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Um desafio para os estudiosos da língua élfica Quenya!

 

silmarillion

 

Um interessante desafio começou entre os estudiosos das línguas de Tolkien. Pela primeira vez podemos conferir um texto do Tolkien em inglês, mas que tem sua versão em Quenya (uma das línguas dos elfos) ainda não revelada. A proposta é pedir para os estudiosos do Quenya traduzirem o texto em inglês para o Quenya e depois conferir com a versão feita pelo Tolkien e decidir quem chegou mais próximo do autor.

Na primeira metade desse ano foi noticiada a descoberta de um áudio inédito de uma palestra dada pelo professor Tolkien em 1958. (veja a notícia AQUI). Nessa palestra o professor recitava um poema em inglês e depois o apresentava em Quenya.

Sabendo disso, Carl Hostetter, um dos maiores nomes relacionados ao estudo linguístico de Tolkien apresentou um desafio linguístico na lista do Yahoo, conhecida Lambengolmer dizendo o seguinte:

“Aquela gravação dos comentários de J.R.R. Tolkien em 1958 em Rotterdam está sendo preparada para publicação e especialmente os detalhes que Tolkien recitou alguns versos em Élfico nela, apresenta uma oportunidade para o que julgo ser um experimento interessante. Um que poderá dar um valor verdadeiramente acadêmico a tais esforços. Nomeadamente, essas notícias, e a pré-publicação da tradução do texto em Inglês do verso de Tolkien, nos oferta uma oportunidade de fazer algo como um experimento controlado na tradução Quenya, permitindo a nós julgarmos o quanto é possível as pessoas se aproximarem de como o próprio Tolkien poderia produzir um texto em Quenya, antes mesmo de seu texto em Quenya ser publicado”.

O texto que deve ser traduzido é o seguinte:

“Twenty years have flowed away down the long river
And never in my life will return for me from the sea.
Ah, years in which, looking far away, I saw ages long past
When still trees bloomed free in a wide country.
Alas, for now all begins to wither in the breath
of cold-hearted wizards.”

Carl Hostetter afirma que já conhece a versão original em Quenya desse poema e por isso não irá participar e também diz que ninguém que ele conhece sabe ou é capaz de saber a versão em Quenya desse texto.

Ele diz finalizando que: “Dessa forma, quando a versão em Quenya for publicada no final desse ano, nós teremos a rara oportunidade de ver o quanto aproximado os melhores esforços na tradução Quenya podem se chegar ao do próprio Tolkien”.

Até o momento essas foram as traduções feitas por pessoas que acompanham a lista:

Ai! yúquëan loar anduinenen undu-siriër
ar ullúmë cuilenyassë entuluvar nin ëarello.
Ai! loar yassen palantirala cennen yéni-andë vanwë
írë ambë i aldar lehta-lostaner yanda-noriessë.
Ai! sí ilya queluva súlinen
ringa-hondë istarion.
[An ista i náti entë racir te
ar sarda hérenta tulcantë
ter i nurusossë.

(Ryszard “Galadhorn” Derdziński)

Ai! yúquëan loar anduinenen undu-siriër
ar ullúmë cuilenyassë entuluvar nin ëarello.
Ai! loar yassen palantirala cennen yéni-andë vanwë
írë ambë i aldar lehta-lostaner yanda-noriessë.
Ai! sí ilya queluva súlinen
ringa-hondë istarion.

(Galadhorn)

Yurasta loar isírië anda sírenen
Ar uvoro coivienyassë peluvar nin eärello.
Ai, loar yassen, qui palantirin, cennen yéni andanéya vanwa
Ívë er aldar ranyavë haryaner lóti landa nóressë.
Ai, sí ilya yesta firë i foassë
Ringa-hondë istarion.

(beriolon)

Loar(on) yucainen célier i anda sír
Ar alen mi coivienya nanwenuvar nin var-ëar.
Ai, loar yasse(n), palantirya, cennen yéni andané
Yá en’ aldar lostaner rávië yánanóriessë.
Ai, an sí illi yesta quelë súlenen
ringahonda-istarion.

(tyrhael_idhraen)

Loar yucainen avánier celuménen i anda síresse
ar úlume vehtenyasse lá entuluvar nin earello.
A loar yassen, palantírala, cennen yéni vanwe andave
yáíre ena aldar lostaner lérine palla nóresse.
Ai! an ilya sí yestasse queliéva súlenen
ringahonde istarion.

