Saiba mais sobre O Hobbit, Senhor dos Anéis…

A Terra-média é o passado mitológico do nosso mundo!

Região de Belfalas e Dol Amroth.

Região de Belfalas e Dol Amroth.

by Eduardo Stark

Todo bom fã de Star Wars sabe que as histórias daquele universo aconteceram “Há muito tempo atrás… em uma galáxia muito muito distante”, ou seja, em uma época passada e em um lugar que não é nosso planeta, e se quer nossa galáxia. Por outro lado, parece ser comum entre alguns fãs de J.R.R. Tolkien a dúvida sobre qual época e onde aconteceram as histórias fantásticas do legendarium.

Alguns dizem que a Terra Média seria um continente de um planeta totalmente criado e diferente do nosso, que é chamado de Arda. Assim, os eventos que aconteceram com o Frodo e seus amigos não teriam nenhuma relação com o nosso mundo. Não teriam nenhum vinculo temporal ou espacial.

Ocorre que Tolkien pensou em algo diferente. Desde o início, quando esboçou os primeiros textos do legendarium em 1914, o professor tinha a intenção de criar uma mitologia própria para seu país, a Inglaterra ou até mesmo para toda a Europa. E isso implicaria formar histórias que tivessem acontecido em um passado mitológico. Tal como é a Odisséia e a Ilíada em relação a Grécia, ou a Eneida para a Itália.

Assim, podemos dizer a princípio que as histórias do legendarium de Tolkien se passam na Europa, especialmente na região noroeste e que nosso mundo atual é uma continuação temporal daquele mesmo mundo, porém geograficamente modificado com o decorrer das eras.

Isso implica poder afirmar que nós (atualmente) somos todos descendentes dos homens que viveram na mesma época que os grandes heróis Frodo, Gandalf, Bilbo etc. E quem sabe até podermos afirmar que somos descendentes de Aragorn? Fato é que a consequência dos acontecimentos da Terceira Era geraram o nosso tempo: o domínio dos homens.

Em várias passagens dos livros, em cartas e em entrevistas o professor Tolkien apresenta essa noção de que seu mundo criado está relacionado a um passado mitológico imaginário de nosso próprio mundo.

As referências em O Hobbit

 

Na edição original do Hobbit publicada em 1937, com a capa desenhada pelo próprio autor, existem runas nas partes superiores e inferiores da dustcover do livro. Elas parecem ser apenas um artifício estético, porém tem um significado especial para os mais atentos. Há o seguinte escrito:

“O Hobbit ou Lá e de Volta Outra Vez; Sendo o registro de um ano da jornada feita por Bilbo Bolseiro da Vila dos Hobbits; compilado a partir de suas memórias por J.R.R. Tolkien; e publicado pela George Allen & Unwin Ltd”.

O Hobbit capa com as runas superiores e inferiores

O Hobbit capa com as runas superiores e inferiores

Então logo na capa do livro já se pode ter a noção de que no mundo imaginário de Tolkien ele não é o autor de sua própria obra, mas apenas um compilador de registros. No caso do Hobbit ele reuniu as memórias de Bilbo Bolseiro.

No último capítulo de O Hobbit há uma rápida descrição do livro em que Bilbo escreveu suas memórias: “Numa manhã de outono, alguns anos depois, Bilbo estava sentado no estúdio, escrevendo suas memórias – pensava em dar-lhes o título de “Lá e de Volta Outra Vez, as Férias de um Hobbit” – quando ouviu a campainha soar.”

Assim, o Tolkien nos mostra que tudo não passa de uma recontagem da história que foi escrita pelo próprio personagem. Logo no inicio do livro O Hobbit, na nota introdutória do autor, está escrito o seguinte:

“Esta é uma história de muito tempo atrás. Naquela época, as línguas e as letras eram muito diferentes das que empregamos hoje. O inglês foi usado para representar essas línguas”.

