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Uma análise acerca do monograma de J.R.R.Tolkien

Uma análise acerca do monograma de J.R.R.Tolkien

Lia Margarida Silva

Eduardo Stark

 

Um dos mais fascinantes e misteriosos elementos de Tolkien e da sua obra é definitivamente o seu monograma. Marca registrada da Tolkien Estate e dos direitos autorais da família Tolkien, desde cedo caiu nas graças dos fãs.

O monograma pode ser classificado como um rébus, ou seja, um enigma em forma de figura, uma representação enigmática de um nome, palavra ou frase por figuras, imagens, arranjo de letras, etc., que sugere as sílabas das quais é composto.

No entanto, muitos perguntam de onde surgiram os monogramas? Historicamente, os monogramas foram utilizados como assinaturas para a realeza. Romanos e gregos usavam-nos em moedas para identificar os seus governantes. Depois, na Idade Média, os artesãos começaram a usá-los para assinar o seu trabalho. Durante o período vitoriano as pessoas de classe alta adaptaram o monograma para uso pessoal como um símbolo do seu lugar na sociedade.

Agora, os monogramas podem ser vistos em quase tudo: bolsas, sapatos, roupas, papel de carta pessoal, etc. Servem de identificação às grandes corporações empresariais como a qualquer indivíduo comum. Na era vitoriana, as regras para a construção de monogramas eram bastante simples.

Os monogramas exibiam a primeira inicial do lado esquerdo, inicial do meio à direita, e a última inicial bordada em maior tamanho no meio. Mas agora as regras são bem diferentes. Um monograma pode ser brincalhão, lunático, tradicional, elegante, ou discreto, o número de escolhas é quase infinito.

O objetivo do presente trabalho é apresentar os principais aspectos da evolução da forma do monograma de J.R.R.Tolkien, mostrando as mudanças ao longo dos anos e diferentes formas criadas pelo autor para representar seu nome.

 

1.A simbologia do monograma de Tolkien

 

Há uma concordância geral em que o monograma de Tolkien foi projetado por ele combinando as suas iniciais, mas navegando na internet podemos encontrar diferentes interpretações e teorias sobre a origem do símbolo.

Para os que se perguntam qual a simbologia dos dois conjuntos de 4 pontos no monograma, existe uma explicação. Nas runas antigas as palavras eram divididas entre si por conjuntos de dois pontos, como colunas, logo, J:R:R:T:. Outras “conspirações” menos creditadas afirmam as semelhanças da letra J na parte superior com uma vela e na parte inferior com uma clave de sol, outros afirmam até ver nela um cachimbo!

Monograma de J. R. R. Tolkien

Sabe-se que Tolkien se interessava por línguas estrangeiras (ensinando Inglês e mostrando inclinação particular para as línguas nórdicas), e isso daria crédito para a primeira teoria de que o escritor teria retirado a ideia para o monograma de um caractere chinês “Shù” (e o correspondente japonês “Soku”). Provavelmente são apenas suposições, pois os estudos e ensinamentos de Tolkien presentes nas suas obras, dificilmente fazem presumir o seu interesse nas línguas orientais.

Caractere Chinês “Shù”                                         Caractere Japonês “Soku”

Contudo, para além das semelhanças claras entre os dois símbolos, é curioso ver como o caractere oriental em questão pode ser traduzido como “para unir/para controlar”, com referências imediatas para a inscrição do Anel Um. Mas de qualquer modo, qual o verbo aleatório que não poderia ser tenuemente ligado a algo significativo no legendário de Tolkien?

O significado refere-se a temas religiosos, os dois símbolos iniciais dos quais a combinação deriva “Shù” (o T com os braços e o retângulo central) simbolizam respectivamente uma árvore e uma boca, indicando o controlo (neste caso o auto controlo) necessário ao homem para não se aproximar da árvore e portanto comer a fruta do pecado.

