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O Elmo-de-Dragão de Dór-Lomin

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 by Eduardo Stark

O mundo criado por Tolkien é cheio de detalhes curiosos e itens que possuem um significado especial. Há espadas que representam a luta do bem contra o mal, cajados, anéis, cordas élficas, etc. A Terra-média parece estar cheia de objetos carregados de significados e de magia.

Existem basicamente três tipos de objetos utilizados pelos personagens protagonistas. Primeiramente aqueles que são utilizados ordinariamente, que não possuem nenhum significado histórico ou simbólico. Por exemplo: espadas comuns, armaduras etc.

Em segundo existem aqueles objetos que são considerados especiais, embora não tenham poderes mágicos, mas carregam um significado especial, seja pelo seu fundo histórico ou por ser considerado um objeto precioso de uma família nobre. Como exemplo: Narsil, o anel de Barahir etc.

E por último existem os objetos que possuem alguma propriedade mágica. Como exemplo: o Um Anel, os anéis de poder, espadas élficas etc.

Desses objetos chama a atenção por sua importância simbólica o Elmo de Hador, também chamado de Elmo-dragão de Dór Lomin. Esse item ficou mais conhecido por ter pertencido ao grande herói da mitologia tolkieniana: Túrin Turambar.

A história de Túrin Turambar e seu destino é narrada no maior capítulo do livro O Silmarillion, mas é também contada com mais detalhes em um livro próprio chamado Os Filhos de Húrin.

No livro Os Filhos de Húrin (Pg. 83-85) e também em Contos Inacabados (Pg.72-73) há um rápido relato da história do elmo de dragão que merece ser analisado com atenção neste artigo.

Descrição do Elmo de Hador

 

O elmo apresenta um trabalho digno de um mestre anão, combinando elementos de ouro e aço reforçado: “Esse elmo era feito de aço cinzento adornado de ouro, e nele estavam gravadas runas de vitória”.

E nesse mesmo trecho continua a descrição:

“Tinha uma viseira (à maneira das que os anões usavam em suas forjas, para proteger os olhos), e o rosto de quem o usasse infundia temor no coração de todos que o vissem, mas esse mesmo rosto estava protegido contra flechas e fogo. Sobre sua crista estava posta, como desafio, uma imagem dourada da cabeça de Glaurung, o dragão; pois fora feito pouco depois de ele sair pela primeira vez pelos portões de Morgoth”

De forma brilhante, o ilustrador Alan Lee criou uma imagem que pudesse representar o Elmo de Hador. Essa imagem passou a ser o símbolo adotado em todas as edições de Os Filhos de Húrin.

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É discutível se o elmo de Hador possui ou não poderes mágicos, pois é ditos que ele possuía um “poder” de proteção para quem usasse: “Havia nele um poder que protegia quem quer que o usasse de ferimentos ou morte, pois a espada que o golpeasse se partiria, e a flecha que o atingisse saltaria para o lado”.

Acredita-se que na verdade o elmo não teria poderes mágicos, ao estilo dos elfos, até porque foi feito por um anão. Essa proteção especial provavelmente vinha da constituição do elmo, que era muito sólido e duro.

O elmo era muito pesado, o que dava uma proteção muito boa para quem o usasse, porém apenas anões ou homens fortes conseguiam suportar o seu peso. Como está escrito “Mas em Hithlum inteira não se encontravam cabeça nem ombros suficientemente robustos para suportar sem dificuldade o elmo dos anões, exceto os de Hador e seu filho Galdor”.

 

A criação do elmo e seus proprietários

 

O Elmo de Hador é uma criação de Telchar, um grande ferreiro anão de Nogrod. Telchar possuía grande habilidade no trabalho com os metais e era discípulo de Gamil Zirak, o velho. Telchar foi criador de vários objetos utilizados na primeira era, grande parte dados ao Rei Thingol. Outras criações mais conhecidas de Telchar são a faca Angrist e a espada Narsil.

Telchar criou o elmo como um presente para o anão Azaghâl, Senhor de Belegost, que ficou posteriormente conhecido por ferir Glaurung com uma faca no ano da lamentação.

Certa vez, Azaghâl foi emboscado por um grupo de orcs na estrada dos anões em Beleriand Oriental, ele e seu tesouro estavam correndo sério perigo, quando foram salvos pelo elfo Maedhros, filho de Fëanor. Como retribuição Azaghâl deu o elmo de dragão para Maedhros, que posteriormente deu o elmo para Fingon, como símbolo da amizade e como lembrança por ter rechaçado Glaurung de volta para Angband.

