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O pergaminho de Os Filhos de Húrin no filme O Hobbit!

 

Por razões de direitos autorais, os roteiristas dos filmes de O Hobbit não poderiam utilizar elementos das histórias contidas em O Silmarillion, pois a família Tolkien (em especial o Christopher Tolkien) não apoia os filmes dirigidos por Peter Jackson. Mas vendo o livro O Hobbit, uma Jornada Inesperada Guia Ilustrado de Jude Fisher, pode ser encontrado na página 53 a seguinte imagem:

 pergaminho elrond azahal hurin

 

Aparentemente parece ser apenas a imagem de um livro escrito em alfabeto Tengwar para ilustrar a parte do guia que fala sobre os elfos. O artista Daniel Reeves, além de fazer belas ilustrações e mapas, também foi responsável por fazer os manuscritos e pergaminhos antigos que vemos nos filmes de O Senhor dos Anéis e o Hobbit. Porém, lendo os escritos percebe-se que é na verdade uma parte do livro O Silmarillion escrita em Tengwar no modo Inglês.

O início da primeira página está escrito:

“Last of all the eastern force to stand firm were the Dwarves of Belegost, and thus they won renown. For the Naugrim (dwarves) withstood fire more hardily than either Elves or Men, and it was their custom moreover to wear great masks in battle hideous to look upon; and those stood them in good stead against the dragons. But for them Glaurung and his brood would have withered all that was left of the Noldor. But the Naugrim made a circle about him when he assailed them, and even his mighty armour was not full proof against the blows of their great axes; and when in his rage Glaurung turned and struck down Azaghal, Lord of Belegost, and crawled over him, with his last stroke Azaghal drove a knife into his belly, and so wounded him that he fled the field, and the beasts of Angband in dismay followed after him. Then the Dwarves raised up the body of Azaghal and bore it away; and with slow steps they walked behind singing a dirge in deep voices, as it were a funeral pomp in their country, and gave no more heed to their foes; and none dared to stay them.”

Que na tradução Brasileira corresponde a seguinte parte:

Últimos de todas as forças orientais a se manterem firmes foram os anões de Belegost, e assim conquistaram renome. Pois os naugrim suportavam o fogo com maior resistência do que elfos ou homens. Além disso, era seu costume usar em combate máscaras enormes, horríveis de contemplar. E essas lhes foram de grande valia contra os dragões. E, se não fossem eles, Glaurung e sua prole teriam queimado tudo o que restava dos noldor. Os naugrim, porém, fizeram uma roda em torno de Glaurung quando ele os atacou. E mesmo sua poderosa armadura não era totalmente invulnerável diante dos golpes dos terríveis machados dos anões.E quando, em sua ira, Glaurung se voltou e derrubou Azaghâl, Senhor de Belegost, e se arrastou sobre ele, num último golpe Azaghâl enfiou-lhe no ventre uma faca, ferindo-o de tal modo que ele fugiu do campo de batalha; e as feras de Angband, amedrontadas, fugiram atrás dele. Os anões então levantaram o corpo de Azaghâl e o levaram embora. A passos lentos, foram andando atrás, a entoar um canto fúnebre com suas vozes graves, como se fosse uma procissão solene em sua própria terra. E não davam mais nenhuma atenção aos inimigos. E ninguém ousou detê-los.

Esse livro é um dos vários registros guardados por Elrond em Valfenda e que recontam os feitos das eras anteriores. É interessante que é justamente uma passagem que reúne elementos vistos em o Hobbit: a luta dos anões contra um dragão. Porém, esse pergaminho não é mostrado em nenhuma cena dos filmes, mas pode ser visto claramente no set de filmagem:

sala elrond

É interessante ressaltar que as histórias que conhecemos como O Senhor dos Anéis e O Hobbit são, dentro da própria mitologia de Tolkien, escritas pelos Hobbits (Bilbo e Frodo e outros posteriormente). Diferentemente dos contos da primeira e segunda era, que são escritos por diversos autores.