Na época em que escreveu o Hobbit, Tolkien não tinha planos de fazer dessa obra algo com uma grande complexidade, por isso se limitou apenas a dizer que a história de passava há muito tempo atrás e que naquela época se falavam outras línguas e usavam outras letras. Para representar o alfabeto antigo dos anões o professor utilizou as Runas nórdicas.

Em seguida, tentando explicar o que seria um Hobbit, logo no primeiro capítulo do livro “Uma Festa Inesperada”, Tolkien apresenta o seguinte:

“Imagino que os hobbits requeiram alguma descrição hoje em dia, uma vez que se tornaram raros e esquivos diante das Pessoas Grandes, como eles nos chamam. Eles são (ou eram) um povo pequeno, com cerca de metade da nossa altura, e menores que os anões barbados” Capítulo I, Uma festa inesperada.

Com a expressão “hoje em dia, uma vez que se tornaram raros” o autor nos indica que a história se passa em nosso mesmo mundo, em uma época anterior e que os hobbits ainda existem, porém são raros e se escondem na presença dos humanos.

Da leitura desses trechos destacados o leitor inicialmente poderia encarar o Hobbit como um conto de fadas comum. Tendo seus acontecimentos em um passado remoto e um lugar no mundo que é desconhecido.

Ocorre que o livro o Hobbit é muito mais complexo do que parece. Há toda uma camada de informações apresentada de forma discreta e simples. Tais como nomes derivados da mitologia nórdica, descrições geográficas que se complementam com mapas, uso de runas, informações sobre calendário e fases da lua, culturas regionais etc.

Os leitores do Hobbit de 1937 tiveram que esperar cerca de dezessete anos para saber o que Tolkien queria dizer no inicio do livro com o “muito tempo atrás”, pois foi com O Senhor dos Anéis, publicado em 1954 e 1955 que a noção de espaço e tempo do mundo tolkieniano foi mais bem aprofundada.

As referências em O Senhor dos Anéis

 

Com a ampliação da complexidade das histórias em O Senhor dos Anéis, Tolkien deu mais ênfase a questão do livro escrito por Bilbo. Ele passou a ser uma parte de um livro ainda maior chamado “Livro Vermelho do Marco Ocidental”.

Enquanto que no Hobbit essa ideia de Tolkien ser apenas um compilador do livro passa um pouco despercebida, em O Senhor dos Anéis é muito mais evidenciado por diversas passagens. Logo no frontispício da obra há escritos em Cirth e em Tengwar com o seguinte:

“O Senhor dos Anéis traduzido do livro vermelho do Marco Ocidental por John Reuel Tolkien. Aqui está contada a história da Guerra do Anel e do retorno do Rei conforme vista pelos hobbits”.

Está demonstrado que Tolkien se coloca como um tradutor de um livro escrito há muito tempo.O livro do Senhor dos anéis traz a visão dos hobbits sobre os diversos acontecimentos durante a Guerra do Anel, não do próprio Tolkien.

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Senhor dos Anéis, frontispício com o texto em Cirth e Tengwar

No prefácio da primeira edição do Senhor dos Anéis (que pode ser lido na integra AQUI) Tolkien apresenta logo no início que o livro é extraído das memórias dos Hobbits Bilbo e Frodo:

Este conto, que tem crescido para ser pelo menos uma história da Grande Guerra do Anel, é extraído em sua maior parte das memórias dos renomados Hobbits, Bilbo e Frodo, tal como estão preservados no Livro Vermelho do Marco Ocidental. Este monumento principal da tradição Hobbit é assim chamado porque foi compilado, copiado várias vezes, ampliado e transmitido na família dos Lindofilhos do Marco Ocidental, descendentes do Mestre Samwise dos quais este conto tem muito a dizer.

Tolkien não se limitou a dizer que sua fonte principal foi o Livro Vermelho do Marco Ocidental, pois ele tinha acesso aos “registros sobreviventes de Gondor”. Assim, além de fazer uma tradução do Livro Vermelho, ele se valeu de outros documentos para formar o livro.

