mas também buscavam apresentar elementos que o justificasse através da própria cultura local. É uma ideologia que busca a identidade nacional, a noção de pertencer a um determinado laço cultural, histórico e linguístico que passa a ser regido por um único Estado.

Acontece que nem todos os países da Europa tinham essa unificação, e por isso no século XIX destacam-se, sobretudo, os momentos de unificação da Itália e da Alemanha. Deles surgiram diversas noções que repercutiram no século seguinte em formas autoritárias de governo.

Os mitos tiveram um papel fundamental para desenvolver essa identidade nacional nos países Europeus. Pois eles formam um laço cultural, simbólico e linguístico que são importantes para formar o nacionalismo.

Começando com a Grécia que lutou por sua independência do Império Otomono entre 1821 e 1832. Com o fim das batalhas os Gregos passaram a apresentar a mitologia Grega com mais força em estudos e ocorreu uma maior exploração desses mitos como forma de identidade nacional. Novos artistas passaram a explorar a temática da mitologia grega como forma de afirmação e unificação do país. E novos estudos sobre a Ilíada e Odisseia de Homero passaram a serem peças centrais daquela época.

Talvez como decorrência disso, o finlandês Elias Lönnrot escreveu o épico nacional conhecido como “Kalevala”, publicado em 1835. Nesse livro o autor reuniu o conjunto de lendas e a mitologia do povo finlandês. A obra foi tão promissora que serviu como uma das bases de nacionalismo, que posteriormente influenciou a independência da Finlândia, saindo do domínio Russo em 1917.

A Itália passou a ter uma ampliação de seus estudos mitológicos e busca de laços que unificassem aquele país. Foi nesse período que as histórias do Império Romano foram amplamente estudadas como demonstrativos do orgulho nacional de grandezas históricas e os mitos que se relacionavam, como a Eneida de Virgilio.

Na Alemanha o fenômeno nacionalista também ocorria com intensidade. O instrumento que se buscava para unificar o país estava relacionada aos mitos antigos, em especial a mitologia vinculada a lendas antigas e o conhecido Nibelungenlied (A Canção dos Nibelungos), que foi adaptado naquela época por Richard Wagner na conhecida opera “O Anel dos Nibelungos”.

Em todas as mitologias dos países citados existem as historias de como o mundo foi criado pelos Deuses, como os heróis realizaram grandes feitos em meio a batalhas e magias e finais de um período apocalíptico. Mas nem todos os países europeus tem essas mitologias. A Inglaterra, de onde J.R.R. Tolkien era nacional, não tem uma mitologia própria e isso parece ser até os dias de hoje motivo para debates naquele país.

Frodo e o Um anel

Frodo e o Um anel

O sentimento Inglês da falta da mitologia nacional

“Diferente da Grécia, a Inglaterra não tem uma mitologia de verdade. Tudo que temos são bruxas e fadas”. Essa intrigante frase é retirada do premiado filme Howards End (No Brasil: O Retorno a Howards End, 1992) dirigido por James Ivory, com participação de Anthony Hopkins. Nesse filme a personagem Margaret Schlegel (interpretada por Emma Thompson) expressa sua indignação em afirmar que o seu país não possui uma mitologia própria tal como os clássicos gregos.

O filme é baseado em um livro homônimo de E.M. Forster, publicado em 1910, que retrata aquela mesma época, conhecido como período Eduardiano (reinado de Eduardo VII de 1901 a 1910). Nele é demonstrado que os ingleses dessa época constantemente tratavam sobre temas como “Goblins” com uma certa naturalidade, porém com um constante questionamento.