Existe uma outra teoria semelhante na qual se pode embater num outro símbolo chamado “haikka” (que significa “terra do meio/terra ao meio”), no entanto não há vestígios desse caractere. É clara a presença das suas iniciais, mas nada exclui a hipótese de que foi capaz de colidir com um livro sobre línguas orientais e ficou impressionado com algum símbolo de modo a ter inspiração. Quem sabe?

 

2.A evolução do monograma de Tolkien

 

Uma das primeiras aparições do monograma de Tolkien é de um desenho datado de Agosto de 1906, representando o porto de Lyme Regis. Na época desta ilustração Tolkien teria, portanto, 14 anos, idade na qual estava apenas a começar a mostrar o seu interesse pelo estudo dos idiomas. Esta versão do monograma difere da versão final principalmente na medida em que o segundo ‘R’ (inverso) ainda não está presente, e o estilo de rotulação é bastante simples (canto inferior direito das imagens).

É também verdade que a primeira versão completa do monograma parece surgir num trabalho que remonta a 8 anos mais tarde (a aquarela intitulada “Eeriness”). Parece que o jovem Tolkien, durante os seus primeiros estudos, estava interessado justamente em línguas germânicas ou pelo menos europeias. Naturalmente, a sua aparência exata iria variar um pouco dependendo do instrumento de escrita, do estilo de caligrafia, e assim por diante. Um bom exemplo da versão final é talvez a assinatura para a ilustração de aquarela de “The Hill: Hobbiton across the Water” de O Hobbit.

Foram analisadas várias ilustrações do professor contidas no livro “JRR Tolkien: Artist & Illustrator”, de Wayne Hammond e Christina Scull. Este livro reúne cerca de 200 imagens originais das obras de Tolkien, incluindo uma grande percentagem de material inédito, e enquanto as imagens são perfeitas para fãs de Tolkien de todas as idades, o texto é para os entusiastas de Tolkien mais detalhistas. Assim sendo, segue-se um quadro comparativo da evolução do monograma usado pelo professor.

 

 1906, Lyme Regis Harbour

Com a idade de 14 anos Tolkien pintou uma paisagem marinha num período de férias de verão. Neste momento inicial da sua vida, Tolkien dedicou algum tempo a pintar paisagens do litoral sul da Inglaterra, onde ele estava de férias. Então, podemos ver que assinou algumas das suas obras com um anagrama cuja estrutura básica se assemelha ao que se viria a popularizar: o T fundiu-se com o J e o R usando o mesmo eixo central para as três letras.

 

1907-1911, Introduction to Greek Prose Composition with Exercises, de Arthur Sidgwick

Um monograma desenvolvido por Tolkien enquanto era estudante. Essa é a primeira vez que utiliza os pontos como enfeite e dá destaque para a letra “T”.

 

1910, Whitby

Apesar de usar o anagrama ocasionalmente, Tolkien assinava a maioria das suas pinturas simplesmente com as suas iniciais. Neste exemplo, podemos ver a assinatura de outra paisagem da cidade costeira de Whitby, em Yorkshire.

 

1910, West End Ruins, Whitby Abbey

Nem sempre o jovem Tolkien usou as suas iniciais, como podemos ver por vezes escrevia o seu nome, mas com muita moderação. Neste caso, a assinatura é a partir de um desenho feito no mesmo verão, das ruínas da Abadia de Whitby.

 

1911, Lamb’s Farm, Gedling

Esta imagem é um retrato feito por Tolkien da Quinta Phoenix. Foi primeiramente publicado em “Sotheby’s English Literature, History, Children’s Books and Illustrations” a 17 de Dezembro de 2009. Uma segunda publicação foi prevista para “Wheelbarrows at Dawn: Memories of Hilary Tolkien”. O monograma apresentado nesta gravura possui os dois R do mesmo lado (lado direito) apresentando uma caligrafia curvilínea.

 

1911 -1913 Sammlung Göschen: Germanische Sprachwissenschaft Von Dr. Richard Loewe.