O elmo era muito pesado para ser usado e somente um homem de forte constituição poderia utiliza-lo. Foi assim que Fingon presentou Hador com o elmo, quando esse recebeu o domínio de Dór-lomin.

Assim, o elmo do dragão passou a ser um objeto da CASA DE HADOR. E foi utilizado em batalhas pelo Hador e por seu filho Galdor. “Muitas vezes Hador e, depois dele, Galdor o haviam usado na guerra; e os corações do exército de Hithlum se exaltavam quando o viam, elevando-se alto em meio à batalha, e exclamavam: – Mais valor tem o Dragão de Dor-lómin que o lagarto dourado de Angband!”

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Foi nessa época que o elmo de dragão ficou conhecido entre muitos amigos e inimigos da casa de Hador. Ele protegia quem o portasse e o nome do elmo de dragão ficou conhecido por suas vitórias contra os inimigos. Mas “Por má sorte Galdor não o usava quando defendeu Eithel Sirion, pois o ataque foi repentino; ele correu para as muralhas, de cabeça descoberta, e uma flecha de orc perfurou seu olho”.

Com a morte de Galdor, seu filho Húrin herdou o elmo de dragão. Mas, diferentemente de seu pai, Húrin não possuía a mesma constituição física para suportar o uso do elmo e, portanto, não aguentava o elmo de dragão sem esforço. Mas, de todo modo, Húrin decidiu não usá-lo pois preferia enfrentar seus inimigos sem proteção no rosto, dizendo “Prefiro enfrentar meus inimigos com meu rosto verdadeiro

Mesmo não usando o elmo de Dragão, Húrin considerava como uma joia de sua casa e ao partir para a batalha das lágrimas incontáveis, deixou o elmo com sua esposa Morwen, para que fosse entregue a seu filho Túrin quando este ficasse adulto.

Posteriormente, Túrin foi morar em Doriath e foi adotado por Thingol. Morwen enviou o elmo de dragão como presente a Thingol, que decidiu entregar para Túrin quando estivesse adulto:

“No entanto, Thingol segurou o Elmo de Hador como se fosse escasso seu tesouro e pronunciou palavras corteses, dizendo: – Altiva é a cabeça que usar este elmo, que foi usado pelos antepassados de Húrin.Ocorreu-lhe então uma idéia. Mandou chamar Túrin, e lhe disse que Morwen mandara ao filho um objeto poderoso, a herança de seus pais.- Tome agora a Cabeça de Dragão do norte – disse – e, quando chegar a hora, use-a bem. – Mas Túrin ainda era muito pequeno para erguer o elmo, e não lhe deu atenção em virtude do pesar em seu coração”.

Thingol se tornou, portanto, o guardião dessa joia da casa de Hador e cuidou de Túrin como se fosse seu próprio filho, ensinando o que era possível e dando lhe treinamentos e conhecimento típicos dos elfos.

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E assim ocorreu, quando Túrin já estava mais velho que decidiu reivindicar o elmo de dragão e usá-lo em batalhas. E novamente os rumores sobre os feitos do portador do elmo de dragão foram ouvidos e muitos imaginaram que o espírito de Hador ou de Galdor haviam retornado da morte. Como pode ser lido nesse trecho:

 “Túrin curvou-se então diante deles e se foi. E logo depois envergou o Elmo-de-dragão, armou-se, partiu para as fronteiras do norte e se juntou aos guerreiros élficos que lá travavam combate constante contra os orcs e todos os servos e criaturas de Morgoth. Assim, mal saído da infância, demonstrou sua força e coragem; e, lembrando as injustiças sofridas por sua família, estava sempre à frente nos feitos ousados, tendo recebido muitos ferimentos de lanças, flechas ou das lâminas recurvas dos orcs. Mas seu destino o livrava da morte; e se dizia pelas florestas, e se ouvia dizer muito longe de Doriath, que o Elmo-de-dragão de Dor-lómin estava novamente à vista. Muitos então se espantaram, dizendo: -Pode o espírito de Hador ou de Galdor, o Alto, retornar da morte? Ou Húrin de Hithlum escapou de fato dos calabouços de Angband?”

Túrin Turambar realizou grandes feitos com o elmo de dragão. E o que torna interessante é essa ligação da simbologia do elmo de dragão com o fato de Túrin ter conseguido derrotar o dragão Glaurung. Mas estranhamente não se sabe ao certo o que aconteceu com esse objeto após a morte do herói.