“E os goblins, eles realmente não estiveram lá? Eram apenas os fantasmas da covardia e incredulidade? Um impulso humano saudável poderia dissipa-los? Homens como o Wilcoxe, ou o ex-Presidente Roosevelt, diriam que sim. Beethoven entendia melhor. Os goblins realmente tinham estado lá. Eles poderiam voltar e eles voltaram.” (FORSTER, p.36)

A obra de Forster reflete os ingleses de seu tempo. A sociedade em mudanças e pretendendo alcançar novos patamares intelectuais em um período anterior as grandes guerras mundiais. Esse aparente vazio dos Ingleses parece ser algo comum, especialmente para aqueles que tem um certo nacionalismo e busca de justificativas intelectuais. No livro Forster expressa esse sentimento com maestria:

“Por que a Inglaterra não tem uma grande mitologia? Nosso folclore nunca avançou além da superficialidade, e as maiores melodias sobre o nosso país são todas emitidas pelos tubos da Grécia. Profunda e verdadeira quanto a imaginação nativa pode ser, parece ter falhado aqui. Ela parou com as bruxas e fadas e não pode vivificar uma fração de campo do verão, ou dar nomes a meia dúzia de estrelas. A Inglaterra ainda aguarda o momento supremo de sua literatura, para o grande poeta que a deve expressar, ou, melhor ainda para os milhares de pequenos poetas cujas vozes passarão em nossa conversa comum.” (FORSTER, p.283)

Nesse trecho destacado, Forster demonstra claramente que a Inglaterra não tem uma mitologia e que isso é necessário para o país, sendo que no futuro algum grande escritor irá apresentar “o momento supremo de sua literatura”.

Curiosamente, nos anos 1910 e 1911, quase que repercutindo esse questionamento (mas sem precisamente ter tido contato com o livro de Forster), o então jovem estudante J.R.R. Tolkien iniciava suas primeiras leituras de mitologias setentrionais. E foi a partir dessas leituras que ele teve a mesma insatisfação apresentada por Forster: “A Inglaterra não tem uma mitologia própria”. Foi a partir disso que Tolkien decidiu criar um corpo de lendas e histórias para seu país, que mais tarde seriam um grande sucesso mundial no seu expoente “O Senhor dos Anéis”.

J. R. R. Tolkien jovem soldado da Primeira Guerra Mundial

J. R. R. Tolkien jovem soldado da Primeira Guerra Mundial

A percepção de J.R.R. Tolkien sobre a falta de mitologia inglesa

Nas primeiras décadas do século XX, ao ter acesso ao Kalevala, Tolkien foi altamente influenciado pelos escritos de Elias Lönnrot. Foi assim que decidiu realizar seus estudos e escreveu ensaios e composições relacionadas a mitologia finlandesa. Nessa época é que ele teve as primeiras ideias da falta de mitologia para a Inglaterra, como ele atesta da seguinte forma:

Contendo-me em virar as páginas dessas baladas mitológicas, cheias daquele substrato primitivo que a literatura Europeia, no geral, tem continuamente aparado e reduzido, durante muitos séculos, com diferente e prévia completude entre diferentes povos Gostaria que nos tivesse restado mais disso – algo do mesmo tipo que pertencesse aos ingleses. Mas este meu desejo não se deve a um motivo terrível e fatal, não está adulterado pela ciência, está isento de toda suspeita de antropologia”. (TOLKIEN, A História de Kullervo, p. 104).

Comentando sobre essa passagem Verlin Flieger anota que a observação de Tolkien foi relacionada “ao movimento de mito e nacionalismo que se espalhou pela Europa ocidental e as ilhas ao longo do século XIX e no começo do século XX, que foi detido pela guerra de 1914”. (TOLKIEN, A História de Kullervo, p.126).

Essa percepção de ausência da mitologia nacional incomodava Tolkien, tal como acontecia entre os ingleses que buscavam literatura do mesmo estilo. Sobre isso Tolkien comenta, em carta para Milton Waldman:

Desde cedo eu era afligido pela pobreza de meu próprio amado país: ele não possuía histórias próprias (relacionadas à sua língua e solo), não da qualidade que eu buscava e encontrei (como um ingrediente) nas lendas de outras terras. Havia gregas, celtas e românicas, germânicas, escandinavas e finlandesas (que muito me influenciou), mas não inglesas, salvo materiais de livros de contos populares empobrecidos. (Carta 131 para Milton Waldman, 1951)

Evidente que a cultura Inglesa é muito rica em literatura. Muitos se valem das histórias do Rei Artur como forma de mito nacional, porém, Tolkien rejeita a ideia de que essas lendas possam ser consideradas como mitos genuinamente apenas ingleses.