Em um de seus livros Tolkien assinou de uma forma diferenciada. Com três pontos do lado esquerdo para enfeite e um “T” com detalhe em espiral. O livro foi publicado em 1911.

 

  1912, Quallington Carpenter

Em Agosto de 1912, Tolkien visitou Eastbury, Berkshire, onde ele desenhou algumas das antigas cabanas de colmo. Aos 20 anos, assinava o seu trabalho com as iniciais do seu nome.

 

 1912, Gargoyles, South Side, Lambourn

Podemos encontrar a primeira versão do logotipo com todas as letras num desenho feito algum tempo depois dos anteriores. Este é um esboço da porta sul da igreja medieval de Lambourn, expressando mais interesse na gárgula. Embora realizado em linha irregular, a estrutura do logotipo é claramente mostrada, o J e o T fundidos num traço vertical e os dois R dispostos simetricamente sobre o eixo central.

 

 1912, Thought

Neste desenho a lápis azul, e de traço leve, Tolkien optou por um monograma bastante simples. Composto por apenas um T com um R ao centro, destaca-se dos anteriores, quer pelo uso simplista das letras quer por não utilizar todas as iniciais. Mas como visto em “West End Ruins” de 1910, não seria a primeira vez que ele assinava Ronald Tolkien.

 

1913, Undertenishness

Nesta aguarela a cores Tolkien realizou a sua assinatura a tinta preta com um traço médio. As letras parecem estar todas unidas numa só linha, sendo no final terminadas com um único ponto.

 

 1913, Pageant’s House Gardens, Warwick

No verão de 1913, Tolkien pediu a Edith para se casar com ele. Ao abraçar o catolicismo, a sua família a deserdou, e Edith mudou-se para Warwick. Talvez o caráter romântico de Tolkien se tenha traduzido num anagrama com um traço mais curvo e a introdução dos quatro pontos em ambas as extremidades do mesmo.

 

1913, Grownupishness

Nesta imagem, vemos uma versão estilizada do logotipo anterior. Parece que neste momento Tolkien escolheu esta versão para amplamente usar nos desenhos e aquarelas desse ano.

 

 1914, Eeriness

Em Janeiro deste ano, Tolkien pinta um cenário sombrio, com um mago (e um gato pintado no casaco) andando por um caminho rodeado por árvores. Esta cena lembra Rudyard Kipling, autor e poeta britânico e o seu “O gato que andava por si mesmo”, famoso pelo seu monograma RK, com o R voltado para trás e assemelhando-se a um K. Tolkien pinta no seu desenho o monograma de uma maneira semelhante, o R em reflexo um do outro, e o J e o T fundidos num só traço.

 

1915, Faery’s Back

Aquarela em que Tolkien representou as suas ideias sobre Aman, com as duas árvores que morrem dando frutos como a Lua e o Sol. Nesta pintura, Tolkien desenhou a lápis, com um traço rápido e energético, e no seu monograma, elevou a posição dos R que intersectam o topo do T.

 

1918, Gipsy Grenn

Na primavera de 1918 (aos 26 anos), Tolkien regressou da Primeira Guerra Mundial, sofrendo de “febre das trincheiras”. Ele passou por vários hospitais e acampamentos, sempre acompanhado por Edith e John, o seu primeiro filho. Num desses campos, ficou numa casa chamada Gipsy Grenn. A partir de um desenho da casa, podemos ver o logotipo com todas as características que permanecem inalteradas ao longo do tempo.

 

1937, The Hill: Hobbiton across the Water

Em Agosto deste ano, Tolkien faz a versão final de uma ilustração da Colina em Bag End para O Hobbit. Na base da aquarela, podemos ver esta versão do logotipo, com forma heterogénea, feito com caneta e tinta preta, traços retos e grossos.

 

1937, The Trolls

A ilustração de The Trolls que ele fez para O Hobbit, mostra um anagrama diferente dos observados até agora. Neste desenho a tinta, Tolkien faz um logotipo em “camadas”, em que os golpes se sobrepõem uns aos outros, dando uma sensação de alívio, e que suprime a imagem espelhada do R.