A última aparição do elmo de dragão

Não está claro o que aconteceu com o elmo de dragão após a morte de Túrin. Mas de forma interessante Christopher Tolkien comenta a respeito e apresenta as possibilidades sobre a última aparição do elmo de dragão no Apêndice de Narn I Hin Húrin, em Contos Inacabados (Pg. 171-172 da edição Wmf Martins Fontes).

Nesse apêndice Christopher Tolkien levanta as possibilidades afirmando que:

“Pode-se notar aqui que meu pai tencionava estender a história do Elmo-de-dragão de Dor-lómin até o período da estada de Túrin em Nargothrond e mesmo mais além, mas isso nunca foi incorporado às narrativas. Nas versões existentes, o Elmo desaparece com o fim de Dor-Cúarthol, na destruição da fortaleza dos proscritos em Amon Rûdh, mas de alguma forma deveria reaparecer em posse de Túrin em Nargothrond. Só poderia ter chegado lá caso tivesse sido levado pelos orcs que conduziram Túrin até Angband; mas tirá-lo deles, por ocasião do resgate de Túrin por Beleg e Gwindor, teria requerido algum desenvolvimento da narrativa naquele ponto”.

Em uma nota Tolkien diz que Túrin estava em Nargothrond e lá decidiu não mais usar o elmo de dragão, somente na Batalha de Tumbalad. Em outra nota há uma referência a Morwen e que ela teria ouvido falar em Doriath da aparição do Elmo de dragão na Batalha de Tumhalad e descobriu que Mormegil era seu filho Túrin.

A hipótese que parece ser mais interessante é a de que Túrin Turambar usava o elmo de dragão quando lutava contra o dragão Glaurung. Christopher Tolkien cita um trecho pertinente em que se verifica a possibilidade de Túrin estar usando o elmo quando lutou contra Glaurung:

Então a imagem terá de esperar por um dono com outro nome – disse Glaurung -, pois Túrin, filho de Húrin, eu não temo. É o oposto. Pois ele não tem a audácia de olhar me no rosto abertamente. E de fato era tão grande o temor do Dragão que Túrin não ousava fitá-lo nos olhos, mas mantivera abaixada a viseira do capacete, resguardando o rosto, e em seu diálogo não elevara o olhar além dos pés de Glaurung. Porém, diante dessa zombaria, com orgulho e temeridade ergueu a viseira e fitou Glaurung nos olhos.

O que aconteceu com o elmo após a morte de Túrin Turambar não há relatos. Pode ser que tenha sido enterrado junto com o corpo dele, assim como fizeram com sua espada. Ou na hipótese dele não ter sido usado na luta contra Glaurung, o elmo poderia ter sido entregue para outra pessoa em Nargothrond, ou que simplesmente ele tenha se perdido em meio ao tempo da primeira era.

 

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obras de telchar

 

LINHA DO TEMPO – PRIMEIRA ERA DO SOL:

 

  • 260 e 300 – Telchar cria o elmo de dragão e o entrega para Azaghâl, senhor dos anões.
  • 400 – Azaghâl é salvo por Maedhros. O elmo do dragão é dado a Maedhros, que por sua vez o entrega a Fingon.
  • 423 – Hador se torna o primeiro senhor de Dór-Lomin e recebe de Fingon o elmo de dragão.
  • 455 – Dagor Bragollach (Batalha das chamas repentinas). Morre Hador, tentando defender Fingolfin em Eithel Sirion. O elmo de dragão passa a ser legitimamente de seu filho mais velho Galdor.
  • 462 – Morre Galdor em Eithel Sirion, quando foi emboscado por orcs e não usava o elmo de dragão. O elmo é levado para Húrin, filho de Galdor.
  • 465 – Nasce Túrin, filho de Húrin da casa de Hador.
  • 472 – Ano das lamentações. Ocorre a Nirnaeth Arnoediad (Batalha das lágrimas incontáveis) onde morrem Fingon, Azaghâl e Húrin é capturado por Morgoth. Antes de partir para a batalha, Húrin deixa o elmo de dragão com sua esposa Morwen. Túrin é mandado para Doriath e é adotado por Thingol.
  • 482 – Túrin reivindica o elmo de dragão e parte de Dorith.
  • 495 – Batalha de Tumhalad. Última aparição conhecida do elmo de Dragão.
  • 499 – Morre Túrin Turambar o último homem conhecido por portar o elmo de Dragão.
  • 500 – Morte de Húrin
  • 587 – Morte de Maedhros

 

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2 comentários

  1. Vinícius Pereira /

    Quebrando o maior galho, como sempre. Obrigado!

  2. João Vitor Amorim /

    As matérias desse site são tão boas, e ninguém simplesmente faz um comentário.

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