É claro que havia e há todo o mundo arthuriano mas este, poderoso como o é, foi naturalizado imperfeitamente, associado com o solo britânico mas não com o inglês; e não substitui o que eu sentia estar faltando. Por um lado, sua “faerie” é demasiado opulenta, fantástica, incoerente e repetitiva. Por outro lado e de modo mais importante: está envolta (e explicitamente contém) a religião cristã. (Carta 131 para Milton Waldman, 1951)

Assim, as lendas arthurianas segundo Tolkien não são propriamente inglesas e são mais derivadas da religião cristã. Não uma cosmogonia ou mesmo tempo apocalíptico nessas lendas, pois elas integram um ciclo de lendas medievais relacionadas ao cristianismo e uma certa relação com os celtas.

O amor à Inglaterra de J.R.R. Tolkien e as Guerras Mundias

Em 28 de Julho de 1914 teve inicio a chamada Primeira Guerra Mundial. O mundo acadêmico e amigável de Tolkien se mudou completamente. No mês seguinte seus amigos e seu irmão Hilary se juntaram ao exército inglês para combater a Alemanha.

Por causa da guerra apenas 24 pessoas permaneceram em toda a Universidade de Oxford. Tolkien permaneceu até o fim de seus estudos em 10 de junho de 1915. Após treze dias ele se alistou no exercito britânico para ir lutar na batalha mais sangrenta da história inglesa: a Batalha de Somme.

Em período de guerras é natural que as pessoas em países ameaçados passem a se tornarem ainda mais nacionalistas. Os valores de defesa passam a ampliar esse sentimento como se fosse um escudo intelectual e cultural. O gosto por seu país deve ter sido ampliado ainda mais em Tolkien com os treinamentos militares.

J. R. R. Tolkien na primeira guerra mundial

J. R. R. Tolkien na primeira guerra mundial

O sentimento de amor ao seu país e a relação com a ameaça da guerra é evidenciado novamente no período em que O Senhor dos Anéis estava sendo escrito, na época da Segunda Guerra Mundial. Nesse sentido em carta para seu filho Christopher Tolkien ele afirma:

Pois amo a Inglaterra (não a Grã-Bretanha e certamente não a Commonwealth britânica (grr!)) e, se eu estivesse em idade militar, eu estaria, imagino, resmungando em um serviço de combate e disposto a ir até o fim — sempre com a esperança de que as coisas possam acabar de um modo melhor para a Inglaterra do que parece estar acontecendo. (Carta 53 para Christopher Tolkien, 9 de dezembro de 1943).

O autor do Hobbit demonstra que novamente estaria disposto a lutar na Segunda Guerra Mundial se tivesse a idade militar, demonstrando sua vontade de defender o país. Nesse trecho vemos que Tolkien tinha um gosto especificamente pela Inglaterra, que é uma nação dentro do conjunto político que forma o Reino Unido.

Em outra carta ele novamente demonstra o seu carinho pelo país: “Ainda há alguma esperança de que, ao menos em nossa amada terra da Inglaterra, a propaganda derrote a si mesma e produza, inclusive, o efeito contrário”. (Carta 77 para Christopher Tolkien, 31 de julho de 1944).

Embora Tolkien demonstre um grande apego ao seu país, isso não o torna necessariamente um nacionalista como aconteceu com escritores do século XIX, afetados pelos pensamentos iluministas. Na verdade Tolkien tinha uma visão de que o Estado era um ente criado que de certa forma atrapalhava a vida cotidiana e pacifica. O patriotismo de Tolkien parece estar mais relacionado ao sentimento de honra, de defesa de sua cultura e modo de vida do que em relação a um governo ou Estado.

Um comparativo que pode ser feito é a relação dos Hobbits frente ao ataque das forças de Mordor. Os hobbits não tinham verdadeiramente um Estado consolidado, nos moldes do que se formou nos séculos XIX e XX. Não havia um líder poderoso ou uma figura impositiva de normas. Os Hobbits tinham um apego a sua terra, ao seu modo de vida, a sua cultura etc. Esse amor a raiz é que pode ser visto como uma semelhança da ideia de Tolkien em relação a seu amor pela Inglaterra.