 

1937, Bilbo comes to the Huts of the Raft-Elves

A série de aquarelas pintadas com cenas de O Hobbit, mostra a forma de anagrama que nunca mais seria abandonada por Tolkien. Neste caso, vemos um design de traço rápido.

Após 1937 as alterações ao monograma foram mínimas pelo que se manteve mais ou menos estandardizado até aos nossos dias, continuando a ser usado pelo professor até à sua morte. Pode ser encontrado em quase todas as suas ilustrações e trabalhos artísticos, embora esteja intimamente associado às suas publicações.

 

3.Uso do monograma nas publicações de Tolkien

 

Ao contrário do que muitos pensam a utilização do monograma nas publicações da Tolkien Estate não aconteceu desde sempre. Este só foi oficalmente registrado como propriedade e marca em 24 de Janeiro de 1990, cerca de 53 anos depois da publicação do primeiro livro, sendo no entanto usado nas publicações desde há 11 anos antes.

A primeira aparição do monograma de Tolkien como símbolo ocorreu em 1976, com publicação do catálogo de ilustrações de Tolkien do Museu Ashmolean/National Book League, em Londres.O símbolo estava bem definido apresentando os mesmos detalhes que conhecemos até hoje nos livros.

1976 - Drawings by Tolkien

Drawings by Tolkien

Contudo, a primeira publicação considerada oficial que utilizou o monograma foi a caixa do  “The Tolkien Library” da editora Allen & Uwin, publicação de 1978 que continha os livros principais do mundo de Tolkien: O Hobbit, O Senhor dos Anéis e O Silmarillion. O monograma dessa forma foi utilizado dentro de um círculo com um fundo preto.A diferença além da cor é que o monograma alterou a extensão final do “J” que estava na direita e passou para a esquerda, o que inverteu horizontalmente o monograma.

1978 - The Tolkien Library Boxed Set a

The Tolkien Library – imagem do site tolkienlibrary

 Em 1979 o monograma de Tolkien parece ter sido novamente utilizado pela editora, dessa vez capa de proteção de “Pictures by J. R. R. Tolkien”. O monograma em dourado destaca-se por estar no centro da capa e adota o mesmo modelo utilizado pela edição dos livros de 1978.

1979 - Pictures by Tolkien a

Pictures by Tolkien – imagem do site tolkienboooks

 Até então o monograma não tinha sido adotado como oficial pela editora, pois era informalmente utilizado apenas em lívros que tivessem como tema apenas as ilustrações. Assim, os livros tradicionais como O senhor dos anéis, o hobbit e o silmarillion não utilizavam esse monograma.

  Mais tarde voltou a surgir, desta vez na capa de “The Letters of J. R. R. Tolkien” de 1981, trabalho compilado por Christopher Tolkien e Humpfrey Carpenter.

1981 - Letters of J.R.R.Tolkien a

The Letters of J.R.R.Tolkien – imagem do site tolkienbooks

 A partir desse período a utilização do monograma foi recorrente, sendo que a editora George Allen & Unwin Paperbacks o usava como uma estratégia de branding/maketing antes da Unwin Hyman ser adquirida pela HarperCollins.

O registro foi importante para a segurança da utilização do monograma como símbolo da Tolkien Estate Assim, em 24 de Janeiro de 1990, o monograma foi registrado pela The Tolkien Estate Limited no Reino Unido pelo Intellectual Proprety Office[1], estando catalogado na categoria 16, referente a publicações impressas, livros, fotografias, ilustrações, entre outros.

Nos EUA o registro foi realizado em 09 de março de 1990, com a empresa Legal Force Trademarkia[2], sendo catalogado numa categoria semelhante à do Reino Unido mas que ainda inclui alguns bens como jogos e outros presentes.