(Björn Fromén, meglimorco)

 

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O élfico de Tolkien e o chamado Neo-élfico

 

É muito comum hoje em dia os fãs de Tolkien desejarem fazer tatuagens ou textos utilizando as línguas élficas. Muitas pessoas também procuram traduzir seus nomes em Quenya ou Sindarin e realizam diversas atividades para sua própria diversão.

Acontece que Tolkien não deixou um vocabulário muito extenso para essas línguas criadas, o que torna difícil a tradução de muitas coisas, já que são línguas incompletas. Não tendo um conjunto de palavras que formam uma língua, vários fãs utilizam regras criadas por eles mesmos e formam novas palavras.

O produto do trabalho dos fãs de Tolkien em criar regras gramaticais e novas palavras em Sindarin e Quenya, é conhecido atualmente como Neo-élfico. Quem adota essa corrente são Helge Fauskanger (autor do Curso de Quenya), David Salo (responsável pelas línguas nos filmes de Peter Jackson), Thorsten Renk (autor do Curso de Sindarin).

Importante ressaltar que, primeiramente, o Neo-élfico parte de palavras criadas por Tolkien, mas as derivações e regras é que são estabelecidas por terceiros. È como se alguém fizesse uma parede com vários buracos que precisam ser tampados para ser terminada. Quem ergueu a parede foi o Tolkien, mas quem pretende terminar o ‘serviço’ são seus fãs.

Um exemplo prático é a palavra “Andamacil” que segundo o neo-élfico de Fauskanger significa “Espada Longa”. Mas Tolkien registrou apenas a palavra “Andamacilwa” (publicada no Parma Eldalamberon 17, página 147), que significa a ideia de alguém que tem uma espada no sentido possessivo “com a espada longa” ou “da espada longa”. Foi julgado que a ideia do possessivo atestada com o final “-wa”. Assim, retirando o “-wa” do final da palavra “Andamacilwa” (com a espada) se formaria outra palavra “Andamacil” (Espada Longa). Essa é uma das formas em que as novas palavras vão sendo derivadas ou criadas. O problema é que em muitos casos Tolkien se quer escreveu algo para se basear, restando ao fã literalmente criar (ou escolher) algo que melhor lhe convir.

O Neo-elfico no Brasil se tornou comum, especialmente pela forte influência dos filmes de Peter Jackson e a publicação do Curso de Quenya e Curso de Sindarin da editora Arte e Letra. E o melhor site a respeito do neo-élfico é o Quenya101, que tem vários brasileiros envolvidos também.

Mas existem aqueles que são contra (ou criticam severamente) essa corrente, dizem que apenas o próprio Tolkien poderia ter criado essas regras e que nenhum terceiro (um fã) poderia criar palavras novas, já que as línguas eram uma atividade pessoal do professor. Os defensores dessa corrente são Carl F. Hostetter, Patrick Wynne,  Christopher Gilson, Arden R. Smith, Bill Welden (editores e autores das revistas que publicam textos de Tolkien de forma autorizada pela família Tolkien). Para saber um pouco mais leia esse artigo AQUI.

Ambas as correntes de pensamento entendem que é perfeitamente saudável os fãs simularem frases ou poemas em élfico Quenya ou Sindarin. Mas, talvez uma diferença fundamental é que muitas pessoas que defendem o Neo-élfico dizem ser possível falar e escrever o Quenya como uma segunda língua e que com base nas regras estabelecidas é possível aprender. Já a corrente contrária a essa ideia afirma que Tolkien não deixou elementos suficientes para formar uma segunda língua e essa não era sua intenção, como o professor disse em entrevista de 1968:

“Eu não me importaria  que outras pessoas conhecessem e desfrutassem, mas não gostaria de algo como fazem certas pessoas com línguas inventadas: transformando-as em um tipo de culto e as falando em grupos. Não desejo passar uma tarde falando besteiras élficas”.

Conforme Helge Kare Fauskanger, em seu Curso de Quenya (arte e letra, p.13) afirma que: “Hoje, com muito mais material disponível, eu diria que é possível escrever textos que Tolkien provavelmente teria reconhecido como, no mínimo, um Quenya levemente correto”.

A experiência proposta por Carl Hostetter poderá provar que: 1) – mesmo com um bom material disponível ainda não é possível escrever algo próximo ao que Tolkien poderia escrever, ou 2) – que com o material disponível já é possível estabelecer regras que sejam consideradas seguras o suficiente para formar algo próximo ao que Tolkien poderia escrever em Quenya, comprovando o que Helge Fauskanger disse acima.

Aguardaremos no fim do ano…

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