Uma mitologia para a Inglaterra

Com os seus estudos das mitologias finlandesas e nórdicas Tolkien começou a ter a ideia de que poderia, como forma de entretenimento pessoal, escrever uma simulação de uma mitologia para o seu próprio país. Em carta para Milton Waldman, Tolkien explica com detalhes essa ideia de criar uma mitologia para a Inglaterra:

Não ria! Mas, certa vez (minha crista há muito foi baixada), eu tinha em mente criar um corpo de lendas mais ou menos associadas, que abrangesse desde o amplo e cosmogônico até o nível do conto de fadas romântico — o maior apoiado no menor em contato com a terra, o menor sorvendo esplendor do vasto pano de fundo —, que eu poderia dedicar simplesmente à Inglaterra, ao meu país. Deveria possuir o tom e a qualidade que eu desejava, um tanto sereno e claro, com a fragrância de nosso “ar” (o clima e solo do noroeste, tendo em vista a Grã-Bretanha e as partes de cá da Europa: não a Itália ou o Egeu, muito menos o Oriente) e, embora possuísse (caso eu pudesse alcançá-la) a clara beleza elusiva que alguns chamaram de céltica (embora ela raramente seja encontrada em antigos materiais célticos genuínos), ele deveria ser “elevado”, purgado do grosseiro e adequado à mente mais adulta de uma terra já há muito saturada de poesia. Desenvolveria alguns dos grandes contos na sua plenitude e deixaria muitos apenas no projeto e esboçados. Os ciclos deveriam ligar-se a um todo majestoso e ainda assim deixar espaço para outras mentes e mãos, lidando com a tinta, música e drama. Absurdo. E claro que uma proposta pretensiosa como essa não se desenvolveu de uma só vez. As próprias histórias eram o ponto principal. Elas surgiam em minha mente como coisas “determinadas” e, conforme vinham, separadamente, assim também as ligações cresciam. Um trabalho cativante, embora continuamente interrompido (especialmente porque, mesmo à parte das necessidades da vida, a mente esvoaçava para o outro pólo e esgotava-se na linguística); porém, sempre tive a sensação de registrar o que já estava “lá” em algum lugar, e não de “inventar”. (Carta 131 para Milton Waldman, 1951)

A ideia de criar uma mitologia para o seu país não é totalmente nova, uma vez que o alemão Jacob Grimm e o norueguês Dane Nikolai Grundtvig, tiveram uma atitude nesse sentido. Mas foi a partir de sua vontade de uma mitologia para a Inglaterra que Tolkien desenvolveu as primeiras ideias sobre a Mitopoeia, a teoria literária relacionada a criação (ou subcriação) de mitos por escritores.

Em suas obras, Tolkien deixa claro que se passam em nosso próprio mundo em um passado mitológico subcriado, com histórias das lutas de elfos, humanos, anões e hobbits contra as forças malignas de Morgoth e Sauron.

Muitos aspectos culturais ingleses foram colocados em suas histórias. A ideia era forma o conjunto de lendas pré-cristãs e mitológicas que dessem base para o surgimento da Inglaterra.

O sucesso das obras de Tolkien foi crescente, em especial na década de 60 do século XX. Milhões de pessoas espalhadas por todos os continentes do mundo passaram a ler e admirar as obras do autor inglês.

Ao que parece Tolkien se sentia um tanto satisfeito com a reconhecimento por parte de alguns leitores, como ele expressou em carta:

Tendo designado a mim mesmo uma tarefa, cuja arrogância reconheci totalmente e pela qual tremi, sendo precisamente a de restaurar aos ingleses uma tradição épica e de apresentar-lhes uma mitologia deles próprios, é maravilhoso saber que fui bem-sucedido, pelo menos com aqueles que ainda possuem o coração e a mente não-enegrecidos. (Carta 180, para o “Sr. Thompson”, 14 de janeiro de 1956).

De forma magistral, Tolkien parece ter conseguido se aproximar do que pretendia, mesmo que na época dessa carta o seus escritos de O Silmarillion ainda não tinham sido publicados.