O curioso de reparar no registro dos EUA é que na ficha de registro, para além da descrição do logotipo como contendo as letras “J”, “R”, “R” e “T”,   a sugestão de pesquisa de logos e designs semelhantes é de inscrições em chinês, japonês, coreano e outros caracteres asiáticos. Isto é algo que incentiva e alegra os adeptos da teoria dos caracteres orientais, mas a questão centra-se em qual o motivo que levou a tal sugestão? Ninguém parece saber, talvez seja uma sugestão automática do website!

 

Imagem padrão do monograma de J.R.R.Tolkien

As primeiras edições em paperback de O Senhor dos Anéis e O Silmarillion que ostentarem o símbolo na capa datam justamente de 1990, ano do seu registro.

Atualmente praticamente todas as cópias possuem o monograma, no interior do livro ou na capa. As edições de Portugal, por exemplo, apresentam o seu monograma na lombada do livro e no interior. No Brasil, a editora Martins Fontes, apenas apresenta o monograma na capa de edições comemorativas, as outras edições , embora não na totalidade, têm-no na lombada. Qualquer leitor ou colecionador, ao olhar para os seus livros na estante, depressa se depara com o monograma. Tornou-se um símbolo como nenhum outro,  representando todo um imaginário.

 

4.O impacto do monograma entre os fãs

Para muitos fãs o monograma simboliza bem mais do que o seu precioso ídolo ou as suas obras amadas, representa todo um universo, todo um legendário. É portanto comum ver, hoje em dia, o monograma em tudo o que é produto relacionado com Tolkien e com os seus fãs. As grandes empresas usam e abusam dele, muitas vezes ilegalmente, com o intuito de dar um “boost” nas vendas dos seus produtos. Em qualquer pesquisa online podemos encontrar bijuteria, capas para telemóveis, t-shirts e outros produtos variados com o monograma estampado.

 

Como muitos outros símbolos no legendário Tolkien este é um pelo qual os fãs têm um carinho especial, levando muitos deles a gravá-lo na sua pele. É uma demonstração de afeto pelo escritor e sua obra.

 

Tatuagem do fã Jonas Ulrich de Zurique

O objetivo deste artigo foi explorar um pouco a criação do monograma de Tolkien, uma vez que é um tema ainda pouco estudado.As referências diretas ao monogramas são poucas e se encontram espalhadas por várias fontes.

Quero então agradecer aos membros do grupo The Tolkien Society pela sua prontidão em tentar responder algumas dúvidas, em especial a Wayne Hammond e Christina Scull pelas respostas completíssimas e a Jonas Ulrich por ceder a foto de sua tatuagem.

 

Referências

 

TOLKIEN, J.R.R. SCULL, Christina. HAMMOND,Wayne G. J.R.R.Tolkien: Artist and Illustrated. Harpercollins, London, 1995.

TOLKIEN, J.R.R. Catalogue of an Exhibition of Drawings by Tolkien.Compiled by the Countess of Caithness, Ian Lowe with assistance from Christopher Tolkien. The Ashmolean Museum / The National Book League.Oxford / London. 1st Edition 1976.

TOLKIEN, J.R.R. Pictures by Tolkien. George Allen and Unwin, London, 1979.

 

Sites consultados:

http://www.tolkiensociety.org

http://www.tolkienbooks.net

http://www.tolkienbrasil.com

http://www.ipo.gov.uk/tmcase/Results/1/UK00001411861

http://www.trademarkia.com/logo-74051778.html

http://www.tolkienlibrary.com/tolkien-book-store/CLP0212.htm

http://www.bonhams.com/auctions/20139/lot/241/

http://tolkiengateway.net/wiki/Lamb%27s_Farm,_Gedling

http://www.tolkienlibrary.com/tolkien-book-store/CLP0120.htm


 

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  • Rodrigo

    Estudo magnífico, obrigado por compartilhar!

  • Bruno Augusto Borba Baggins

    Muito bom!! Aprendi muito!!