Eu complementei o conto do Livro Vermelho, em algumas partes, com informações derivadas dos registros sobreviventes de Gondor, nomeadamente o Livro dos Reis; mas, em geral, apesar de eu ter omitido muito, tenho aderido neste conto mais palavras e narrativa próximas do meu original do que a seleção anterior do Livro Vermelho, O Hobbit. Que foi elaborado a partir dos primeiros capítulos, composto originalmente pelo próprio Bilbo. Se ‘composto’ for só uma palavra. Bilbo não era assíduo, nem um narrador organizado, e seu conto está envolvido, discursivo, e às vezes confuso, falhas que ainda aparecem no Livro Vermelho, uma vez que as cópias foram cuidadas e alteradas muito pouco.

Assim, O Senhor dos Anéis e O Hobbit não se limitam apenas a serem traduções diretas dos Livro Vermelho do Marco Ocidental, mas ele foi completado com informações de outros manuscritos que o Tolkien teve acesso, bem como o fato de ter agregado suas próprias palavras e narrativa como escritor.

Apesar de ter feito essa seleção do material ele não colocou todas as informações no livro e a expressão “apesar de eu ter omitido muito” demonstra que existem outros manuscritos que ficaram de fora da compilação do Senhor dos Anéis.

Foi nessa convicção que comecei o trabalho de tradução e seleção das histórias do Livro Vermelho, parte do qual não foram apresentados aos homens das eras posteriores, quase tão sombrias e ameaçadoras como era a Terceira Era, que terminou com os grandes anos de 1418 e 1419 do Condado há muito tempo.

Destacada a expressão “parte do qual não foram apresentados aos homens das eras posteriores”, ou seja, as histórias foram esquecidas pelos homens conforme o tempo foi passando e com o trabalho de Tolkien ocorre o resgate histórico desses contos. A ideia é como se um estudioso tivesse achado um manuscrito antigo que revela histórias que não se preservaram nas culturas.

O prefácio da primeira edição foi completamente apagado a partir da segunda edição e seguintes e o novo prefácio não apresenta referências sobre essa forma de colocar Tolkien como tradutor ou compilador das histórias. Porém, ainda se mantém referências no inicio do primeiro livro na parte “A Respeito de Hobbits” e na última parte do Apêndice F do último livro.

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O Livro Vermelho do Marco Ocidental

Prosseguindo no primeiro livro de O Senhor dos Anéis no prólogo em que se trata “A Respeito de Hobbits” existem várias referências ao tempo e o fato de que os Hobbits ainda permanecem em nosso mundo, como havia sido mencionado no livro O Hobbit:

Os hobbits são um povo discreto mas muito antigo, mais numeroso outrora do que é  hoje em dia. Amam a paz e a tranqüilidade e uma boa terra lavrada: uma região campestre bem organizada e bem cultivada era seu refúgio favorito.Hoje, como no passado, não conseguem entender ou gostar de máquinas mais complicadas que um fole de forja, um moinho de água ou um tear manual, embora sejam habilidosos com ferramentas. Mesmo nos tempos antigos, eles geralmente se sentiam intimidados pelas “Pessoas Grandes”, que é como nos chamam, e atualmente nos evitam com pavor e estão se tornando difíceis de encontrar. Têm ouvidos agudos e olhos perspicazes, e, embora tenham tendência a acumular gordura na barriga e a não se apressar desnecessariamente, são ligeiros e ágeis em seus movimentos.

Tolkien relaciona um certo parentesco dos humanos com os Hobbits. E nisso ele utiliza a expressão “nossos parentes” demonstrando que os homens da época do Senhor dos Anéis são realmente nossos antepassados:

É fato que, apesar de um estranhamento posterior, os hobbits são nossos parentes: muito mais próximos que os elfos, ou mesmo que os anões. Antigamente, falavam a língua dos homens, à sua própria maneira, e em grande parte gostavam e desgostavam das mesmas coisas que os homens.