Arda, o mundo de Tolkien

Arda, o mundo de Tolkien

A mitologia para o mundo

Como visto, as mitologias no século XIX pareciam ser utilizadas como instrumentos para unificação nacional e que essa noção, de certa forma indiretamente, acabou influenciando Tolkien na ideia de que ele deveria escrever uma mitologia para seu país. Assim, as mitologias estão vinculadas com aspectos culturas, sociológicos, históricos e linguísticos de determinados países e não existe uma mitologia global, para todo o planeta.

Segundo Joseph Campbell haverá uma nova mitologia que preencherá a lacuna e representará um elemento cultural para todo o mundo. Uma mitologia sem se vincular a determinada cultura e território do globo, mas um conjunto de histórias que unifique agora todos os povos do mundo.

Os velhos deuses estão mortos ou morrendo e as pessoas em toda parte estão pesquisando e perguntando: “Qual será a nova mitologia, a mitologia dessa terra unificada como uma coisa harmoniosa? Não se pode prever a próxima mitologia mais do que se pode prever o sonho de hoje à noite, pois uma mitologia não é uma ideologia. Não é algo projetado a partir do cérebro, mas algo experimentado pelo coração, do reconhecimento das identidades ou com as aparências da natureza, percebidas com amor um “tu” onde haveria de outra forma apenas um “Isso”. (CAMPBELL, The Inner Reaches… p.19)

Com o passar dos anos, em especial com a globalização, facilitação nos meios de comunicação mundial (televisão, internet e outras tecnologias) o mundo está cada vez mais integrado. As relações internacionais são muito mais frequentes do que há cem anos atrás. Sendo assim, formam-se cada vez mais novas ideias internacionais e surgem elementos culturais além de nações. É nesse sentido que em outra oportunidade Campbell esclarece mais detalhes sobre sua ideia da nova mitologia que virá:

Os motivos básicos dos mitos são os mesmos e têm sido sempre os mesmos. A chave para encontrar a sua própria mitologia é saber a que sociedade você se filia. Toda mitologia cresceu numa certa sociedade, num campo delimitado. Então, quando as mitologias se tornam muitas, entram em colisão e em relação, se amalgamam, e assim surge uma outra mitologia, mais complexa. Mas hoje em dia não há fronteiras. A única mitologia válida, hoje, é a do planeta – e nós não temos essa mitologia. (CAMPBELL, O Poder do Mito, p. 62)

O tremendo sucesso literário de O Senhor dos Anéis pode levar a diversos questionamentos relacionados a essa ideia de Joseph Campbell da nova mitologia mundial.

Os livros de Tolkien passaram a ser não apenas uma mitologia para a Inglaterra. Eles ultrapassaram fronteiras, a ponto de… bem, vocês está lendo um artigo em Português escrito por um Brasileiro sem nenhum vínculo nacional com a Inglaterra.

Será que a obra de Tolkien pode ser vista como essa nova mitologia mundial, Tendo em vista que pessoas do mundo inteiro admiram e estudam suas obras? Ou seria a obra de Tolkien a precursora de uma nova mitologia que surgirá por um escritor (ou escritores) habilidosos?

BIBLIOGRAFIA UTILIZADA

CAMPBELL. Joseph. O Poder do Mito. Palas Athenas, 2012.

_________________The Inner Reaches of Outer Space Metaphor as Myth and as Religion. New World Library, 2012.

CARPENTER, Humphrey, J.R.R. Tolkien, uma biografia, Martins Fontes. São Paulo, 1992.

FORSTER, E.M, Howards End, Globo, Rio de Janeiro, 2012.

GARTH, John. Tolkien and the Great War: The Threshold of Middle-Earth. London: HarperCollins, 2003.

HOBSBAWN, Eric. A Era do Capital (1848-1875). São Paulo: Paz e Terra, 15ª edição, 2009.

_______________Nações e Nacionalismo desde 1780. – Programa, Mito e Realidade. São Paulo: Paz e Terra, 5ª ed, 2008.

NEWMAN, Ernest. História das Grandes Óperas e dos seus compositores. Porto Alegre: Globo, 1943, volume III.

TOLKIEN, J.R.R. As Cartas de J.R.R. Tolkien. Editado por Humphrey Carpenter com assistência de Christopher Tolkien, Arte e Letra, Curitiba, 2006.

______________ A História de Kullervo. Wmf Martins Fontes, São Paulo, 2016.

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