A batalha que é descrita no manuscrito acontece dentro do contexto da história de Os Filhos de Húrin, que passaremos a narrar como foi o processo de escrita desse livro dentro da mitologia de Tolkien.

Não apenas no roteiro, mas em vários objetos há uma certa ausência de observância do que foi escrito por Tolkien. Como será visto a seguir, na época de Elrond não havia ainda um texto em prosa de Os Filhos de Húrin.

 

Um breve relato da origem dos manuscritos de Os filhos de Húrin

Após os tristes acontecimentos da família de Húrin, os fatos foram bastante recontados e lembrados entre os humanos e elfos. Contudo, durante muitos anos as histórias de Túrin Turambar permaneceram apenas na memória e na tradição dos povos, sem existir nenhum documento escrito.

Dírhaval era um homem da casa de Hador, que viveu nos Portos do Sirion na época de Earendil (entre os anos 500 a 538). Não se sabe a origem de Dírhaval. Provavelmente era filho de humanos de Dorlómin que se refugiaram nos portos junto com os elfos de Nargothrond, Doriath e Gondolin.

Nos Portos do Sirion, Dírhaval teve contato com várias testemunhas dos acontecimentos importantes da Terra média.  Seu contato com os elfos foi fundamental para seus estudos da língua e escrita do Sindarin.

Dirhaval teve contato com Andvír, filho de Andróg. Andvír estava muito velho, mas lembrava dos dias em que serviu a Túrin Turambar junto com seu pai. Andvír juntamente com Beleg e Túrin foram os sobreviventes do ataque dos Orcs a Amon Rûdh.

Aliando os conhecimentos dos elfos e o de Andvír e outras testemunhas. Dirhaval teve informações suficientes para formar seus primeiros textos sobre a história dos filhos de Húrin.

A história de Os filhos de Húrin foi escrita pela primeira vez em forma de versos. O título original em Sindarin é Narn i Chîn Húrin, que é traduzido como O Conto dos Filhos de Húrin.

Dirhaval, acabou sendo morto em uma invasão dos portos pelos filhos de Fëanor.

Controvérsias a parte sobre o Aelfwine ser considerado ou não como personagem canônico. É interessante ver o que Tolkien pretendia com esse personagem e a relação com os manuscritos de os filhos de Húrin. Partindo desse ponto, posteriormente o poema foi preservado entre os elfos que foram viver em Tol Eressëa. E vários séculos após os acontecimentos da Terceira Era, um homem conseguiu chegar nessa ilha.

Por volta do ano 900 d.c, Aelfwine (filho de Éadwine, filho de Óswine) um marinheiro anglo-saxão conseguiu chegar em Tol Eressëa e lá aprendeu com os elfos as tradições e histórias das eras antigas.

Aelfwine iniciou a tradução do poema feito por Dirhaval, porém, como não sabia lidar com versos, decidiu que iria escrever a história de Túrin Turambar em forma de prosa. Assim, além de traduzir o poema para o Inglês antigo, converteu a história do verso para a prosa. Os elfos de Tol Eressëa auxiliaram Aelfwine na tradução e forneceram informações complementares.

Mais de mil anos mais tarde, J.R.R.Tolkien um distinto professor de Oxford iniciou a tradução dos textos de Aelfwine para o Inglês moderno, que conhecemos como “The Children of Húrin” (Os Filhos de Húrin).

 

 Os Guias Ilustrados dos filmes O Hobbit

 

A Jude Fisher na época dos filmes de O Senhor dos Anéis publicou os guias ilustrados dos filmes, mas infelizmente não foram traduzidos para o Português naquela época.

Com os novos filmes de Peter Jackson, foi repetida a fórmula, porém as edições foram traduzidas para o Português e publicadas no Brasil pela editora Wmf Martins Fontes, que no final do ano lançará o último exemplar dessa coleção junto com o último filme de O Hobbit.

jude fisher guia ilustrado hobbit

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