E por último, ainda tratando sobre os Hobbits, o autor destaca que os acontecimentos da Terceira Era da Terra-média ocorreram no passado distante e que o mundo mudou geograficamente desde aquela época, porém os hobbis ainda existem e habitam a região Noroeste do Velho Mundo:

Aqueles dias, a Terceira Era da Terra-média, já se passaram há muito tempo, e o formato de todas as terras foi mudado; mas as regiões habitadas pelos hobbits dessa época são sem dúvida as mesmas onde eles ainda permanecem: o Noroeste do Velho Mundo, a Leste do Mar.

Após essas partes acima em O Senhor dos Anéis é possível encontrar referências novamente no Apêndice F na parte II – Da Tradução, em que o Tolkien fala sobre os critérios e dificuldades que teve como tradutor do Westron, a língua original do Livro Vermelho. O tema é complexo suficiente para ter uma análise mais criteriosa em outro artigo.

Cartas e entrevistas

 

Em entrevista para o jornalista Denys Guerolt da radio BBC de londres em 1964, Tolkien responde sobre a relação de Midgard com a Terra-média (Middle-earth), em que ele responde serem o mesmo termo:

Gueroult: Eu penso que Midgard seria concebível como a Terra-média ou ter alguma ligação?

J.R.R. Tolkien: Ah, sim, são a mesma palavra. A maioria das pessoas cometem o erro de pensar que a Terra-média é um tipo particular de terra ou é outro planeta do tipo de ficção científica, mas é apenas uma palavra antiquada para este mundo em que vivemos, como se imaginava cercado pelo Oceano.

Gueroult: Me parece que a Terra-Média era em certo sentido, como você diz, este mundo em que vivemos, mas este mundo em que vivemos em uma era diferente.

J.R.R. Tolkien: Não … em um estágio diferente da imaginação … sim.

Em uma carta para Hugh Brogan (Carta151), de 18 de setembro de 1954, Tolkien deixa claro que os acontecimentos da Terceira Era levam ao nosso tempo, em que os homens dominam a terra:

Terra-média é apenas a palavra em inglês arcaico para [OIKOUMENE], o mundo habitado dos homens. Encontrava-se então como se encontra. Na verdade, exatamente da mesma forma em que se encontra, redondo e inescapável. Essa é em parte a questão. A nova situação, estabelecida no início da Terceira Era, leva eventual e inevitavelmente à História habitual, e vemos aqui o processo culminando-se.

Novamente em uma carta para a editora Houghton Mifflin (Carta 165), de junho 1955, Tolkien apresenta o significado da palavra “Terra-média” e ao final resume dizendo que ele não se preocupou em conformar sua história mitológica com a geografia do mundo. Ou seja, ele escreveu um passado mitológico do nosso mundo, porém sem se preocupar com a geologia, pois o mapa da Terra-média é bem diferente de qualquer mapa geográfico atual do que antes era chamado de Velho Mundo (Europa):

“Terra-média”, a propósito, não é um nome de uma terra imaginária sem relação com o mundo no qual vivemos (como o Mercúrio de Eddison). É apenas um uso da palavra middel-erde (ou erthe) do inglês médio, alterada a partir da palavra Middangeard do inglês antigo: o nome para as terras habitadas dos Homens “entre os mares”. E embora eu não tenha tentado relacionar o formato das montanhas e das massas de terra com o que os geólogos podem dizer ou conjeturar sobre o passado mais próximo, imaginativamente presume-se que essa “história” ocorra em um período do verdadeiro Velho Mundo deste planeta.

