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Análise do prefácio de O Senhor dos Anéis – Parte 04


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by Eduardo Stark

 

Continuamos aqui a análise do Prefácio de O Senhor dos Anéis. Se você não leu ainda as partes anteriores basta clicar nos links abaixo:

Parte 01

Parte 02

Parte 03

 

6. O período de elaboração (1937-1948) – Continuação

 

Foi durante 1944 que, deixando as pontas soltas e as perplexidades de uma guerra que eu tinha por tarefa conduzir, ou ao menos reportar, eu me forcei a lidar com a viagem de Frodo a Mordor. Esses capítulos, que finalmente se tornaram o Livro IV, foram escritos e enviados em forma de seriado ao meu filho, Christopher, que naquela época estava na África do Sul com a Royal Air Force.

O filho mais novo de Tolkien, Christopher, havia sido convocado pela Royal Air Force (Força Aérea Real) em Julho de 1943, sendo enviado em janeiro de 1944 para a África do Sul para treinamentos de pilotagem, só retornando em março de 1945.

A primeira carta enviada a Christopher Tolkien, após sua partida, é datada em Janeiro de 1944, mas somente em abril daquele ano é que Tolkien revela ter continuado a escrever sua história.

Como informou em carta para Christopher: “Iniciei seriamente um esforço para terminar meu livro e tenho ficado acordado até muito tarde: muita releitura e pesquisas são necessárias. E é um negócio dolorosamente difícil entrar novamente no ritmo. Voltei para Sam e Frodo e estou tentando desenvolver as aventuras deles. Poucas páginas para muito suor: mas, no momento, eles estão recém encontrando Gollum em um precipício. Quanto esforço você coloca na datilografia, e os capítulos são passados a limpo tão belamente! Quem me dera eu ainda tivesse à mão meu copista e crítico”. (Carta 59, 05 de Abril de 1944).

Não tendo a presença de seu filho, o professor Tolkien revela se sentir solitário. Nesse ano passa a encontrar com mais frequência seus amigos Inklings (em especial Lewis) e a ler os capítulos que estava escrevendo. Lewis teve um papel importante em tentar forçar Tolkien a continuar o Senhor dos Anéis, pois pedia sempre continuações dos capítulos que eram lidos. Também o fato de Christopher estar distante e solicitando novos escritos, Tolkien se sentia compelido a avançar na história da Guerra do Anel.

Naquele ano a escrita avançou muito, pois Tolkien havia dispensado alguns trabalhos para avançar na história do Anel, como disse ao seu filho em junho: “Negligenciando outras obrigações, passei muitas horas datilografando e agora estou quase no fim do novo material no Anel; assim, logo poderei continuar e terminar; e espero lhe enviar mais um lote em breve…..”

 

Todavia, passaram-se mais cinco anos até o conto chegar ao seu fim atual; nesse tempo, troquei de casa, de cargo e de universidade, e, embora os dias fossem menos sombrios, não eram menos árduos.

 

Desde que reiniciou a escrita do Senhor dos Anéis se passaram cinco anos e com o tempo certas coisas foram mudando na vida do Tolkien, teve que se mudar várias vezes e conseguiu outro cargo em outra universidade.

A Segunda Guerra Mundial havia terminado e agora sabia que seus filhos estavam salvos e por isso foram dias “menos sombrios”. Porém, o trabalho ainda continuava e sua obra não tinha chegado ao fim.

 

As casas de Tolkien

 

Entre os anos de 1930 e 1947, Tolkien vivia na 20 Northmoor Road, em uma bela casa situada em Oxford. Nessa casa Tolkien escreveu vários textos do seu legendarium, e foi nesse local que desenvolveu e terminou a primeira versão de O Hobbit.

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Mas com o tempo seus filhos cresceram e se mudaram. Tolkien então pensou que a casa estava muito grande para ele, sua esposa e filha. Logo decidiu se mudar para uma casa menor, que pudesse gerar pouco trabalho doméstico e despesas. Em março de 1947 mudaram-se para a 3 Manor Road, de propriedade da Merton College. Lá viveu durante três anos, justamente no período em que terminou o Senhor dos Anéis. Mas havia encontrado um problema na nova casa: não havia uma sala para que pudesse realizar seus estudos e isso dificultou esse momento tão importante de terminar seu livro.

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Foi na modesta casa da Manor Road que Tolkien revisou o seu livro e os datilografou em sua cama, no sótão, conforme escrito pelo professor Tolkien, na Carta 257: “Datilografei O Hobbit e todo O Senhor dos Anéis duas vezes (e várias seções muitas vezes) em minha cama em um sótão da Manor Road, nos dias sombrios entre a perda de minha casa grande ao norte de Oxford, que eu não podia mais bancar, e a minha breve elevação à dignidade de uma antiga casa de faculdade em Holywell”.

Com o livro terminado, mas ainda não menos atarefado, Tolkien se mudou novamente em 1950 para uma antiga casa no 99 Holywell Street, na região central de Oxford. Uma casa construída em 1772 e que várias pessoas importantes de Oxford já tinham morado anteriormente.

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 Mudança de cargo e universidade

 

Entre os anos de 1925 a 1945, Tolkien foi professor de Anglo-Saxão (Rawlinson and Bosworth Professor of Anglo-Saxon) na Pembroke College, em Oxford. Nesse período Tolkien escreveu um ensaio acadêmico chamado “On Faires Stories” que posteriormente serviu como base para O Senhor dos Anéis.

Em 1945, com a morte do professor H.C. Wyld, Tolkien passou a ser professor de língua Inglesa e literatura na Merton College em Oxford, cargo que só deixou em 1959, quando se aposentou.

  

Então, quando o “final” fora atingido, a história inteira precisava ser revisada e, na verdade, em grande parte reescrita. E precisava ser datilografada, e redatilografada, por mim; o custo do trabalho de um profissional que usava os dez dedos estava além das minhas possibilidades.

Tolkien viveu em uma época que os livros eram escritos a mão e em sua fase final eram datilografados e enviados a editora para avaliação e publicação. Datilografar exigia muito tempo e por isso geralmente os escritores pagavam uma pessoa para fazer esse trabalho.

Contudo, o professor Tolkien era um professor modesto de Oxford e não tinha o dinheiro suficiente para pagar uma pessoa, pois os volumes que tinha eram muito extensos e por isso era exigido um preço alto para datilografá-los.

Assim, ele decidiu que ele mesmo deveria datilografar cada um dos seus escritos para encaminhar a editora. Como afirmou em carta: “Como a estimativa para datilografá-la estava na casa das £100 (que não disponho para gastar), fui obrigado a fazer quase tudo eu mesmo. E agora que olho para ela, a magnitude do desastre está aparente para mim”. (carta 124)

 

 

 

 

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