Em 1956, em uma carta que comentava a resenha de W. H. Auden (carta 183), Tolkien explica novamente  o significado de Terra-média e ressalta que o período histórico é imaginário:

A Terra-média não é um mundo imaginário. O nome é a forma moderna (que apareceu no século XIII e ainda está em uso) de midden-erd > middel-erd, um antigo nome para o oikoumenç, o local de moradia dos Homens, o mundo objetivamente real, no uso especificamente oposto a mundos imaginários (como a Terra das Fadas) ou mundos não-vistos (como o Céu ou o Inferno). O teatro de minha história é este mundo, aquele no qual agora vivemos, mas o período histórico é imaginário. Os princípios básicos desse local de moradia estão todos lá (para os habitantes do noroeste da Europa, de qualquer forma), de modo que naturalmente parece familiar, ainda que um pouco glorificado pelo encantamento da distância no tempo.

Está claro e evidente que a noção de Tolkien era que nosso mundo atual fosse uma continuação de sua mitologia. Mas disso surgem diversos questionamentos. Em que Era estamos e o que aconteceu após o inicio da Quarta Era? Como Tolkien encontrou o Livro Vermelho do Marco Ocidental ? Onde geograficamente ficaria a Terra-média em nosso mundo atual ?

Todos esses questionamentos demanda um estudo mais apurado sobre cada assunto. O que deve ser feito em outros artigos futuros.

Por enquanto, de todos essas citações mencionada podemos concluir que:

1 – Tolkien coloca sua mitologia como um passado imaginário de nosso próprio mundo, em que a Terceira Era dá resultado ao inicio dos tempos dos homens.

2 – Os hobbits permanecem ainda em nosso mundo, porém eles estão se ocultando dos humanos.

3 – Tendo em vista que se trata de um passado remoto, Tolkien se considera um estudioso que encontrou os textos originais (manuscritos) do Livro Vermelho do Marco Ocidental e que com esse material ele fez a tradução e compilação nos livros que agora são conhecidos como O Senhor dos Anéis e o Hobbit.

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  • Fernando Moura

    E esse livro vermelho ae….onde tem pra vender?

  • Pingback: A Técnica da Narrativa em Abismo nas obras de J.R.R. Tolkien - Tolkien Brasil | Tolkien Brasil()

  • Alan

    Seria então “O Hobbit” uma obra que está para a Inglaterra ou Europa, assim como “A Odisseia” está para os gregos, ou a Eneida para os Romanos, ou “Os Lusíadas” para os lusitanos.

    • Creio que não exatamente Alan. Neste sentido as histórias do lendário rei Arthur por exemplo estão muito mais próximas do povo inglês. Estas histórias que você citou muitas vezes estão entre os primeiros escritos nas línguas daqueles povos – e são histórias épicas, pois narram eventos (fantasiosos é lógico, mas talvez tendo fatos reais como base) que envolveram todos aqueles povos em questão. A obra do Tolkien talvez possa ser considerado um épico moderno – esta literatura não está na formação do seu povo, pois é uma obra muito recente, e a Inglaterra já está formada como povo há séculos. Fora que as pistas que Tolkien deixa, podendo ser interpretadas como referências da Europa, não são tão diretas. Em “Os Lusíadas” de Camões por exemplo, fica claro que é a história do povo português – aparecem personagens que de fato existiram (em situações fantasiosas); em “Odisseia”, cita pontos geográficos (como o mar Mediterrâneo, nomes de ilhas), e também a cidade Troia (embora esta numa condição também fantasiosa) – mas com elementos que fica claro identificar os povos, personagens, lugares, etc. Na Terra Média (lugar onde acontece as história de Tolkien) a geografia não é igual a atual Terra. Ele era linguista – diria que pegou elementos destas histórias épicas do passado e criou a sua própria, porém como escritor moderno não deve ser considerado igual aos outros – ele se inspirou neste estilo de literatura dos antigos e medievais, mais as lendas nórdicas, para criar a sua obra – mas esta não é uma relação direta com um povo moderno específico – não é um épico igual aos épicos clássicos já citados. Embora ajudou a abrir espaço para este novo tipo de literatura – o realismo fantástico.

  • Genial!